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Opinião | Hiroshima e Nagasaki

Por: Giuliano Peccilli

Depois dos dias 06 e 09 de agosto de 1945, o mundo nunca mais foi o mesmo; ocorreu o lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Talvez essas cidades sejam apenas nomes que você estudou no colégio quando aprendia sobre a Segunda Guerra Mundial, mas sua importância é muito maior.

A guerra entre Estados Unidos e Japão começou após o ataque nipônico sobre Pearl Harbor, e acarretou numa série de conflitos em todo o território japonês. Filmes como Cartas de Iwo Jima mostraram a chegada da monstruosa frota americana que dizimou o país.

Hiroshima e Nagasaki pagaram para servir de exemplo para o mundo: a soberania americana era incontestável, dadas as armas de destruição em massa. Poucos sabem que o uso de bombas atômicas não foi uma imprudência ainda pior por falta de um desenvolvimento de bombas em massa. Cidades como Kyoto, Niigata, Yokohama e Kokura estavam na mira dos americanos, mas acabaram não sendo atingidas, em parte pela falta de mais bombas dessa magnitude. Era uma arma de intimidação, usada apenas por decisão do presidente estadunidense Harry Truman, acreditando que a demonstração de força encerraria os conflitos.

A cidade de Kyoto, antiga capital do império japonês, só foi excluída das bombas pois o secretário de Guerra americano, Henry Stimson, havia passado lua-de-mel lá há vários anos antes e conhecia a importância cultural e religiosa daquela cidade pro país; tal decisão causou várias discussões entre os americanos, dado o peso do alvo potencial.

Demais cidades foram riscadas por importância e também pela complexidade do desenvolvimento das bombas atômicas. As bombas Little Boy e Fat Man, utilizadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, eram quase protótipos; seus alvos eram testes. Como protótipos, as duas armas não eram iguais, o que acarretou em explosões distintas e consequências diferentes para a população.

As duas cidades ficaram marcadas como as cidades bombardeadas pela Bomba atômica. Agora, você realmente conhece elas? Sabem quais são as importâncias delas antes da guerra ou que representam hoje? São perguntas difíceis de se responder, já que mesmo 65 anos depois, as cidades ainda ostentam as feridas causadas por esse holocausto. Independente disso, se reconstruíram e se tornaram grandes exemplos, maiores e ainda mais belas do que antes.

Hiroshima

Hiroshima é uma cidade de tempo chuvoso e que muitas vezes, dada a distribuição de seus prédios, lembra a cidade de São Paulo. Foi fundada em 1589 por Mori Terumoto, que a transformou em capital, construindo o castelo de Hiroshima em 1593.

Hiroshima se tornou a capital da também província de Hiroshima no período Edo (1871), tendo domínios feudais abolidos com a Restauração da Era Meiji (época em que se passa o filme “O último samurai”). A cidade também progrediu graças a outra guerra, a Sino-Japonesa (1894 a 1895) quando surgiu a primeira linha de trens na região. O fim da guerra trouxe a independência da Coréia, a derrota da China e um tratado que abriu as relações comerciais entre o Japão e a China.

Hiroshima foi escolhida como alvo da primeira bomba atômica porque havia se tornado chave das navegações nipônicas, além de depósito militar. Assim no dia 6 de agosto de 1945, às 08:05 da manhã, a cidade sofreu um ataque com a bomba atômica “Litle Boy”, que matou imediatamente 80 mil pessoas, sem mencionar aqueles que, com os efeitos da radiação, somariam as 140 mil mortes através das décadas.

A cidade teve 69% das suas estruturas destruídas; pessoas se desintegraram, sobrando apenas marcas no chão.

Em 1949 foi aprovada a lei do Memorial da paz de Hiroshima – Cidade da Reconstrução com ajuda do governo, que doou terras que haviam sido usadas para fins militares. O governo também ajudou financeiramente a reconstrução da cidade para que não esquecesse os danos causados pela guerra.

