Saiba como foi a mesa redonda das editoras no Anime Friends

Domingo é dia de mesa redonda com as editoras de mangá e, desta vez, o mediador foi Fábio, do blog Mais de Oito Mil. O bate-papo contou com a presença de Junior Fonseca, diretor da NewPOP, Marcelo Del Greco, gerente de conteúdo da JBC, Levi Trindade, editor líder da Panini e uma novidade: Paulo Roberto, coordenador de conteúdo da Devir, que iniciou a publicação de mangás no Brasil recentemente. Aqui, seguem os tópicos principais abordados na conversa.

O problema com a distribuição

Como esperado, o tópico distribuição foi abordado e cada uma das editoras falou um pouco sobre suas estratégias para que os produtos cheguem à maior quantidade de leitores possível.

Junior relembra que a NewPOP tirou os mangás da banca visando otimizar a distribuição dos produtos. Paulo, que também atua nesta área (a Devir também realiza a distribuição de alguns produtos em parceria com outras editoras), ressalta que o monopólio foi quebrado quando a Panini criou uma distribuidora própria e aponta as dificuldades que as editoras encontram, preferindo focar na distribuição para lojas especializadas e grandes redes de livraria, já que seu produto tem um formato que permite essa alternativa.

Marcelo revela que a JBC, há pelo menos 10 anos, decidiu não deixar tudo por conta da banca e já investia em pontos de venda alternativos e lojas especializadas, ofertando também produtos diferenciados para cada um desses pontos.

Levi ressalta que a distribuição sempre foi um problema, especialmente pelo tamanho do Brasil. O custo é muito alto pra que as revistas cheguem todas ao mesmo tempo em um país com dimensões continentais. Com a quebra do monopólio da Dinap (atual Total), muitos mangás que eram dados como perdidos reapareceram agora, já que os produtos eram armazenados e esquecidos pela distribuidora, sem nunca chegar ao destino final. A Panini disponibilizou parte do que foi recuperado em seu stand no Anime Friends, como por exemplo Pluto #1 e Berserk #19.

Ainda segundo Levi, mesmo restando uma grande quantidade de bancas no Brasil, é necessário que as editoras continuem abrindo espaço pra outros canais de distribuição e procurando alternativas para atender a todos os leitores, pois a venda em livrarias tem vida longa, mas na banca o máximo são 60 dias.

Marcelo complementou que a margem de lucro da editora é muito baixa e que todas essas coisas influenciam no preço final dos mangás.

A editora é prejudicada se o leitor deixa para comprar várias edições de uma só vez?

Ao ser abordado sobre, Marcelo Del Greco diz não fazer tanta diferença se o leitor compra tudo de uma vez porque as lojas virtuais adquirem pacotes fechados. Paulo acredita que a Amazon pode estar criando um monstro, já que a grande maioria de consumidores espera obter um desconto na compra do produto e isso pode prejudicar a editora a longo prazo.

Para Levi, trata-se de uma prática de negócios, mas para combatê-la, o correto seria fazer uma pré-venda na própria loja da editora por um preço mais razoável, para que pelo menos o primeiro volume fique garantido.

Junior Fonseca revela que nenhuma editora repassa descontos absurdos para Amazon e outras lojas. Na opinião dele, isso é fruto de uma estratégia da loja e, graças à Amazon, as lojas especializadas perceberam a necessidade de se fazer pré-venda.

Ele ainda reitera que cada uma das lojas tem seu cliente fiel e, para todas as editoras, não é interessante que exista monopólio e prefere que comprem os produtos na ocasião do lançamento, pois às vezes o intervalo para que ele consiga medir o desempenho do produto pode ser muito grande. Em uma participação especial, Edi Carlos Rodrigues, marketing da JBC, acrescenta que, quanto antes garantir seu produto, menos manuseado ele estará.

Reimpressões de mangá

Levi afirma que a Panini pensava em reimprimir alguns títulos, mas quando a distribuidora devolveu grande quantidade de mangás que eram dados como perdidos, decidiu-se por não reimprimir a princípio. Agora, estão realizando um trabalho de busca para tentar localizar e reaver outros produtos que possivelmente tiveram o mesmo destino, para estudar se a reimpressão será necessária mesmo.

