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Review | Guardiões do Louvre

Iniciando a publicação de mangás pela editora, o pessoal do Pipoca & Nanquim traz uma obra do renomado Jiro Taniguchi (Gourmet, O Livro do Vento, O Homem que Passeia, Seton) em grande estilo.

Guardiões do Louvre chegou aos sites e lojas especializadas em maio e promete conquistar os fãs de histórias despretensiosas e bem ilustradas. Confira neste JMangá.

A história

Um artista japonês resolve dar um pulo em Paris após participar de um evento de quadrinhos em Barcelona e cai doente devido ao estresse acumulado. Ao tomar um remédio, ele cai no sono e delira durante a noite, até acordar renovado, com disposição para tomar um bom café da manhã e dar um passeio.

O destino escolhido é o famoso museu do Louvre. Ao chegar lá, não se sabe se ainda sob influência do mal-estar da noite anterior, o rapaz tem um ataque de tontura e, após um breve desmaio, se vê dentro do museu e recepcionado por uma distinta dama, que se apresenta como um dos guardiões do Louvre, habitantes de uma outra dimensão, presente dentro dos devaneios dele.

O encontro inusitado do protagonista com Van Gogh

Ela o leva à sala da Mona Lisa e MOSTRA não só o quadro livre de tantos visitantes, como também uma parte da estrutura do museu. Impressionado por receber tantas doses de conhecimento e sem entender direito o porquê de se locomover pelo museu de forma tão dinâmica, ele questiona a identidade da moça e descobre que ela é ninguém menos do que a Vitória de Samotrácia, famosa estátua exposta no Louvre e que representa Nice, a deusa grega da Vitória.

A bela e serena Nice, a Vitória da Samotrácia

Enquanto esteve em Paris, nosso protagonista recebeu a ajuda de Nice para encontrar personalidades falecidas há muitos anos, teve lições importantes sobre história da arte e ouviu sobre a coragem dos curadores do Louvre diante da ameaça das pilhagens nazistas na Segunda Guerra. Tudo ilustrado de forma clara, mas cheia de detalhes, em tons que trazem paz ao espírito. Nunca mais a arte será apreciada da mesma forma.

Aluta dos curadores para defender as obras do Louvre da ameaça Nazista

Sobre a edição

Guardiões do Louvre, para quem não sabe, foi um mangá feito sob encomenda para o Museu do Louvre. Ele foi serializado na Big Comic Original e após o término, publicado em uma grandiosa edição de luxo, toda colorida, tanto no Japão como na França, onde saiu pela editora Futuropolis/Musée du Louvre éditions.

No Brasil, a edição foi publicada exatamente no mesmo formato. A tradição é de Drik Sada e a edição foi dividida entre Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes. Ele ainda vem com um marcador tão grande quanto o mangá, o que torna complicado guardá-lo em outro lugar que não seja o próprio livro.

Brinde pra fã nenhum de marcador botar defeito

Opinião

Quando vi pessoalmente o mangá pela primeira vez, tive a impressão de estar diante daquelas edições antigas de atlas publicadas em fascículos pela Folha de São Paulo, há muitos anos.

Após passar o estranhamento, devo dizer que não imagino a edição de outra forma. O colorido e a narrativa se entrelaçam de tal forma que a leitura fica harmoniosa, além de abrir as portas para um universo que, para mim, era bem obscuro, já que meu maior contato com o Louvre veio de um livro de Dan Brown somado com sua péssima adaptação cinematográfica.

Recomendo este mangá para todos aqueles que gostam das obras bem desenhadas e leves, que te deixam com vontade de conferir pessoalmente. Taniguchi já me fez salivar por comidas japonesas com Gourmet (sendo que não aprecio essa culinária) , me sentir em meio à natureza com Seton e também despertou a vontade de conhecer caminhos diferentes com seu famoso Homem que Passeia. Não acho que seria diferente com um mangá sobre o Louvre.

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Review | Avengers 09 #1

De autoria de Seishi Kishimoto (pra quem não sabe, irmão do autor de Naruto), chegou às bancas no comecinho de maio através da Panini Comics o mangá Avengers 09. Anunciado em um vídeo do Planet Time no primeiro trimestre do ano (junto com o primeiro arco de mangás de Re:Zero e com o novo queridinho da Shonen Jump, Black Clover), este é um título que traz algumas questões polêmicas à tona e será a estrela deste JMangá.

A história

Visando diminuir a ocorrência de crimes hediondos provocados pela baixa natalidade e pelo envelhecimento populacional, o governo japonês resolve revitalizar a pena por vingança, que era executada até o início da Era Meiji.

Com isto, foi instituído um esquadrão especializado em executar as vinganças em nome dos familiares, mediante aprovação do requerimento por parte da justiça. A esse esquadrão, deu-se o nome de Avengers.

Eles são um grupo de pessoas que já estiveram no lugar desses familiares ou sobreviveram à crimes terríveis. São os únicos capazes de se solidarizar totalmente com a dor daqueles que ficaram e, por isso, devem executar o criminoso da mesma forma que a vítima foi morta. Caso o criminoso consiga revidar, são concedidos a ele três anos de anistia e o direito à morte por eutanásia.

