JMangá #165: Pluto #1

A Panini passou 2017 dando tiros nos fãs de mangá e na CCXP não poderia ser diferente; Pluto finalmente chega ao Brasil e foi um dos lançamentos disponibilizados no evento. Neste JMangá, trago um pouco dessa obra, resultado de uma parceria entre Naoki Urasawa (Monster) e Osamu Tezuka (dispensa apresentações).

A história

Amado por todos, sem inimigos conhecidos e de forma inexplicável, o robô patrulheiro suíço Mont Blanc é encontrado totalmente destruído após um incêndio ocorrido em uma área de reflorestamento. Dias depois, um membro da diretoria da sociedade protetora dos direitos dos robôs, Bernard Lanke, também é encontrado morto em seu apartamento.

O inspetor da Europol Gesicht é designado para investigar os casos e, de imediato, já identifica uma coincidência em ambos os assassinatos: ao lado das cabeças das vítimas, algo fincado de modo a parecer um par de chifres.

Gesicht consegue prender um suspeito, mas tratava-se apenas de um viciado que agrediu um policial e destruiu um robô patrulheiro para evitar prisão por drogas. Ao levar o cartão de memória do robô destruído para sua viúva, o inspetor descobre algo que pode ajudá-lo a encontrar o verdadeiro responsável pelas mortes de Mont Blanc e Bernard Lanke.

Decide então seguir nessa linha de investigação e interroga o criminoso BRAU 1589, um robô que assassinou seres humanos oito anos antes, contrariando as leis da robótica. Após provocar bastante Gesicht, BRAU vê as fotos das cenas dos crimes e, ao reparar nos chifres, faz alusão ao Deus da Morte de várias mitologias, que possui chifres e que é chamado de Pluto dentre os romanos.

Longe dali, um músico cego contrata um robô para realizar as atividades domésticas, North no. 2, que serviu o exército na guerra. Após um começo difícil, o músico aceita a presença de North no. 2, até que este se afasta para proteger seu amo e também acaba morto.

Gesicht então percebe que alguém está assassinando os robôs mais poderosos no mundo; restam mais cinco, incluindo ele mesmo. Resta saber se ele conseguirá deter o assassino antes que este concretize seus planos.

O Maior Robô da Terra

Pluto é uma releitura do arco de mesmo nome do mangá/anime Tetsuwan Atomu (Astro Boy), obra do Deus dos mangás Osamu Tezuka e na qual Gesicht é um coadjuvante.

Esta história impressionou tanto Naoki Urasawa que este procurou o presidente da Tezuka Productions com seu produtor para expor a intenção de criar um mangá baseado neste arco.

Aproveitando o aniversário de 50 anos da criação de Astro Boy e devidamente autorizado por Macoto Tezka, filho mais velho do Mestre, que também se prontificou a supervisionar a obra. Assim, Pluto nasceu e, além de aclamado pelos leitores, ganhou vários prêmios no Japão e ao redor do mundo, conquistando fãs novos e antigos.

A edição brasileira

Atendendo a pedidos, a Panini publicou Pluto em um formato melhor do que as obras do autor publicadas anteriormente (a obra prima Monster e o confuso 20th Century Boys): a edição é semelhante às de Vagabond, Slam Dunk e One Punch Man, com papel off-set e orelhas.

As primeiras páginas são coloridas e a edição ficou com um preço condizente para o público alvo (R$ 18,90, bimestral).

A tradução ficou por conta de Dirce Miyamura e a edição é de Beth Kodama.

Opinião

Apesar de ser muito fã de Monster, Pluto sempre foi minha obra favorita de Urasawa.

Além de respeitar o espírito dos personagens criados por Tezuka, Pluto tem um clima sombrio mas que ao mesmo tempo é salpicado com uma tímida esperança.

Gesicht e seus companheiros são robôs, mas assim como Atom (Astro Boy) têm sentimentos mais complexos e verdadeiros do que os seres humanos. Desde o começo, o protagonista tem que lidar com humanos que menosprezam as máquinas, ao mesmo tempo que os protege, preso às leis da robótica que são a cruz que todo robô carrega; ele não entende como BRAU 1589 pôde fazer mal aos humanos, mas ao mesmo tempo pode ter a resposta dentro de si.

Li Pluto há mais de cinco anos em inglês, me apaixonei pela história e estou feliz que finalmente ela tenha vindo para o Brasil, em uma edição bonita e durável. Espero que vocês aproveitem a história tanto quanto eu curti no passado e estou curtindo agora.

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