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Review | Papa Capim – Noite Branca

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Uma ameaça antiga que parecia ser apenas uma lenda aparece e demonstra ter poder para destruir toda uma aldeia… Não fosse pela coragem de um curumim.

Noite Branca foi a décima primeira Graphic MSP lançada e, dessa vez, o protagonista é o indiozinho Papa-Capim. Venham comigo fazer parte dessa aventura épica!

A história

Papa-Capim ajudava Cafuné em seu treino para a prova de combate, mas se mostrava um tanto quanto desconcentrado por conta da lembrança de Jurema, a dona de seu coração. Ao darem o treino por encerrado, são surpreendidos por algo inusitado: um índio caído no chão, aparentemente delirante, repetindo apenas as palavras “Noite Branca”.

Intrigado com tal encontro, Papa-Capim discute o assunto com seus amigos e tenta saber o significado das enigmáticas palavras, mas é habilmente enrolado pelo pajé, que tem seus próprios planos para colocar em prática e, assim, tentar proteger a tribo.

Papa-Capim fica um pouco decepcionado e, naquela noite, tem um sonho estranho, no qual vê a morte de um papa-capim e a sua própria. Ao acordar, o indiozinho vê o cadáver do pequeno pássaro debaixo de sua rede e conta tudo ao amigo Cafuné, que o orienta a falar com o pajé. Este, ocupado com a segurança da aldeia, mais uma vez não dá atenção ao curumim, que se ressente e coloca uma pedra no assunto, enterrando o corpo do animalzinho.

Após uma tarde de distração com Jurema, Papa-Capim vai dormir e é surpreendido por algo terrível: Jurema foi possuída por um espírito maligno que lhe traz um recado de destruição. O indiozinho cai doente e só então o pajé resolve reconsiderar suas atitudes, mas já é tarde. A Noite Branca virá e só um verdadeiro guerreiro terá forças para impedir a aniquilação de toda a tribo, mesmo sendo apenas uma criança.

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Os autores

Marcela Godoy é uma veterana nos romances. Já escreveu vários, dentre eles Liah e o Relógio. Nos quadrinhos, roteirizou Romeu e Julieta e Macbeth, ambos para a coleção de clássicos da Nemo, dentre outras obras bem legais.

Renato Guedes já fez ilustrações para inúmeras publicações, dentre elas a Folha, Superinteressante, entre outras, além de ter feito muitos trabalhos para as gigantes DC e Marvel.

História de terror genuinamente brasileira

Noite Branca, para mim, fecha um ciclo nas Graphic MSP: tivemos aventura, comédia, drama, romance… Mas nada de terror. Papa-Capim e sua turma nos trouxeram uma obra repleta de referências à cultura indígena brasileira, que não apenas enriqueceu a trama como a deixou pronta para um roteiro de filme.

O realismo do traço de Renato Guedes aliado à história envolvente de Marcela Godoy fazem de Noite Branca uma obra incrível, daquelas que te deixam sem fôlego a cada página. A coragem de Papa-Capim e sua dor ao enfrentar alguém querido, que foi tomado por algo maligno, faz o coração do leitor bater mais forte. Fiquei tão frustrada quanto o protagonista quando o pajé meio que o joga pra escanteio e vibrei ao ver que sua determinação e o amor que sente pelos seus lhe trouxe um poderoso aliado.

Exemplar autografado pelos autores
Exemplar autografado pelos autores

A história não cai em momento algum e o final é mágico, me fazendo lamentar por não ver mais obras que dêem destaque ao folclore brasileiro, tão rico com suas histórias impressionantes. Se vocês ainda não leram, não sabem o que estão perdendo. Sério.

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Review | Hansel e Gretel #1

JQuadrinhos POST 2016 26

Um casal de irmãos é abandonado quando crianças à própria sorte e escapam de um destino cruel por um triz. Agora, eles seguem em uma jornada em busca do pai que os abandonou e precisam de algumas respostas.

Essa é a premissa básica do aguardadíssimo Hansel e Gretel, obra nacional em formato mangá lançada pela New Pop como um dos destaques do Anime Friends 2016, com roteiro de Douglas MCT e arte de Rafi de Sousa. Claro que o JWave não deixou de conferir e agora vamos compartilhar um pouquinho da história com vocês!

Capa de Hansel e Gretel
Capa de Hansel e Gretel

A história

Foi um longo caminho, mas finalmente o objetivo está prestes a ser cumprido. Duas crianças chegam à metrópole de Echtra, procurando uma pessoa e algumas respostas. Os irmãos são Hansel e Gretel, que não só querem encontrar o pai que os abandonou quando pequenos, como também entender o porquê de tal ato desumano com duas crianças relativamente indefesas.

Logo na chegada ao seu primeiro destino eles percebem que não será nada fácil: se envolvem em uma baita confusão e, apesar de levarem a melhor não conseguem nada além de chamar a atenção no mau sentido, tanto pela bagunça quanto por sua aparência que os destaca dos demais: eles têm a pele alva como a dos coelhos da neve.

Gretel mostrando para Robin Locksley que faz jus ao apelido de coelho
Gretel mostrando para Robin Locksley que faz jus ao apelido de coelho

Seguindo em frente com sua busca, encontram um aliado poderoso no Gato de Botas, um espadachim que se comunica de forma peculiar e que jura proteger os irmãos com a vida, mesmo não revelando o porquê.