Yuuji Yamagishi é um deles. Sobrevivente de um incêndio criminoso que levou sua família e algumas partes de seu corpo, além de ter mania de comparação e de limpeza, ele leva a sério sua condição como Avenger e se aproveita do fato de ser insensível à dor para cumprir as vinganças rigorosamente. Sua melhor amiga é Haruka Yanase, jornalista e colega de faculdade. Ela não sabe nada sobre as atividades de Yuji como Avenger, mas abomina a Pena por Vingança e fica obcecada em escrever matérias que demonstrem o quão extremo é esse método.

O protagonista, Yuuji Yamagishi

Enquanto lida com a opinião de Haruka sem poder contar a verdade, Yuji também precisa instruir os dois novatos que chegaram ao esquadrão: o chorão Kouta Kiyodera e a misteriosa Ryouko Koizumi, uma das vítimas responsável pela retomada da Pena por Vingança. Com a equipe completa, eles vão demonstrar a cada caso que nem sempre as coisas são como parecem e que não há limites para o lado sombrio do ser humano quando aquilo em que cada um acredita é colocado à prova.

A edição brasileira

Semelhante à maioria dos títulos publicados pela editora, Avengers 09 veio no papel pisa brite, mas com as duas primeiras páginas coloridas. Todas as edições virão acompanhadas com marcadores, com ilustrações em ambos os lados.

Páginas coloridas de Avengers 09
Edição brasileira de Avengers 09
Marcador exclusivo do primeiro volume

O título não trouxe o tradicional glossário. A tradução é de Caio Suzuki, preparação de texto por Beatriz Bevilacqua e edição de Camila Cysneiros.

Capa brasileira de Avengers 09

Opinião

Achei a história de Avengers 09 tão densa quanto a de Psycho-Pass, mas com diferenças tênues. Enquanto em Psycho-Pass temos pessoas que combatem criminosos parecidos com elas, em Avengers 09 o esquadrão matam criminosos do mesmo modo que eles mataram suas vítimas, o que nos faz pensar se um método desse seria realmente eficiente para reduzir crimes hediondos.

Afinal, por mais que eles estejam agindo em prol de uma causa justa, assassinatos são sempre assassinatos. Fora o risco de aplicar uma pena severa demais para casos que podem ser reinterpretados. No clima em que vivemos hoje, talvez seja o título certo para pensarmos em todos os ângulos de determinadas situações.

É um mangá excelente, que deixa inúmeras margens de interpretação e uma grata surpresa, provando que nem só de shonen porradinha vive o clã Kishimoto. Vale a pena conferir, o segundo volume já chegou às bancas.

Agradecemos à assessoria da editora Panini por ter enviado o exemplar para análise.

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Review | Platinum End #1

Dos criadores de Death Note e Bakuman, Platinum End foi anunciado pela JBC em 2017 durante o evento anual Henshin +. O mangá chegou às bancas, sites e lojas especializadas em abril e é o protagonista deste JMangá.

A história

Mirai Kakehashi é um adolescente triste e sombrio, que não parece ter amigos. Após participar de sua formatura no ginasial, decide colocar um fim à sua vida e sobe ao terraço do prédio em que mora.

O garoto fecha os olhos, respira fundo e murmura que gostaria de ter tido uma vida feliz. Ao saltar, tudo fica preto e, após uma breve reflexão sobre a existência de céu ou inferno, Mirai se vê amparado por uma jovem.

Mirai é salvo por uma bela jovem

Essa jovem se identifica como o anjo da guarda de Mirai e mostra que o socorreu antes que ele chegasse ao chão, por isso, estão flutuando. Mirai fica impaciente e quer se livrar logo do “anjo”, pois não vê mais sentido em sua vida e não quer mais sofrer. O anjo diz ter vindo em seu socorro exatamente por causa de suas últimas palavras e que pode dar a ele esperança para viver através da liberdade ou do amor.

Mirai continua meio incrédulo e o anjo explica que pode lhe conceder asas, para ter liberdade de ir e fazer o que quiser, ou o amor, para ser amado e desejado por qualquer um. O garoto, cético, diz que pode considerar se ela lhe conceder ambos os dons e ela concorda. Logo, um colar e uma pulseira invisíveis aos humanos comuns surgem no corpo de Mirai e, após orientação do anjo, ele aprende a usar as asas, voando pelo céu e refletindo se esse é o verdadeiro significado de liberdade.

Mirai sente o gosto da liberdade, usando as asas do anjo

O anjo demonstra saber tudo sobre a vida de Mirai; que ele perdeu os pais e o irmão em um acidente, quando tinha sete anos de idade e que foi viver com os seus tios logo depois disso. Desde então, sua vida tornou-se um inferno, passou a receber maus-tratos e ser responsável pela execução de todas as tarefas domésticas, além de ter que entregar todo o dinheiro que ganhava fazendo bicos.

O que Mirai não podia imaginar era que a morte de seus pais foi provocada pelos seus tios, para receber o dinheiro do seguro. Perturbado com a revelação, o anjo o instrui a usar o poder do “amor” em sua tia para que ela confirme a verdade.

O plano é bem-sucedido, mas resulta em tragédia; logo, Mirai precisa aprender a utilizar esses novos poderes para viver sozinho, além de se tornar parte de algo muito maior que diz respeito não só a ele, mas a todos aqueles que possuem um anjo e utilizam seus poderes…

A edição brasileira

Ao contrário da edição original, nossa versão de Platinum End não veio com o efeito laminado na capa, o que me deixou bem chateada, já que foi a primeira coisa que me chamou a atenção quando vi o mangá pela primeira vez (também estou fazendo a coleção japonesa, que já está no volume 8).

