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Opinião | Nerds e seu “machismo”

JMangá Capa raixa
Todos sabem que o JWave é um site de cultura pop, nerd e japonesa. Apesar de algumas pessoas rotularem “nerds” (que também não deixa de ser um rótulo) como preconceituosos, nós nunca compactuamos com essa prática desprezível. Jamais levantamos uma bandeira específica, mas por outro lado, também não deixamos de observar e, quando necessário, nos posicionar quanto às lutas de nichos dentro da sociedade.

Infelizmente, percebemos que atualmente a “comunidade” nerd tem demonstrado anseios que são reflexo da nossa sociedade, vista muitas vezes como retrógrada e tradicional. Por isso, lemos o desabafo da autora do site Pink Vader, como também o deslize do concurso HQMix e, mais recentemente, o elogiado podcast Anticast sobre Machismo.

Queremos lembrar que muitas vezes aceitamos calados essa visão machista da sociedade que ataca principalmente as mulheres e gays. Ver essa discussão acalorada nos lembra que estamos abertos a debates, mas nunca compactuar com discriminação.

O irônico é que ser Nerd (ou Geek, para alguns) sempre foi motivo de preconceito. É inadmissível que um grupo de fãs que tenha sofrido tanto preconceito, acabe agindo da mesma maneira com outros nichos. Como não podem existir Mulheres Nerds? Como não pode haver discussão LGBT no meio Nerd?

O JWave é formado por diferentes minorias, mas nunca levamos isso em consideração, porque o que sempre foi importante e fundamental é a amizade e a colaboração mútua entre todos os membros. Não importa quem seja, mas sim o quanto acrescenta em nossas discussões e é por isso que temos mulheres muito importantes no JWave: Camila Barbieri, Erika Toretto e Luana Tucci; todas elas mulheres que acrescentaram e acrescentam muito em nosso site. Nunca exaltamos a colaboração delas por serem mulheres, mas sim, por terem opiniões pertinentes.

Queremos que esse alerta sirva de reflexão, porque vivemos em uma época em que não deveria existir mais não só esse tipo de preconceito, como todos os outros. A melhor maneira de acabar com preconceito é parar de aceitar tudo em silêncio e trazer essa discussão para o nosso dia a dia. Talvez um dia, tudo seja tratado com normalidade e não precisamos reforçar nosso posicionamento e nem aceitar esse moralismo crescente que vem infelizmente ganhando voz em nossa sociedade. Esperamos do fundo do coração que esse dia não demore a chegar.

Equipe do JWave

Para entender melhor, recomendamos:

Desabafo da autora do Pink Vader:
https://medium.com/@laurabuu/o-que-aconteceu-com-o-pink-vader-df44563040df

Sobre HQMix:
http://www.vitralizado.com/hq/a-cagada-epica-do-hqmix/

O Anticast:
http://www.b9.com.br/60430/podcasts/anticast/anticast-198-o-machismo-e-outras-coisas-no-mundo-nerd/

Gay Nerd no Omelete (Leia o texto e os comentários machistas)
http://omelete.uol.com.br/colunistas/artigo/gay-nerd-a-parada-do-orgulho-lgbtt-orange-is-the-new-black-e-sense8/

E ouça.. JWave #171: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
http://www.jwave.com.br/2014/04/jwave-171-hoje-eu-quero-voltar-sozinho.html

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Opinião | Dragon Ball Super e a polêmica da animação

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Dragon Ball Super começou há um mês e meio no Japão, mas uma coisa que virou assunto nas últimas semanas foi a animação duvidosa que aconteceu no episódio 4 da série.

Será que é motivo pra tanto? Sim, mas quem acompanha Sailor Moon Crystal, Cavaleiros do Zodíaco Soul of Gold já está sabe dessas derrapadas do estúdio de animação da Toei, mas não é algo que se restringe só a ela.

Por exemplo, Puella Magi Madoka Magika acabou ganhando novos efeitos e até animações totalmente refeitas quando foi lançado em blu-ray. Por quê? A pressa pra ter a animação semanal na televisão faz com que a animação chegue numa qualidade longe de aprovação do próprio estúdio e quando o mesmo pode relançar a obra no mercado de home-video, acaba fazendo de uma forma diferenciada, principalmente porque o público japonês é conhecido por ser exigente e querer qualidade alta.

