Opinião #18: Um novo ciclo

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Apreciar uma cultura diferente da sua traz alguns recortes interessantes de como ela pode influenciar sua vida. Inicialmente, isolamos essa cultura em categorias, como tradição e comportamento, entretanto não é tão fácil assim reunifica-las. Da mesma forma, estudamos um novo idioma, também dissecamos sua gramática, afim de melhor assimilar e expressar essa nova linguagem.

Meu contato inicial com a língua japonesa veio quando criança, com a influência das animações e séries nipônicas. Algumas palavras que não tinham tradução para nosso idioma eram apresentadas, bem como costumes, culinária, dentro outros aspectos que, embora tenham causado um certo estranhamento no começo, foram tornando-se totalmente naturais. Nesta mesma época, tive contato com produções sem tradução para português, que me desafiaram a tentar entender o que era dito e a duras penas perceber que nem sempre era algo fácil.

Quando entrei para curso de japonês em 2007 não imaginava que, dois anos depois, eu teria o prazer de visitar o Japão. Durante dois meses, tive o prazer de viajar e utilizar o idioma que estava estudando, encontrar dificuldades para me expressar e compreender os dialetos regionais em cada lugar que visitava. Além do que eu já esperava conhecer e realizar na viagem em si, acabei trazendo na bagagem de volta muitas coisas boas que descobri por lá.

Existe uma história que nunca irei esquecer e foi exatamente quando perdi meu passaporte. Se tive um carinho por um país que aprendi a gostar desde que era criança, também aprendi que esse carinho era recíproco. Fui tratado de forma exemplar, ajudado tanto pelos moradores quanto pelos policiais e tive meu passaporte encontrado e devolvido a mim em menos de um dia. Gosto muito de contar esta história quando alguém me pede dicas sobre o Japão, justamente para deixar claro a sensação de confiança que tive por lá.

Profissionalmente, tenho contato com a cultura japonesa desde 2003, quando tive o prazer de trabalhar em revistas sobre o universo pop japonês. Na mesma época, também acabei trabalhando em alguns eventos de cultura pop japonesa, em decorrência das revistas que trabalhei. Depois de retornar do Japão, trabalhei numa revista de jogos e tive meu primeiro grande desafio que foi jogar jogos totalmente em japonês. Na época, aprendi que todo conhecimento não está só no curso que você estuda, mas no seu interesse em se aprofundar no assunto e superar seus obstáculos. Tive que aprender vocabulários específicos, bem como saber toda uma terminologia que já era usada em português, o que me fez admirar o trabalho de tradução. A verdade é que cheguei à conclusão de que, quanto mais você estuda um outro idioma, mais você entende o quanto é abrangente a cultura em torno desse conhecimento que você leva para sua vida.

E, como ser conhecedor de um idioma a mais sempre abre muitas portas, tive o prazer de trabalhar em dois portais de notícias para brasileiros residentes no Japão. Durante 3 anos, escrevi notícias sobre jogos e animações japonesas para esses portais e aprendi a respeitar ainda mais a comunidade brasileira tão presente por lá.

Cada aula e cada professor ensina o que pode lhe trazer de melhor aos seus alunos. Logicamente que isso não se limita ao conhecimento, porque somos apresentados ao gosto peculiar de cada professor. Seja uma música, uma série ou até mesmo um jogo, cada uma dessas opções acaba sendo usada ao seu favor, para aprender o idioma e torná-lo mais usual.

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Nem sempre é fácil continuar a estudar um idioma tão diferente do seu. Ás vezes, desistimos por alguns momentos, porém precisamos ter em mente que devemos realizar nossos sonhos. Essa convicção em não parar, aprendemos no Japão com “Caia sete vezes, levante-se oito”, e por aqui com “O brasileiro não desiste nunca”. Se ambas as culturas pedem para não desistir… quem sou eu para desistir?

Só que essa não é a única lição que tiramos: se prestarmos atenção, não somos os únicos em querer aprender sobre o outro. Em tempos de redes sociais, aprendemos que ao utilizar o idioma japonês, você será visto, lido e ouvido. E por que não fazer amigos? E é exatamente observando essas pequenas coisas que consigo perceber os primeiros indicativos deste novo momento, em que estamos todos conectados. Atualmente, tenho feito amigos que não têm noção alguma de português, o que me faz aprender com mais afinco o vocabulário japonês e me sentir ainda mais à vontade em conversar num idioma diferente do materno.

Pensando em quanto é determinante o papel de um ciclo, entendo a função que esses 60 anos tiveram na sociedade: além de ensinar idiomas e artes, torna também mais abrangente e popular a cultura japonesa, não só a desmistificando, como também a desvencilhando dos chamados bairrismos. Se hoje vemos Brasil e Japão como dois lados de uma mesma moeda, nos próximos anos teremos uma integração maior a ponto de não sermos mais opostos, apenas complementares.

É muito difícil prever e tentar adivinhar o futuro, mas é possível ser audacioso, aposto numa conexão a ponto de nos tornarmos um só povo. O primeiro passo já foi dado e é certo de que estamos conectados. E mais um ciclo começa.

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