Atualmente, Hiroshima é uma cidade turística que não vive só do Museu e do Memorial da Paz, e é conhecida por sua culinária, em especial o okonomiyaki, uma pizza feita na chapa. Outro símbolo da cidade é Hidaren Streetcar, um bondinho implantado em 1910, mantido pois outros meios de transporte eram mais caros para se construir, e hoje é um dos charmes locais.

Nagasaki

A história de Nagasaki começa em 607 com a proximidade da China e da Coréia do Norte. A cidade era usada como porta caudilha da diplomacia japonesa; Nagasaki cumpria o papel de comércio com a exportação entre os países.

A chegada dos portugueses em 1550 estreitou a relação comercial e veio também com uma nova ordem religiosa, o cristianismo, que também trouxe jesuítas. A cidade foi colonizada pelos portugueses 50 anos depois da descoberta do Brasil. Assim nascia o primeiro dicionário japonês pra outro idioma que foi justamente japonês-português.

A negociação comercial com Portugal, China e outros países começaram em 1571 e a chegada de novos interessados não parecia ter fim. Numa medida conservadora, o governo japonês decidiu fechar as portas de todos os portos pra navios ultramarinos, mantendo apenas o porto de Nagasaki aberto para o resto do mundo.

Em 1637, estrangeiros foram expulsos de Nagasaki depois de uma mobilização interna; levou quase um século para que a cidade fosse renacionalizada. Até hoje existem vestígios de outros povos em diversos pontos na cidade. É uma cidade que deve ser visitada não só pelo fator histórico, mas pelas características exóticas e únicas que possui. Um dos pratos típicos locais é de origem portuguesa, o Castella, um tipo de um pão de ló.

Uma das obras mais famosas de Nagasaki é a 26 Mártires, construída em 1962 em homenagem ao centenário da canonização dos 26 padres executados em 5 de fevereiro de 1597. Os jesuítas, como fizeram no Brasil, tentaram levar a religião católica para o Japão, mas não esperavam a proibição do imperador, da punição capital.

O cristianismo foi proibido e grupos, buscando manter vivas suas crenças, transformaram aos poucos a religião. Orações viravam mantras, enquanto Virgem Maria era protegida por dois animais que pareciam um amalgama entre tigres e dragões. Hoje, a religião mesmo que aberta no país, ainda herda características da época que era proibida, causando estranhamento para quem visita igrejas como a Catedral Urakami.

Hoje, Nagasaki é uma cidade que preserva as marcas da sua sina: diversos pontos da cidade preservam restos de construções para que não se percam as tristes memórias.

O Museu da Bomba Atômica é um dos lugares mais sufocantes da cidade, onde temos um vislumbre das vidas perdidas através de objetos daquele fatídico dia. Temos histórias chocantes, como a de uma criança que anotou na parede o número de parentes de sua família que morreu, apenas para se juntar a eles logo depois.

Muitas cartas sobre parentes mortos, feitos com material que se tinha acesso, estão expostas no museu. Somos apresentados toda a dor. É arrebatador e angustiante ficar ali; uma lição que se deve ser aprendida.
Existe também o belíssimo Parque da Paz, construído em 1955, com estátuas do mundo inteiro, todas representando a paz.

Tanto Hiroshima como Nagasaki nos ensinam uma lição profunda e nos fazem ter esperança que um dia o mundo encontre sua paz. Ambas são riquíssimas em história e em lenda, pontos de turismo obrigatórios se você visitar o Japão.

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Opinião | Segurança no Brasil e no Japão

Por: Giuliano Peccilli

Falar de segurança significa avaliar a confiabilidade e tranqüilidade que um lugar ou situação lhe proporciona e, nesse caso, um dos pilares reconhecidos mundialmente e que sustentam o Japão é a segurança. Amigos e conhecidos associam essa segurança em poder dormir com a porta aberta, ou poder andar com grandes quantidades de dinheiro sem ter o risco de ser assaltado, entretanto, o país tem uma estrutura muito maior que “apenas” a sensação de Segurança.