Edição japonesa X Edição brasileira

O papel utilizado infelizmente não foi o off-white, mas sim o tradicional pisa brite, também usado na publicação dos outros títulos da dupla Obata-Ohba.

Para os assinantes, o mimo que veio com a primeira edição foi um marcador de PVC, além de um maxicard com a imagem da capa do segundo volume da obra.

Brindes enviados aos assinantes

A tradução ficou sob responsabilidade de Denis Kimura.

Opinião

Sou muito fã dos desenhos do Obata e também curto bastante as parcerias dele com o Ohba, apesar de ter uma certa raivinha da segunda metade de Death Note e de ter achado o final de Bakuman meio apressado.

Me interessei bastante por Platinum End ao ler a resenha do primeiro capítulo, logo que foi publicado na Jump Square (você pode ler essa resenha clicando aqui), mas acredito que muita gente vai achar a premissa parecida com Death Note.

Para quem é fã da dupla, vale dar uma chance e tirar suas próprias conclusões. Comentem depois o que acharam no nosso post!

 

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Review | Ayako

Finalmente abrindo espaço para mangás em seu catálogo, a editora Veneta traz uma das obras mais respeitadas de Osamu Tezuka, considerado o Deus dos Mangás.

Anunciada quase no final de 2017, Ayako chegou às livrarias e lojas especializadas em fevereiro deste ano. Claro que não podíamos deixar de falar sobre este lançamento importantíssimo e é este o tema de hoje do JMangá.

A história

Tudo começa com o retorno de Jirō Tenge ao Japão, cinco anos após ter partido devido ao alistamento para participar da Segunda Guerra. Ao chegar em sua Terra Natal, é recebido por sua mãe e sua irmã Naoko que lhe dá uma notícia inesperada, após atualizá-lo sobre os outros membros da família: ele agora tem uma irmã mais nova, que nasceu enquanto esteve fora. Seu nome é Ayako e, pelo que Naoko dá a entender, não foi gerada por sua mãe.

Antes de seguir para sua casa, Jirō precisa fazer algo. Pede às duas que aguardem e vai até o Quartel-general das Forças de Ocupação, onde deixa informações que guardou na órbita vazia de seu olho direito. Jirō tornou-se um espião e deve aguardar suas próximas instruções e, ao que parece, não serão agradáveis.

De volta ao lar, ele percebe que nada mudou: seu pai continua uma pessoa severa e que fala o que pensa sem filtros e seu irmão mais velho sempre exalando ambição pelos poros. A única diferença é a presença de Ayako, uma garotinha meiga de cinco anos e que parece ser a luz dos olhos do pai. Observador, Jirō logo percebe que Ayako é filha de seu pai com sua cunhada e constata que sua família ruma em direção à decadência cada vez mais rápido.

Após ser chamado para uma missão ingrata, que tencionava encobrir o assassinato de Tadashi Eno, líder do Partido Democrático Progressista e namorado de sua irmã Naoko. Atormentado, porém resoluto a não deixar pistas, Jirō se atrapalha e é flagrado por Ayako e sua acompanhante, Oryō, enquanto lava os respingos de sangue de Eno de sua camisa.

Ele tenta comprar o silêncio de Oryō, mas se esquece da sinceridade típica infantil e Ayako acaba falando na frente dos policiais que investigam o assassinato de Eno que viu seu irmão lavando uma camisa com sangue tarde da noite. As consequências dessa declaração foram decisivas para o rumo que a história toma: Naoko é expulsa de casa por ser membro do PDP, Oryō é assassinada e Ayako presa dentro do porão e declarada como morta. É aí que o inferno da protagonista tem início.

Jirō foge para não ser implicado pela cumplicidade no encobrimento da morte de Eno e pelo assassinato de Oryō. Ayako cresce naquele porão, sem ter noção alguma do que é certo e errado e, ao completar 28 anos, sua vida começa a andar novamente. É aí que antigos fantasmas começam a ressurgir e Ayako terá que se esforçar para viver em sociedade e para não permitir que seu passado a sufoque.

A edição brasileira

Ayako chegou ao Brasil em uma edição única com mais de 700 páginas, e é a única edição além da japonesa que possui o final alternativo da história.

Publicada em papel Pólen Bold, a edição brasileira ainda conta com um prefácio escrito por Rogério de Campos e um posfácio do próprio Osamu Tezuka.

No que diz respeito à revisão, algumas frases ao longo da história poderiam ter sido “montadas” em uma estrutura mais próxima a que os leitores brasileiros estão acostumados, há um balão faltante na página 434 e um borrão na página 367, mas que não atrapalha o entendimento da leitura.

 

Questionada sobre o balão faltante, a editora não descarta a possibilidade de um futuro recall, como podem ver abaixo:

A tradução foi realizada por Marcelo Yamashita e Esther Sumi.

Opinião

Ayako é uma obra excelente. Ela traz informações e algumas críticas sobre um período real da história japonesa, como a ocupação estadunidense do pós-guerra, além de ser uma obra de Tezuka daquelas que é obrigatória em toda biblioteca, ao mesmo estilo do emocionante Buda e do surpreendente Adolf.

Para mim, a iniciativa da editora em publicar um mangá nesse formato foi ousada, já que não é todo mundo que dispõe de quase 130 reais para comprar algo considerado como supérfluo, ainda que a obra seja direcionada a um público-alvo diferente do ocasional consumidor de mangás.