Após encontrar pistas valiosas com a dançarina (e taverneira) Cachinhos Dourados e com o velho artesão Gepeto, os irmãos percebem que o pai era uma pessoa deveras importante, que armou alguma situação que o fez deixar a cidade. Agora, além de terem mais lugares para vasculhar, terão que enfrentar a gangue dos mercenários (na qual um dos membros é ninguém menos do que Robin Locksley), além de mais duas ameaças distintas: um flautista misterioso que levanta os mortos e o descendente de Pan, que não está para brincadeira. A pergunta é: eles estão preparados para tudo o que essa jornada irá lhes trazer?

A produção

Como todo mundo que acompanha a New Pop desde o princípio sabe, Hansel e Gretel já era para ter saído em 2009/10. O problema é que o roteirista passou por algumas dificuldades, como uma perda pessoal e a saída do primeiro parceiro do projeto, que era a pessoa responsável pela arte.

Depois de muito buscar, Douglas encontrou em Rafi a parceira perfeita para dar vida aos personagens e, finalmente, a história ganhou forma e chegou às nossas mãos.

Durante toda a edição, Douglas e Rafi nos brindam com pequenos drops dos bastidores da produção, inclusive suas referências pessoais. O prefácio ficou por conta da linda Cris Eiko (Quadrinhos A2, Penadinho – Vida) e devo dizer que ela foi muito assertiva no que nos adianta sobre Hansel e Gretel.

Prefácio de Cris Eiko para Hansel e Gretel
Prefácio de Cris Eiko para Hansel e Gretel

Além dos drops, ao final da edição os autores nos mostram os rascunhos iniciais e contam um pouco mais sobre o conceito dos personagens. O conjunto total mostra que, mesmo que tenha demorando um pouco, valeu muito a pena: o resultado ficou incrível.

Opinião

Mesmo sendo um pouco repetitiva, acho legal frisar que a edição ficou excepcional. A arte rica em detalhes da Rafi casou perfeitamente com o clima da história, que já neste primeiro volume me deixou ansiosa (ou devo dizer, desesperada) para ler os próximos.

É possível reconhecer os gostos pessoais dos envolvidos no projeto, que são parecidos com os meus: na obra, há incontáveis referências e algumas homenagens a grandes artistas como Hiromu Arakawa (FMA), Yoshihiro Togashi (Yu Tu Hakusho), Eiichiro Oda (One Piece) e até mesmo ao mestre e inspiração de muitos autores: Akira Toriyama (Dragon Ball).

Com personagens carismáticos e bem construídos (flautista = amor eterno) e uma trama que remete a vários contos de fada que embalam nossos sonhos desde crianças (mesmo que, nesse caso, tenham uma pegada mais “Fábulas” para meu total delírio), Hansel e Gretel é um deleite para nossos olhos e um excelente exemplo do quão talentosos são os artistas nacionais. Convido todos vocês a deixarem o ceticismo que envolve uma obra anunciada há alguns anos de lado e se deliciar com a magia presente nessas páginas. E que venham os próximos volumes.

Flautista!!! Kyahhhh!!! *o*
Flautista!!! Kyahhhh!!! *o*

Agradecemos ao pessoal da New Pop que nos cedeu o exemplar para análise e convido os leitores para um pequeno desafio: quantas referências de personagens vocês encontraram na obra? Conta pra gente nos comentários! 😉

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Review | Louco – Fuga

JQuadrinhos POST 2016 24

A gente tarda um pouco, mas não falha. Assim também é o tom de Louco – Fuga, a décima Graphic MSP, lançada na CCXP 2015 e de autoria do ilustrador paulistano Rogério Coelho. Esse é um dos álbuns que mais me impressionaram e me emocionaram, não à toa. Venham comigo nessa viagem maravilhosa!

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A história

Alguém está fugindo, embora tivesse um objetivo antes de qualquer coisa; salvar seu amigo, preso na gaiola daqueles que não toleram a voz da criatividade, os Guardiões do Silêncio. Aquele que foge é um velho conhecido nosso, Licurgo Orival Capiaspirino de Oliveira, Louco para os íntimos. O prisioneiro é um lindo pássaro dourado, amigo do rapaz desde que este ouviu seu canto pela primeira vez, quando poucos ainda ouviam.

Fugir não significa necessariamente desistir e, por isso, Licurgo decide recuar por um tempo, até que possa retornar ao mundo dos Guardiões do Silêncio para resgatar o Pássaro. Assim decidido, ele encontra uma nova história para ficar enquanto o dia certo não chega.

Neste mundo, o rapaz encontra quatro crianças que sorriem ao assistir seu espetáculo e, sem saber o poder que há em um sorriso, lhe dão força para almejar a tão sonhada liberdade de seu velho companheiro, bem como ampliar ainda mais sua imaginação, que inventa formas cada vez mais criativas de fugir dos captores do Pássaro. Licurgo sabe que não poderá fugir para sempre e que é de suma importância que se apresse para cumprir seu objetivo e, por isso, irá tomar coragem para abandonar a gaiola em que ele mesmo se trancou e, finalmente, abrir novamente uma portinha há muito fechada. Como ele fará isso, deixo para vocês descobrirem por si mesmos, afinal, que graça tem receber tudo de mão beijada, seja a liberdade ou o final de uma boa história?

