Os japoneses possuem uma cultura muito diferente da nossa e isso se reflete tanto nas animações quanto no que eles se atraem. Enquanto nós, brasileiros, temos uma tendência natural a preferir filmes de comédia ou ação, os asiáticos, em especial oriundos do Japão, preferem algo mais triste.

Com a filosofia de “quanto mais triste for, melhor”, algumas produções audiovisuais acabam entrando no que chamamos de “cafona” ou “brega”, sendo aquela típica produção aquela sua tia que adora filmes românticos com trilha sonora ao fundo é capaz de chorar e falar “que liiindo!”.

No entanto, dependendo do diretor e da história, ela realmente pode ser emocionante sem ser brega, alcançando um nível de sensibilidade que realmente faz aquela produção ser bonita, reflexiva e bastante sentimental, mas com bom gosto.Pensando nisso, decidimos selecionar 5 filmes de animação japonês tristes.

1 – Túmulo dos Vagalumes

Tradução para o português de Hotaru no Naka, este é um filme de guerra em japonês lançado em 1988 que, apesar de ser uma animação do Studio Ghibli, é prioritariamente destinado aos adultos.

Com cenas que “embrulham o estômago” de tão violentas que podem ser, este é um drama que se passa durante a segunda guerra mundial e conta a história de dois irmãos que precisam viver na triste realidade de um país em guerra, com a trama se desenrolando nos momentos mais simples do cotidiano, como eles tendo dificuldades para encontrar comida, ou quando o protagonista, Seita, leva a sua irmã para um hospital e, depois de enfrentar uma fila gigantesca, o médico aparenta ser negligente.

Momentos bem dramáticos e um desfecho arrasador, este pode emocionar até mesmo os corações mais “gelados” e, para muitos, é um dos filmes mais tristes de todos os tempos. Mesmo assim, deixa uma bonita mensagem e, tecnicamente, possui excelência em animação e uma trilha sonora bem bonita. Atualmente, está disponível inteiro no YouTube em HD e, depois que terminar de assistir, recomendamos que volte para o ponto inicial.

2 – Gen Pés-Descalços

Este é um filme de 1983 baseado em um mangá homônimo que também conta uma história anti-guerra. Também foi adaptado para live action e, em 2007, houve uma série de televisão. O protagonista Gen é obrigado a lidar com as consequências da destruição de sua cidade após o ataque da bomba nuclear em Hiroshima.

De acordo com Keiji Nakazawa, que é o autor do mangá, as histórias são baseadas em sua própria vida, já que ele é um sobrevivente a bomba nuclear lançada na cidade. Mesmo com animações consideradas um pouco antiquadas para os padrões de hoje e dando todo o aspecto de “anime japonês antigo”, ele vale a pena uma conferida, principalmente a aqueles que curtem um longa-metragem cult e que querem conhecer um pouco do cinema japonês.

3 – Jardim das Palavras

Este vai no outro extremo do Gen Pés-Descalços e é um “primor visual”. Lançado em 2013, a história se centra em Takao Akizuki, um aspirante designer de sapatos de 15 anos, e uma misteriosa mulher de 27 anos chamada Yukari Yukino.

Com boas recepções da mídia no mundo inteiro, a parte que mais chama a atenção em relação ao roteiro é o clímax, que pode ser bastante emotivo. No entanto, o maior destaque vai mesmo para os visuais, com cores muito bonitas e bem distribuídas, e um visível esforço no capricho em cada detalhe.

Seja a chuva caindo no solo, os efeitos de luzes dentro de uma sala de aula etc. Some isso a uma trilha sonora bem ambientada e temos um excelente longa metragem.

4 – As Memórias de Marnie

Marcando também a aposentadoria do veterano Hayao Miyazaki no ano de 2014, Memórias de Marnie chegou aos cinemas ocidentais no ano de 2015 e chegou a concorrer ao Óscar em 2016 na categoria melhor animação, mas acabou vencido por Divertida Mente.

Sendo um filme de drama, este acabou se tornando um dos filmes mais populares do Studio Ghibli mesmo não apostando em uma história fantasiosa. Pelo contrário, este trata de questões existenciais bem comum em nossa sociedade refletidas na protagonista Anna, como timidez, baixa auto-estima, mal humor e exclusão social.

No entanto, uma amiga dela, Marnie, acaba simpatizando com ela mesmo com todos os defeitos que sua amiga possa ter e a relação entre as duas se desenvolve muito rápido, como se a Anna tivesse ganhado na Mega Sena da amizade. A história acaba sendo muito bonita e, como tradição no Estúdio Ghibli, os visuais são muito bonitos e a animação também.

5 – Cinco Centímetros por Segundo

Este narra a trajetória de dois personagens e esta é dividida em três pequenos segmentos, como se fossem capítulos. A memória afetiva e a nostalgia estão presentes em ambos os protagonistas e a melancolia se dá justamente através destes sentimentos. Angústias, ansiedade e a falta de coragem de falar “cara a cara” acabam sendo transmitidas ao espectador.

Delicado, bonito, sensível sem ser cafona. Destaque também para os excelentes visuais, e a retratação da vida cotidiana, como momentos em que os personagens estão cozinhando. Talvez não seja um filme para todos, mas para quem curte uma boa história e todas as nuâncias que o filme gosta de apresentar, é um ótimo longa metragem.

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