Apesar de ter gostado muito da edição como um todo, não curti a capa nacional. Acredito que algo baseado na edição americana ficaria mais bonito e delicado, remetendo à protagonista que desabrocha diante das adversidades. Do jeito que ficou, me causa um pouco de incômodo e estranheza.

No contexto geral, foi uma ótima aquisição. Recomendo a todos que gostem de obras com pano de fundo histórico e de boa qualidade. Tezuka nunca decepciona.

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Review | Innocent #1

2018 parece ser o ano em que mangás com histórias ambientadas na França invadirão as bancas brasileiras. O representante da Panini é Innocent, anunciado na CCXP 2017, um dos primeiros lançamentos da editora neste ano e tema deste JMangá.

Baseado no livro “O Carrasco Sanson”, de Masakatsu Adachi, Shin’ichi Sakamoto criou sua versão para a biografia de Charles-Henri Sanson (1739 – 1806), responsável pela criação da guilhotina e pela execução de ninguém menos do que o rei Luís XVI, em 1793. Nossas primeiras impressões vocês conferem aqui.

Charles-Henri retratado na época em que viveu X versão do mangá

A história

Charles-Henri Sanson é o filho mais velho de Charles-Jean-Baptiste Sanson, ninguém menos do que o carrasco oficial de Paris. Sendo membros da família Sanson, são desprezados por toda a população e tidos como chamarizes de mau agouro.

Sofrendo com maus tratos por parte dos colegas devido a sua condição de herdeiro da família Sanson, Charles-Henri vive atormentado, pois não tem intenção de prosseguir com o legado do pai. Além de enfrentar o desprezo de toda a população, ainda precisa suportar a arrogância extrema de sua avó paterna, que parece não ligar para o que as pessoas acham da família Sanson, pelo contrário: parece se orgulhar de ter tantas mortes às suas costas.

Após uma dura sessão de castigos físicos, o jovem Sanson resolve tentar se acostumar com o peso da espada do carrasco e sai para treinar. Em meio aos seus pensamentos repletos de dor e sofrimento, ele avista um verdadeiro anjo, que mais tarde revela-se como Jean de Chartois, filho do Conde de Chartois, grande apoiador da família Sanson.

Charles-Henri passa a nutrir sentimentos pelo rapaz, mas teme que o mesmo descubra quem ele realmente é. Ao mesmo tempo em que luta para lidar com o legado de sua família, seu pai é convocado para uma demonstração do uso da espada Sanson em uma festa organizada por ninguém menos do que o Conde de Chartois.

Pensando em aproveitar para apresentar o filho como seu sucessor, Jean-Baptiste comparece à festa, mas fica impossibilitado de realizar a demonstração por ser acometido de uma paralisia súbita. Cabe a seu filho assumir a apresentação, porém este se recusa, pois alega que o leão a ser decapitado na demonstração não era um criminoso, portanto, não poderia ser morto pela espada dos Sanson.

O garoto pagaria caro por este pequeno ato de rebeldia; Jean de Chartois, incriminado injustamente de ser um fiel da Igreja Anglicana, é condenado à morte por decapitação e seu carrasco deverá ser Charles-Henri. Como será que este irá reagir ao ter que cortar a cabeça daquele por quem pela primeira vez demonstrou estima?

A edição brasileira

Innocent foi publicado em formato semelhante ao de Vagabond e One Punch Man: papel off-set, orelhas e verniz localizado na capa.

O volume conta com o glossário usual, que é um prato cheio para os fãs de história. A tradução é de Lídia Ivasa e a edição compartilhada entre Beth Kodama e Beatriz Bevilacqua. Além disso, de acordo com o glossário, as tipografia utilizadas foram a Fournier e a Baskerville, contemporâneas à Revolução Francesa.

Para quem ficou em dúvida, essa “manchinha” abaixo do nome da segunda filha também está presente no original… Não sei se pode ter algo a ver com o destino dela, mas achei legal frisar que não é um borrão de gráfica.

 

Ainda é cedo para falar nisso, mas o mangá possui uma continuação, Innocent Rouge, sem previsão de publicação no Brasil.

Adoro mangás com temática histórica e fiquei muito surpresa e feliz com o anúncio da publicação deste título.

O traço é repleto de uma beleza sobrenatural e imagino que o autor tenha dado uma bela romanceada na vida desta personalidade, pois o nível de inocência e pureza que Charles-Henri demonstra ao longo deste primeiro volume é digno de um santo.

Quero muito acompanhar os próximos volumes e confirmar minhas suspeitas do porquê dele ter inventado a guilhotina. Talvez tenha sido algo que ele utilizou para escapar de ter que sentir as mortes com suas próprias mãos… Só os próximos volumes poderão dizer, e espero que sejam tão incríveis como este primeiro. Apesar de ter algumas cenas fortes (e parece piorar a partir do próximo), acredito que seja um título que vai agradar a todos aqueles que gostam de saber os bastidores de certos fatos ocorridos na história. Recomendo.

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Review | Inspector Akane Tsunemori #1

Dando sequência aos lançamentos da Panini, chega às bancas Inspector Akane Tsunemori, uma das adaptações em mangá do anime Psycho-Pass.

