Segunda parte da matéria especial da Folha de São Paulo resgatando o cinema japonês no Brasil, agora falando das produtoras japonesas no país.

Essa segunda parte mostra o quanto no passado, o Japão viu o país como um público em potencial, principalmente por ser a maior colônia japonesa do mundo. Ela mirou certo, tendo auge de 166 filmes por ano, nos cinemas brasileiros.

Infelizmente, a crise no país e a mudança de leis, exigindo a exibição de filmes nacionais, chegou a níveis alarmantes, com a pornochanchada. O que fez de uma a uma, as produtoras fecharem seus escritórios no país.

Logicamente, os cinemas sobreviveram mais um pouco, mas perderam a guerra contra o VHS.

*************************************************************************************
Texto da Folha de São Paulo

Produtoras tinham base em São Paulo

ROBERTO HIRAO
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO ADJUNTO DO “AGORA”

Image Hosted by ImageShack.us
Os anos 60 foram uma festa para os cinéfilos de São Paulo, que dispunham de quatro cinemas exclusivamente de filmes japoneses. Na época, o Japão era o maior produtor de filmes do mundo. Dos seus estúdios saíram obras de todos os estilos, até westerns com todos os clichês do gênero (duelos ao sol, brigas intermináveis e ataques de índios).

Todas as grandes produtoras japonesas, com exceção da Daiei, nomearam representantes no Brasil. A Toho, dona da maioria dos filmes de Akira Kurosawa, foi mais longe: abriu um escritório na Liberdade e mandou um executivo a São Paulo para controlar a exibição de suas produções. O cinema escolhido foi o pequeno Joia.
Image Hosted by ImageShack.us
O auditório da rua São Joaquim abrigou o Cine Tóquio, que mudaria posteriormente de nome para Cine Nikkatsu. Na praça Carlos Gomes, perto da praça João Mendes, quando o filme era de Kurosawa ia direto para uma sala da Cinelândia, na av. São João. A Shochiku, estúdio de prestígio, instalou-se num local difícil, a pequena e tranquila rua Santa Luzia.

Aos poucos o público brasileiro foi se acostumando com o cinema japonês, e aconteceram sucessos como “Corvo Amarelo” e “O Homem do Riquixá”. Mas o cinema do Japão não era mais o mesmo. O público também mudou.

Numa das sessões de um filme do diretor Tomu Uchida, um crítico entusiasmado com a sequência de filmes se levantou e, aos berros, disse: “Isto é cinema!”. O público japonês, não acostumado a esse tipo de manifestação, retirou-se da sala certo de que havia um louco lá dentro.

About Giuliano Peccilli

Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo e Nintendo World.

View all posts by Giuliano Peccilli