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O autor

Rogério Coelho, além de ser um doce de pessoa, é um premiado ilustrador. Já havia participado de outros projetos com os estúdios Mauricio de Sousa, o MSP 50 e no lindíssimo livro Mônica(s).
Ele também colaborou com revistas infantis como a Recreio e é autor dos livros O Gato e a Árvore e O Barco dos Sonhos, ambos publicados pela editora Positivo. Em 2012, recebeu o Prêmio Jabuti pelo trabalho como um dos autores da coleção Mundo Leitor-Linhas da Vida.

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Opinião

Louco – Fuga é uma obra de arte. O modo como Rogério Coelho trata um personagem tão clássico como o Louco foi poético. O envolvimento dele com o Pássaro, com as crianças e as homenagens não só ao universo clássico da Turma da Mônica como às Graphics antecessoras foi de uma delicadeza ímpar.

O Louco de Coelho não é propriamente alguém desprovido de sanidade mental, mas sim, uma pessoa crescida com alma de menino que deseja salvar alguém querido, mas para isso precisa juntar alguns pedaços que estão espalhados em outros lugares: um sorriso, um apelido carinhoso, um cãozinho agradecido e as lembranças de um canto que dá força aos sonhos, algo que nunca podemos abandonar. Tudo isso, junto com a vontade de ser e estar livre, contribui para que essa Graphic seja não só uma obra-prima do design e dos quadrinhos, mas também uma história para refletir bastante.

Quanto do seu eu interior está tão pressionado pelas responsabilidades do dia a dia que não te permite prestar atenção aos sons à sua volta, às gargalhadas dos seus pares e à beleza que há nas pequenas coisas? Deixe sair um pouco do Louco que há dentro de você. Garanto que fará muito bem.

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Review | Quando Tudo Começou

JQuadrinhos POST 2016 23
Sabemos que crescer não é fácil, especialmente a transição entre a adolescência e a vida adulta. Muitas vezes fica a sensação de que você não é mais criança, mas não é levado a sério porque ainda não se tornou um adulto “de verdade”.

A blogueira Bruna Vieira passou por isso e, junto com a fofíssima Lu Cafaggi, nos presenteia com “Quando tudo começou”, um quadrinho meigo e nostálgico, trazido até nós pela editora Nemo. Vamos conferir?

Confissões de adolescente

Bruna está apreensiva: vai começar na escola nova e, pela primeira vez, sua melhor amiga não estará ao seu lado. Mudar de ares foi uma decisão totalmente sua, mas parece que não estava devidamente preparada.

Após gastar um tempinho realçando sua beleza natural com maquiagem (e com caraminholas na cabeça que nos acompanham mesmo na vida adulta) e de receber o incentivo que precisava através de uma simples mensagem da amiga ausente, Bruna sai para seu primeiro dia de aula meio confiante, meio incrédula, mas ainda assim com vontade de mudar.

Seu complexo de inferioridade não permite ver na classe novas possibilidades de fazer amigos e de expandir os horizontes, mas ela se esforça a ponto de nos deixar com a impressão de que, embora ela pareça não querer dar espaço para isso, irá conseguir superar essa dificuldade.

Bebel é uma melhor amiga consciente, daquelas que não te mimam, nem te poupam de uma bronca quando é necessário. Na visita que faz à Bruna depois da aula, deixa claro que foi ela mesma quem quis esta mudança, mas pra isso precisa deixar que ela aconteça; chega de ser gentil com a memória da escola antiga e de negar aos outros a oportunidade de mostrar a Bruna de verdade: uma garota bonita e inteligente, que quer ser feliz.

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Impressões
Pode-se dizer que “Quando tudo começou” é um prelúdio para o que Bruna Vieira se tornou hoje: uma blogueira jovem, que para superar coisas tristes que lhe aconteceram (como o final de um relacionamento), passou a escrever em um blog. Suas palavras alcançaram os corações de milhões de seguidores em suas redes sociais e arrisco dizer que a insegurança demonstrada nas páginas deste livro deveria ficar totalmente para trás.

Opinião
Bruna se revela uma excelente contadora de histórias, daquelas que passam tudo o que estavam sentindo enquanto escreviam. Lendo a história, me senti de novo com 15 anos e minhas incertezas acerca do meu futuro: ligeiramente diferente das dela, mas ainda assim fortes o suficiente para incomodar bastante.

O traço fofo de Lu Cafaggi dá um tom nostálgico à trama, trazendo à tona lembranças de uma época em que nossas preocupações apenas estavam começando.

Uma boa história com um excelente traço fazem de “Quando tudo começou” uma boa pedida para quem quer deixar um pouco de lado o caos do dia a dia para se encantar com algo simples como o coração de uma jovem.

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Agradecemos à editora Nemo e ao pessoal da Autêntica pelo exemplar enviado para análise.

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Review | Placas Tectônicas

JQuadrinhos POST 2016 22
Peço perdão desde já por começar com um clichê mas… a vida não é fácil. Relacionar-se com as pessoas, seja por amizade, seja por amor, seja pelo trabalho geralmente não é simples como gostaríamos. Sabendo bem o que isso significa, a autora francesa Margaux Motin nos traz o delicioso Placas Tectônicas, seu primeiro livro publicado no Brasil e que me deixou apaixonada logo de cara. Curiosos? Bora saber mais um pouquinho.

