No último domingo, 07 de março, foi realizado no bairro da Liberdade, em São Paulo, o 5º Festival de Sanshin – Sanshin no Hi (e não 3º, como divulgado aqui anteriormente. Desculpem a nossa falha! =P), um evento promovido pela comunidade de Okinawa em comemoração ao Dia do Sanshin (4 de março).
O sanshin é um instrumento bastante tradicional. Trata-se de um shamisen de três cordas, que surgiu em Okinawa e depois foi se expandindo para outras regiões do Japão. Foi trazido ao Brasil pelos imigrantes, e sempre era usado para animar festas da comunidade okinawana.

Alguns instrumentos raros foram expostos no festival.
Na primeira foto, um shamisen de mais de 200 anos,
e na foto logo acima, um shamisen raro,
que não existe mais em Okinawa. Perdeu-se com a 2ª Guerra Mundial.

O evento contou com a participação de diversos grupos tradicionais de shamisen, como o Ryukyu Minyo Kyokai e o Ryukyu Minyo Hozonkai. Além disso, também houve apresentações de dança tradicional (Ryukyu Buyo) e de taiko, com os grupos Requios Gueinou Doukoukai e Ryukyu Koku Matsuri Daiko. Este último, aliás, tratou de fechar o evento com chave de ouro.
Também tivemos algumas atrações internacionais, como o grupo Tontonmi e a cantora Kanako Horiuchi, que nasceu em Hokkaido e se interessou pela música de Okinawa após ver de perto uma apresentação no Japão. Ela toca sanshin há 10 anos.
“Fiquei muito contente em poder participar de um evento como este aqui no Brasil”, diz a cantora. “Me senti como se estivesse em Okinawa!”

A cantora Kanako Horiuchi, uma das atrações internacionais do evento


O auditório da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, com capacidade para cerca de 700 pessoas, lotou com este evento, o que ilustra a popularidade do shamisen entre a comunidade okinawana.
Um dos principais mestres de sanshin no Brasil, o sensei Seitoku Nakandakare, presidente do Ryukyu Minyo Kyokai do Brasil, ressaltou a importância do festival: “Eventos como este ajudam a manter as tradições de Okinawa, e, consequentemente, transmití-las para as gerações seguintes, nisseis, sanseis, yonseis, etc.” Opinião esta também expressa pelo vice-presidente da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, o sr. Shinji Yonamine, que destacou o interesse dos jovens da comunidade pelo shamisen. “É uma satisfação muito grande ver os mais jovens se interessarem pelo aprendizado do sanshin. Isso, com certeza, ajuda a preservar e a fortalecer as tradições de Okinawa.”
O sr. Yonamine foi ainda mais além, destacando também a participação de não-descendentes nos grupos de shamisen: “Hoje também há muitos não-descendentes que se interessam pelo sanshin, e aprendem a tocar o instrumento. Isso mostra que a tendência do sanshin no Brasil é crescer e se modernizar, além de promover o intercâmbio com outras comunidades. Tudo isto através de um único instrumento, que saiu de Okinawa e se tornou universal.”

A seguir, temos alguns dos momentos mais importantes do festival

Apresentação do grupo Ryukyu Minyo Kyokai (ao centro, o sensei Seitoku Nakandakare, de kimono azul):

Apresentação do grupo Ryukyu Minyo Hozonkai:


Apresentação de música e dança, com a mestra Shigeko Gushiken:

Apresentação de dança (Nanyou Chidori) – Yoriko Shimabukuro e Juliana Izu:


Apresentação de dança (Wakasyu Zei) – Saito Satoru Ryubu Dojo:



Requios Gueinou Doukoukai Eisa Daiko:



Ryukyu Koku Matsuri Daiko:








Nosso colunista Daniel “Sheider” (ao centro) junto com os membros
do Ryukyu Koku Matsuri Daiko

E foi isso, galera. Um evento super bacana, e um espetáculo muito bonito de se ver.
Parabéns aos participantes e aos organizadores do evento, pelo esforço de divulgar a bela e rica cultura de Okinawa. Chibariyo!

Por enquanto é só, pessoal. Aguardem as próximas postagens!

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Sempre presente nos eventos de cultura japonesa que saem nas páginas do JWave.

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