Mas isso se restringe a animações? Não, porque os mangás também sofrem desse mesmo mal. Quanta vez se ouviu falar que mangás como Hunter X Hunter na publicação semanal saia numa qualidade pavorosa e acaba ganhando uma “melhorada” quando ganhava os capítulos gerava um novo volume pra série?

E Dragon Ball Super? Semelhante a Sailor Moon Crystal que está sendo lançado em blu-ray com melhoras na animação, provavelmente todos os defeitos de anatomia devem ser corrigidos para o lançamento.

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O ditado “a pressa é inimiga da perfeição” nunca foi tão utilizado como nas últimas animações, mas vale também mencionar que o público acaba culpando que o estúdio escolheu filial em Filipinas para animar a série e isso teria “prejudicado” a série. Isso é bem estranho, principalmente porque um país não determina um nível de animação, lembrando que Simpsons é animado na Coréia do Sul, enquanto a grande maioria das animações da Hanna Barbera nos anos 80 era feita pela própria Toei no Japão.

Recentemente tivemos um “stress” com Legend of Korra, em que a animação era feita na Coréia do Sul e quando a animação escolheu um estúdio japonês, o público não gostou e os produtores optaram voltar pro estúdio original. Lembrando que tanto Avatar como Korra tem uma animação inspirada e que emula o estilo da animação japonesa, sendo até engraçado a rejeição do público quando a animação mudou para um estúdio japonês.

O que devemos tirar disso? Que o questionamento do público é verdadeiro, mas que existem tantos casos por aí que a conclusão que tiramos é que Dragon Ball Super será apenas mais um caso nessa imensidão de animações que estão no mercado e não estão em sua qualidade máxima.

E por falar em Dragon Ball, acabamos recomendar a jogar Dragon Ball no Poki.

 

 

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Nobuhiro Watsuki no Brasil – Um mês depois

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Agora que já se passou um mês, muitas pessoas podem achar que as memórias já estão desbotadas. No meu caso, aconteceu o contrário; elas estão mais vívidas.
Desde quando minha querida amiga e tradutora Karen Kazumi me chamou no hangout para dizer que o sensei Nobuhiro Watsuki viria à Fest Comix, eu entrei num estado de oscilação de emoções digno da Rapunzel de Enrolados.

Embora preocupada com alguns problemas de ordem pessoal, reservei um canto da minha mente para ponderar sobre a revelação e calcular quais as minhas probabilidades de conseguir o autógrafo do autor do meu mangá favorito e, devo dizer, todas elas eram próximas a zero, mas… não eram zero!

Assim, comecei uma campanha não muito barulhenta, mas cheia de argumentos plausíveis para convencer nosso amigo e líder do JWave a tentar realizar essa façanha todos juntos. Seria mais difícil do que a maioria dos autógrafos que já tínhamos conseguido, mas não custava tentar.

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Quando soubemos que o Watsuki daria uma palestra no Centro Cultural Vergueiro fiquei muito empolgada, afinal, se conseguíssemos nossos autógrafos já na sexta, poderíamos curtir o evento no sábado sem maiores atribulações. Entretanto, mas uma vez a sempre doce (e sincera pacas) Kazumi disse que provavelmente não haveria condições do sensei atender a tantas pessoas que certamente viriam à palestra.

Encasquetada com aquilo, tentei não desanimar. Ao mesmo tempo que a primeira semana do Anime Friends bateu às nossas portas, mais informações sobre a vinda do Watsuki sensei ao Brasil foram divulgadas. Custando a acreditar no que eu lia, meu cérebro apenas registrou que 200 felizardos no sábado teriam a oportunidade de ganhar um autógrafo do mestre na Fest Comix: os 100 primeiros que comprassem o mangá “A Sakabatou de Yahiko” e mais 100 sorteados durante a palestra da JBC. Nesse momento, voltei a ficar preocupada e deveras deprimida (como se não houvesse amanhã, devo dizer). Cheguei a pensar que era castigo estar tão perto e tão longe de um ídolo ao mesmo tempo.

