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Piteco – Ingá é a quarta Graphic MSP lançada, em 2013. O paraibano Shiko traz uma história exuberante, onde repagina a turma pré-histórica de Maurício de Sousa numa aventura cheia de perigos e ação, porém com uma boa dose de lições de sabedoria e amor.

Nessa história, o povo de Lem precisa migrar sem demora, pois o rio próximo à aldeia está seco. Todos estão realizando os preparativos e Thuga, a xamã da aldeia, quer saber se Piteco irá esperar por ela para finalmente criarem raízes. Como a resposta vem na forma de mais uma evasiva típica, Thuga se vê sem motivo para oferecer resistência aos seus captores, os Homem-Tigre.

Apesar de não dar o braço a torcer, Piteco não pode permitir que levem Thuga e, juntamente com o inventor Beleléu e a guerreira Ogra, parte em uma perigosa jornada para resgatá-la.

A trama toda é muito bem montada e ilustrada. Shiko manteve a essência dos personagens, entretanto incutiu neles um toque que os aproximou mais da brasilidade ao qual estão ligados, considerando a intenção de Mauricio de Sousa em mostrar uma pré-história genuinamente brasileira.

Aproveitando o rico folclore indígena brasileiro, a existência real da pedra do Ingá e sua origem nordestina, Shiko não poderia ter criado algo menos estonteante, digno da grandiosidade de nossa rica cultura.

Thuga ficou incrível como xamã, mesclando a sabedoria dos antigos com sentimentos que só uma mulher verdadeiramente apaixonada poderia exprimir. Piteco, o exímio caçador, continua incapaz de fugir em definitivo daquela que, um dia, será a dona do seu coração. Beleléu é retratado como um inventor corajoso, porém ingênuo quanto às armadilhas do caminho. Ogra ficou sensacional como guerreira, com um visual feminino e belicoso ao mesmo tempo. Só faltou mesmo o parceiro de Piteco na maioria das aventuras, o pacífico Bolota, não retratado nesta história.

Shiko publicou alguns trabalhos independentes e hoje colabora como ilustrador. Já teve experiências como roteirista e diretor e participou da trilogia MSP 50 com uma história do Astronauta. Também adaptou a obra “O Quinze” para quadrinhos.

Com seu Ingá, Shiko trouxe uma história repleta de lições, tanto para os personagens quanto para os leitores, pois independente da bela mensagem que ela nos deixa, nunca devemos deixar de valorizar o que há em nossa cultura, tão ou mais rica quanto a de outros países. Ingá deixa evidente o que todos nós deveríamos ter em maior quantidade: orgulho de nossas raízes e respeito aos que nos antecederam.

Graphic-MSP-Piteco

About Luana Tucci de Lima

Fã incondicional de CLAMP, Nobuhiro Watsuki e Yuu Watase. Adora mangás Yaoi , Turma da Mônica e... mordomos de óculos.

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