Opinião 2: Entre Amor e Ódio, E o Fim do Power Rangers!

Muita gente aqui adorou o podcast sobre Power Rangers e foi com certeza um dos temas polêmicos quando estamos entre o público que gosta de cultura pop japonesa. Por que? Justamente porque uma fatia desse público aprendeu a gostar de cultura japonesa graças as séries japonesas como Jaspion e Changeman, que pertencem ao um gênero japonês chamado Tokusatsu.

A invasão de Power Rangers no Brasil veio depois que o tokusatsu alcançou seu desgaste na televisão brasileira. Lembrando que começo dos anos 90, tivemos a cerca de 12 séries de tokusatsu exibidas ao mesmo tempo no país o que gerou um desgaste da mesma.
Power Rangers está ai há 17 anos no ar e sábado agora está acabando e entrando na “era da reprise” com a estréia de Mighty Morphin Power Rangers em alta definição. Sinceramente gosto muito da cronologia de Power Rangers até o espaço, por isso adorei saber desse relançamento, porém tenho minhas ressalvas.

A volta de Power Rangers trás o fim das séries atuais, como também o fim das produções na Nova Zelândia. Ruim ou bom, as séries na mão Disney, evoluíram não tanto em roteiro e carisma, mas em termos de filmagem e lutas. Cansamos de ler opiniões de fãs de ambas as produções, que Power Rangers teve lutas muito melhores coreografadas do que as suas versões originais Super Sentai.

Desde Galáxia Perdida, os americanos optaram não ter mais um elenco fixo, e sim um elenco por série, assim toda mitologia de Power Rangers foi jogada no lixo em troca de uma cópia do sistema japonês.
Não bastando isso, a última série Saban e a primeira Disney eram cópias xerocadas das suas respectivas versões originais.

A única série que fez questão de voltar a mitologia foi Dino Trovão que fez um trabalho muito interessante e bastante superior a série versão japonesa, Abaranger. Dizem as lendas que Abaranger foi feito para homenagear os americanos com o legado criado em Power Rangers.

Os fãs graças a internet que evoluiu nesses 10 anos, que existia um mundo novo a ser explorado, ao encontrar download de episódios das versões originais dos Power Rangers. As séries principalmente da época Disney o público conseguiu comparar com as originais. Porém por que essa relação amor e ódio?
Power Rangers foi feito porque o público rejeitava as séries japonesas, assim não adianta questionar. O público ocidental tem uma ressalva e as empresas não apostam suas fichas quando o assunto é cinco heróis japoneses defendendo seu país Japão.

A adaptação deu certo, gerou dinheiro, e foi um grande marco no segmento infanto juvenil nos anos 90. É inegável a entrada de dinheiro na companhia que fez ela crescer a ponto de engolir a Fox Kids do grupo Fox.

Como qualquer outro boom, Power Rangers teve problema de ser levado adiante, não foi a toa que a série quase foi cancelada em Power Rangers Turbo. A série mesmo reformulando elenco, mesmo com uma outra proposta, sofreu e conseguiu se manter até Força do Tempo.
Os brasileiros acostumados com séries japonesas e tendo a maior colônia japonesa do mundo, não foi suficiente para a invasão americana bem sucedida que aconteceu por aqui a maior emissora do país, a Rede Globo.

E sinceramente, comparar Super Sentai a Power Rangers sempre vai ser a mesma coisa que comparar filme japonês com remake americano,ou novela mexicana com remake no Brasil. Comparações são inevitáveis, mas a eficácia de cada uma em sua região é o que realmente importa.

Sobre Power Rangers, o erro da série foi desviar de sua rota, porque ela deveria ter feito algo como Robotech fez com Macross, em ter criado sua cronologia e sua história. A tal ponto que o último filme de Robotech foi feito no Japão com roteiro feito pelos americanos.

Power Rangers poderia ter evoluído a tal ponto que não precisaria mais existir a partir de séries japonesas. Sua cronologia e personagens como Ninjor, Alpha, Auric, Ranger Fantasma desapareceram porque as séries originais acabaram e uma nova série japonesa seria adaptada pelos americanos. Todos esses personagens poderiam ter sido melhor utilizados se a Saban não fosse tão mesquinha em investir em outras séries, ao invés de investir nos próprios Power Rangers.

A Saban tentou fazer um novo Power Rangers, mas fracassou em todas as tentativas, como VR TROOPERS, Masked Rider, Bettleborgs e até algumas produções totalmente americanas. Deixou seu carro chefe em um rumo que se tornou uma série genérica do que foi Power Rangers. Power Rangers como nos quadrinhos podia ter tido uma cronologia própria com personagens próprios mesmo que ainda utilizasse uma série japonesa pra ser adaptada.
É inquestionável o sucesso de Bulk e Skull na época, porque nunca foi pensado levar eles a diante numa série spin off de Power Rangers? Não teria sido mais sensato fazer isso do que aquelas adaptações medonhas da Saban?

Outra coisa alarmante é que com 17 anos, Power Rangers nunca chegou a ser visto como uma série americana pelos americanos. Prestem atenção e nunca vimos os americanos falando de Power Rangers como qualquer outro sitcom ou série animada.
O legado de Power Rangers morre em RPM, que estréia ano que vem no Brasil pela Disney XD. A volta de Mighty Morphin Power Rangers faz que essa série seja lembrada e por sua reprise em exaustão, numa remasterização que promete diminuir a falta de efeitos especiais na época.
Assistir esse tipo de série pra quem viveu a época, chega a ser nostálgico, mas é uma pena que isso não fará voltar o melhor que Power Rangers já teve. Não teremos episódios novos com vilões tão bacanas como Rita Repulsa, Divatox e Astronema. Tudo não passa de uma reprise de uma série bacana dos anos 90, uma forma barata e sensata da Disney continuar com o nome sem gastar muito.

Agora, pra uma empresa que tem séries como Hannah Montana, Jonas Brothers e Magos de Waverly Place, fácil analisar que esse tipo de produção sai muito mais barato e faz muito mais sucesso com a criançada hoje do que Power Rangers. Para que adaptar uma série japonesa, gastando em novos efeitos, elenco e o escambau, se temos séries com orçamentos mais enxutos e sucessos comerciais que geram produtos como cds musicais e filme nos cinemas?

E assim Power Rangers acaba no ocidente sendo algo ultrapassado que não funcionam mais com seu público alvo, as crianças.

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