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A história
O ano é 2010 e Margaux acabou de se divorciar. Após relembrar brevemente tudo o que se passou nesse relacionamento, ela decide guardar todas as lembranças e “sair” pra um novo começo, junto com sua filha de seis anos, suas fiéis amigas e sua família.

Agora, o que nos espera são relatos divertidíssimos de como ela faz pra cuidar da filha e da casa ao mesmo tempo em que trabalha como ilustradora, sai com as amigas e ainda consegue abrir seu coração para um novo amor.

Sincerômetro ligado no level max

Uma das coisas que mais atrai em Placas Tectônicas é o nível máximo de sinceridade da autora. Ela não nega as maravilhas de ser mãe, mas é bem sincera com o “lado B” desta nobre tarefa. Pode horrorizar leitores mais puritanos com as verdades que ela fala quanto aos super-poderes que as mães têm, com os porres que ela toma com a criança em casa e com o fato dela agir de forma mais infantil do que a menina em muitas situações, mas nada que não nos arranque risadas, afinal, quem nunca teve vontade de mandar tudo às favas pelo menos uma vez, que atire a primeira pedra.

Ela também é bem verdadeira quanto às fases pelas quais passamos após terminar um relacionamento, nas atitudes que tomamos muitas vezes com relação ao trabalho e às amizades, bem como com nossa neurose ao tentar adivinhar os sentimentos do parceiro, a visível falta de paciência com as crianças, as eternas minhocas na cabeça por causa da aparência e, especialmente, a falta de vontade de estar sempre perfeita para toda e qualquer ocasião.

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Opinião
Placas Tectônicas é uma grata surpresa. Me identifiquei bastante com a protagonista/autora (será que é porque somos da mesma faixa etária?), pois também não consigo manter minha boca fechada em determinadas situações, nem ter paciência com os filhos mal educados das outras pessoas; em contra-partida, é bem difícil manter-se com a sanidade em dia passando por tanto perrengue, seja um final de relacionamento conturbado, mudanças inesperadas, crise no serviço e, o mais assustador, a insegurança diante do futuro.

Margaux nos mostra que, por pior que seja a situação, é possível resolver tudo com bom humor, sem deixar morrer a nossa criança interior. No final é tudo uma questão de harmonizar nossas placas tectônicas interiores e… se ocupar vivendo.

Agradecimentos mega especiais à editora Nemo, que nos mandou o exemplar para análise. Espero sinceramente que tragam mais obras da autora!

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Review | Robô Esmaga

JQuadrinhos POST 2016 21
O álbum Robô Esmaga foi anunciado em 2014 como o segundo título do então recém criado selo .Ink (o primeiro havia sido o álbum de retorno dos Combo Rangers, o “Somos Heróis”). Depois de um tempinho de ajustes, finalmente chegou às nossas mãos no finalzinho de 2015, com direito a uma sessão de autógrafos na CCXP.

A nós, coube a difícil missão de resenhar um álbum de tirinhas. Após algumas leituras, seguem as minhas impressões sobre Robô Esmaga, do carioca Alexandre Lourenço.

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Antes da resenha, um pouquinho sobre o autor
Alexandre Lourenço é carioca de nascimento, mas reside em Curitiba. Ele publica as tiras em seu blog Robô Esmaga desde 2010 e foi indicado ao prêmio HQ Mix de melhor Web Quadrinho de 2013. O álbum Robô Esmaga é sua primeira publicação impressa e esperamos que venham mais por aí!

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O álbum comentado
Robô Esmaga é algo no mínimo particular. As tiras que o compõe são todas sobre o cotidiano. Impossível não se identificar com pelo menos uma.

Com um ar de melancolia e dizendo a verdade em traços bem simples, Alexandre Lourenço expõe as impressões sobre o assunto abordado em cada uma delas, o que torna a obra pessoal, ao mesmo tempo em que nos obriga a enxergar o que teimamos em não ver em nosso dia-a-dia.

Quantos de nós não se questionaram pelo menos uma vez se o que fazemos diariamente em nosso trabalho corresponde a tudo o que realmente temos capacidade de fazer? Quantos de nós não deixaram de encontrar a pessoa com quem poderíamos passar (quem pode saber?) o resto de nossas vidas, mas simplesmente estávamos mais preocupados em cutucar os outros nas redes sociais, sem nem ao menos olhar para o lado.

Nossas vidas seriam mais notáveis se apenas deixássemos de olhar para nós mesmos e prestássemos mais atenção no que acontece em nossa volta? Nossas vidas precisam ser resumidas apenas a planilhas e cubículos? Será que se apenas olharmos para cima uma vez que seja não será uma boa oportunidade para enxergarmos novas possibilidades?

Não sei as respostas para essas perguntas, mas Robô Esmaga me chamou a atenção para algumas delas, especialmente na tira intitulada “Cinco Centímetros”. Será que a gente realmente precisa deixar de ser como é apenas porque não “correspondemos” a padrões pré-estabelecidos?

