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Review | One Piece Blue Deep

A Panini Comics trouxe o quinto databook do One Piece, sendo uma chance única para aprofundar ainda mais sobre o universo do Luffy e seus amigos.

Lançada em 2012 no Japão, a edição ganha sua primeira versão em português com informações de 321 personagens, capítulo 00 de One Piece, informações sobre Akuma no Mi, Navios, Golpes e uma entrevista pra lá de especial com Eiichiro Oda.

Capa brasileira com marcador de página de brinde

Grande Registro de Personagens DEEP

Trazendo quase 200 páginas sobre personagens, essa parte da publicação traz informações do passado e presente dos personagens. São 321 personagens organizados com informações atualizadas e curiosidades de cada um deles.

Eiichiro Oda GREAT ANSWER

Parte das entrevistas

Uma das partes mais curiosas dessa edição é a reunião das entrevistas: Eiichiro Oda  Responde! DEEP e Toshio Suzuki X Eiichiro Oda – Grand Talk.

Transcrição de um programa de rádio do produtor do Studio Ghibli, Toshio Suzuki, a entrevista revela diversas curiosidades do Oda sobre Ghibli, jogos e como o Oda conheceu o Toshio Suzuki.

Nessa entrevista tem alguns pontos curiosos como Oda falando seu filme favorito do Studio Ghibli que é Nausicaa, entre outras curiosidades que ele tem em relação ao estúdio. Outra coisa é o momento paparazzi do Oda que foi atrás do Toshio Suzuki alguns bons anos atrás num show do Dream Come True.

Outra coisa é que Eiichiro Oda comenta sua amizade com Akira Toriyama, além das comparações de sua obra com filmes de Yakuza e outros mangás clássicos.

Obra favorita do Studio Ghibli pelo Oda
Conan, o garoto do futuro é o personagem favorito do Oda de todos os personagens criados pelo Miyazaki

Registro de Forças do Novo Mundo

Essa parte do databook temos informações sobre Akuma no Mi, Navios e Golpes. Cada seção está bem detalhada e explica com detalhes como por exemplo as regras de uma fruta Akuma no Mi.

Crônicas de uma Batalha entre Grandes Piratas ROMANCE DAWN

Aqui temos o Capítulo Zero – Strong World que se passa vinte anos antes de One Piece começar. Eiichiro Oda se preocupa até em fazer uma ilustração na abertura do capítulo citando os personagens que irão aparecer na história.

Para fãs de One Piece, com certeza é a chance única de ver personagens num momento de explicar e tirar tantas dúvidas.

Formato nacional

Edição nacional com orelha, pôster e marcador de página

A edição segue padrão das edições anteriores, optando por uma edição toda em Pisa Brita e trazendo 4 páginas em papel couché colorido, além de um pôster com as duas capas históricas.

A capa nacional tem duas orelhas trazendo informações do databook e do Sanji. E devo falar que realmente é bom acompanhar esse tipo de publicação por aqui, sendo que pela Panini Comics temos One Piece e Naruto que ganharam esse tipo de formato por aqui.

Voltando a edição em si, ela traduz e adapta muito bem o formato japonês. Assumo que em termos de diagramação, somos totalmente diferentes e mesmo assim a edição faz localizações muito felizes ao manter perfis de personagens e curiosidades exatamente como estavam no original.

Só que infelizmente algumas coisas continuam confusas que são as entrevistas, por exemplo. Tendo uma diagramação da direita pra esquerda, quando se faz a versão brasileira vai para esquerda pra direita. E aí confunde aonde começa e termina uma entrevista. Lembrando que isso não é um problema da Panini Comics, porque a Editora JBC já teve o mesmo problema com Love Hina, Death Note e Fullmetal Alchemist. Não sei até aonde a diagramação tem liberdade para alterar as coisas, mas ainda não encontraram uma solução para as entrevistas. Espero que um dia encontrem uma melhor solução para elas.

O pôster segue o mesmo estilo de outras publicações japonesas e a Panini Comics fez um trabalho impecável. Merece realmente todos os parabéns pela fidelidade ao trazer exatamente como a versão original.

A edição brasileira foi traduzida pelo Felipe Monte que fez um bom trabalho e manteve mesmo estilo do mangá.

Custando 29,90, acredito que a edição cumpre o que promete e tem um bom custo benefício. Considerando papel, pôsteres e o marcador de página, a Panini entregou bastante a um preço camarada. É um ponto a ser considerado quando você escolher essa edição para ter em casa.

Ilustração do pôster no verso
Pôster da edição aberto

One Piece Blue Deep

Autor: Eiichiro Oda Tradutor: Felipe Monte

Capa: Cartão com orelhas

Miolo: Pisa Brite / Couché Formato: 13,7×20 cm

Estrutura: 292 páginas, sendo 4 coloridas em Couché + Poster fixo em couché

Periodicidade: Especial – Volume único

Brinde: Marcador de páginas

Preço: R$ 29,90

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Review | Ultramarine Magmell #1

Nascido como Manhua na China, Ultramarine Magmell fez sucesso no Japão e ganhou animê pela Pierrot+. E no atual momento, temos animê exclusivo no mundo inteiro na Netflix, o que provavelmente influenciou positivamente a vinda desse trabalho pra cá.

Trazendo aventura, mistério e poderes sobrenaturais, Ultramarine Magmell foge de tudo que tentei encontrar um elo comparativo.

