JMangá #157: Opus #1

Se você gosta de histórias cheias de metalinguagem, este lançamento da Panini vai te deixar feliz: Opus, de Satoshi Kon, tema deste JMangá.

A história

Chikara Nagai é o autor de Resonance, uma obra cheia de gente paranormal que luta para derrotar o vilão que controla a mente das pessoas e é chamado apenas de Máscara.

Em vias de terminar o mangá, decide pela morte de Lin, parceiro da protagonista Satoko, em uma cena épica: ao morrer, Lin leva Máscara consigo e a trama se encaminha para o final perfeito.

Ao terminar de desenhar a cena, Nagai está exausto e começa a se lamentar por ter saído para beber, achando que só ele estava passando por uma situação difícil, quando ouve uma voz estranha. Quando olha novamente para o desenho, vê que no lugar da cena está um buraco por onde ninguém menos do que Lin fugiu, levando a folha onde está desenhada sua morte.

Sem parar para entender o que está acontecendo, Nagai entra no buraco atrás de Lin e cai em cima do Máscara, salvando Satoko por acaso e ajudando-a a fugir.

Nagai tenta explicar à Satoko que estão dentro da história que ele criou, mas a garota reage bem mal, afinal, complicado descobrir que sua vida toda foi do jeito que foi porque alguém quis assim (Fushigi Yuugi feelings). Quanto mais Satoko se aprofunda no assunto, mais percebe que é verdade e fica cheia de dúvidas.

Lin, por outro lado, está revoltado por “ter que morrer” e tenta proteger o desenho a todo custo, se afastando até de Satoko. Ele chega até a provocar Máscara com essa revelação, que se mostra apenas levemente intrigado e continua a exercer seu papel de vilão dentro da trama.

Quando finalmente alcança Lin e tenta reaver o desenho, Nagai cai de volta no mundo real e acha que tudo não passou de um sonho. O único problema é que se esqueceu de como desenhar Lin e, como a obra terminaria com a morte dele, fica impossibilitado de encontrar um final coerente para a trama e é ameaçado de cancelamento.

Enquanto sofre diante das folhas em branco, Nagai vê Satoko em apuros e a traz para o mundo real. A garota percebe que não é a única sofredora do universo e passa a apoiar Nagai para terminar a obra e vai tentar ajudá-lo a encontrar Lin, selando assim o destino da obra. O único problema é que não será tão fácil…

A edição brasileira

Para minha surpresa, Opus (uma obra completa em dois volumes), foi publicada em papel pisa brite, apenas com as primeiras páginas coloridas.

Talvez pelo clima da obra, não foi incluído nada nas contracapas, mantendo a sobriedade da edição.

A tradução foi feita por Dirce Miyamura e a edição por Beatriz Bevilacqua.

Opinião

O traço de Opus me lembrou algumas obras, como Akira (Satoko é uma versão feminina de Kaneda, na minha opinião) e Legend of Mother Sarah. Algo legal foi a homenagem que o autor fez ao mestre Osamu Tezuka, ao nomear os cães de estimação de Lin como Atom e Uran (personagens de Astro Boy – Tetsuwan Atom). Também achei bem interessante o primeiro capítulo, onde parece que estamos mesmo lendo o mangá Resonance.

A ideia não preza pela originalidade e não acho Satoko carismática. Ela só fica interessante na parte final, quando vem para o mundo real e para um pouco de reclamar de tudo. Claro que é compreensível a confusão de todos os envolvidos (inclusive do próprio Nagai), mas a postura inicial dela é bem irritante.

No que diz respeito à Lin, devo dizer que não o culpo por querer sobreviver e, nesse ponto, ele supera autor e protagonista. Não desiste do que acredita, nem que para isso cause um colapso em ambos os universos.

No mais, a história entretém e deixa uma ponta de curiosidade. Se Nagai vai conseguir terminar seu mangá como queria ou se a felicidade de seus personagens será a premissa da sua obra; espero que isso seja realmente decidido a contento no segundo e último volume.

Agradecemos ao pessoal da editora Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.

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