No primeiro sábado do Anime Friends, um passarinho me contou que havia outra pessoa além de mim que fez de Rurouni Kenshin o mangá de sua vida: Cris Eiko, a autora dos geniais Quadrinhos A2 e Penadinho – Vida (ao lado de seu companheiro Paulo Crumbim). Fiz questão de procurá-la no meio daquela muvuca que é o Anime Friends e explicar como funcionaria a logística para conseguir o autógrafo. Surpreendi-me ao constatar que ela também apresentou fortes características do que já podemos nomear como “humor Rapunzel mode on” e, depois de conversarmos bastante, comecei a pensar como fazer para não perder essa oportunidade.

Quase uma semana se passou e Juba e eu fomos à palestra do sensei. Nem preciso dizer que, apesar da palestra ter sido incrível, fiquei triste porque pegamos um lugar relativamente ruim e porque, ao final da palestra, não consegui ser sorteada para ganhar um souvenir. Apesar disso, deu pra notar já naquelas poucas horas o quanto Watsuki era admirado com razão.

Finalmente chegou o grande dia. Acordei cedo, fiz o que tinha que fazer e encontrei meus companheiros no Jabaquara. O coração estava a mil por hora e o nervosismo era grande. Esperamos pacientemente o relógio soar dez da matina e, quando abriram-se as portas da Fest Comix, saímos todos correndo, como se estivéssemos alçando voo, procurando cumprir todas as etapas em busca da tão sonhada pulseirinha verde. Mal pude acreditar quando a vi no meu pulso (mesmo porque, estava apertada pra caramba, nem precisaram me beliscar) e aí começou a contagem regressiva.

Depois de duas palestras incríveis (com direito a anúncio de Ultraman e tudo) e um caminhão de lágrimas ao lado da Cris Eiko (sim, choramos baldes ao nos encararmos após a entrada do sensei no recinto onde aconteceria a palestra), chegou a hora de fazer a fila. Recebemos um lindo cartão e um post-it onde foi escrito nosso nome em japonês para não haver problema na hora do sensei escrever nosso nome e… esperamos.
Algumas horas depois, finalmente era minha vez. Entrei na sala nervosa e olhei pro sensei:
Eu: – Konichiwa, sensei.
Sensei: – Konichiwa!
Eu: …
Intérprete: – Fala alguma coisa pra ele, é sua chance!
Eu: (com voz de choro contido): – Não consigo…
Intérprete (dirigindo-se ao sensei, em japonês): – Ela não consegue falar porque senão irá começar a chorar como criança.
Sensei (olhando pra mim com cara de dó): – Ahnnnn
Eu (ainda segurando o caminhão de lágrimas): – Arigatô, sensei!
Após ter pego também o autógrafo da Kaworu-sensei, saí tão desnorteada que quase meti a cara na parede. Gentilmente, Cassius Medauar olhou pra mim e disse: “- A saída é por aqui, Luana! Nada de choro, é dia de alegria!”, o que só me fez ter mais vontade de chorar. Saí da sala com uma sensação indescritível. Tinha conseguido. Meus amigos tinham conseguido. Realmente era dia de alegria.

Após me recompor, fomos para a fila do autógrafo dos autores das Graphics MSP (neste momento, chutei meu traseiro mentalmente porque juro que não sabia que o Shiko de Piteco – Ingá estaria lá também) e pedi para a Cris Eiko desenhar um Kenshin igual ao do Bruno (ciumenta, me julguem) no meu “Sakabatou de Yahiko”, o que ela fez achando graça (finalmente sorrisos, já que ela também precisou de lencinhos na frente do sensei) e este desenho lindo que compartilho com vocês aqui fechou com chave de ouro este dia tão especial, do qual não irei esquecer nunca.

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Opinião | Homenagem ao meu herói

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No dia 26 de julho perdi uma pessoa muito importante na minha vida. Ele foi responsável ao menos por metade deste meu amor pelo mundo dos quadrinhos, das letras e das fantasias. Meu pai.

