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Agora que já se passou um mês, muitas pessoas podem achar que as memórias já estão desbotadas. No meu caso, aconteceu o contrário; elas estão mais vívidas.
Desde quando minha querida amiga e tradutora Karen Kazumi me chamou no hangout para dizer que o sensei Nobuhiro Watsuki viria à Fest Comix, eu entrei num estado de oscilação de emoções digno da Rapunzel de Enrolados.

Embora preocupada com alguns problemas de ordem pessoal, reservei um canto da minha mente para ponderar sobre a revelação e calcular quais as minhas probabilidades de conseguir o autógrafo do autor do meu mangá favorito e, devo dizer, todas elas eram próximas a zero, mas… não eram zero!

Assim, comecei uma campanha não muito barulhenta, mas cheia de argumentos plausíveis para convencer nosso amigo e líder do JWave a tentar realizar essa façanha todos juntos. Seria mais difícil do que a maioria dos autógrafos que já tínhamos conseguido, mas não custava tentar.

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Quando soubemos que o Watsuki daria uma palestra no Centro Cultural Vergueiro fiquei muito empolgada, afinal, se conseguíssemos nossos autógrafos já na sexta, poderíamos curtir o evento no sábado sem maiores atribulações. Entretanto, mas uma vez a sempre doce (e sincera pacas) Kazumi disse que provavelmente não haveria condições do sensei atender a tantas pessoas que certamente viriam à palestra.

Encasquetada com aquilo, tentei não desanimar. Ao mesmo tempo que a primeira semana do Anime Friends bateu às nossas portas, mais informações sobre a vinda do Watsuki sensei ao Brasil foram divulgadas. Custando a acreditar no que eu lia, meu cérebro apenas registrou que 200 felizardos no sábado teriam a oportunidade de ganhar um autógrafo do mestre na Fest Comix: os 100 primeiros que comprassem o mangá “A Sakabatou de Yahiko” e mais 100 sorteados durante a palestra da JBC. Nesse momento, voltei a ficar preocupada e deveras deprimida (como se não houvesse amanhã, devo dizer). Cheguei a pensar que era castigo estar tão perto e tão longe de um ídolo ao mesmo tempo.

No primeiro sábado do Anime Friends, um passarinho me contou que havia outra pessoa além de mim que fez de Rurouni Kenshin o mangá de sua vida: Cris Eiko, a autora dos geniais Quadrinhos A2 e Penadinho – Vida (ao lado de seu companheiro Paulo Crumbim). Fiz questão de procurá-la no meio daquela muvuca que é o Anime Friends e explicar como funcionaria a logística para conseguir o autógrafo. Surpreendi-me ao constatar que ela também apresentou fortes características do que já podemos nomear como “humor Rapunzel mode on” e, depois de conversarmos bastante, comecei a pensar como fazer para não perder essa oportunidade.

Quase uma semana se passou e Juba e eu fomos à palestra do sensei. Nem preciso dizer que, apesar da palestra ter sido incrível, fiquei triste porque pegamos um lugar relativamente ruim e porque, ao final da palestra, não consegui ser sorteada para ganhar um souvenir. Apesar disso, deu pra notar já naquelas poucas horas o quanto Watsuki era admirado com razão.

Finalmente chegou o grande dia. Acordei cedo, fiz o que tinha que fazer e encontrei meus companheiros no Jabaquara. O coração estava a mil por hora e o nervosismo era grande. Esperamos pacientemente o relógio soar dez da matina e, quando abriram-se as portas da Fest Comix, saímos todos correndo, como se estivéssemos alçando voo, procurando cumprir todas as etapas em busca da tão sonhada pulseirinha verde. Mal pude acreditar quando a vi no meu pulso (mesmo porque, estava apertada pra caramba, nem precisaram me beliscar) e aí começou a contagem regressiva.

Depois de duas palestras incríveis (com direito a anúncio de Ultraman e tudo) e um caminhão de lágrimas ao lado da Cris Eiko (sim, choramos baldes ao nos encararmos após a entrada do sensei no recinto onde aconteceria a palestra), chegou a hora de fazer a fila. Recebemos um lindo cartão e um post-it onde foi escrito nosso nome em japonês para não haver problema na hora do sensei escrever nosso nome e… esperamos.
Algumas horas depois, finalmente era minha vez. Entrei na sala nervosa e olhei pro sensei:
Eu: – Konichiwa, sensei.
Sensei: – Konichiwa!
Eu: …
Intérprete: – Fala alguma coisa pra ele, é sua chance!
Eu: (com voz de choro contido): – Não consigo…
Intérprete (dirigindo-se ao sensei, em japonês): – Ela não consegue falar porque senão irá começar a chorar como criança.
Sensei (olhando pra mim com cara de dó): – Ahnnnn
Eu (ainda segurando o caminhão de lágrimas): – Arigatô, sensei!
Após ter pego também o autógrafo da Kaworu-sensei, saí tão desnorteada que quase meti a cara na parede. Gentilmente, Cassius Medauar olhou pra mim e disse: “- A saída é por aqui, Luana! Nada de choro, é dia de alegria!”, o que só me fez ter mais vontade de chorar. Saí da sala com uma sensação indescritível. Tinha conseguido. Meus amigos tinham conseguido. Realmente era dia de alegria.

Após me recompor, fomos para a fila do autógrafo dos autores das Graphics MSP (neste momento, chutei meu traseiro mentalmente porque juro que não sabia que o Shiko de Piteco – Ingá estaria lá também) e pedi para a Cris Eiko desenhar um Kenshin igual ao do Bruno (ciumenta, me julguem) no meu “Sakabatou de Yahiko”, o que ela fez achando graça (finalmente sorrisos, já que ela também precisou de lencinhos na frente do sensei) e este desenho lindo que compartilho com vocês aqui fechou com chave de ouro este dia tão especial, do qual não irei esquecer nunca.

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About Luana Tucci de Lima

Fã incondicional de CLAMP, Nobuhiro Watsuki e Yuu Watase. Adora mangás Yaoi , Turma da Mônica e... mordomos de óculos.

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