Com arte de Hikaru Miyoshi e design de personagens por Akira Amano (Katekyo Hitman Reborn!), as aventuras da inspetora Akane e seus subordinados são indicadas para os fãs de histórias policiais com enredos psicológicos. Vamos ao protagonista deste JMangá.

A história

Em um mundo altamente informatizado, os seres humanos já não têm possibilidades ilimitadas. Suas vidas são definidas pelo sistema Sybul, que analisa as possibilidades de emprego, estudos e até mesmo se a pessoa pode ou não tornar-se uma criminosa.

Para isso, são medidos os níveis de estresse através de uma ferramenta chamada Psycho-Pass, que mostra a “cor” de suas almas e define se é possível ou não passar por um tratamento.

Neste mundo, vive Akane Tsunemori, uma garota calma e inteligente. Teve as maiores notas de sua turma, o que possibilitou um leque enorme de opções de emprego designadas pelo sistema Sybil, dentre elas, uma colocação na Agência de Segurança Pública.

Incentivada por suas amigas, Akane passa por um rigoroso treinamento e se torna inspetora, sendo obrigada a fazer trabalho de campo logo no seu primeiro dia. No local da investigação, conhece o inspetor Ginori, um bonitão de óculos sem paciência com quem está começando e que já faz a garota colocar logo a mão na massa. Ela também é apresentada à sua equipe de subordinados, os executores, que nada mais são do que pessoas que exerceram o coeficiente criminal permitido e, agora, trabalham para a Polícia sob supervisão dos inspetores.

Dentre os executores, Akane se identifica especialmente com Kougami, outro bonitão (mas com um estilo mais selvagem), que age de forma impulsiva, mas parece respeitá-la. Após uma tomada de decisão acertada, mas não sem consequências, Akane começa a compreender que existe um abismo entre inspetores e executores, embora ela mesma se recuse a acreditar nisso.

Os executores também são criminosos latentes, de acordo com a medição de seus Psycho-Passes. Por essa razão, eles apenas executam as ordens de acordo com o que é determinado pelos inspetores. Isso é um problema para Akane, pois ela faz questão de tratá-los como companheiros de trabalho, enquanto Ginori deixa claro que eles não passam de cães de caça que devem ser domados.

 

Ao longo da trama, Akane vai se aproximar mais dos executores e entender o porquê de cada um deles ser como é. Resta saber se seu Psycho-Pass continuará tão cristalino como sempre, depois de participar de tantos casos desafiadores…

A edição brasileira

Inspector Akane Tsunemori foi publicado em pisa brite, assim como a maioria das publicações do selo Planet Mangá.

A edição possui o glossário usual, teve edição de Camila Cysneiros e tradução de Karen Kazuki Hayashida.

Opinião

Esse mangá me foi recomendado muitas vezes por uma grande amiga (que, inclusive, o está traduzindo). Li parte do primeiro volume em japonês uns dois anos atrás e, até onde li, achei bem interessante, além de amar o design dos personagens (sou muito fã de Akira Amano).

Além disso, também adoro histórias policiais e estava com saudade de algo do tipo, já que MPD Psycho continua “na geladeira” e Yakumo acabou (embora Yakumo tenha uma pegada mais sobrenatural e “fofinha”).

Gostei muito do modo como a protagonista impõe suas ideias e de como, ao mesmo tempo, ela não tem certeza se está agindo da forma correta. Quero muito saber mais sobre o passado dos executores e estou torcendo para que Ginori e Kougami se entendam (mas aí já é um desejo particular da minha mente fértil).

Estou ansiosa pelo segundo volume mas, como tenho muita sorte, os mangás que mais gosto sempre demoram mais para sair. De qualquer forma, recomendo para todos que curtem histórias policiais, mas com um quê mais psicólogico.

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Review | Berserk – Guia Oficial

Janeiro costuma ser um mês parado, mas não no quesito lançamentos. O guide oficial de Berserk chegou às bancas e lojas especializadas no primeiro mês do ano e, agora, chega também ao JMangá.

O que encontrar neste guide

Uma das seções que não pode faltar em um guide book é a apresentação dos personagens. Geralmente, quando a história é longa, é lançado um guide por vez e cada um abrange uma quantidade limitada de arcos da história (como por exemplo One Piece, Naruto, Fullmetal Alchemist, entre outros).

No caso de Berserk, o guide é bem amplo, abrangendo até o volume 38 do mangá. Dessa forma, as apresentações de personagens foram divididas em “núcleos”: grupo do Espadachim Negro, o Novo Bando do Falcão, Pessoas do Mundo Real e Seres do Mundo dos Mortos. No meio dessas galerias de personagens, existem classificações inusitadas e engraçadas, como “galeria de personagens bonitinhos” ou a “enciclopédia das técnicas de Puck”.

Além disso, o guide traz um guia da visão de mundo (dividido entre os capítulos sobre os personagens), lindas ilustrações coloridas com os personagens do bando do Espadachim Negro (queria uma do Griffth divo, mas…), revelações sobre os próximos passos da trama e uma entrevista incrível com o Kentaro Miura, que revela as inspirações que ele teve para seus personagens (quem ainda duvidava que ele era fã de Hokuto no Ken???), bem como seu processo criativo, fotos dos materiais de referência no seu estúdio e os rascunhos de alguns personagens.

Ah, não podemos esquecer do tradicional teste de personalidade, tirei o Raksas, mas não sei dizer se isso é bom ou ruim, já que não me lembro dele na história…

A edição brasileira

O guide de Berserk foi publicado em papel off-set,  assim como a republicação do mangá.