A obra é uma criação de Di Nianmiao e nasceu nas páginas da Fan Manhua sendo lançada um ano depois na Shonen Jump+.

https://www.youtube.com/watch?v=NMhddENJ0f8
Trailer do animê na Netflix

Mas do que se trata Ultramarine Magmell?

A história começa há 35 anos atrás, quando um novo continente aparece no oceano. Pacifico. Ocupando dois terços do oceano, o novo continente recebe o nome de Magmell e tem uma séries de seres e recursos desconhecidos, despertando uma nova era de colonizadores e exploradores.

Assim a obra salta para os dias atuais, aonde conhecemos o jovem Inyo que trabalha resgatando exploradores nesse novo continente.

E aqui temos algo que mesmo que nasceu na China, bebe do gênero Shonen, trazendo personagens carismáticos que toda boa obra do gênero.

Temos muitas cenas de luta com esses estranhos seres da ilha, além do destaque no personagem Inyo que tem um enorme poder de luta contra esses seres.

Sinceramente a arte da obra varia bastante entre o que eu achei bonito e confuso. Deixando eu ter que ver o animê para entender o que realmente estava acontecendo ali em cena.

Definitivamente a obra tem potencial e é bastante difícil de entender num primeiro momento, mas acredito que seja pontapé inicial para se desfazer mistérios em torno de Magmell e seus personagens.

Num primeiro momento, vemos Inyo indo resgatar um helicóptero militar, mas a obra deixa pequenos mistérios que provavelmente serão explorados nos números seguintes.

Quando vi a aventura no continente desconhecido, imaginava algo puxado para Dragon Quest ou Guerreiras Mágicas de Rayearth, mas acabei vendo personagens lutando mais ao estilo Jojo Bizarre Adventure e um traço que as vezes lembra Fullmetal Alchemist.

Edição nacional

Edição nacional vem com marcador de página de brinde.

A edição brasileira segue o formato 13,7 por 20 cm em papel Offwhite e com capa papel Cartão. Seguindo o modelo de outros lançamentos no mesmo mês, a Panini está colocando um marcador de página com a ilustração da primeira capa dentro do volume que está vendido por 22,90 com um total de 192 páginas.

A tradução desta edição foi feita pela Luciane Yasawa e o texto está muito bem adaptado. Além disso, na contracapa temos uma mensagem do autor o que quebra a quarta parede e mostra o bom humor dele em relação a sua obra.

Se podemos falar assim, os problemas aqui estão muito mais na arte que varia e no excesso de personagens, dificultando entender a história. Gostei bastante dos personagens, mas talvez precise de mais alguns volumes para se acostumar com todos eles.

Uma das páginas do mangá que foi rodado em Offwhite
Mensagem do autor

Ultramarine Magmell #1

Autor: Di Nianmiao Tradução: Luciane Yasawa

Capa: Cartão Formato: 13,7×20 cm

Lombada: Quadrada Miolo: Offwhite

Brinde: Marcador de páginas

Periodicidade: Bimestral

Estrutura: 192 páginas

Preço: R$ 22,90

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Review | Gigant #01

Do autor de Gantz e Inuyashiki, temos novo mangá da Panini Comics trazendo o que ele faz de melhor…. Ecchi e um bom mistério? Aqui não foge a regra e Hiroya Oku está de volta em sua melhor forma, trazendo traço belíssimo e abordando mundo jovem da mesma maneira que fez tão bem em Gantz.

Mas quem é Hiroya Oku?

Gantz

De Fukuoka no Japão, Hiroya Oku nasceu no dia 16 de setembro de 1967. Ganhando prêmio Youth Manga Awards de 1988, Hiroya Oku tem uma característica pecular em sempre abordar violência explícita, gore trazendo conteúdo sexual.

Isso te lembrou Gantz? É exatamente nessa pegada que temos o seu mais recente trabalho Gigant. E sabe o que é mais curioso disso tudo? É que esse trabalho surgiu em 2017, emendando com o fim de Inuyashiki também publicado no Brasil pela Panini Comics. Então se você gosta do autor, perceberá evolução dele aqui em mais um universo.

Ecchi de sempre? Não é bem assim…

E do que se trata Gigant?

Conhecemos o estudante colegial Rei Yokoyamada que consome dvds pornôs vindo pelo correio, tira notas baixas e que seu pai é produtor de cinema. Rei se inspira em seu pai e quer desenvolver seu próprio filme, um curta-metragem com amigos da escola.

Quando começa a busca pelo elenco do seu filme, ele acaba se deparando com bullying em cima da “atriz” pornô Papico. Seja por placas em todo bairro e mensagens em fóruns pela internet. Acaba que um dia Rei decide tirar essas mensagens pelo bairro e se esbarra com a própria Papico e nasce uma amizade entre ambos.

E aí que começa o surreal, porque um dia Papico esbarra com um estranho homem perto de uma máquina de bebidas. Ele cola um tipo de relógio no braço da Papico, vira um boneco além de aparecer um dvd com 166 horas.

Papico descobre que esse estranho relógio permite ela aumentar e diminuir de tamanho. E o que fazer com isso? Hiroya Oku com a sua mente doentia faz com que Papico decida usar esse estranho poder na indústria pornô, assim ela começa a fazer filmes em sua forma gigante, ficando ainda mais popular.

Paralelo a isso, Papico manda uma mensagem para Rei e ambos começam uma investigação sobre a origem de seus poderes.

Série está em andamento no Japão com 5 volumes, sendo que será publica no Brasil em uma periodicidade bimestral.