Como em todas as palestras de que participa, Junior relembra que a New Pop sempre tenta seu catálogo disponível, tanto devido às distribuidoras, como para obter novos leitores. O volume 1 de GTO será reimpresso porque atualmente encontra-se esgotado e, como a série tem 25 volumes, todos os números precisam estar disponíveis para que novos leitores não desanimem se tentarem comecar a coleção agora.

Ele conta que cada caso é analisado para ver se realmente há necessidade de reimpressão. Speed Racer ficou três anos esgotado e retornou agora.

Paulo diz que nem sempre há recursos disponíveis para imprimir tudo o que gostaria, devido aos custos, porém não tem tantos problemas como as outras editoras, já que a maioria das publicações é volume único. Assume que Ancient Magus Bride teve um desempenho acima do esperado e que por isso, o primeiro volume se esgotou muito rápido, mas será reimpresso.

Para Marcelo, é difícil fazer a manutenção de séries muito longas. Os casos mais pontuais são Hunter X Hunter (hiatos longos entre cada volume prejudicam o planejamento de uma reimpressão), Nana, Bastard e X (estes três últimos, em hiato no Japão, deixando a editora de mãos atadas).

Ele ainda ressalta que os contratos possuem uma série de detalhes e não permitem que um volume específico seja que reimpresso. Sendo assim, a JBC prefere dar um upgrade em determinada série, revitalizando a franquia e trazendo oportunidade para novos leitores e para aqueles que perderam algumas edições.

Sobre o novo papel da Panini

Segundo o Levi, os novos lançamentos estão em off white porque os leitores pediam algo de maior qualidade. Ele ainda esclarece que os contratos ditam a forma como o título é negociado. Os títulos publicados em papel off-set já deveriam ter sofrido reajuste, mas o preço foi mantido por questões contratuais (embora alguns leitores não acreditem, já consta nas propostas que a editora envia ao Japão, itens como preço e formato do produto). A maioria das editoras absorve o custo o maior tempo possível.

Marcelo conta que o projeto de Lost Canvas foi totalmente revisto pois era um lançamento direcionado às bancas. As páginas coloridas são um bônus (não estarão em todos os volumes) e o papel também foi alterado porque o preço dos papéis cotados anteriormente subiram de forma considerável.

Capa e sobrecapa da edição brasileira de Nonnonba

Mangás custando acima de 50 reais

Paulo ressalta que a Devir já tinha criado o selo Tsuru apostando em público diferenciado e visando as livrarias.

Marcelo Del Greco conta que o kanzenban também foi planejado para venda em livrarias e lojas especializadas, assim como Akira e Ghost in the Shell.

E… Quanto à vinda de mais títulos shoujo para o Brasil?

Levi diz que, anteriormente, a Panini trouxe muitos títulos shoujo e houve reclamação por parte dos leitores e, agora que as séries em andamento estão chegando ao final, os leitores acreditam que a editora não vai mais trazer.

Tanto ele como Marcelo e Junior afirmaram que todos os títulos têm chance de vir, independente da demografia. Só precisa ser feita uma análise de viabilidade para que não tenha risco de cancelamento.

Formato digital

Para a Panini, salvar mangás dados como cancelados através da publicação digital pode ser uma opção, mas primeiro tem que analisar se o contrato permite, além de ver questões de licença, quais os custos pra digitalizar tal material, entre outros itens. A título de curiosidade, Marcelo conta que Fairy Tail foi totalmente revisado e rediagramado para a versão digital. Ele também ressalta que os softwares e hardwares estão em constante mudança, e que isso dificulta na hora de converter os arquivos.

Esses foram os principais tópicos abordados na tradicional mesa redonda das editoras!
Esperamos que tenham curtido nossa nova forma de cobertura.

Tem algo a acrescentar? Não concorda com algo que foi dito? Vamos continuar o bate-papo nos comentários!

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