Como toda compilação do tipo, elogio o trabalho enorme de tradução e edição, pois não é fácil ficar pescando informações de 38 volumes, alguns ainda nem republicados; localizei um lapso de revisão digno de nota, no qual os pontos “cardeais” viraram pontos “cardiais”, mas nada que tire o mérito pelo trabalho complicado que é publicar um guide.

Diferente da série regular, a tradução do guide ficou por conta de Karen Kazumi Hayashida.

Opinião

Desisti de colecionar Berserk ainda em 2013, quando alcançamos a publicação japonesa e ainda era meio tanko. Para variar, estava passando por problemas financeiros e não sofri tanto ao desapegar.

 

Quando, pouco tempo depois, a Panini começou a republicar em formato tanko e em um papel melhor, cheguei a considerar recomprar, mas sempre apareciam outras prioridades.

O lançamento do guide me fez relembrar de toda a saga, nos mínimos detalhes. O fascínio que eu sentia pelo Griffith, a amargura pelo destino que se abateu sobre o Bando do Falcão e como fiquei maravilhada com a Era de Ouro. Apesar de não acompanhar mais a obra e de ter tanta raiva do Miura como do Togashi (terminem logo seus mangás!!!!!), acredito que Berserk é uma ótima obra e que o guide veio em boa hora, para presentear esses fãs guerreiros que ainda acreditam que lerão o final dessa saga.

Agradecemos ao pessoal da Panini e da Litera por ter encaminhado o exemplar para análise.

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Review | Ghost in The Shell 2.0

Mais um integrante do combo de lançamentos da JBC na CCXP 2017, Ghost in The Shell 2.0 vem para reforçar o case de ficção científica da editora e é a pauta deste JMangá.

A história

Quase cinco anos se passaram desde os eventos ocorridos no primeiro volume. A protagonista desta história é Motoko Aramaki, uma super ciborgue e diretora do grupo Poseidon Industrial.

Dentre as muitas atividades do grupo, está a implantação de genes em porcos para fabricação de órgãos para clonagem, o que motivou um ataque terrorista por parte da HLF (Human Liberty Front). Após contornar as consequências do ocorrido com sua lábia lendária, Motoko começa a investigar mais a fundo os rastros deixados pelo ataque, utilizando suas várias interfaces.

Em um desses mergulhos de incursão, Motoko se depara com um inimigo que é uma espécie de espelho dela e fica intrigada, mas não dá tanta importância até sofrer ataque de indivíduos manipulados pela Stabat Mater, uma espécie de organização que conecta pessoas à personagens, para compartilharem uma experiência coletiva em um jogo.

Quanto mais fundo Motoko avança na investigação, mais clara fica a solução do quebra-cabeça no qual se meteu, mas ainda existe a possibilidade de que ela seja apenas mais uma peça a ser encaixada em toda a trama… por alguém que ela conhece bem.

A edição brasileira

Ghost in The Shell 2.0 foi publicado em papel lux cream, assim como seu antecessor, e com sobrecapa. A edição tem mais de 200 páginas coloridas, o que realça bem o traço de Shirow, mas atrapalha a leitura de alguns balões menores por causa da cor clara das letras.

A tradução deste volume foi feita pela Drik Sada.

Opinião

Muito da poesia que encontrei na primeira edição de Ghost in The Shell se perdeu nesse segundo volume. Para mim, a grande beleza da história, é a visão da Motoko Kusanagi acerca da vida, sendo ela humana ou não.

Como previsto pelo autor, fiquei um pouco chateada por esta parte da obra quase não ter abordado essas questões, dando mais destaques à batalhas confusas (algumas, com um visual bem poluído) e deixando a parte verdadeiramente interessante espremida no final.

Talvez não seja a melhor parte de Ghost in The Shell, mas ainda assim é importante para compreender a obra como um todo e dar a atenção que ela merece. Fiquei curiosa para ver agora a “última parte” e completar a coleção. Vamos acompanhar.

Agradecemos ao pessoal da editora JBC por ter cedido o exemplar para análise.

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Review | Fairy Tail Gaiden #1

Se os fãs de Fairy Tail estão tristes pelo término iminente da obra, podem adiar as lágrimas um pouquinho.

Também lançado pela JBC na CCXP 2017, Fairy Tail Gaiden é um spin-off em três volumes que conta outras histórias sobre personagens da obra. O primeiro volume fala sobre os membros da guilda Sabertooth e é dele que vamos falar neste JMangá.

As histórias

Seriam a união e a confiança nos companheiros a chave para ser uma boa guilda? Se for, a Sabertooth tem isso de sobra.

Na primeira história, Yukino, a feiticeira celestial da Sabertooth é sequestrada por uma guilda inescrupulosa. Sting e Rogue, os dragões gêmeos da Sabertooth, farão de tudo para resgatá-la, devolver suas chaves de portal e, além de tudo, impedir que aconteça uma tragédia.

Ao mesmo tempo, Yukino provará que ama seus companheiros acima de tudo, nem que para isso tenha que arriscar sua própria vida.

Na segunda e última história do volume, Sting e Rogue brigam e separam a equipe dos Dragões Gêmeos. Irritado, Sting pega um serviço junto com Yukino e partem para Obstone, a Cidade das Pedras. O único problema é que a cidade não é mais como antes e a Sabertooth pode ter alguns problemas se não chamar reforços.