A edição brasileira

Edição Brasileira vem com marcador de página de brinde

A edição brasileira é 13,7 por 20 cm, sendo que o papel utilizado é o Offwhite. Cada edição tem 232 páginas, sendo as quatro iniciais coloridas. A primeira edição veio com um brinde que é um marcador de página com a mesma ilustração da capa.

A tradução em português é assinada por Caio Suzuki que também traduziu o excelente O Marido do Meu Irmão para a Panini Comics. Trazendo um texto bem informal, ao estilo do autor original, ela funciona muito bem e torna natural sua leitura.

Boa adaptação na versão brasileira

Um ponto positivo e até engraçado que o mangá referência obras antigas do mesmo autor, assim temos um momento que a Papico pergunta no Twitter em sugestões por mangá e mensagens que ela recebe é sobre Gantz e Inuyashiki. Muito bem sacado e torna ainda mais interessante se você gosta das obras do autor.

Sendo um mangá bimestral, assumo que o valor de 22,90 não pesa tanto, mas assumo que quanto mais o preço dos mangás dispara no Brasil, acaba se tornando um ponto negativo em consumir tantos mangás hoje em dia. Se você é fã do estilo do autor, vale a pena se aventurar em Gigant.

Quem diria que fazendo isso o Rei encontraria a Papico?

Gigant #1

Editora: Panini Comics

Autor: Hiroya Oku Tradutor: Caio Suzuki

Formato: 13,7×20 cm / Miolo: Offwhite

Capa: Cartão / Lombada: Quadrada

Estrutura: 232 páginas, sendo 4 coloridas no mesmo papel

Brinde: Marcador de páginas

Periodicidade: Bimestral /Preço: R$ 22,90

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Review | Jojo’s Bizarre Adventures parte 1 – Phantom Blood #1

Depois de anos e anos pedindo e cobrando a vinda da saga através de insistentes perguntas realizadas nas palestras de vários eventos geek, finalmente os fãs são presenteados com a chegada de Jojo ao Brasil pela editora Panini!

Anunciado sob grande comoção do público na CCXP 2017, o volume 1 da primeira temporada das aventuras de Jojo foi o maior destaque do Anime Friends 2018 e agora é o protagonista deste JMangá.

A história

Tudo começa na época em que a civilização asteca estava no auge e realizava sacrifícios de belas jovens em honra do Sol. Esses rituais eram comandados por um homem usando uma bizarra máscara de pedra, cujo poder é ativado com sangue humano.

Ela concede a vida eterna àquele que a usa, mas desaparece misteriosamente, ao mesmo tempo em que o povo asteca some, deixando para trás apenas ruínas e mistério. Muitos anos se passam e ela reaparece, mudando o destino de dois jovens para sempre.

A trama avança para 1880. O jovem Dio Brando assiste impassível à morte de seu pai, que antes de partir lhe revela parte de um segredo. Há cerca de vinte anos, supostamente salvou a vida de um cavalheiro e seu filho recém-nascido e obteve em troca capital para começar seu negócio. Dio é orientado por seu pai a procurar por este senhor após sua morte e é o que ele faz.

Chegando ao local indicado, ele conhece o herdeiro da propriedade, o inocente e aspirante a cavalheiro Jonathan Joestar, o “Jojo” desta fase. Invejoso por ver a situação confortável em que o rapaz vive, Dio resolve apropriar-se de sua vida e faz com que Jojo caia direto no inferno, ao espalhar boatos entre seus amigos, maltratar seu cachorro de estimação e até mesmo roubar o primeiro beijo de sua amada, que começa a evitar Jojo por ter vergonha do ocorrido.

Jojo reage bem mal ao descobrir o real motivo de ter sido rejeitado e acaba por sair na mão com Dio (literalmente). Neste incidente, uma gota de sangue do usurpador espirra em um curioso objeto pendurado na parede da mansão Joestar, que não é outro senão a infame máscara de pedra. Esta acaba por manifestar parte de seu poder ao receber o respingo do sangue de Dio e Jojo guarda a informação para si. Esta briga acaba custando caro para nosso protagonista, de quem Dio se vinga de forma bem cruel, mas sem deixar rastros de sua participação.

Os anos passam. Os rapazes vão juntos para a faculdade e vivem como se fossem irmãos de sangue. Enquanto Dio procura um modo de tomar a fortuna da família Joestar para si, Jojo tenta lidar com a desconfiança que ainda sente em relação ao irmão adotivo ao mesmo tempo em que estuda com afinco a máscara de ferro.

Na ânsia de tomar a fortuna de Jojo pequeno deslize faz com que ele finalmente seja desmascarado. Quando todos pensam que Dio finalmente irá pagar por aquilo que fez, ele adquire um poder inesperado… E assim começam as bizarras aventuras de Jojo.

A edição brasileira

Apesar de não ter capa dura, a versão brasileira de Jojo ficou muito bonita. Baseada no formato bunko japonês, ela possui apenas a primeira página colorida em menos volumes do que originalmente foram publicados no Japão.

Como de costume na maioria dos títulos publicados pela Panini, Jojo traz um glossário bem interessante com algumas curiosidades sobre a história e as famosas referências musicais, algumas mais óbvias e outras bem inusitadas.

A tradução é de Renata Leitão e a edição, de Diógenes Diogo. O mangá tem periocidade bimestral, custa R$ 29,90 e veio em papel off-set.

A fase Phantom Blood será concluída em três volumes e já foram confirmadas para o Brasil a segunda e terceira fases, Battle Tendency e Stardust Crusaders. No Japão, está em publicação a oitava fase do mangá, Jojolion.