Enfim, creio que a leitura de Robô Esmaga será particular para cada leitor. Para mim, foi uma espécie de Macanudo melancólico, mas sem deixar de imprimir sua própria marca. Gostei bastante das tiras e do quanto elas me fizeram refletir sobre alguns aspectos da vida como um todo. Convido vocês a lerem e comentarem aqui com qual tira se identificaram mais!

Agradecemos à editora JBC pelo exemplar enviado para análise, com os votos de que mais projetos desse tipo cheguem até nós pelo selo .Ink.

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Review | Darth Vader e Filho/A Princesinha de Vader

JQuadrinhos POST 2016 20
No mundo Geek, homenagens e paródias são uma constante e, não raro, caem no gosto dos fãs. É o caso desses dois livrinhos de Jeffrey Brown, baseados no universo de uma das franquias mais amada do mundo: Star Wars.

As estrelas desses livros/quadrinhos são ninguém menos que a família mais esquisita da galáxia: o lorde Sith Darth Vader e seus dois filhos, os gêmeos Luke e Leia. Como seria se, ao invés de ficar apenas tramando contra a galáxia,  ele tivesse sido um pai dedicado, dividindo as batalhas com a criação de duas crianças? É o que  vocês vão ver agora!

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Darth Vader e Filho
Nesta edição, Luke é uma criancinha de quatro anos, uma idade de descobertas, na qual a criança fica mais curiosa do que de costume e tenta se tornar independente dos pais.

Darth Vader é obrigado a lidar com probleminhas como o filho que usa a Força para roubar o pote de biscoitos antes da refeição, que deixa o quarto desarrumado e se atrasa para ir à escola porque ainda não terminou suas brincadeiras e que sempre o envergonha na frente do exército do Império, o qual o Lorde tem a remota esperança que seu filho venha a liderar um dia.

Surpreendentemente, Darth tem o maior jogo de cintura com Luke, elogiando ou repreendendo quando necessário. Ele só precisa lidar um pouco melhor com as amizades do filho e seu “mau gosto” para brinquedos.

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A Princesinha de Vader
Se ser pai de um garotinho de quatro anos já revela ser uma tarefa difícil, imagina então de uma linda e doce garotinha em transição para uma adolescente literalmente rebelde. Darth Vader tem que rebolar em dobro para criar Leia como a princesa que é, mas sem estragá-la com tantos mimos.

Ainda criança, Leia apenas agia como tal, desobedecendo às ordens do pai para brincar até mais tarde com seu irmão ou ainda presenteando o Lorde Sith com presentes feitos por ela mesma  (lindos, por sinal).

Com o passar dos anos, Leia adquire a rebeldia típica da adolescência, seja escolhendo roupas impróprias – na opinião do pai – como namorando o melhor amigo do irmão (de quem o pai nunca gostou, vamos combinar).

Mesmo assim, Vader tenta ser compreensivo, ouvindo seus problemas amorosos (que ela ACHA que tem), suas reclamações acerca de um guarda-roupa “sem opções”, a rebeldia em não partilhar de suas crenças partidárias e a escolha de uma faculdade distante para se formar. Claro que, mesmo quando libera a raiva e diz que odeia o pai, Leia fala da boca pra fora, pois sempre que tem uma chance desarma Vader com um abraço.

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Opinião
No meio de tantos livros com o universo de Star Wars como tema, esses dois mini-álbuns foram uma grata surpresa.

Ver Darth Vader, um vilão clássico que nos faz ter um trilhão de sentimentos a cada vez que revemos os filmes, criar seus filhos como um pai zeloso não tem preço.

O traço de Jeffrey Brown também é uma graça, remetendo aos livros infantis, mas que os adultos também podem apreciar sem prejuízo de sentir que seus filmes favoritos foram banalizados, pelo contrário: é uma homenagem diferente e feita por alguém que, como nós, cresceu assistindo a esses filmes e ama todos os personagens da saga, até o Jar Jar Binks (mas beeeeeeem lá no fundo).

Agradecemos imensamente à editora Aleph, que nos encaminhou os exemplares para análise. Desejamos que este seja o início de uma bela parceria e que a Força esteja com vocês!

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Review | Maurici80

JQuadrinhos POST 2016 19

No ano de aniversário do mestre Mauricio de Sousa, quem saiu ganhando  fomos nós, fãs de sua obra. Publicações como a republicação dos seus primeiros gibis e livros, da biografia em quadrinhos com uma nova roupagem e extras, mais Graphics MSP de tirar o fôlego, um estande lindo na CCXP e o anúncio irado de um filme live-action baseado na Graphic Laços, dos irmãos Cafaggi.

Como se não fosse suficiente, nos deparamos na CCXP com “Maurici80”, uma história incrível que você vê mais detalhes aqui.

A história

Tudo começa com Mauricio mostrando ao leitor de onde vêm as ideias: de seu universo, perdão, seu “Moniverso”, cheio de planetas paralelos representando cada pedaço de sua criação. Antes de se arrumar para sua festa de aniversário, ele resolve usar seu lápis mágico e nos mostrar como tudo começou.

A partir daí, somos transportados à vários momentos da vida de Mauricio, nos quais ele é apresentado aos gênios da inspiração; ainda criancinha, conhece a Fada da Fantasia, que lhe concede o lápis mágico e também desperta nele a curiosidade e a tendência para a “arte” nos dois sentidos.