Lembro que desde bem pequena, quando ele ainda morava comigo, toda vez que abria sua pasta sempre encontrava ou um gibi da turma da Mônica ou da Disney (a propósito, ele imitava muito bem o Pato Donald e provavelmente é o motivo pelo qual este é meu personagem Disney favorito), com os quais fui alfabetizada.

Ele sempre queria saber como foi a escola e, quando via meus cadernos, elogiava meu progresso nas letras. Ah, como meu pai era gentil com meus garranchos, sendo que a letra dele sempre foi linda e até hoje não vi igual. Tão linda que me deixava orgulhosa e vaidosa quando escrevia nas etiquetas do meu material escolar ao longo dos anos.

Sempre acreditando no meu talento, me inscreveu num concurso de desenho da empresa onde ele trabalhava e, com seu incentivo, ganhei o primeiro lugar na minha faixa etária, uma publicação na revistinha da empresa e a casinha do Meu Querido Pônei (o clássico, não esses pôneis esquisitos de hoje em dia). Também me deu de aniversário uma boneca grandona da Mônica vestida de moleque, de boné e tudo, a qual eu deixei de lado pra brincar dentro da caixa, fazendo ele se conformar e dar risada, brincando junto comigo.

Fluente em inglês e com noções bem básicas de japonês (afinal, tinha pelo menos três dans de judô), ficava doido quando eu pronunciava alguma palavra incorretamente e ficou orgulhoso quando anunciei que tinha me formado em língua japonesa através do método Kumon.

Ele me deu as primeiras noções básicas de informática e sempre teve paciência ao me ver catando milho no teclado do computador dele (e deu pulos de alegria quando um treinamento intensivo no meu primeiro emprego me fez digitar sem olhar para as teclas, graças a um teclado sem letras). Me ajudou com paciência e dedicação nos meus trabalhos escolares, a ponto de meus professores nem terem a intenção de me devolvê-los porque queriam utilizá-los de exemplo nas turmas vindouras. Foi a uma reunião de pais e ficou surpreso e feliz quando meu professor de matemática me elogiou, pois meu pai sabia que sua filha desprezava os números tanto quanto as baratas voadoras.

Para poder me achar em qualquer canto, me presenteou com meu primeiro celular e depois ficou doido porque eu o largava sempre em casa. Ficava feliz com qualquer presente, desde uma caixa de sapatos de bigode (ah, essas professoras de primário criativas) até um carrinho em miniatura. O primeiro livro de Harry Potter que li na vida foi presente dele, junto com uma linda dedicatória, fora seus comentários quando assistia comigo à Saint Seiya (“Filha, tenho certeza que esse de armadura rosa é uma menina”).

Meu pai bombardeou-me com conselhos preciosos quando soube pela minha avó deda-dura que eu tinha ficado mocinha pela primeira vez e me consolou quando tomei meu primeiro pé na bunda.

Entre o finalzinho da minha adolescência e um pedaço da minha vida adulta, me decepcionei com algumas coisas e acabamos por nos afastar. Mesmo longe, sei que ele sempre deu um jeito de saber o que eu estava fazendo e com quem estava andando. Quando nos reaproximamos, esteve ao meu lado quando passei novamente por dificuldades amorosas (ele fez ameaças muito elegantes e criativas ao rapaz, diga-se de passagem), quando publiquei minha primeira resenha no UHQ (ficou ao meu lado durante todo o processo criativo e leu o texto primeiro do que todo mundo e achou ótimo mesmo sem conhecer Rurouni Kenshin), sempre estendia um chocolate para aliviar minha TPM e aguentou as minhas poucas tentativas culinárias (segundo ele, estava gostoso, vai saber…).

Mesmo deprimido com alguns aspectos de sua vida profissional, nunca deixou de me apoiar em minhas escolhas, de me aconselhar e me fazer sentir capaz. Quando eu me sentia frustrada e reclamava que tinha feito faculdade à toa, ele dizia que eu ainda era nova (bondade de pai, claro), que tinha a vida toda pela frente e que tinha certeza de que eu realizaria todos os meus sonhos.