Opinião

Até pegar este volume em mãos, eu nunca tinha lido nada de Jojo. Sabia que era algo bem famoso e longo, que tinha fãs muito ardorosos e poses estranhas, mas nunca tive interesse em ler… Mas acabei me rendendo a esta obra que pode ser considerada uma das definições no dicionário para a palavra bizarro.

A inocência de Jojo é digna de uma Maria do Bairro e a maldade e inveja de Dio deixariam Paola Bracho orgulhosa. O protagonista sabe muito bem que Dio é o responsável pela sua desgraça, mas mesmo assim continua confiando que tudo vai melhorar em algum momento.

Ao enfrentar Dio em nome de sua honra, mais apanha do que faz algo e não abaixa a cabeça. Sua determinação em se tornar um cavalheiro de quem seu pai e sua amada possam se orgulhar é de fazer inveja a qualquer protagonista de mangá shonen.

As situações ilógicas que se apresentam diante dele, apesar de absurdas, dão o tom do mangá e despertam a simpatia do leitor, que acaba torcendo pela evolução de Jojo, mas sem deixar de ficar curioso para ver de que forma Dio poderá arruinar mais ainda a vida de seu rival.

As batalhas são bizarras e épicas, a noção de perspectiva e anatomia mandam vários beijos do além, mas afinal, quem se importa? É Jojo e pronto.

Espero que todos os volumes tenham um excelente desempenho para que as outras fases também aterrissem por aqui. Mal li o primeiro volume e já estou ansiosa pra ver como tudo isto vai terminar e de que forma o autor, Hirohiko Araki, irá contar as aventuras de todos os Jojos. Mal posso esperar.

Agradecemos ao pessoal da assessoria da Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.

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Review | The Irregular at Magic High School (Arco da Matrícula) #1

Anunciado timidamente na página do Facebook da Panini, o mangá The Irregular Magic School também foi um dos lançamentos da Panini no Anime Friends. Confira neste JMangá.

A história

Em um mundo dividido entre aqueles que têm enorme poder mágico e aqueles que não o possuem, vivem os irmãos Tatsuya e Miyuki Shiba. Ambos ingressaram em um colégio de elite que leva a magia totalmente em consideração, porém, com algumas ressalvas.

O colégio divide os estudantes tão logo recebe os resultados dos exames. Metade deles, a que se sai melhor na prática da magia, é enviada para o primeiro colégio, onde gozam de inúmeros privilégios e têm sua educação acompanhada de perto. Os demais são considerados meros substitutos dos alunos do primeiro colégio, caso estes sofram algum acidente que os incapacite de forma definitiva.

Apesar de sua habilidade impressionante de analisar fórmulas mágicas e de sua enorme inteligência, Tatsuya não consegue usar magia na prática. Já sua irmã mais nova, Miyuki, possui um talento nato que lhe rendeu o título de representante dos calouros e uma vaga no primeiro colégio.

Tatsuya tem que lidar diariamente com o preconceito dos alunos do primeiro colégio, mas consegue tirar de letra pois não se curva diante de ninguém. Ao chamar a atenção dos veteranos de lá, ele tenta manter uma postura modesta, mas parece guardar um segredo sobre sua condição do qual nem mesmo sua irmã tem conhecimento… Será que a revelação desse segredo pode abalar a relação fraternal dos dois? Ou então mudar a forma de tratamento dos alunos que não são tão versados em magia? Espero que essas e outras perguntas sejam respondidas até o final deste arco, que terá quatro volumes.

A origem

O mangá de The Irregular at Magic High School (mais conhecido por Mahouka) é baseado na série de web novels Mahouka Koukou no Rettousei.

A versão publicada no Brasil corresponde ao “Arco da Matrícula”, mas ainda existem outros arcos serializados em mangá: “Disputa dos Nove Colégios” (cinco volumes), “Distúrbio em Yokohama” (cinco volumes), “Recordação” (três volumes), “Visita” (sete volumes), “Double Seven” (em andamento com três volumes), dentre outras séries menores.

A franquia ainda conta com 26 volumes de light novels com dez side stories, seis novels, uma série animada com 26 episódios e um longa-metragem.

A edição brasileira

Seguindo a nova fase de títulos da Panini, Mahouka vem com papel off-white e custando R$ 21,90.

A tradução é de Fernando Mucioli, edição de Diógenes Diogo e periodicidade bimestral.

Opinião

A premissa do mangá é interessante, especialmente a abordagem sobre o preconceito. Aqui, é sobre magia, mas poderia facilmente se encaixar em qualquer assunto. Ainda estamos no primeiro volume, mas a trama não entrega muito. Apenas acho que tem espaço para que os personagens se desenvolvam melhor, embora um deles já tenha conseguido me deixar maluca no primeiro volume: Miyuki Shiba.

Eu, particularmente, não tenho muita paciência com personagem que fica dando chilique sem motivo, mas é um gosto pessoal meu. Acho bacana da parte do Tatsuya tentar protegê-la do que quer que ele esteja escondendo, mas acho que ela o sufoca um pouco. Viver guardando coisas para si mesmo já é bem difícil para ter que pisar em ovos com as pessoas, especialmente se essa pessoa for sua irmã e se ela se irritar só porque você está conversando com uma garota bonita. Não gosto desse tipo de personagem e também não curto esse lance de “amor proibido entre irmãos”, mas ainda assim acho que o mangá tem outros aspectos interessantes para se concentrar.

