Quem diria que um dia teriamos a honra de assistir um dorama na televisão brasileira? E mais, quem diria que esse dorama seria exibido na televisão aberta, com idioma original e legendado. Sendo apresentado como minissérie e sendo readaptada para o formato brasileiro, assim de 5 capítulos para 8 capítulos, Haru e Natsu apresentou uma nova forma narrativa de contar uma boa história.

O Benedito Ruy Barbosa japonês?

Para a critica brasileira, foi assim que Haru e Natsu foi chamado e comparado. Dificil não comparar a história da colônia italiana, com a da colônia japonesa que aconteceram na mesma época no Brasil. Mais difícil ainda é não ver semelhanças em produções como Terra Nostra e Esperança com o trama da Haru e Natsu, então a mídia brasileira especializada em informar tramas de novela, está corretíssima em querer aproximar as duas produções a mesma realidade.
Legendado e Dublado

Um fato que estranhou, mas que também agradou os mais fãs da cultura japonesa foi que a Rede Bandeirantes optou, por exibir a série com o áudio original em japonês, optando pela dublagem, apenas na narração dos personagens. Logicamente, para quem não está acostumado a este formato, pode estranhar, mas foi uma opção escolhida pela emissora brasileira. Todavia, sempre foi impossível agradar gregos e troianos, assim não tardou para surgir criticas pelo público que queria ver a série dublada. Infelizmente, eu sei que o formato da Band pode ter agradado fãs da cultura japonesa e até mesmo seus descendentes, e principalmente conseguiu audiência, provando que não estamos presos à dublagem. Só que ao mesmo tempo, tendo conhecimento dos gostos e costumes do público brasileiro, sempre soubemos da preferência de séries na televisão aberta, numa opção dublada, enquanto na televisão fechada, a cabo se preferir, uma opção legendada.
Outro ponto que incomoda o brasileiro é a questão do áudio, não estamos acostumados com o áudio japonês na televisão brasileira. Gera um choque cultural, porque estamos acostumados de ouvir português e o inglês, porventura, algum idioma semelhante o português, que vem de uma derivação do Latim. Agora, quando inserimos o áudio japonês, que foge desse “padrão” conhecido pela maioria, gera estranhamento. Falo isso, como estudante de língua japonesa e fã de produções japonesas, que o idioma, para a maioria das pessoas, gera estranhamento tendo conseqüências como a rejeição .

Agora, se a série demonstrou potencial ao ser exibida LEGENDADA, tentemos imaginar, o quanto a série iria alcançar caso tivesse optado pelo a dublagem. Infelizmente, por causa disso, Haru e Natsu não se fez presente, aos fãs de novelas brasileiras, apresentando uma nova escola na forma narrativa de se fazer produções, diferente das brasileiras, mexicanas, colombianas e argentinas, já conhecidas pelo público brasileiro.
Audiência

Depois de se falar sobre a importância de se medir a audiência graças à produção exibida, mais a opção em que foi exibida, sabíamos que a serie poderia ter o risco de dar “traço”. Pelo contrário, brigando, num horário que temos novelas da Rede Globo e Rede Record, o resultado escolhido poderia ser catastrófico, sendo que segundo o portal Revista Online, a audiência de Haru e Natsu ficou em torno de 3 pontos de audiência (na grande São Paulo).

Parece pouco? Realmente é pouco, quando compararmos a produções “globais” que já chegaram a bater 52 pontos de audiência. Agora, considerando, que não é uma série acessível para qualquer um, pois se retrata dados que muitas vezes devemos ter conhecimento prévio, como significado de dekassegui e gaijin, agregado ao formato exibido e tal, 3 pontos é altíssimo. Numa comparação a emissoras UHF, por exemplo, a MTV, Play TV que já exibiram algumas animações japonesas, tem sua média geral, traço. Sim, diante ao instituto de audiência Ibope, a audiência não chega a 50 mil telespectadores, gerando assim o zero ponto. Sendo assim, considerando 3 x 50 = 150 mil telespectadores só na capital de São Paulo. Isso não é bom?
A História

A série de 5 capítulos exibida pela Rede Bandeirantes, conta a história de duas irmãs que separaram se há 70 anos atrás.