Na realidade, o Japão é um país que tem problemas como qualquer outro, porém ele é muito mais voltado a causas naturais, como terremotos, do que a crimes propriamente ditos. Numa pesquisa realizada em 2006, cerca de 70% dos japoneses consideravam o país perigoso, porém seus motivos por essa insegurança eram associados a nevascas, terremotos e erupções vulcânicas, entre outras causas naturais.

Outros crimes, como ladrões de peças íntimas femininas, acabaram tornando uma caricatura da sociedade japonesa. Esse tipo de crime, que acontece até hoje, e que condicionou as japonesas a terem um varal dentro de suas casas para evitar esse tipo de assalto ocorra e que suas peças acabem sendo revendidos em Sex Shops como um fetiche para homens. No Brasil essa notícia causa estranhamento devido a esse crime não ser comum.

O que realmente assusta no Japão são os suicídios, sendo que a média por lá é que a cada 20 minutos acontecer um novo suicídio. Os números de suicídios aumentaram de 2009 pra cá, com a Crise mundial, tendo uma média de 30 mil suicídios anuais no país.

O suicídio muitas vezes é levado pelo fracasso em um vestibular, ou com a perda de um emprego. Para se ter uma idéia da situação, a Organização Mundial da Saúde concluiu que o Japão tem uma média de a cada 100 mil pessoas, 24 se suicidarem, enquanto o Brasil tem “apenas” 5 pessoas para as mesmas 100 mil.

Isso levou o país a desenvolver portas anti-suicídio nos trens e também uma segurança maior em pontos turísticos, como no Monte Fuji, onde acontece um grande número de suicídios. Devido a essa situação, foi preciso desenvolver investigações sobre o auxilio a esses suicidas. Descobriram uma rede de informações na internet, que pessoas aprendiam formas de suicídio, como por exemplo, o desenvolvimento de um gás letal com materiais que podem ser encontrados em qualquer supermercado.

Os postos comunitários japoneses serviram de inspiração para o modelo brasileiro, sendo que estes foram baseado em quatro pontos: Preservação de crimes na comunidade, prestação de serviço com rondas policiais, participação do público no planejamento e supervisão das operações da polícia e a mudança de responsabilidade do comando para as fileiras mais baixas da corporação. Mesmo que os problemas de um país para o outro sejam diferentes, o modelo de posto comunitário brasileiro também funciona baseado nesses quatro pontos.

Numa viagem em que fui ao Japão, acabei perdendo o passaporte, entre as cidades de Beppu e Hiroshima. Dando meu depoimento sobre o ocorrido, os policiais não só mantiveram a minha tranqüilidade, como também queriam saber coisas do Brasil, sempre associando a cidade de São Paulo, com o time de futebol que já jogou por lá. Em 24 horas, numa distância de mais de 400 quilômetros, o passaporte foi encontrado e a polícia nos informou sobre onde retirar-lo, mostrando que não só tem uma polícia interligada, como também que a maioria das coisas que se perde lá, se acha.

Alem disso, muitas pessoas perguntaram sobre a perda do passaporte, desde funcionários de metrô a funcionários de lojas próximas, com um cuidado especial que faz você não só se sentir “Bem recebido” e respeitado pelo o país.

No Brasil, o episódio poderia ter acabado de uma forma totalmente diferente, pois muitas vezes objetos perdidos ficam no local e não são entregues a polícia. Outro fator é que seu passaporte poderia ter caído nas mãos erradas, o que acarretaria em problemas no futuro.

A segurança de um país não está na polícia, mas na sociedade que se preocupa com o lugar em que vive. O Brasil e o Japão são países distintos, todavia, não é só da polícia que devemos esperar a segurança, mas de nós mesmo através de uma reeducação social. A segurança só existe por parte da polícia para manter a ordem que já existe e foi criada pelos seus habitantes.