No geral, é um mangá bem desenhado, espero que a história evolua melhor no próximo volume e que Tatsuya não me deixe ainda mais curiosa.

Agradecemos ao pessoal da assessoria da Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.

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Review | Black Clover #1

Anunciado pela Panini através de um vídeo do sumido canal Planet Time, Black Clover finalmente chega às bancas. Um dos destaques do Anime Friends, o shonen queridinho do momento tem sua vez neste JMangá.

A história

Em um mundo regido pela magia, vive Asta, um garoto hiperativo que sonha se tornar um dia o Rei Mago, a figura mais importante dentre todos os magos. O único porém… É que o rapaz é incapaz de usar magia.

Para cumprir a promessa feita ao seu melhor amigo e rival, Yuno, Asta treina diariamente sem nunca desanimar. Enquanto todos conseguem utilizar magia sem o menor esforço, o garoto não consegue nem invocar uma leve brisa, mas continua em frente, em busca do seu sonho.

No dia da cerimônia de concessão do Grimoire, um livro em que o mago armazena todas as suas magias, Asta é o único que não recebe um exemplar, enquanto Yuno é escolhido pelo Grimoire do trevo de quatro folhas, que representa a sorte e é idêntico ao do primeiro Rei Mago.

Frustrado por não conseguir dar seu primeiro passo rumo ao seu sonho, Asta fica um pouco desanimado, mas logo recupera sua habitual animação quando Yuno acaba capturado por um ladrão de Grimoires.

Após uma luta difícil, pela primeira vez o garoto pensa em desistir. Yuno o encoraja e, com suas energias renovadas, Asta recebe um reforço inesperado; finalmente ele é escolhido por um Grimoire e consegue derrotar o malfeitor.

O único porém é que, se o Grimoire de Yuno representa a sorte, o de Asta traz um trevo de cinco folhas, onde parece residir um demônio. Com este reforço, o garoto finalmente consegue dar um passo rumo ao futuro e começa a tentar cumprir a promessa que fez com seu rival. Que aventuras esperam Asta e seus novos companheiros?

A edição brasileira

Black Clover foi publicado já no novo formato adotado pela Panini, com papel off-white. O mangá terá periodicidade bimestral.

A edição é de Diógenes Diogo e a tradução de Luciane Yazawa.

Opinião

Black Clover é, para mim, um suco de shonen. Tudo o que você já viu em algum mangá “para garotos” está nele: magia, amigos que ao mesmo tempo são rivais e que desejam se tornar a figura mais poderosa do local onde vivem, personagem cuja característica principal é nunca desistir e ser adepto do “trabalho duro” para superar o “talento inato” ou a “genialidade”, espadas misteriosas, mestres que parecem irresponsáveis mas escondem um grande poder, entre outros clichês memoráveis presentes nesta demografia.

Apesar de o protagonista às vezes ser bem irritante, é carismático, leal e sincero, como todo bom mocinho de shonen. Dá vontade de torcer por ele, mas também desanima um pouco a falta de elementos inéditos em uma história desse tipo. Espero que a história encontre seu caminho, pois ela tem potencial para melhorar bastante, sem se escorar em clichês. Estou ansiosa!

Agradecemos à assessoria da Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.

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Review | Fire Force #1

Anunciado discretamente pela Panini via Facebook e um dos destaques do Anime Friends, o divertido Fire Force é o retorno de Atsushi Ohkubo (Soul Eater) às bancas brasileiras. Confira nossas impressões neste JMangá.

A história

Há doze anos, Shinra Kusakabe perdeu sua família em um triste incidente: a casa onde morava com sua mãe e seu irmão caçula foi incendiada, aparentemente por sua culpa. O garoto possui o poder de gerar chamas pelos pés e, por essa razão, foi apontado como a causa da tragédia.

O episódio acabou deixando-o com alguns traumas: quando ele fica muito nervoso, os músculos de seu rosto se contraem, provocando um sorriso que é sempre mal interpretado. Além disso, o garoto recebeu o apelido de “Pegadas do Demônio”, por causa do rastro que deixa ao utilizar seu poder.

Agora, aos 17 anos, Shinra ingressa na oitava brigada de incêndio especial, uma divisão da agência de bombeiros que resolve casos ligados aos chamados flamejantes, pessoas que sofreram combustão espontânea e tornam-se uma espécie de demônio de chamas. Além de perseguir seu sonho de se tornar um herói, o garoto também tenciona descobrir a verdade por trás do incêndio que matou sua família. O único porém é que a agência de bombeiros também tem seus mistérios e Shinra pode descobrir que a agência guarda muitos segredos, inclusive alguns ligados ao seu passado…

A edição brasileira

Recentemente, a Panini adotou o papel off-white para seus novos títulos, e Fire Force foi um dos publicados neste formato. O mangá terá periodicidade bimestral.

Assim como no original, ele não tem páginas coloridas. A tradução é de Luciane Yazawa e a edição de Beatriz Bevilacqua.

Opinião

Achei muito interessante o tema da história, não me recordo de ter lido mangás sobre bombeiros e acho muito pertinente, afinal, eles são verdadeiros heróis.

O protagonista é muito carismático e parece ter bastante potencial evolutivo, além de despertar minha curiosidade com relação ao que realmente aconteceu à sua família. Se tiver que mencionar pontos negativos, seria o ecchi um pouco exagerado (acreditem, a história não precisa disso) e a burrice extrema do rival do protagonista, o autointitulado “cavaleiro-rei” Arthur. Sério, a falta de noção dele é assombrosa.

