JMangá #139: Akira #1

Finalmente a espera acabou! Quase dois anos após o anúncio pela editora JBC, a republicação de Akira, obra-prima do mestre Katsuhiro Otomo, chega ao Brasil. O JWave foi privilegiado com o recebimento desta edição um pouco antes do evento de lançamento e divide com vocês essa emoção neste JMangá.

Press kit de Akira e a patinha da minha cachorrinha para dar um charme

A história

O ano é 2019. 38 anos após a Terceira Guerra Mundial ter sido deflagrada, um grupo de jovens delinquentes roda pelas ruas de Neo Tokyo apostando corrida com suas motos. De repente, uma aparição no meio da estrada faz com que Tetsuo, o líder da corrida naquele momento, sofra um acidente sério.

Quando seu companheiro Kaneda desce da moto para tentar ajudá-lo, encontra o motivo do acidente: um garoto com a aparência de um senhor de idade, que desaparece assim que Kaneda se dá conta de sua presença. Logo, pessoas estranhas aparecem e prometem enviar uma ambulância para Tetsuo, deixando-os sozinhos no meio da estrada.

No dia seguinte, após o sermão de praxe na escola e suas devidas consequências, Kaneda vai à um bar com os amigos e fica especulando o paradeiro de Tetsuo, desconhecido até pelos seus familiares. No mesmo local, um homem e uma moça estão no meio de uma conversa séria, mas são interrompidos pelas cantadas inconvenientes de Kaneda e resolvem sair do bar.

Já do lado de fora, a moça avista o garoto idoso e identifica-o como Número 26, ao mesmo tempo que Kaneda e seus amigos. Para se defender de uma possível surra, 26 provoca alguns desmoronamentos e some mais uma vez sem deixar rastros.

Intrigado com tudo o que aconteceu até aquele momento, Kaneda resolve procurar a garota, Kei, para obter mais informações. Enquanto isso, o homem que está com ela encontra 26 e tenta convencê-lo de que é um aliado, mas ele não é o único atrás do garoto; pessoas muito mais perigosas estão à sua procura e querem recuperá-lo a qualquer custo. Para isso, utilizam alguém semelhante à ele: Masaru, rotulado como Número 27.

O homem que tenta ajudar 26 a fugir questiona os “garotos” sobre Akira, mas não tem respostas concretas. Na tentativa de ajudar o amigo, que parece sofrer muito, Masaru tenta lhe dar uma cápsula mas quem pega a droga é Kaneda, que aproveita a confusão para fugir dali com Kei, deixando todos para trás.

No dia seguinte, enquanto pede para a enfermeira da escola analisar a cápsula roubada, Kaneda descobre que Tetsuo voltou. Eles combinam de sair com suas motos naquela noite e Kaneda percebe que o rapaz está muito diferente do que costumava ser.

No dia seguinte, o coronel em pessoa leva Tetsuo de volta ao hospital e o deixa servir de cobaia para experiências tão bizarras quanto o lugar para onde trouxe de volta Masaru e 26, cujo verdadeiro nome é Takashi. Eles ficam em um aposento que parece uma sala de jardim de infância que abriga crianças nas mesmas condições.

Uma delas, uma garotinha chamada Kiyoko, conta ao coronel que viu em seu sonho que Akira irá despertar logo e o faz dar andamento a alguns preparativos, ao mesmo tempo em que Kaneda fica na cola de Kei e é envolvido em algumas situações atípicas. Por outro lado, Tetsuo definitivamente torna-se outra pessoa, adquire poderes inexplicáveis e uma dor de cabeça que piora cada vez mais.

A cápsula roubada por Kaneda, o casal que tentou ajudar Takashi a escapar, o jardim de infância da terceira idade, os poderes de Tetsuo… Tudo parece estar ligado a um segredo que o governo esconde e teme ao mesmo tempo e atende pelo nome de Akira. O que o despertar dele trará para a humanidade? O que será de Tetsuo e Kaneda? Essas e outros milhões de perguntas ficarão para os próximos volumes, que tenho certeza que nenhum de nós perderá por nada.

A reedição

Como todos já sabem, a republicação de Akira segue os moldes da edição francesa, a pedido do autor.

A capa (que, na verdade, é uma sobrecapa) é igual à original japonesa. Foram mantidas as páginas coloridas e o papel escolhido foi o lux cream. A edição está bem maleável, o que facilita bastante a manipulação na hora da leitura (são mais de 300 páginas, afinal). Já tradução ficou sob responsabilidade da veterana Drik Sada.

Opinião

Quando Akira foi publicado pela primeira vez no Brasil pela editora Globo, em dezembro de 1990, eu estava mais preocupada em me acostumar com a nova escola e distraindo a cabeça com gibis da Turma da Mônica, Disney e com a saudosa Manchete.

Anos depois, já adulta, assisti ao filme por indicação de amigos e confesso que, apesar de ter achado a animação OK, não achei a história grande coisa (me julguem). Fiquei o tempo todo pensando: “Cadê o bendito do Akira? Será que eu não entendi direito?

Quando comecei a trabalhar em um sebo de gibis, sempre via as primeiras edições do Akira da Globo, mas não tinha vontade de ler. Muitos clientes tentavam me convencer do contrário, afinal, como eu poderia me recusar a ler um clássico? Motivada por eles, folheei as primeiras edições e tive outra visão… mas não pude me aprofundar, uma vez que não teria tempo para ler no trabalho e, mesmo que tivesse, as edições finais eram muito raras; só as vi uma vez e mal deu tempo de embalar, pois foram compradas assim que apareceram na nossa loja virtual.

Depois disso, a republicação de Akira, para mim, nada mais era do que uma piadinha recorrente de Primeiro de Abril (usada também pelo JWave, inclusive). Resolvi na minha mente que Katsuhiro Otomo não liberaria uma republicação no Brasil mas… o anúncio da JBC me pegou de surpresa.

A espera por este título foi bem dolorida. Fiquei apreensiva durante todo o tempo em que não tínhamos notícias concretas sobre quando seria publicado. Alimentei esperanças por duas CCXP’s seguidas e nada, até que resolvi deixar rolar, afinal, com certeza um dia viria a data tão esperada. E ela enfim chegou.

Essa edição, bem próxima da original e mais acessível do que as edições americanas (que custam quase o dobro nas livrarias daqui), me fez ver a obra com outros olhos. Posso afirmar que valeu a pena deixar minha empolgação crescer durante a espera, pois finalmente consegui reverenciar a grandiosidade dessa obra.

Espero que as outras edições venham na mesma qualidade e com uma periodicidade que permita que o leitor se organize, afinal, tenho certeza de que ninguém vai querer privar sua estante dessa obra prima. Pela segunda vez no Brasil, mas dessa vez em uma edição que pode ser considerada como definitiva.

Agradecemos muito ao pessoal da editora JBC que nos cedeu o exemplar para análise e torcemos para que a volta de Akira abra precedentes para o retorno de obras grandiosas como Nausicäa no Vale dos Ventos. Quem sabe?

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