1934 Hokkaido

Na era Showa, o Japão sofria uma crise sem precedentes, tornando-se atrativo ir trabalhar num outro país onde a terra que tudo dá. Assim, o programa de emigração chamava atenção dos japoneses, os convidando a ir para o Brasil. Foi assim que a família Takakura acreditou na possibilidade de ir para o Brasil e trabalhar durante
3 anos.

Assim, a família de Haru e Natsu parte para o porto, disposto a deixar o Japão para trás, acreditando na chance de fazer fortuna no Brasil. Porém, a filha mais nova contrai Conjutivite, coisa que o governo brasileiro não permite, assim a família descobre que só poderá embarcar se deixar a filha mais nova pra trás. A decisão é dura, mas Haru promete que voltara ao Japão daqui 3 anos.
Uma nova vida no Brasil

Chegando ao Brasil, Takakura Chuji descobre que tudo não era tão maravilhoso como parecia. Eles foram enganados, trabalhando quase como escravos em uma fazenda em São Paulo. Chefe de família, Chuji começa a perceber que não conseguira cumprir a promessa de voltar a 3 anos.

Uma das primeiras brigas entre os japoneses e os fazendeiros é o sistema de comprar mercadorias fiadas na mercearia da fazenda. Tendo proibições como não plantar sua própria plantação particular, os fazendeiros faziam as dividas dos japoneses aumentar, assim os amarrando por muitos anos em suas fazendas.
A independência no Japao

Natsu volta a sua antiga casa, morando com sua avó, mas a família dos seus tios matrata tanto ela como sua avó. A avó acaba falecendo, obrigando a Natsu tomar uma atitude drástica de fugir de casa.

Ela acaba sendo adotada por um humilde fazendeiro se tornando filha dele. Assim, Natsu esperava que em 3 anos, sua família voltaria e que tudo ficaria normal de novo.
A fuga e a guerra

Fugindo da fazenda, a família Takakura acha que terá um momento de paz, ao começar trabalhar numa cooperativa coordenada por americanos no Brasil. Porém, em plena segunda guerra mundial, os japoneses perdem a guerra, como se tornam inimigos dos americanos. O que acontece? A família Takakura tem deixar tudo que construiu pra trás, antes que sejam mortos pelos americanos.

A nova vida de Natsu

Infelizmente a morte esta sempre presente em sua vida, assim o pai adotivo de Natsu falece. O Japão consome a pior crise de todos os tempos, assim Natsu decide em produtos alimentícios como queijo.

Conhecendo um oficial americano, Natsu se interessa a fabricar doces, assim abrindo as poucos sua própria empresa no ramo.
Um lugar ideal para se morar

Haru e sua família acabam indo para o Paraná para recomeçar sua vida mais uma vez. Dessa vez, eles construíram um novo lar numa cooperativa feita pelos próprios japoneses. Nessa época, seu pai era um dos que relutaram a perda do Japão na segunda guerra mundial.

Quem teve mais sorte?

Haru continuou sua vida no Brasil, se casando, tendo filhos, e seu marido acabou se especializando em plantas em São Paulo. Sua mãe relutou o namoro de seu filho com ocidentais, algo bastanto natural na época.

Enquanto isso, Naru também teve sua família, se tornou uma das mulheres mais ricas do Japão. Nem por isso foi feliz, já que se cansou de viver numa família que se interessava mais em sugar seu dinheiro do que demonstrar qualquer amor. No fim, graças a economia, sua empresa foi engolida na crise e ela se sentiu mais feliz assim do que ter que dividir com seus parentes.
O reencontro

Haru e seu neto Yamato vão para o Japão reencontrar Natsu, inicialmente ela se esquiva, dizendo que senão havia procurado todos esses anos, não fazia diferença agora esse reencontro. As duas brigam justamente por causa das cartas que não receberam e é nesse ponto que o dorama começa. Já que ambas conseguem achar as cartas que uma contou a outra, até os dias atuais, assim acontecendo todo flashback da história.

Haru acaba convidando Natsu a vir visitar o Brasil e assim, ela se sente que realmente completou seu ciclo, em finalmente pisar no país que seus pais viveram o fim dos seus dias.

About Giuliano Peccilli

Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo e Nintendo World.

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