Opinião 7: Blu-ray e o mercado pirata

Será que vamos ver isso nas barraquinhas no futuro?

Costumam chamar de “entusiastas” aqueles colecionadores que já aderiram ao Blu-ray, mesmo a preços impraticáveis quando comparado aos do DVD. Para a indústria, o Blu-ray virou um “DVD para ricos”, assim fazendo lançamentos segmentados. Na prática, o preço dos DVDs está caindo, porém mesmo assim é muito caro, e em relação a Blu-ray, o preço não deveria ser o dobro, ou o triplo como acontece, mas talvez apenas 25% mais caro ao preço de um DVD, como acontece em outros mercados mundiais.

Na prática, o Blu-ray já existe algum tempo no mercado, porém só acho, graças a tecnologia estar se barateando, players dessa nova mídia está chegando a um preço mais acessível. Como qualquer troca de tecnologia, Blu-ray tem relutância, porém no Brasil, parece que o problema é outro, talvez o mesmo empecilho que a TV digital tem por aqui, o que podemos chamar de falta de interesse.

Brasil – Tanto faz?

O Brasil infelizmente talvez por não estiver tão esclarecido com as novas tecnologias, ou por descaso, não aderi à nova tecnologia. O que acontece? A roda não anda assim o preço da tecnologia não desce, não existe demanda, resumindo, não existe mercado.

A dúvida é que no país em que locadoras estão virando artigos raros, e barracas de DVD proliferam a cada esquina, querer pregar uma nova tecnologia é uma grande furada. Convenhamos, a cultura do pirata, do “leve 3 e pague 10 reais” foi criada e a industria nacional não fez nada pra impedir. Alias, acontece o pior, a indústria tentou se comparar ao pirata, trazendo embalagens slim, envelopes de papelão, e toda forma mais grotesca de se vender DVDs oficiais, foi criada por aqui.

Além disso, para ter uma nova tecnologia, precisa de gasto, se você quer ter uma imagem digital, de alta definição, precisa de uma televisão de LCD. E estamos numa transição de tecnologia, aonde mesmo barateando, e oferecendo diferentes formas de pagamento, precisa haver interesse do consumidor (que nesse caso precisa avaliar se vale a pena em seu orçamento) em migrar de tecnologia. No caso de blu-ray, precisa migrar de aparelho, isso sem contar que muitos não entendem porque a imagem fica “feia” quando compra uma Televisão de LCD, porém usa toda uma tecnologia antiga, analógica e não conhece, ou não opta por uma digital.

O resultado disso é uma televisão digital brasileira feita pra gatos pingados, e uma migração que não acontece, o que pode talvez estender a nossa televisão analógica, coisa que não mais acontece nos EUA por exemplo, que foi desligada em 12 de junho de 2009. No Brasil, em tese, a teve analógica será desligada em 2016, porém já se fala em estender esse desligamento, justamente por falta dessa migração.

Os “blu-rays” piratas chineses

Desde 2008, os blu-rays ganharam uma versão pirata na China, em que extraem a imagem do filme e é lançado num formato de alta definição, porém gravado em DVD. O resultado é um falso blu-ray com falta de qualidade na imagem, porém superior ao DVD, custando 7 dólares.

Já se passaram 2 anos desde então e os blu-rays “piratas” não chegaram no Brasil, justamente porque não tem consumidor pra isso. O que pra um lado é excelente para indústria, e algumas empresas como a Disney, tem apoiado e lançado diversos títulos de peso em formatos diferenciados por aqui.

Consumidor – Compras fora do país

Enquanto isso, a melhor solução de comprar blu-ray hoje em dia é nas lojas internacionais como a Amazon. Por causa dos altos preços no Brasil, para se trazer a mídia de fora, e embalar como produto nacional (por falta na época de indústrias no mercado), se torna mais vantajoso você importar o filme com legendas e dublagem brasileira de algum canto do mundo.

Uma verdade que seja dita, o mercado brasileiro encolheu por causa da pirataria, porém as empresas optam de lançar produtos aqui pra atender o um público mais amplo, ganhando assim pelo preço “baixo”. O resultado não atrai nenhum público, por um acabamento aquém, falta de extras, e um preço que quem procura preço baixo, não quer e quem é colecionador não quer, porque não é o que esperava.

O mercado dos colecionadores é extenso e representado por sites como “Blog do Jotacê”, que mostram o que é algo bom pro colecionador, e quando não é, for atrás da versão ideal pra o consumidor brasileiro, lá fora.

Talvez seja hora, de empresas como a Universal que não aderiram ao formato no país, ver esse nicho e trabalhar focando nele. As vendas são menores sim, mas nesse caso, o consumidor irá pagar por um produto mais caprichado, enquanto fazer um produto aquém e numa tiragem mais alta tem o risco de ir para nos cestos de liquidação de grandes lojas de departamento no país. Justamente, porque o mercado interpreta blu-ray como “DVD pra rico”. Você concorda? Opine.

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