Se quiserem resolver o caso e salvar a cidade, os Dragões Gêmeos precisarão deixar as diferenças de lado e mostrar seu verdadeiro poder.

A edição brasileira

O papel utilizado em Fairy Tail Gaiden foi o off-white, uma alternativa bem bacana ao pisa brite e utilizada pela editora desde o lançamento de .your name.

O off-white é bem semelhante ao papel utilizado nos volumes japoneses e parece ser mais durável (não se iludam quanto ao amarelamento, pois o tempo é implacável, tenho coleções japonesas que estão amareladas do mesmo jeito).

A tradução foi feita por Karen Kazumi Hayashida.

Opinião

Como falei anteriormente no review de Fairy Tail Zerø, parei de acompanhar a série regular há muito tempo e não sei que rumo a história tomou.

Por incrível que pareça, mesmo afastada do universo de FT, também gostei bastante das histórias que compõem esse gaiden; são personagens incríveis, que mostram o poder da amizade e confiança e, além de tudo, apaixonantes.

Achei o traço do autor, Kouta Shibano, bem parecido com o do Hiro Mashima, sem surpresas. As tramas foram bem construídas e os desfechos saíram como o esperado, mas ainda assim interessantes. Para quem é bem fã, vale a pena dar uma chance e tirar suas próprias conclusões. Para aqueles que não são, vale pelos momentos de diversão, nos quais tudo o que precisamos é apenas de uma história despretensiosa.

Agradecemos ao pessoal da JBC por ter cedido o exemplar para análise.

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Review | Death Note How to Read (Black Edition)

Quase cinco anos depois do lançamento da versão Black Edition da série Death Note no Brasil, a JBC finalmente consegue trazer o guide da coleção no mesmo formato.

Death Note – How to Read Black Edition também foi um dos lançamentos da editora na CCXP 2017 e é o protagonista deste JMangá.

O que encontrar neste guide

How to Read é um dos melhores guides de mangá que já vi, talvez pela série ser curta. As informações sobre personagens estão bem claras e, ainda assim, detalhadas.

Além da apresentação dos personagens (de praxe em toda publicação desse tipo), também foram expostos com riqueza de detalhes as organizações relacionadas ao caso Kira, arquivos completos sobre os Shinigamis, entrevistas divertidas e esclarecedoras com os autores de Death Note (para quem ainda não sabe, Tsugumi Ohba – roteiro e Takeshi Obata – desenho) e seções inusitadas, como a origem de cada um dos títulos dos capítulos da saga e os conceitos para os personagens-chave.

No guide também consta a história toda comentada em ordem cronológica, um manual hiper detalhado sobre o uso do Death Note (inclusive com várias respostas à perguntas que todo mundo deve ter feito enquanto lia), os truques utilizados pelos personagens classificados por ranking (???), e as incríveis anotações de Ryuk sobre o mundo dos humanos, fechando com um teste de personalidade bem engraçado (o meu resultado deu o Mello, devo me preocupar?).

Mas não acaba aí: How to Read ainda traz as tirinhas de Death Note (é muito interessante ver os personagens principais agindo de maneira mais engraçada, mas sem perder a essência) e o capítulo único que deu origem ao mangá Death Note (adoro essa história).

Ah, antes que eu me esqueça, a carta com o verdadeiro nome do L (que todo mundo já sabe) também veio, mas não tive coragem de abrir. Para matar a curiosidade, segue foto do card que veio na versão japonesa.

A reedição brasileira

A republicação de How to Read, assim como a coleção da qual faz parte, veio com papel lux cream (Alita, Akira, O Cão/O Outro Cão que Guarda as Estrelas).

COLOCAR FOTO REGRAS DN

A tradução é de Rica Sakata.

Opinião

Quando How to Read foi lançado pela primeira vez, em 2008, fiquei muito chateada porque mal abri a edição e ela praticamente desmanchou na minha mão; muitas folhas soltaram e lembro que era difícil até pra tentar colar.

Troquei minha edição, mas fiquei com medo de abrir em um ângulo maior do que 30 graus; isso fez com que eu não tivesse a melhor das experiências com minha primeira versão deste guide, somado com o fato de que o papel utilizado na época amarela rápido (impossível deter a ação do tempo).

Quando vi que relançariam o guide na versão Black Edition, fiquei muito empolgada, já que a coleção ficaria toda igual, além de melhorada.

A encadernação não deixou a desejar, então pude desfrutar do exemplar sem medo. Mesmo sendo uma republicação, admiro a paciência do revisor e do editor em reler toda a história de forma minuciosa, para não deixar a tradução das passagens do guide diferentes do que foi adotado na obra.

Apesar de me deixar irritada na segunda fase (odeio o Near com força), Death Note é uma obra que gosto muito e fico feliz que, finalmente, minha coleção brasileira esteja completa. Valeu a pela esperar.

Agradecemos ao pessoal da editora JBC por ter cedido o exemplar para análise.

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Review | My Hero Academia Smash!! #1

Lançado pela JBC na CCXP 2017, My Hero Academia Smash!! é um spin-off de My Hero Academia.

Está curioso para saber mais sobre esta edição? Este JMangá conta tudo.

Tirinhas divertidas para todos os gostos

My Hero Academia Smash!! é composto por várias tirinhas de quatro quadros (yon koma), que mostram situações com os personagens que nunca veremos na história original.