Passando de forma deliciosa pela sua infância (com direito a um reencontro emocionante), Mauricio pula para seus 14 anos e conhece o segundo gênio, o da Aventura, que lhe mostra o caminho para criar histórias épicas, que passam pelos universos pré-históricos e pela Mata.

Ao pular para os seus 19 anos e retornar à sua época de repórter policial, Mauricio conhece a turma assombrada e o gênio do Terror, que o inspira de um jeito bem particular. Daí, passamos para a São Paulo do IV Centenário, onde somos apresentados ao gênio da Ficção que lhe dá ideias com um certo Astronauta num traje redondinho.

Com um empurrãozinho do novo amigo, Mauricio dá um salto 20 anos no futuro caindo nos divertidos anos 70. Lá, a gênia da Juventude o apresenta aos seus personagens adolescentes e depois dessa viagem ela o deixa sob a custódia do gênio da Inspiração Filosófica, que já sabemos ser responsável por histórias incríveis ao longo desses anos.

De volta à realidade e consciente de seus guardiões inspiradores, Mauricio está pronto para sua festa, mas não sem antes nos mostrar uma vez mais o porquê de ser o Mauricio a quem tanto admiramos.

Opinião

Diferente da Biografia em Quadrinhos, na qual os personagens revisitam a carreira de seu criador, em Maurici80, o próprio Mauricio nos apresenta ao seu passado, presente e futuro.

A história é algo fantástico, que te transporta tranquilamente para o Moniverso: referências, reencontros, homenagens, tudo representado de uma maneira que velhos e novos leitores, adultos e crianças, fãs ou não do trabalho de Mauricio possam entender e apreciar. É o poder do roteiro fantástico do veterano Flavio Soares de Jesus, que só nos surpreende e mima a cada edição especial.

Especiais assim não tem nem o que pensar: são itens obrigatórios na estante e ser relido sempre que puder, especialmente naqueles momentos em que esquecemos que os sonhos são o combustível da nossa vida. Imperdível.

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Review | Dois Irmãos

JQuadrinhos POST 2016 18

As mães afirmam que não fazem distinção de nenhum de seus filhos, que os amam por igual, que não existe favoritismo. Que existe amor, ninguém questiona, mas o favoritismo… nem sempre é fácil acreditar na inexistência dele. Dois Irmãos, dos gêmeos Moon e Bá, é uma obra que explora a relação entre dois irmãos fadada à incompreensão desde cedo. Culpa do amor exacerbado de uma mãe devotada? Culpa do excesso de rigor de um pai amargurado? Ou apenas… ciúme? Vamos descobrir nas próximas linhas.

A história

Manaus, um ano antes da Segunda Guerra Mundial. Yaqub, o filho mais velho, retorna para sua casa depois de 5 anos vivendo no Líbano, para onde seu pai o enviou depois de um desagradável incidente com o outro filho, Omar. O reencontro com sua família e com as paisagens de sua infância o fazem recordar do passado.

Aos 13 anos, tudo o que Yaqub queria era participar do baile de Carnaval e esperou ansioso pelo momento em que, pela primeira vez, poderia desfrutar da festa junto com os adultos e aproveitar para ficar junto de Lívia, a menina de quem gostava. Solicitado por sua mãe para levar sua irmãzinha para casa, ao voltar para o baile viu Lívia beijando seu irmão gêmeo, o Caçula Omar.

Passadas algumas semanas, na matinê de “cinema em casa” proporcionada por uma família amiga, Yaqub finalmente consegue realizar seu sonho e beija seu amor no escuro da sala, porém a que preço; o Caçula golpeia seu rosto com um caco de vidro e deixa uma cicatriz indelével não só em sua face, como também em seu coração.

Para evitar o pior, o pai dos dois, Halim, manda o filho para viver com parentes distantes em uma aldeia do Líbano. Longe do irmão mais velho, Omar vive como filho único, tendo como fiel defensora sua mãe, Zara, que parece não entender o quanto suas atitudes afetam a todos na família.

De volta ao presente, Yaqub pouco ficou com os pais. Estudou, superou suas deficiências no idioma, formou-se e partiu para São Paulo, onde prosperou e casou. Omar, pelo contrário, continuou como o bon-vivant que sempre foi, sufocado pela incapacidade de terminar algo que começou e pelo ciúmes da mãe e da irmã.

Desde então, toda vez que o caminho desses dois se cruzar, sempre virá à tona a rixa da infância. Poderão os dois superar tudo isso e ser apenas irmãos, não rivais? Zara conseguirá tratar ambos como filhos, não como posse? E Halim, o que fará para que sua vida volte a ter o mesmo encanto de quando se casou com o amor de sua vida? Convido vocês a buscar as respostas lendo a história.

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Os autores e sua obra

Fábio Moon e Gabriel Bá são muito conhecidos do público brasileiro. Começaram em 1997 com o fanzine 10 Pãezinhos e desde então não pararam mais, conquistando reconhecimento nacional e internacional, inclusive publicando tiras no jornal Folha de São Paulo. Antes de Dois Irmãos, Moon e Bá publicaram pelo selo Vertigo Daytripper (publicado no Brasil pela Panini) e ganharam vários prêmios, dentre eles o Eisner.

