JQuadrinhos #33: Chico Bento – Arvorada

Chico Bento volta à coleção Graphic MSP, mas dessa vez em uma história cheia de emoção, pelas mãos de Orlandeli.

Arvorada foi lançada na CCXP tour Nordeste (abril/2017) e traz uma versão do Chico Bento mais próxima de suas histórias clássicas, publicadas nos anos 80 e é a estrela do primeiro JQuadrinhos de 2018.

A história

Como toda criança saudável, Chico Bento sempre acha que pode deixar as coisas para depois. Quando a vó Dita o chama para ver a floração de um certo ipê-amarelo, o garoto parece estar mais interessado em comer um bolo de fubá quentinho do que ver uma árvore florida.

Quando finalmente resolve dar atenção ao convite de sua avó, todas as flores já caíram, deixando a árvore nua. Neste momento, recebe uma importante lição da avó: tudo na vida é feito de momentos efêmeros, que devem ser aproveitados tão logo aconteçam. Assim, Chico promete ver a próxima floração ao lado da avó.

O tempo passa e, finalmente, o ipê parece estar prestes a desabrochar novamente. Chico, empolgado, vai atrás da avó para cumprir sua promessa, mas ela cai doente e parece ser grave.

O garoto fica perdido. Ao mesmo tempo em que deseja do fundo do coração que sua avó melhore o mais depressa possível, sente que há algo errado. Esses momentos sem informações precisas nas quais possa se agarrar o deixam melancólico e apreensivo, descontando às vezes nas pessoas que estão próximas e só querem ajudar. Mas a promessa que fizeram é forte e vó Dita com certeza não deixará de cumpri-la com o neto… Nem que precise de uma ajudinha para tal.

Opinião

Arvorada é uma poesia. Não apenas pelo título ambíguo ou pelas cores vibrantes que combinam perfeitamente com o traço fluído de Orlandeli; mas também porque Chico representa cada um de nós.

Quantas vezes nossos avós, pais, pessoas próximas (parte da família ou não) ou até mesmo nossos animais de estimação quiseram compartilhar momentos conosco e alegamos falta de tempo? Enquanto crianças, queremos brincar ou assistir aos nossos programas favoritos. Quando nos tornamos adultos, as desculpas são o trabalho, o cansaço do dia a dia, entre outras coisas que pensamos na hora só para não ter que passar por aqueles momentos.

Um dia, a vida toma da gente esses seres especiais e só então pensamos que poderíamos ter feito aquela visita, ajudado a limpar aquele jardim, feito aquela comprinha na vendinha da esquina ou até jogado aquela bolinha e gritado “vai pegar!”. Só o que restam são lembranças salpicadas com o gosto amargo da culpa e a saudade que até ameniza, mas nunca some.

Por sorte, em Arvorada, Chico conseguiu se redimir a tempo de criar lembranças das quais se orgulha. Eu também tive oportunidades de criar as minhas com alguém que se foi muito cedo em minha opinião, mas que ainda hoje me inspira nos momentos difíceis. E vocês? Conseguiram se redimir a tempo de não precisar se arrepender? Espero de coração que sim, pois como a vó Dita bem disse, “é um presente embrulhado num pedaço de tempo”. E o tempo não para.

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