Quando minha “sobrinha” (filha de minha prima que era também como filha para ele) nasceu, disse à ele que agora ele tinha uma netinha, mas meu pai marotamente disse que isso não era desculpa e depois deu uma piscada.
Meu pai acreditava em mim plenamente e sempre fez questão de enaltecer meus talentos. Quando me mandava mensagens pelo Facebook, sempre escolhia para finalizar o assunto um um cãozinho simpático segurando um coração na boca, e isso sempre me enchia de ternura.

Nas últimas semanas que passamos juntos ele ainda teve oportunidade de reforçar que nunca deixou de acreditar que eu seria muito feliz e se alegrou com meus relatos sobre meu cotidiano tão normal, mas do qual ele sentia tanta falta.

Meu herói partiu como um verdadeiro guerreiro: finalmente estava em paz, ao redor das pessoas que amava, depois de uma dura batalha contra um inimigo poderoso e cruel. Nunca irei esquecer essas cenas, mas em contrapartida também nunca esquecerei o quanto meu pai amava a mim e o quanto se preocupava com essa sua filha cabeçuda.

Depois de tudo, enquanto ensaiávamos como dar a notícia para minha avó, no meio daquela dor toda uma pequena heroína me fez ter forças para aguentar todo aquele tranco. Minha sobrinha, no alto de sua inocência, sorriu para mim. E é por isso que ela está nesta foto que ilustra esta homenagem, que traz meu pai como ele era e como quero me lembrar dele para sempre.

Por último mas não menos importante, quero agradecer a todos os meus companheiros do JWave (que me deram muita força para suportar tanta tristeza), minha família e meus amigos, que não deixam a minha peteca cair. E quero te dizer, papai Luiz, que você pode ficar tranquilo. Essa sua filha cabeçuda não está sozinha e vai se esforçar para fazer você sentir orgulho. Fique em paz e olhe por mim daí de cima.

Ps: Essa é a nossa homenagem do JWave a uma das redatoras mais queridas aqui em nosso site, a Luana, como também ao seu pai que foi uma grande influência em sua vida. Nos últimos dias perdemos algumas pessoas queridas e acreditamos que seja bom reconfortar e relembrar o quanto elas nos motivou em seguir em frente. Agradecemos aos leitores e ouvintes do JWave por essa reflexão.

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Nobuhiro Watsuki no Brasil: A Saga

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Sábado, 7 horas.

O Relógio despertou. Hora de acordar para mais um dia de trabalho. Porém, este dia não seria como os outros. Levantei, tomei café e me arrumei para sair. Não satisfeito, voltei para o banheiro e passei pomada no cabelo. Queria que tudo estivesse perfeito.

Sai de casa rumo ao metrô como sempre. No meio do caminho encontrei com a Luana, iríamos trabalhar juntos hoje. Pegamos o metrô rumo ao Jabaquara para chegarmos ao São Paulo Expo, onde estava rolando a 21° Fest Comix.

Chegando lá, encontramos com o Juba e a amiga e tradutora, Karen Kazumi, ambos estavam engajados nesta contenda. Logo avistamos a fila que se formava em frente a entrada e pensamos “é, vai ser difícil”. Quando o evento oficialmente foi aberto, às 10h, virou uma competição digna do “Passa ou Repassa”. Funcionários indicavam onde estava o mangá e quando você pegava um, apontava a direção do caixa. Para onde quer que você olhasse, tinha gente correndo. Após pagarmos o mangá, descobrimos que seria necessário pegar mais uma fila para pegar a tão desejada pulseira. Conseguimos!

Enquanto esperávamos pela hora da palestra e fazíamos nossas compras, encontramos a Cristina Eiko, desenhista do Quadrinhos A2 e da Graphic MSP Vida. Durante a conversa descobrimos que ela também é fã do Sensei e tinha conseguido a pulseira. Combinamos de assistir a palestra juntos. Fomos para a sala para assistirmos as palestras da Panini e da Editora JBC. As palestras foram muito boas mas tratavam-se apenas de um esquenta para o evento principal, assim como as lutas preliminares são para card principal do UFC.