É um título bem diferente do que estamos acostumados a ver na banca e vale muito a pena dar uma conferida. Para quem curte uma trama que não peca pelo óbvio, é uma ótima opção.

Agradecemos à assessoria da editora Panini por ter encaminhado o exemplar para análise.

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Review | One Piece Green

One Piece Green – Peças Secretas é o quarto guide da obra lançado no Brasil pela editora Panini! Saiba o que você vai encontrar nele neste JMangá!

Revivendo emoções

One Piece Green abrange desde o início da aventura até o começo da fase no Novo Mundo. Momentos inesquecíveis como a formação do Bando do Chapéu de Palha, a despedida do Going Merry e o desfecho da Guerra dos Melhores, entre outros, desfilam pelas páginas do guide fazendo com que o leitor se emocione novamente.

Todas as sagas são recapituladas através de olhares cuidadosos sobre os personagens, desde sua primeira aparição até o momento atual no mangá. O destino de Kobi, Helmeppo, Buggy, Ace, Barba Branca e tantos outros é mostrado de forma que, ao reler a história, situações que podem ter passado despercebidas ganhem uma nova oportunidade de apreciação.

Este guide compila todas as coleções de capas (aberturas de capítulo que contam histórias paralelas à trama principal), o “Teatro Animal” (aberturas de capítulo que retratam os personagens junto de vários tipos de animais), traz arquivos secretos recheados de rascunhos inéditos, um pôster incrível e algumas curiosidades, como o motivo pelo qual ainda não apareceu na história nenhum pirata usando tapa-olho e em que Eiichiro Oda se baseou para nomear seus personagens.

Outra sessão muito bacana do guide é o Teatro Chapéu de Palha, que são historinhas baseadas em pedidos dos leitores. As situações são as mais inusitadas possíveis: Luffy e seus companheiros como alunos de Shanks, uma conto de fadas muito bizarro (a princesa Zoro ficou incrível), o bando retratado como uma família de verdade e, finalmente, como personalidades do Japão antigo.

A edição brasileira

Nossa versão de One Piece Green, assim como suas antecessoras, foi impressa em papel pisa brite (com exceção das páginas coloridas e do pôster).

A tradução ficou a cargo de Felipe Monte e a edição foi assinada por Diógenes Diogo.

Opinião

Sou muito fã de guides, mas tenho consciência do trabalhão que dá recuperar todas as cenas e se atentar a cada detalhe e é por isso que entendo não aparecerem tantos por aqui (embora eu ainda alimente o sonho de ver publicados no Brasil os guides de Kuroshitsuji e de Bleach).

O Green se tornou o meu guide favorito de One Piece porque através dele pude reler toda a obra e reafirmar o porquê de considerá-la uma das minhas favoritas. É impossível ficar indiferente à uma aventura tão empolgante e é por isso que esses piratas continuam firmes e fortes depois de tantos anos em publicação.

Agradecemos ao pessoal da assessoria da Panini que, gentilmente, nos encaminhou o exemplar para análise.

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Review | I am a Hero #1

Lançamento bem aguardado, I am a Hero finalmente chegou às bancas brasileiras. Anunciado em 2017 via Facebook, o mangá de Kengo Hanazawa e concluído em 22 volumes é a estrela deste JMangá.

A história

Hideo Suzuki é um mangaká frustrado e problemático. Ele tem medo do escuro, não consegue dormir se não vê sua arma por perto e conversa com pessoas imaginárias. Ele trabalha atualmente como assistente em um estúdio sem ter previsão de quando conseguirá voltar a publicar uma série própria e namora Tekko, a ex de Nakata, um autor excêntrico e famoso, que dá umas mancadas ao comparar o trabalho dos dois de forma velada.

Ele passa os dias sem perspectiva, tentando iniciar conversas construtivas sobre mangá com seus colegas de trabalho, mas sem muito sucesso, já que é desprezado por quase todos eles e censurado pelo chefe dos assistentes. Apesar de tudo ele tem alguns momentos de paz, como quando veste suas roupas e acessórios de marca, ou consegue descolar um jantar agradável com Tekko, até que esta exagere na bebida e arruine praticamente tudo.

Depois de ter seu trabalho rejeitado mais uma vez pelo editor, de ter que lidar com as bizarrices de Nakata e de presenciar um acidente de trânsito estranho, em que uma mulher visivelmente com o pescoço quebrado sai andando como se nada tivesse acontecido, Hideo tem uma noite relativamente agradável tendo seu sono velado por sua namorada, embora fique extremamente magoado ao deduzir que ela não pensava só nele enquanto estava lá.

Acumulando uma série de frustrações, Hideo acaba fazendo uma pergunta embaraçosa para Tekko, que o dispensa por aquela noite. Pensando em como se conheceram e se sentindo muito arrependido por ter falado demais, ele manda uma mensagens pedindo perdão e é atendido, mas o que o espera na casa de sua namorada pode não ser um abraço de reconciliação…

A edição brasileira

I am a Hero foi publicado em papel off-set, com orelhas e as primeiras páginas coloridas, custando R$ 19,90.

A tradução é de Lídia Iwasa e a edição, de Beth Kodama.

Opinião

Quando li o mangá, achei do fundo do coração que fosse uma história sobre uma pessoa que tivesse problemas para se adaptar à sociedade e que isso se refletisse em seu comportamento e na sua saúde, fazendo com que sofresse de alucinações. Só notei que era um mangá de zumbis de fato após alguns detalhes apresentados de forma discreta durante a trama (sim, nunca tinha ouvido falar de I am a Hero, me julguem), e esse é um dos méritos deste mangá.

