JArte #6: Introdução à Colorização e Pintura No ratings yet.

Depois de alguns posts sobre mercado, começo de carreira e profissionalização, vamos falar hoje sobre um assunto mais relacionado à produção: introdução à colorização e pintura!

A maioria dos desenhistas costuma, no começo, ser um pouco negligente na hora de colorir. Antes de aprender a teoria sobre balanceamento e composição de cores, a maioria costuma exagerar um pouco – seja usando a caixinha de lápis de cor ou, pior, o “color picker” do Photoshop. Quando estamos falando sobre uma boa colorização, menos é mais! Saber definir uma paleta reduzida é essencial para conseguir desenvolver uma boa “atmosfera” nos seus trabalhos.

Vamos deixar claro, primeiro, as diferenças: Uma pintura é, basicamente, a representação da realidade de forma gráfica somente com massas de cor, sem o uso de contornos (ou “lineart”). Uma colorização, porém, se constitui somente de preenchimento de cores em um desenho com contorno.

Nesse ultimo caso, o papel das cores é ajudar a definir as profundidades e planos da imagem, além de criar uma atmosfera no trabalho e, para isso, o melhor é ser mais “bem-resolvido” do que exagerado.

A melhor forma de começar é aprendendo um pouco sobre a Teoria da Cor. O melhor livro em português que existe sobre o assunto é o Guia Completo da Cor, da editora Senac. Ele é um pouco caro, mas é bom considerar um investimento em você mesmo e em sua carreira, não é?

O ponto mais importante é entender e saber usar o Círculo Cromático e as combinações complementares e análogas, além de entender o que são as escalas de saturação e claridade, e as distinções entre os sistemas RGB e CMYK. O assunto é bastante extenso e não caberia nessa coluna quinzenal, mas é importante que todo aspirante a ilustrador o entenda. Até porque, como eu sempre digo, quando você tiver alguma dúvida sobre como compôr as cores de um trabalho, se a inspiração não vier… você sempre poderá recorrer à teoria!

Outra dica importante que eu dou é buscar entender um pouco sobre a sinestesia e as sensações que as cores passam. Para isso, não é necessário ler a “Psicologia das Cores”, de Goethe (leitura pesada que eu nunca consegui avançar muito…), basta pesquisar um pouco. Uma ótima fonte está no site Colors in Motion, que coloca de uma forma bastante didática as relações que fazemos entre cores, sensações e conceitos. É um assunto imensamente interessante! O vermelho, por exemplo, é uma cor violenta, passional e agressiva, e deve ser evitado em um trabalho que deveria ser calmo, relaxante.

O site mostra até mesmo algumas relações culturais que fazemos. Pense, por exemplo, que cor-de-rosa era a cor da guerra na China Antiga, e até os 1800 sempre foi considerado uma cor dos meninos (por ser um tom claro do vermelho, que era antigamente uma cor relacionada ao universo masculino). A partir dos 1900 a publicidade inverteu esses valores completamente, e passamos a associar o cor-de-rosa com as garotas.

Um último ponto importante é recomendar àqueles que se interessam pelo uso mais complexo das cores em seus trabalhos fazer aulas do uso manual de tintas. Vejo muitos alunos e colegas usando o Photoshop e querendo realizar trabalhos de cor realista, mas sem entender nada sobre mistura e composição de cores. Meu trabalho de colorização e pintura digital melhorou consideravelmente depois que fiz dois anos de pintura à óleo, e comecei a entender melhor sobre tinta.

Vou estender esse assunto em breve, mas que, por enquanto, fique o incentivo àqueles que querem melhoras os seus trabalhos!

Você tem dúvidas sobre carreira, portifólio, profissão de ilustrador, ou mesmo sobre os seus desenhos? Mande um email para mim (caio.yo@gmail.com), e talvez suas dúvidas sejam respondidas aqui, em uma das próximas colunas!
Um abraço!

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