Crise das Anime Songs? Empresas do mercado musical dominam os animes

             Para o novo milênio, muitas características vindas do sucesso de iniciativas como a em Rurouni Kenshin, tornaram-se padrão no mercado musical. Acabando a era de musicas aonde deveriam demonstrar a bravura de seus personagens, do ano 2000 pra cá, vivemos uma época aonde é mais importante o nome da gravadora, o nome da agência e o nome dos cantores.

            Pode perceber claramente a mobilização das empresas para esse novo setor, como a empresa Avex Trax, abrir em 1999, a empresa Avex Mode que supervisiona produções de cinema, live action e animes, aonde tanto novos talentos, como cantores consagrados da gravadora, são selecionados e sua música de lançamento é inserida naquele “xis” anime. Um dos portfolios da empresa é o anime Inuyasha, que tem em sua trilha sonora de Boa, Do as Infinity, Ayumi Hamasaki, a rainha do jpop no Japão.

            Um fato importante é que semelhante ao mercado de publicidade, aonde se compra “Xis” inserções (repetições) de um comercial para ir ao ar, no caso de agência e gravadora e estúdios de animação, é quase semelhante, assim o processo é pela preferência em escolher a gravadora para aquelas produções, do que pela qualidade do cantor.

            Hoje, as produções mais populares do Japão escolhem entre Avex Trax e Sony, sendo que casos como Naruto e Bleach, utilizam trilha sonora da Sony, enquanto Initial D e Inuyasha utilizam a da Avex Trax.

            Em 2004, quando a Warner Brothers lançou a versão live action de Cutie Honey, tendo Hideaki Anno, como diretor, conhecido por Neon Genesis Evangelion, trouxe um clássico das anime songs, numa versão atualizada. A canção tema, cantada originalmente por Yoko Maekawa, ganhou uma versão e sedutora, na voz da cantora Koda Kumi, pela gravadora Avex Trax, sendo um grande sucesso naquele ano, como também sendo uma das responsáveis do impulso da cantora, que hoje é a segunda cantora que mais vende singles e álbuns, perdendo apenas para a rainha da casa, Ayumi Hamasaki.

             E as verdadeiras anime songs, morreram? Não, estão por aí, em algumas produções, como Rica Matsumoto em Pokemon, o grupo Jam Project (reunião de antigos cantores dos anos 80, como Kageyama e Ichiro Mizuki) em diversos animes de robôs, como Jeeg e Mazinkaizer, entre tantas outras produções. Infelizmente, o mercado de anime songs mudou, gerando esse mercado atual no qual se usa como ponte de lançamento para diversos artistas.

            Se por um lado, o gênero tradicional como Kamen Rider, deixou de lado as anime songs, adotando músicas da Avex Trax, trazendo um j-pop eletrônico para suas trilhas sonoras em 2003. Temos o tradicional gênero Super Sentai há mais de 30 anos no ar no Japão, que mantêm o anime songs vivo, na voz de cantores como Akira Kushida, Hironobu Kageyama, como também apresentando artistas que cresceram ouvindo anime songs, como Psychic Lover.

            Podemos concluir, que séries tradicionais ou para público infantil, a velha anime songs permanece ativa, como o gênero Super Sentai e séries como Pokemon. Quando o público é mais velho, o mercado toma mais cuidado na trilha sonora, selecionando artistas que estão em moda, ou que irão fazer moda, inserindo esses em animes para publico infanto juvenil.

            É curioso que muitos cantores de sucesso dos anos 80, como Kageyama, Mojo, Akira Kushida, Takayuki Miyauchi entre outros, fazem bastante sucesso no Brasil, quando fazem seus shows no Brasil, por o público ser muito nostálgico. Independente disso, o público brasileiro está evoluindo o desenvolvimento mundial, desejando artistas atuais da música japonesa, como L’Arc~en~Ciel. Tanto que o público brasileiro já teve show da banda de j-rock Charlotte e ficou curiosa, quando o Centenário da Imigração Japonesa, anunciou que a cantora Namie Amuro viria ao Brasil, fato que acabou não ocorrendo infelizmente para o público brasileiro fã do gênero j-pop.

            Muitos artistas alcançaram a fama, graças a terem seus trabalhos atrelados a certos animes de sucesso, como UVERworld em Bleach e AAA na trilha sonora japonesa do live action chinês de Initial D, sendo hoje campeões de vendas de singles e álbuns no Oricon.

            Não podemos saber o que vai acontecer depois dessa década, mas a verdade é que não podemos ver mais as músicas de animes, apenas como meras trilhas sonoras. Tratadas como grandes negócios entre empresas, a trilha sonora que você ouve em seu anime favorito hoje, com certeza foi pensada se funcionaria naquele público, sendo parte da identidade traçada pelas grandes empresas japonesas.


       

About Giuliano Peccilli

Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo e Nintendo World.

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