JMangá #132: Precisamos falar sobre Honey and Clover

Há alguns anos, quando as comunidades do Orkut estavam bombando e os lançamentos de mangá eram altamente debatidos nelas, lembro que li sobre o lançamento de Honey and Clover e, em um dos comentários, alguém disse que era mais uma história de um monte de meninos apaixonados por uma menina só. A pessoa ainda ia além, dizendo que era outro Ouran (que eu adoro, diga-se de passagem, mas fica para outro dia).

Quando o mangá foi lançado, lembro que comprei em conjunto com uma pessoa, li até o fim e, por motivos que não vêm ao caso, não fiquei com a coleção, mesmo tendo gostado bastante da história como um todo.

Anos depois, graças à generosidade de uma pessoa amiga, reavi a coleção e aproveitei para reler a história antes de guardar. Qual não foi minha surpresa ao perceber que eu não lembrava de absolutamente nada e que, caro colega da comunidade do Orkut, não tem nada a ver com Ouran. Convido vocês a explorarem comigo novamente esta bela história e tirarem suas próprias conclusões.

Relembrando

A trama se passa em uma faculdade e conta a história de alguns alunos do curso de artes. O protagonista, Yuuta Takemoto, é um garoto sincero que divide a moradia com dois veteranos, o responsável e certinho Takumi Mayama e o talentoso e inexplicável Shinobu Morita.

Um dia eles são apresentados à sobrinha de seu professor Shuuji Hanamoto, a tímida Hagumi “Hagu” Hanamoto, um verdadeiro gênio. Neste momento, Takamoto e Morita se apaixonam pela garota mas, mais do que uma paixão boba de adolescência, esse triângulo amoroso dará o tom da história e ensinará várias lições aos personagens e aos leitores.

Morita é um gênio, mas nunca consegue se formar. Está há seis anos no mesmo curso e é o terror dos professores, que tentam insistir para que ele leve mais a sério. O problema é que ele sempre arranja algum serviço (muito bem remunerado, por sinal) e some às vezes por meses, ou simplesmente não vai às aulas porque está com preguiça. A princípio, seu interesse por Hagu é igual ao de uma criança por um brinquedo novo, mas depois isso evolui de forma que até a mesma passa a nutrir o mesmo sentimento.

Hagu, por sua vez, desabrocha para o mundo ao longo dos capítulos. Arredia no início, desenvolve uma relação de extrema confiança com Takemoto e com Ayumi “Ayu” Yamada, aluna do curso de cerâmica que nutre uma paixão há muitos anos por Mayama. Este, por sua vez, está ciente dos sentimentos de Ayu, mas seu coração pertence à Rika Harada, amiga do professor Hanamoto e viúva do seu melhor amigo. Ela tem um escritório de projetos e Mayama a ajuda no que pode, mas ela mantém seu coração fechado.

No decorrer da história, questões que nos atormentam nesta fase da vida são abordadas o tempo todo: nossas expectativas com relação ao primeiro emprego, o medo de não conseguir trabalhar com o que estudamos para fazer e de não conseguirmos nos sustentar sem a ajuda dos pais, como lidar com as expectativas que as pessoas geram em cima de nossos feitos, e até mesmo aprender a aceitar que nem sempre o alvo de nossas afeições sente o mesmo por nós.

Após Mayama e Ayu se formarem, aparecem alguns personagens novos que os ajudam a amadurecer ainda mais. Eles são funcionários do escritório de projetos Fujiwara, no qual Mayama entra após se formar, sob o pretexto de tentar se afastar de Rika. Eles são Takumi Nomiya, o bonitão despreocupado que acaba se apaixonando por Ayu e ganha o desafeto de Mayama por isso; Miwako-san, uma mulher bonita e decidida que está sempre à frente dos rapazes do escritório; Yamazaki-san, que é muito puro de coração e fica bem em qualquer roupa e o cãozinho Líder, o mascote do escritório.

Esses personagens mais adultos dão um tom de maturidade à trama (embora Miwako e Nomiya tenham atitudes bem infantis às vezes) e mostram aos personagens e aos leitores os diferentes caminhos que podemos seguir após a formatura.

Paralelo a isso, Takemoto, inseguro com o futuro e apreensivo com seus sentimentos por Hagu, faz uma viagem de auto conhecimento montado apenas em uma bicicleta. Nessa viagem ele amadurece bastante, conhece novas pessoas e, finalmente, parece ter encontrado um rumo para sua vida. Hagu, por sua vez, não sabe ainda se continuará tentando participar de todos os prêmios de arte possíveis ou se voltará para o interior, onde talvez não tenha mais um lugar para chamar de seu. Mayama e Yamada penam para aceitar o que a vida lhes reserva com relação ao amor enquanto Morita sai de cena por um tempinho para resolver de uma vez por todas um assunto de família.

Quando tudo parece finalmente definido, Hagu sofre um acidente que pode deixá-la incapacitada de continuar pintando. Nessa hora, tanto ela como seus amigos precisam tomar uma decisão e é com ela que precisarão conviver pelo resto de suas vidas.

Opinião

Honey and Clover é muito mais do que um simples mangá shoujo. Ele mescla perfeitamente momentos de humor nonsense (quase todos protagonizados pela capacidade infinita de Morita em ganhar dinheiro) com um drama profundo, o qual todos nós já tivemos oportunidade de sentir pelo menos uma vez.

Ver Ayu se esforçando para abandonar os sentimentos por Mayama que nunca serão correspondidos da forma que ela merece corta nossos corações e nos coloca no lugar dela, afinal, quem nunca passou por isso? Takemoto, com sua pureza de coração, coloca as necessidades de todos à frente das suas até sair em sua viagem de auto-conhecimento e amadurecer esplendorosamente. Mayama também amadurece como homem ao finalmente ganhar a plena confiança de Rika e deixar Ayu seguir seu caminho, enquanto Morita aprende a ser sincero consigo mesmo ao conseguir resolver seu problema de família. Já Hagu precisou passar por uma experiência de quase morte para escolher o caminho que julgava correto, apesar de não ser o que diz seu coração.

<3

Resumindo, Honey and Clover é um mangá feito de escolhas: carreira, caminho, companheiros… todas as escolhas que fazemos ao longo da vida e que têm um peso considerável. Muitas vezes nos arrependemos, mas se não tivéssemos tentado, ficaríamos na dúvida para sempre.

Acompanhamos a trajetória desses personagens durante cinco anos de suas vidas e aprendemos com eles que nem sempre existe uma resposta certa para determinada questão. O que precisamos fazer é escolher aquilo que te parece certo no momento e olhar sempre em frente, pois nunca estaremos realmente sozinhos. Crescer pode ser dolorido, mas é extremamente necessário e foi essa a linda lição que Honey and Clover me deixou.

Espero que todos tenham a oportunidade de ler esta obra e que um dia ela seja relançada, já que alguns volumes tornaram-se meio complicados de achar em preços praticáveis. E viva o shoujo.

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