Texto publicado originalmente no jornal Semanário da Zona Norte

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Coberturas de Eventos Críticas e Reviews

5º Nikkey Matsuri – saiba o que rolou no evento

No último final de semana (24 e 25/04) foi realizada a quinta edição do Nikkey Matsuri, evento de cultura japonesa, no Clube Escola Jardim São Paulo, zona norte da capital paulista. O evento contou com atrações bastante diversificadas, e também com a presença de algumas autoridades. Um grande número de pessoas compareceu ao local no último dia. Ao todo, mais de 40 mil pessoas compareceram nos dois dias do evento.

Além das atrações culturais, o evento contou também com uma praça de alimentação, onde o público pôde apreciar alguns pratos típicos, como yakissoba e onigiri. Houve ainda um enorme stand montado pelo famoso salão de cabeleireiros Soho, que promoveu o programa “Soho Solidário”, realizando cortes de cabelo a preços populares, com toda a renda sendo revertida em favor de entidades assistenciais.

O “Soho Solidário” promoveu cortes de cabelo a preços populares

Vários grupos tradicionais de dança e de música da comunidade se apresentaram ao longo do evento.
E, além deles, uma das atrações principais foi o cantor Joe Hirata, famoso por interpretar canções sertanejas.

O cantor Joe Hirata marcou presença no Nikkey Matsuri

O Consulado Geral do Japão também realizou uma exposição temática dentro do evento, com roupas tradicionais, objetos do cotidiano, gravuras e algumas maquetes de palácios e monumentos, como o Genbaku Dome de Hiroshima.



Alguns objetos expostos pelo Consulado Geral do Japão


Maquete do “Genbaku Dome”, de Hiroshima,
que resistiu à explosão da bomba atômica

Os fãs de anime/mangá também tiveram seu espaço dentro do Nikkey Matsuri. Um palco extra foi montado logo na entrada do evento, e houve apresentações de animekê livre e shows de bandas diversas, que levantaram o público com temas de séries famosas, como Dragon Ball GT e Full Metal Alchemist.

Apresentação de animekê livre


Bandas como a Owari (na foto de cima) e a Acid Shot
animaram o público

Várias autoridades estiveram presentes no evento, tais como o vereador Gilberto Natalini (PSDB), que veio representando o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, além dos também vereadores Jooji Hato (PMDB) e Ushitaro Kamia (DEM) e o deputado federal Walter Ihoshi (DEM-SP), que ressaltou a importância cultural do evento. “Vários povos ajudaram a construir a cidade de São Paulo, tais como os imigrantes italianos, os portugueses, e os japoneses. A comunidade japonesa é uma comunidade bastante presente na cidade, e a cultura japonesa tornou-se integrada à dos paulistanos. Eventos como este ajudam a divulgar o trabalho das entidades ligadas à comunidade, mostrando toda a cultura, a música, a dança, a gastronomia, que interessam a um povo bastante misturado culturalmente, como o paulistano”, diz o deputado.

Autoridades presentes no evento

Pelo quinto ano consecutivo, o Clube Escola Jardim São Paulo recebeu o Nikkey Matsuri. Motivo de orgulho para sua diretora, Ana Maria Schiesari, que destacou os benefícios que o evento trouxe para a instituição: “Graças ao evento, conseguimos emendas junto aos vereadores da Câmara para a promoção de reformas nas dependências do Clube Escola. Isto é muito importante, pois o Clube Escola é propriedade da nossa população. E, se todos nós fizermos nossa parte, poderemos progredir ainda mais”, disse.
A diretora falou ainda de sua admiração pela cultura japonesa, e do ambiente familiar do evento: “A cultura japonesa é uma cultura que possui uma filosofia maravilhosa, que valoriza muito a família. A família é o centro de tudo. E o nosso Clube Escola também é um clube da família. Por isso é importante pra nós realizar eventos onde toda família possa estar presente, como o Nikkey Matsuri, pois eles nos mostram a importância do amor da família.”