Treinamentos alternativos para o Deku se acostumar com o One For All, a vida dos professores fora do Colégio U. A., o que os heróis fazem quando não estão combatendo o crime, um significado diferente para o lema “Plus Ultra”, o que os alunos realmente aprendem nas aulas… tudo com muito humor e criatividade.

Todos os personagens estão retratados em suas versões SD, o que os deixa bem fofinhos (inclusive o chatíssimo Ka-chan). Mesmo que seja uma brincadeira, não deixa de ser uma homenagem bacana ao universo de My Hero Academia.

A edição brasileira

O papel utilizado nesta edição é o mesmo da série oficial, o pisa brite. Não sei se a gramatura é menor (não sou especialista), mas o mangá é bem fininho.

A tradução ficou por conta de Naguisa Kushihara.

Opinião

My Hero Academia Smash!! é a materialização das ideias doidas que todo fã tem. É divertido pensar como seu personagem favorito realmente agiria em determinada situação, desconsiderando totalmente o enredo da história original.

O autor, Hirofumi Neda, explora direitinho o lado tarado do Mineta (sempre achei que a safadeza desse garoto não tinha limites), achei bem engraçado ver como o poder da Recovery Girl funciona “de verdade” e como a companhia do Ka-chan pode ser verdadeiramente nociva.

Acho bem legal quando o autor de uma obra permite que existam adaptações, desde que não fira a essência da mesma. No caso de Smash!!, acho que parece um complemento natural, como o próprio Neda sensei diz, uma espécie de compilação de “erros de gravação”.

Para quem consegue apreciar esse tipo de homenagem para sua obra favorita, é uma ótima opção.

Agradecemos ao pessoal da editora JBC por ter cedido o exemplar para análise.

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Review | Battle Angel Alita #1

Publicado pela primeira vez no Brasil em maio de 2003, no formato meio tanko e em papel jornal, Gunnm – Hyper Future Vision retorna pela JBC, mas em versão repaginada.

Em formato um pouco maior que o big, com páginas coloridas e com o título americano Battle Angel Alita, esse clássico da ficção científica é o protagonista deste JMangá.

Relembrando a história

Em um dia como outro qualquer na Cidade da Sucata, o engenheiro cibernético Daisuke Ido encontra no meio do ferro velho partes de uma ciborgue, incluindo a cabeça. Ele resolve acolhê-la e consertá-la, para que tenha uma segunda chance.

Quando a ciborgue abre os olhos, Ido e seu assistente percebem que ela perdeu a memória. Ele então lhe dá o nome de Alita (Gally, no original e na primeira edição brasileira) e um novo corpo.

Alita deveria ser contratada pela L’Oreal

Alita passa a viver com Ido e, aos poucos, fragmentos de sua antiga memória aparecem quando ela se envolve em batalhas. Quando uma das lutas quase acaba com a morte dela, Ido resolve lhe dar o corpo de um guerreiro berserker, para que ela lute da forma como desejar

Assim, Gally segue como uma Guerreira Caçadora, trocando as cabeças de criminosos procurados por dinheiro, enquanto reaprende a viver como uma humana, mas num corpo cibernético. Logo, ela verá que a vida pode pregar peças cruéis e que não dá para escapar do passado, mesmo quando ele está um pouco adormecido.

A reedição brasileira

Como dito na introdução deste JMangá, a nova edição de Battle Angel Alita teve algumas mudanças. A mais visível seria a alteração do formato; em sua primeira publicação em 2003, não era comum a publicação de mangás em formato tanko completo (X/1999, do estúdio CLAMP, foi publicado em dezembro de 2003, sendo o primeiro mangá publicado no Brasil nesse formato).

Ao contrário da sua antecessora, esta versão não possui sobrecapa (que também foi uma inovação em 2003), mas nada que prejudique o visual final da edição. O papel escolhido foi o lux cream, que tem sido utilizado em mangás com uma edição diferenciada, como Blame!, O Cão que Guarda as Estrelas e Akira.

O único nome alterado até o momento foi o da protagonista, de Gally para Alita (apesar de terem alterado o título, mantiveram o subtítulo “Gunnm – Hyper Future Vision”), provavelmente por ocasião do lançamento do live-action.

A tradução ficou por conta de Arnaldo Oka.

Opinião

Quando li Alita pela primeira vez, lá em 2003 (meu espírito é jovem, tá, gente?), achei que a história tinha um clima bem de Pinóquio; o Ido me lembrou muito o Gepeto, que deu vida a um boneco de madeira que não sabia muito bem o que era certo ou errado.

Alita é um Pinóquio um pouco mais evoluído: ela não se recorda do seu passado, mas sabe o básico para se virar. Aos poucos, conforme seu corpo vai recuperando fragmentos de memória, percebe que não poderá passar a vida como uma garota normal. Em algum momento, deverá lidar com as consequências oriundas das escolhas que fez em algum momento de sua vida “anterior”.

Alita me lembra muito a Motoko de Ghost in The Shell; alguém ansiosa por saber sua real identidade, mas ao mesmo tempo atormentada com o que pode vir a saber. A busca de Alita é tão poética quanto a de Motoko, e ao mesmo tempo triste.

Com todos os elementos que realmente fazem uma boa história de ficção científica, Battle Angel Alita não faz feio na estante de ninguém. Recomendo de olhos fechados.

Agradecemos ao pessoal da editora JBC por ter cedido o exemplar para análise.