Hoje, o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria que resgata o cinema japonês no Brasil na década de 60 e 80. Nessa época, foi o auge de produções japonesas no país, vinha mais de 100 filmes por ano, e todas as grandes produtoras tinham suas filiais no Brasil.

A verdade que o texto da Folha não tocou muito foi que a colônia se adaptou ao Brasil, se afastando das produções nipônicas é verdade. Agora, graças ao crescimento de locadoras piratas, aonde gravações de novelas, séries, animes fizeram a alegria da colônia, com pessoas gravando da televisão japonesa e mandando as fitas pro Brasil, e por outro lado, as empresas oficiais fechavam suas portas no país. Foi por negligência e falta de cuidado da colônia que apenas se foca em cultura e tradição, ao invés de apoiar e manter as empresas japonesas no Brasil.

Quem sabe, se a colônia tivesse agido de forma diferente, hoje o país, teria estréia simultâneas e talvez complexo de cinemas japoneses e até um circuito especializado, o que acarretaria numa divulgação e exposição maior de filmes, séries do tipo para a televisão brasileira, sem intermédios, como é hoje em dia.

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Texto da Folha de São Paulo

Cinemas da Liberdade viraram igrejas e jardim sujo


À esq., o Cine Jóia em registro dos anos 80, na praça Carlos Gomes; hoje, local abriga igreja pentecostal
FERNANDA EZABELLA
da Folha de S.Paulo

Um jardim malcuidado, ainda que protegido por grades vermelhas, ocupa hoje o espaço que foi do pioneiro Cine Niterói, demolido em 1968 para a construção de uma avenida e um viaduto. “Isso aqui aos domingos ficava cheio de japonês solteiro, como eu”, lembra o acupunturista Shigueo Matsukawa, 68, na r. Galvão Bueno.

O cinema chegou a ter uma sobrevida em outro endereço, mas fechou nos anos 80 após se entregar às pornochanchadas.

Já o Cine Jóia, na praça Carlos Gomes, virou igreja pentecostal e escola de black music, bem ao lado de um centro de umbanda e outro de espiritismo. O prédio ainda tem a mesma estrutura, mas no lugar da grande tela, um altar e tablado para eventos gospel. A sala do projecionista virou camarim.

À esq., o Cine Jóia em registro dos anos 80, na praça Carlos Gomes; hoje, local abriga igreja pentecostal e escola de black music
À esq., o Cine Jóia em registro dos anos 80, na praça Carlos Gomes; hoje, local abriga igreja pentecostal

As outras duas salas da Liberdade, Tokyo e Nippon, tiveram sorte parecida. A primeira virou igreja evangélica nipo-brasileira, e a segunda, um centro cultural que promove bailes e aulas de etiqueta japonesa.

“O cinema era a pracinha de antigamente, 50% da vida cultural da colônia era ali”, diz Nelson Hirata, 65, cujo pai foi um dos pioneiros nas projeções ambulantes de filmes japoneses pelo interior de São Paulo, tudo em 35 mm, nos anos 30. Mais tarde, a patriarca Kimiyasu abriria o Cine Nippon.

“Mas a lei que obrigava a passar filmes nacionais [brasileiros] acabou com os cinemas”, lembra Hirata, que virou lanterninha aos seis anos e programador de cinema mais tarde.

A fase áurea da Liberdade chegou a ter 166 filmes japoneses lançados num único ano, em 1963, embora a média fosse de cem, diz o pesquisador Alexandre Kishimoto. A popularização do VHS e a decadência do próprio cinema japonês colaboraram para o fim do circuito.

“Naquele tempo, íamos à Liberdade mais pelos cinemas do que pelos restaurantes”, diz Leon Cakoff, criador da Mostra Internacional de Cinema de SP, que teve pôster da 20ª edição, em 1996, assinada por Kurosawa. “Hoje a colônia se abrasileirou, e para ver um filme japonês você não precisa ver num gueto.”

About Giuliano Peccilli

Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo e Nintendo World.

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