Dois Irmãos é baseado no livro homônimo de Milton Hatoum, vencedor do Jabuti do ano 2000 e traduzido para oito idiomas.

Opinião

A história de Dois Irmãos é algo instigante de se acompanhar. Ao mesmo tempo em que você tem vontade de falar umas boas verdades para metade dos personagens, você quer acompanhar até o último momento até onde tudo aquilo vai chegar.

A narração deixada por conta de Nael, filho da empregada Domingas que está na casa desde sua tenra idade, dá um quê de familiaridade à obra.

O traço característico dos irmãos faz com que os personagens pulem do livro, ganhando vida própria e instigando o leitor a desvendar seus pensamentos, especialmente Zara e seu olhar que, com certeza, lê nossas mentes.

Mais uma vez os irmãos acertaram, adaptando uma obra da literatura brasileira como só eles poderiam. Mais uma edição digna de nossas estantes.

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Review | Bear #1

JQuadrinhos POST 2016 17

Uma garotinha tão fofa que dá vontade de morder e um urso que dá vontade de abraçar apertado e não largar nunca mais. Esses são os protagonistas de Bear, história de autoria de Bianca Pinheiro, que começou como webcomic e já conta com dois volumes publicados pela editora Nemo. E que a busca comece!

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A história

Raven, uma garotinha alegre, graciosa e bem esperta, está procurando seus pais. De forma inusitada e, porque não, intrépida, ela vai parar em uma caverna, habitada pelo urso Dimas.

Após uma breve conversa, a menina passa a contar com a ajuda do urso para procurar seus pais, munidos de um retrato falado muito fiel (e que se mexe!!!), de uma mochila cheia de guloseimas e daquela confiança mútua que só aquelas pessoas que têm amigos que são sua alma gêmea compreendem.

Em sua busca, os dois vão parar na Cidade das Charadas, um lugar onde todas as respostas são dadas por meio de… charadas. Após receber ajuda da capivara mais incrível dos quadrinhos e do oráculo (ninguém menos do que a autora da história), eles descobrem que para continuar a busca pelos pais de Raven e sair da cidade, é necessário responder à charada proposta pelo rei em pessoa. O problema é que a charada é tão difícil que já se tornou também uma condição para substituir até mesmo o rei. Se os dois conseguirão resolver a charada ou ficarão presos para sempre no local, só lendo para descobrir.

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A autora

Bianca Pinheiro é muito versátil. Carioca de nascença, mas residindo em Curitiba desde sempre, é formada em artes gráficas pela UTFPR e pós-graduada em histórias em quadrinhos pela faculdade Opet.

Além de Bear, Bianca também é autora do suspense Dora, co-autora de Meu Pai é um Homem da Montanha (parceria com Gregório Berti) e, no FIQ 2015, foi anunciada como autora da Graphic MSP solo da Mônica, emocionando o mestre Mauricio e a todos nós.

Opinião

Bear é aquele tipo de história que vai muito além do traço, do enredo e de todos os elementos dos quadrinhos.

Através das referências e da trama como um todo, é possível sentir o quanto Bianca ama fazer o que faz. A história é bem construída, dando aquela vontade doida de saber logo o que vai acontecer na sequência.

A amizade que nasce num instante entre Raven e Bear te lembra aquelas amizades que você nem pensava que poderia fazer um dia, mas hoje são peça fundamental em sua vida. Os personagens são únicos e o vilão (se é que podemos chamar de vilão), um show à parte.

Apesar de Bear sair com regularidade na internet, eu que serei analógica por toda a minha vida não vejo a hora de ter o terceiro volume em mãos. Só posso dizer que virei fã e mal posso esperar pra ver o que mais a Bianca vai nos mostrar.

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Review | Combo Rangers – Somos Humanos

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Depois de um retorno triunfal em 2013, todos ficamos muito ansiosos para ver a próxima aventura dos guerreiros coloridos que protegem os sonhos e os sorrisos das crianças. É claro que Fábio Yabu conseguiu de novo, com o volume dois da trilogia dos Combo Rangers, “Somos Humanos”. O JWave te conta tudo, porque tá na hora do combo!

A história

Após terem derrotado os asseclas do Império Domao, os Combo Rangers tornaram-se celebridades. Por causa disso, o diretor Monte resolve instalar uma barreira para retirar os poderes dos alunos enquanto estiverem dentro da escola. Por algo que pode ser justificado como rebeldia juvenil, Fox ainda não voltou pra escola e parece não querer entender o porquê da insistência  dos adultos em utilizar os poderes com mais maturidade.

Enquanto nossos heróis estão tranquilos, Giluke traça uma estratégia terrível para roubar os poderes do Combo: ele pretende se infiltrar na escola e conviver com os garotos, apenas esperando para dar o bote. Mesmo sendo um plano maligno, ele pretende sair vitorioso sem derramamento de sangue, pois além de não apreciar a violência, tem uma queda pela combo yellow, Lisa (dêem uma olhada na página 28, é impagável!!).

Dando sequência ao seu plano, Giluke “desencaminha” o Homem-Reflexo, infiltra-se na escola e ajuda Deck na tomada dos braceletes dos Combo Rangers, bem como no sequestro do Poderoso Combo. Agora, sem poderes, sem saber em quem confiar e acreditando que perderam pessoas queridas na batalha, as crianças deverão enfrentar o inimigo e aprender não só uma lição de humanidade como também cultivar a humildade.