A Palestra

Chegou a hora! Dava para sentir a excitação no ar da sala. Até que ele finalmente adentrou o recinto. Nobuhiro Watsuki, em carne e osso, acompanhado de sua esposa. Todos tinham desligado seus celulares para não correr o risco de sucumbir ao ímpeto de registrar o momento.

A palestra começou com ambos arranhando palavras em português e levando a platéia ao delírio. Depois partimos para um profile dos dois, passando por todas as principais obras com uma curiosidade (pelo menos para mim): Kurosaki morou em São Paulo na década de 70. Depois, Watsuki mostrou seu local de trabalho, passando por sua mesa de luz, diversas canetas, lápis, salgadinhos e café, muito café.

Antes de passar para a sala de reunião, o sensei nos mostrou sua coleção de figures do Getter Robo e um figure indecifrável que ele ganhou do Oda, autor de One Piece. Na sala de reuniões, ele nos mostrou onde o editor Sasaki (editor da Jump que aparece em Bakuman) sentou e conversou sobre Rurouni Kenshin. Neste momento, eu olhei para o lado e estava a Luana e a Cris Eiko chorando e foi difícil segurar as lágrimas. A emoção delas, grandes fãs, tomou conta de mim e não pude conter as lágrimas. Após, passaram samurais famosos no traço do Watsuki. Eu só reconheci Masamune Date por ele ser cego já a Luana acertou quatro, por que será?

Terminada a palestra, hora do autografo. Sendo bem sincero, creio que ficamos pelo menos 2 horas em pé na fila para pegar o autografo mas todo o “sofrimento” valeu a pena. Ao entrarmos na sala, demos de cara com Kaworu Kurosaki e Nobuhiro Watsuki sentados em uma mesinha com a interprete ao lado. A emoção de estar cara-a-cara com o Sensei foi tão grande que a Luana travou e mal sabia o que fazer, tanto que teve que ser auxiliada por Cassius Medauar a sair da sala. Então eu tive um momento para dizer algo a ele. Gastei todo o meu japonês e só consegui dizer “hontoni, arigatou sensei”.

Sai da salinha e o cansaço bateu com força: não sentia mais meus braços por segurar as sacolas com quadrinhos, minhas pernas doíam de tanto andar e ficar em pé. Porem já era hora de ir embora. Hora de ir para casa…com o sentimento de dever cumprido.

Watsuki-sensei, este momento estará sempre guardado em meu coração.

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Beleza Oriental #30

E lá vamos nós!!

A campeão da semana passada, de forma avassaladora, foi novamente a japonesa Nina Minami.
Então, ela retorna  para enfrentar novas concorrentes, como vocês todos sabem.

Vamos a elas?

Japão (Nina Minami)**

China (Zhao Kexin)

Coreia (Jo Sang Hee)

Sempre lembrando que só valem os votos nesta página.
Para votar, basta comentar o nome do país ou da garota.

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Beleza Oriental #17 Especial

Salve galera!
Não sei se todos sabem, mas hoje no twitter é o #lingerieday…

E como esta data calhou de cair logo no dia desta coluna, por puro oportunismo resolvi participar da brincadeira.
Não escolhi nacionalidade nem nada… Não tem disputa hoje. Foi apenas uma seleção de fotos para homenagear este dia tão importante da internet brasileira.

Ah sim, semana que vem a Liniku Ushijima volta a participar representando o Japão pela terceira vez.

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Beleza Oriental #16

Salve, galera!!!
Bom, semana passada acabei me confundindo graças a informação errada da minha fonte de fotos e como alguns de vocês me avisaram (Felipe e Jonas) a Yoko Matsugane é japonesa…

Peço desculpas pelo equívoco… Mas acabou sendo irrelevante pois a vitória ficou novamente com a japonesa (essa sim é japa mesmo!) Liniku Ushijima!

Então, nesta semana ela volta e enfrenta novas candidatas…

Japão (Liniku Ushijima)**

China (Huang Zixi)

Coreia (Jang Jung Eun)

Não custa nada lembrar que os votos só valem nesta página e POR FAVOR, digam o nome ou o país de quem você está votando!

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Beleza Oriental #15

Salve galera!!
Dessa vez foi de lavada… A japa venceu com folgas!