Não sou muito fã de histórias de zumbi, mas esta em específico me deixou curiosa para saber como Hideo vai lidar com a atual situação do mundo, sendo que já tem que lidar com suas próprias limitações. Não tem como não sentir dó dele em vários momentos da trama, e fico em dúvida se ele vai evoluir como personagem ou apenas se valer do poder do protagonismo.

De qualquer forma, é uma boa oportunidade para quem gosta de histórias que não são óbvias. Faltam mangás assim nas bancas e I am a Hero não decepciona nesse quesito.

Agradecemos à assessoria de imprensa da editora Panini, por ter encaminhado o exemplar para análise.

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Review | Re:Zero #1

Anunciado junto com Black Clover e Avengers 09, Re:Zero foi um dos mangás lançados pela Panini em 2018. Falamos um pouco sobre ele neste JMangá.

A história

Subaru Natsuki é um colegial comum, sem atrativos e um pouco sem-noção. Enquanto voltava da loja de conveniência, sem explicações aparente, foi transportado para outro mundo, em que “maçãs” são “moçãs” e onde seu mirrado dinheirinho não vale nada.

Enquanto tenta esquecer o que houve, se envolve em uma confusão e poderia ter morrido, não fosse a intervenção de uma linda jovem de cabelos prateados, que se identifica como Satella.

Subaru resolve ajudá-la a encontrar a pessoa que roubou seu brasão e passou por ele correndo mais cedo. Ao chegar a um armazém onde supostamente ocorrem negociações de mercadorias roubadas, ele é surpreendido e acaba ferido de forma fatal, tendo tempo apenas para ver Satella seguir o mesmo destino… Até que, inexplicavelmente, o garoto aparece em pé, ileso, no mesmo lugar onde se deu conta de que estava em um outro mundo.

Intrigado, Subaru começa a refazer seus passos em busca de Satella com algumas variações e conhece o responsável pelo armazém, o Velho Rom e sua protegida, a espevitada e desconfiada ladra Felt. O garoto tenta reaver o brasão de Satella e até chega a um acordo, não fosse um imprevisto na figura de uma bela maga de cabelos negros. Será que o rapaz conseguirá reencontrar Satella e lhe devolver seu brasão?

Outras mídias

A publicação da Panini corresponde ao primeiro arco do mangá de Re:Zero, “Um dia na Capital” (Outo no Ichinichi-Hen), que conta com dois volumes (ambos já publicados). Estamos na expectativa com relação aos demais arcos, “Uma semana na Mansão” (Yashiki no Isshukan-hen), concluído em 4 volumes, e “Truth of Zero”, 5 volumes até o momento.

Atualmente, a New Pop publica as light novels nas quais o mangá foi baseado (já foram publicados no Brasil 4 volumes e no Japão 15, além de duas histórias paralelas). O anime de 25 episódios está em exibição no Cruncyroll e na TV aberta através do canal Rede Brasil, ambos legendados.

A edição brasileira

O mangá foi publicado no tradicional pisa brite, sem orelhas, e contém algumas páginas coloridas.

A tradução é de Fernando Mucioli e a edição, de Diógenes Diogo.

Opinião

Re:Zero me lembra bastante uma versão adolescente de All You Need is Kill, só que não faço ideia de como Subaru adquiriu o poder de ressurreição e do porquê dele ter ido parar em outro mundo.

Ele é um protagonista carismático e, apesar de claramente não saber o que fazer, é movido por uma inocente vontade de ajudar alguém apenas para obter um sorriso em troca. O traço do mangá é lindo e espero que apareça mais dele por aqui em breve.

Agradecemos à assessoria de imprensa da editora Panini que, gentilmente, nos encaminhou o exemplar para análise.

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Review | Tekkon Kinkreet

Mais um dos integrantes da linha Tsuru, selo da Devir para mangás alternativos, chega às livrarias, sites e lojas especializadas o incrível Tekkon Kinkreet.

Aclamado título de Taiyo Matsumoto e publicado no Brasil pela primeira vez em 2001, desta vez o JMangá conta para vocês nossas impressões sobre a republicação da Devir.

A história

Shiro e Kuro são dois órfãos que vivem em Takara-cho, um bairro violento onde policiais, delinquentes e yakuzas parecem conviver sem se intrometer demais nos assuntos uns dos outros. Enquanto Shiro é uma criança doce, carente de atenção, bem imaginativa e inocente, Kuro é uma criança madura e consciente do mal que habita os seres humanos, inclusive ele mesmo.

Roubando e brigando por aí para sobreviver, os garotos não têm bons exemplos além de um adulto a quem chamam de avô e que tenta ensinar a eles as consequências de uma vida sem propósito e desregrada. Ambos sabem muito bem como lidar com as pessoas e situações e, embora Kuro não confie em ninguém a não ser em Shiro, este, por sua vez, parece ser mais aberto à novas possibilidades.

Quando uma organização estranha aparece com a intenção de mudar Takara-cho, a harmonia tênue que existe entre os habitantes de lá é quebrada. Até mesmo o ingênuo Shiro percebe que há algo errado e começa a mudar. Um incidente o afasta de Kuro e este, sem sua outra metade, cometerá loucuras até reencontrar seu eixo.

Um pouco sobre as duas versões brasileiras

Tekkon Kinkreet chegou ao Brasil pela primeira vez através de uma série em três volumes, com leitura ocidental, publicada pela editora Conrad e com o título de Preto & Branco (provável referência ao nome dos garotos: Kuro = Preto e Shiro = Branco). Não sei dizer se essa versão teve cortes como a primeira publicação de Gen: Pés Descalços, mas ainda assim não me pareceu uma edição ruim.