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Os autores

Fábio Yabu é velho conhecido dos fãs de quadrinhos nacionais. Ele já escreveu mais de 20 livros, mas seus trabalhos mais conhecidos são o Esquadrão dos Sonhos Combo Rangers e as Princesas do Mar. Atualmente, está se dedicando de corpo e alma a um projeto em Fortaleza.

Michel Borges iniciou sua carreira como colorista de Combo Rangers e, além deste projeto, também trabalha como ilustrador, colorista e como autor independente.

Opinião

Quando vi um gibi dos Combo Rangers pela primeira vez, não pude comprar porque estava me preparando para cursar minha faculdade. Eram tempos difíceis e qualquer economia ajudaria.

Anos depois, trabalhando em um sebo de gibis, encontrei algumas edições antigas. Como não tinham todas disponíveis, deixei passar mais uma vez, mas não sem folhear rapidamente antes. Achei o colorido impressionante e mais: além de ser quadrinho nacional, era inspirado nos tokusatsu que fizeram minha alegria na infância  (inclusive quase me deixaram sem os dentes da frente numa tentativa de ser a Google Pink, mas isso é outra história…). Entretanto, mais uma vez, deixei passar a oportunidade.

E então, veio o evento na Geek. Um amigo me emprestou seu exemplar (pra variar, minha conta bancária passava por um tenebroso inverno). Adorei a edição, me diverti com as incontáveis referências e fiquei ansiosa pelo próximo volume, que prometi a mim mesma que compraria.

Finalmente, o segundo volume chegou e em grande estilo. A história está ainda melhor, os dramas pessoais dos personagens ainda mais profundos e, mesmo com tudo isso, sinto que vem muito mais por aí. Mal posso esperar pra ver a conclusão dessa saga e… muitas outras oriundas dela.

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Review | Turma da Mônica Jovem #88

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A Comic Con 2015 terminou (confesso que já estou sentindo saudades…), mas ainda estamos na hype do evento. Já que é assim, não podíamos deixar de falar da última edição da Turma da Mônica Jovem, a de número 88, que traz um título que diz tudo: Somos Todos Nerds.

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A história

Tudo começa num dia normal como outro. “Seu” Araújo, pai do Cascão, havia planejado o sábado perfeito: assistir à partida de futebol do Timão no estádio com o filho, mas… seus planos foram por água abaixo ao encontrar um bilhete da esposa dizendo que foi deixar as crianças no metrô. De forma nérdica e sagaz, ele descobre que o destino do filho é a Comic Con 2015 e é claro que não é uma “convenção de nerds” que vai impedir seu sábado perfeito.

Os objetivos da Turma

De volta à turminha, ao chegar ao local da convenção, enquanto Cascão tem objetivos até demais para concretizar (ilustrados numa inspiradíssima página pixelizada, pena que foi em preto e branco), os outros três já estão decididos: Mônica irá ao stand da editora Lemon Tree tentar pegar o autógrafo da autora de “Jogos Divergentes” (sacada ótima); Magali irá ao stand da Ulimited Toys Editions para comprar a “Lendária Melancia Bonitinha” (densetsu no suika kawaii) e o Cebola quer pegar o lançamento do jogo on line “Legends of Fantasy Online 4”. Nem é preciso dizer que, como em todo bom evento especializado eles acabam se separando por motivos alheios à sua vontade (quem nunca?) e aí será necessário muita paciência e, porque não, desprendimento, para conseguirem realizar tudo a contento.

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As referências

Durante a saga, nossos cérebros nerds são bombardeados com muitos táquions de referências de tudo quanto é jeito; seriados, filmes, quadrinhos e tudo o mais que ousemos imaginar. O mais legal é que nem tudo parte direto do Cascão, o personagem mais geek da versão jovem. Todo mundo colabora com uma pérola que até mesmo pessoas que não são fãs reconhecem facilmente, que vão desde o recente “o inverno está chegando” até o clássico dos clássicos “eu sou seu pai” (carinho especial pela referência à Lições, dos irmãos Cafaggi).

Além de tudo isso, o nosso querido Sidney Gusman faz uma participação mais do que especial no seu stand “Universo dos Gibis”, ajudando o pai do Cascão a entender que o fato de seu filho nem sempre escolher o mesmo programa que ele não quer dizer que estejam desconectados. A turma também dá um exemplo que pouquíssimas pessoas fariam: escolher o que deixaria seu amigo mais feliz ao invés do que o seu próprio. Isso realmente não tem preço.

Opinião

Confesso que deixei de comprar muitos números da Turma jovem porque fiquei um pouco chateada com alguns rumos que a trama tomou, mas esse volume me fez sentir como não me sentia há muito tempo. Apesar da Turma sempre dar lições de amizade e estar sempre unida nas outras edições, nesta em específico senti esperança de novo no Cebola e estou torcendo para que o Do Contra tire o time dele de campo, afinal, nerd como sou não posso deixar de shippar os dois sabichões mais amados dos quadrinhos. No mais, a história é muito divertida e cumpre seu objetivo de entreter e desafiar nossas memórias com louvor. Que venham os próximos eventos!

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