Acredito que, como vocês disseram, o ângulo a favoreceu hahahaha

Então a japonesa está de volta hoje… Vamos às candidatas?

Japão (Liniku Ushijima) *

 China (Yoko Matsugane)

Coreia (Seo Yoo Jin)
 

E aí galera?
Por favor digam em quem vocês votam e votem NESTA página…

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JArte #8: Através dos Olhos do Mangá

É possível analisar um pouco da história do mangá através da estilização dos seus olhos ao longo das décadas. Sendo um dos mais importantes códigos gráficos da representação da figura humana na história da arte, os olhos são a chave para analisarmos as diferentes preocupações dos autores e desenhistas.


Nas décadas de 1950 e 1960, Osamu Tezuka revolucionou as histórias em quadrinhos quando, inspirado nas proporções dos cartuns americanos, criou as estilizações dos olhos de Astroboy (1952), o marco do início do Mangá. O autor, no ano seguinte, ainda marcou o nascimento do sub-gênero shoujo, com A Princesa e o Cavaleiro (1953), totalmente direcionado ao público feminino. Nesse último, Tezuka foi abertamente influenciado pela trupe de teatro Takarazuka, composta somente por mulheres. Assim foram criados os famosos olhos grandes do mangá shoujo.

Em 1970 ocorreram dois fenômenos no mangá. Primeiro, a explosão do sub-gênero gekigá ao redor do mundo, formado por quadrinhos adultos e maduros que contam com uma estilização mais sutil, realista e menos expressiva. O mais importante do gênero é Lobo Solitário (1970), cuja linguagem e estética inspirou centenas de artistas futuros, inclusive brasileiros, como Julio Shimamoto.

Já o sub-gênero shoujo se tornou cada vez mais exagerado, quase como uma caricatura de si próprio. Mangás como A Rosa de Versalhes (1972) possuíam uma estilização ao mesmo tempo delicada e caricata, com olhos cada vez maiores e expressivos. Os artistas da época levaram ao limite o conceito dos “olhos como a janela da alma”, com pupilas lembrando galáxias cheias de estrelas.

Em 1980 as estilizações do mangá se tornaram mais suaves, mais uma vez inspiradas pelos cartuns americanos. Mangás e animês comoNausicaa (1984), do mestre Hayao Miyazaki, encontravam formas cada vez mais sutis e eficientes de reforçar a expressividade dos personagens, sem recorrer à caricatura dos olhos gigantes. Outros, como o Dragonball (1984), simplificaram códigos gráficos exagerados – como os olhos -, mas incorporaram cada vez mais o exagero da linguagem do cartum.

Em 1990 ocorreu a segunda explosão do gênero ao redor do mundo. Mangás como Sakura Card Captors (1996) retomaram o sutil exagero da década de 1970, enquanto outros mangás como Saber Marionette (1996) beiraram, mais uma vez, o limite da caricatura.

Na segunda metade da década de 1990, animês como Evangelion (1995) criaram um “meio-termo” de estilização, padronizando o gênero do mangá shounen e se tornando a base para a concepção de diversos mangás futuros.

Hoje em dia encontramos, cada vez mais, uma mistura dos sub-segmentos do mangá, e a reinvenção da sua estética.

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Beleza Oriental #14

Salve galera!!!

Tivemos um empate na semana passada. A coreana e a vietnamita empataram e estão de volta nesta semana…

Coreia (Jeong Da Hui) *

Phuong Mai (Vietnã) *

Japão (Liniku Ushijima)
 

Então, quem venceu nesta semana??
Agradecimentos ao Ronnie Pedra xD

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Beleza Oriental #13

Salve galera!!

E não é que a nossa coreana perdeu? Também, com a apelação que foi a Rie Tanaka, ficou complicado para a Ryu Ji Hye.

Hoje, Rie Tanaka volta, mas teremos uma competidora do Vietnã para desafiá-la…

E aí, quem vence??

Rie Tanaka (Japão)*

Jeong Da Hui (Coreia)

Phuong Mai (Vietnã)

Lembrando sempre que só valem os votos NESTA página!

E aí, quem venceu nessa semana?