Iniciando a publicação de mangás pela editora, o pessoal do Pipoca & Nanquim traz uma obra do renomado Jiro Taniguchi (Gourmet, O Livro do Vento, O Homem que Passeia, Seton) em grande estilo.

Guardiões do Louvre chegou aos sites e lojas especializadas em maio e promete conquistar os fãs de histórias despretensiosas e bem ilustradas. Confira neste JMangá.

A história

Um artista japonês resolve dar um pulo em Paris após participar de um evento de quadrinhos em Barcelona e cai doente devido ao estresse acumulado. Ao tomar um remédio, ele cai no sono e delira durante a noite, até acordar renovado, com disposição para tomar um bom café da manhã e dar um passeio.

O destino escolhido é o famoso museu do Louvre. Ao chegar lá, não se sabe se ainda sob influência do mal-estar da noite anterior, o rapaz tem um ataque de tontura e, após um breve desmaio, se vê dentro do museu e recepcionado por uma distinta dama, que se apresenta como um dos guardiões do Louvre, habitantes de uma outra dimensão, presente dentro dos devaneios dele.

O encontro inusitado do protagonista com Van Gogh

Ela o leva à sala da Mona Lisa e MOSTRA não só o quadro livre de tantos visitantes, como também uma parte da estrutura do museu. Impressionado por receber tantas doses de conhecimento e sem entender direito o porquê de se locomover pelo museu de forma tão dinâmica, ele questiona a identidade da moça e descobre que ela é ninguém menos do que a Vitória de Samotrácia, famosa estátua exposta no Louvre e que representa Nice, a deusa grega da Vitória.

A bela e serena Nice, a Vitória da Samotrácia

Enquanto esteve em Paris, nosso protagonista recebeu a ajuda de Nice para encontrar personalidades falecidas há muitos anos, teve lições importantes sobre história da arte e ouviu sobre a coragem dos curadores do Louvre diante da ameaça das pilhagens nazistas na Segunda Guerra. Tudo ilustrado de forma clara, mas cheia de detalhes, em tons que trazem paz ao espírito. Nunca mais a arte será apreciada da mesma forma.

Aluta dos curadores para defender as obras do Louvre da ameaça Nazista

Sobre a edição

Guardiões do Louvre, para quem não sabe, foi um mangá feito sob encomenda para o Museu do Louvre. Ele foi serializado na Big Comic Original e após o término, publicado em uma grandiosa edição de luxo, toda colorida, tanto no Japão como na França, onde saiu pela editora Futuropolis/Musée du Louvre éditions.

No Brasil, a edição foi publicada exatamente no mesmo formato. A tradição é de Drik Sada e a edição foi dividida entre Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes. Ele ainda vem com um marcador tão grande quanto o mangá, o que torna complicado guardá-lo em outro lugar que não seja o próprio livro.

Brinde pra fã nenhum de marcador botar defeito

Opinião

Quando vi pessoalmente o mangá pela primeira vez, tive a impressão de estar diante daquelas edições antigas de atlas publicadas em fascículos pela Folha de São Paulo, há muitos anos.

Após passar o estranhamento, devo dizer que não imagino a edição de outra forma. O colorido e a narrativa se entrelaçam de tal forma que a leitura fica harmoniosa, além de abrir as portas para um universo que, para mim, era bem obscuro, já que meu maior contato com o Louvre veio de um livro de Dan Brown somado com sua péssima adaptação cinematográfica.

Recomendo este mangá para todos aqueles que gostam das obras bem desenhadas e leves, que te deixam com vontade de conferir pessoalmente. Taniguchi já me fez salivar por comidas japonesas com Gourmet (sendo que não aprecio essa culinária) , me sentir em meio à natureza com Seton e também despertou a vontade de conhecer caminhos diferentes com seu famoso Homem que Passeia. Não acho que seria diferente com um mangá sobre o Louvre.

About Luana Tucci de Lima

Fã incondicional de CLAMP, Nobuhiro Watsuki e Yuu Watase. Adora mangás Yaoi , Turma da Mônica e... mordomos de óculos.

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