A seguir, alguns momentos marcantes do evento:

Apresentação de dança (odori) – Fujinkai/Lojinkai Tucuruvi:




Ishin Yosakoi Soran:





Ninjutsu:




Requios Gueinou Doukoukai:




Um evento bastante interessante e diversificado, que tende a crescer a cada ano.
Assim foi o Nikkey Matsuri, que tem tudo para entrar para o rol dos grandes eventos da comunidade nipo-brasileira.

Por enquanto é só, pessoal. Até a próxima! o/

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Japão, Gaijin e entretenimento!

A palavra “Gaijin” significa, literalmente, “pessoa de fora”, pois é formado pelo kanji de pessoa(jin) e o kanji de fora(gai). É a maneira que os japoneses chamam as pessoas de outras nacionalidades. Existem também outras formas que eles utilizam, já que essa é considerada desrespeitosa.

Passada a explicação, a novidade é que teremos personagens Gaijin, um em um filme live-action e o outro em um anime. Não que isso seja uma novidade, mas o caso é que nesses lançamentos em especial, o fato deles serem estrangeiros é um dos pontos em destaque.

O primeiro personagem é no filme live-action Darling wa Gaikokujin(que foi traduzido como My Darling is a foreigner, ou seja, meu querido é um estrangeiro) . Ele será baseado no mangá de mesmo nome que foi escrito por Saori Oguri, que se baseou em sua própria experiência de ter um marido não-japonês.

Para assistir o trailer é só entrar aqui e esperar o vídeo aparecer. Confira uma foto do mangá abaixo:

O segundo Gaijin aparecerá no longa Junod, onde veremos Mercel Junod, que é o primeiro médico estrangeiro a pisar no Japão logo após os eventos da bomba de Hiroshima. O longa está previsto para 2010.

Você pode conferir o trailer aqui . É só clicar em uma das telinhas.

Fonte: Anime News Network
Anime News Network

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Cultura Pop

NHK World Podcast entrevista autor de Gen Pés Descalços


A NHK mantém um podcast diário em português no portal NHK WORLD Portuguese, e foi uma grande surpresa ver que o tema do dia 8 de setembro, foi nada menos que uma entrevista com mangaká Keiji Nakazawa.

A entrevista é bem bacana e é traduzida em português, sobre curiosidades desse mangá que já foi publicado no Brasil pela Conrad.

Release do podcast:

“Divulgando um mangá antinuclear para o mundo

A série japonesa de mangá “Gen – Pés Descalços” fala sobre o bombardeio atômico dos Estados Unidos sobre a cidade de Hiroshima e a tragédia das pessoas afetadas pela radiação. Trata-se da obra autobiográfica do desenhista Keiji Nakazawa, e chegou a vender mais de 10 milhões de exemplares. O autor enviou a versão em inglês de “Gen – Pés Descalços” ao presidente norte-americano Barack Obama, que, por sua vez, tem pregado pela abolição das armas nucleares. Nossa reportagem aborda o desejo de Keiji Nakazawa por um mundo livre desse tipo de armamento.”

Lembrando que quando visitei Hiroshima, encontrei dentro do museu da bomba atômica, os mangás do Gen pra vender. Fiquei espantado que o mangá é muito mais longo do que foi publicado no Brasil.

Ouça o podcast aqui. http://www.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/radio/asx/sunday.asx

Ouça outros podcasts no site http://www.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/podcasting.html

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Críticas de Filmes Críticas e Reviews

Crítica | Prince of tennis Live action

Exibido pelo canal Animax, o animê Prince of tennis é um dos grandes animês que estreou junto com o canal aqui no Brasil. No ano retrasado foi produzido o seu primeiro live action que na semana de estréia ficou entre os dez mais assistidos no Japão.

O mangá

As histórias do tenista Ryoma Echizen começaram a ser publicadas em 1999. Atualmente a série conta de Ryoma, um estudante vindo dos EUA, que mesmo muito jovem tem a fama de ser um excelente jogador de tennis. Entrando para a escola Sengaku, ele enfrentara hostilidade por ser muito jovem, mas nem por isso ele abaixara o nariz. A série foi encerrada ano passado, ganhando uma continuação logo em seguida.