Capa e sobrecapa de Tekkon Kinkreet

A versão lançada pela Devir veio com o nome original japonês (em uma tradução literal, seria Ferro e Concreto) e em formato all in one, ou seja, toda a história em uma edição única com pouco mais de 600 páginas. Assim como todos os mangás do selo Tsuru, ele

Shiro e Kuro

Lendo a história, percebo que todos os elementos para um bom enredo estão lá: protagonistas carismáticos que se completam, a voz da consciência que não os deixa sair muito do prumo, inimigos que se tornam aliados e que abrem novos horizontes e várias metáforas de como derrotar aquilo que há de pior dentro de cada um de nós.

O traço não é bonito, mas cumpre o seu propósito como arte e entretenimento. A narrativa pode parecer um pouco confusa no começo, mas isso é superado logo no início, te deixando com a sensação de querer saber se aqueles dois garotos vão conseguir encontrar algo além de si mesmos. Tenho a impressão de que sim.

Agradecemos muito à assessoria de imprensa da Devir por ter gentilmente nos encaminhado o exemplar para análise.

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Review | Nonnonba

Segundo título da série Tsuru, iniciada em 2017 com a publicação de “O Homem que Passeia”, a editora Devir mostra que está apostando em títulos de peso para construir seu catálogo e lança Nonnonba, do mestre Shigeru Mizuki (GeGeGe no Kitaro).

Disponível em sites e lojas especializadas desde, Nonnonba é uma poesia em forma de mangá e daremos nossas impressões sobre ele neste JMangá.

A história

Na década de 30, ainda criança, a diversão do jovem Shigeru era brincar de batalhas por territórios e desenhar. Segundo filho de três irmãos homens, seu pai trabalhava como bancário, mas vivia com a cabeça nas nuvens por ter sido o primeiro daquela cidade a se formar na universidade de Tóquio e sua mãe é uma dona de casa que nunca deixa de mencionar que sua família descendia de samurais e podia portar espadas.

Em meio a uma vida tranquila, numa cidadezinha pacífica do interior, Shigeru frequenta desde muito pequeno a casa de uma senhora a quem todos chamam de Nonnonba. Esta velha senhora ensina ao garoto tudo o que sabe sobre os youkais e as tradições antigas, sempre deixando claro o respeito com que devemos tratar a todos os seres.

Shigeru se despede de Chigusa

Sempre na companhia da gentil senhora, Shigeru supera diversas dificuldades, como a perda de duas namoradinhas de infância, brigas com os colegas de escola e a situação financeira difícil de sua família após sucessivas demissões de seu pai. Sem nunca perder o bom humor e a esperança, Shigeru desperta seu talento como desenhista e chega até a fazer amizade com um youkai, enquanto nos transmite toda a sabedoria que aprende com a doce e sábia Nonnonba.

O youkai Azuki-Hakari, amigo de Shigeru

A edição brasileira

Nonnonba chegou ao Brasil em um belo projeto gráfico, característica da linha Tsuru da Devir. O mangá possui sobrecapa, foi impresso em papel Munken e traz belas páginas coloridas no começo do volume. As onomatopeias foram traduzidas de modo semelhante aos mangás publicados nos Estados Unidos, porém mantendo o mesmo estilo, sem “brincar” com seus formatos.

Capa e sobrecapa da edição brasileira de Nonnonba

A tradução é do veterano Arnaldo Oka, com edição de Rui Santos. Algo que me entristeceu bastante foi a quantidade grande de erros de revisão, como repetições de notas de rodapé (o termo “-chan” foi explicado duas vezes, nas páginas 19 e 37), falta de concordância ou melhor adaptação da frase para o português e alguns de digitação.

Abaixo, seguem alguns exemplos:

 

Mesmo assim, a obra não perde seu brilho. A leitura flui bem e dá aquela sensação de tristeza quando chega ao final. Como bônus, a edição ainda traz um posfácio escrito por Jason Bradley Thompson, ex-diretor da Viz Media (editora americana responsável pela maior parte das publicações de mangás nos Estados Unidos), além de desenhista, roteirista e autor do livro “Manga: The Complete Guide”. No posfácio, Thompson conta detalhes sobre a vida de Shigeru Mizuki e nos ajuda a compreender a grandiosidade da obra desse mestre em youkais que inspirou diversos autores.

Opinião

Nonnonba é uma obra incrível. Durante a leitura, senti meu coração ficar quentinho por diversas vezes, mesmo que algumas das passagens tenham sido um pouco tristes.

Ver como o protagonista respeita não só a sabedoria antiga como também a repassa aos colegas é algo encantador, assim como sua resignação diante daquilo que não se pode alterar.

A poesia com que o autor retratou passagens como a despedida da garota que seria vendida para se tornar gueixa é de uma rica beleza, provando que traços simples também podem retratar cenas inesquecíveis. Além disso, é possível perceber que Shigeru é o alter-ego do autor, que nos trouxe um pedaço de sua própria infância em forma de mangá.

A despedida de Miwa-chan

Recomendo a todos que gostarem de histórias que remetam a tempos saudosos de suas vidas, onde era mais fácil lidar com as frustrações do dia a dia.

Agradecemos muito ao pessoal da assessoria de imprensa da Devir, que gentilmente nos encaminhou o exemplar para análise.