O animê

Criado por Takeshi Konomi virou animê em 2001, sendo exibido pela TV Tokyo. Constituído de 178 episódios e uma série ova de 13 episódios, recentemente foi anunciado uma nova série ova que dará continuidade aos capítulos recentes do mangá. No Brasil foi exibido apenas a primeira leva de 52 episódios ainda sem previsão para episódios inéditos virem ao país.

O Musical

O que poucas pessoas sabem é que Prince of Tennis, como outros animês de sucesso, foi convertido em um musical. Suas principais sagas do animê viraram músicas contracenadas por um elenco rotativo, que troca depois de três apresentações.

Semelhante ao animê Sailor Moon, o musical foi à ponta de entrada para ganhar uma versão com atores reais. Lembrando que mesmo que soe estranho para nós brasileiros, é normal no Japão se produzir musicais de animês de sucesso, como foi produzido: Bleach, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e Prince of Tennis. Recentemente Prince of tennis o musical está em sua quarta geração de atores em exibição no Japão.

O filme

O filme veio em maio de 2006 e cumpriu uma difícil missão em resumir uma longa história em apenas uma hora e quarenta minutos.

Recontando a origem do mangá e indo até o jogo entre a Seigaku e a Hyotei, o live action conseguiu ser fiel como também inserir novidades a franquia.
Echizen Ryoma chega dos EUA, não gostando nada da idéia de se transferir a escola Sengaku. A idéia foi de seu pai, assim ele veio passar um tempo no Japão. Chegando a escola, ele acaba se envolvendo numa briga que é resolvida num jogo de tênis, mas que acaba sendo suspensa pelo capitão do clube de tennis. Ryoma acaba se tornando um membro do Sengaku, mesmo sendo muito mais novo e tendo sua fama mundialmente, o capitão do time promete que ele será normal como todos ali para a diretora.

Semelhante ao animê e mangá, Ryoma permanece inalterado, esnobe e sem um pingo de humildade. Brilhante atuação do ator Hongo Kanata que soube manter toda essência do personagem.

Outro personagem muito bem interpretado em tela foi o Nanjiro Echizen, por Kishitani Goro. Ele manteve todo o bom humor e deboche na relação pai e filho com o Ryoma. Trazendo seu filho pro Japão, Nanjiro acredita que Ryoma tem muito o que aprender para se tornar um grande jogador de tennis, e isso acabamos descobrindo no desenrolar do filme.

O grande vilão do filme é o Egate Mcleod Higaki, interpretado por Rikiya. Ele desafia Ryoma numa batalha final de encher os olhos no final do filme. Será que Ryoma consegue superar as táticas sujas do inimigo?

Analisando o filme

O filme trouxe algumas novidades visuais, valendo atenção para tenistas voadores, efeitos de chamas, raquetes explodindo, efeito de luz negra, além de “ki” para os personagens. Todas essas novidades visuais foram muito bem vindas, mas que também deu um ar caricato a exemplo de Shaolin Soccer. Se isso descaracterizou a série? Não, porque toda a essência de cada personagem está ali. Mudanças visuais como essas apenas engradeceu o filme, trazendo um novo diferencial para o público que já conhecia a série, como também encheu os olhos de quem nunca teve contato com a série.

Esse tipo de mudança ocorre naturalmente quando uma série muda de mídia (mangá para animê, mangá para live action), tendo que ser recriada novas formas de narrativa visual. Isso faz lembrar as mudanças que Sailor Moon sofreu para se transformar um live action, como a mudança de cores de cabelo apenas na transformação, uma luna de pelúcia e um enredo mais sério e fiel ao mangá do que o animê.

Como dissemos antes, o live action pegou emprestado muito do que deu certo no musical, por exemplo trazendo vários atores da segunda geração do teatro no elenco do filme. Agora não confunda, porque você não irá ver Ryoma cantando no filme.

O elenco

O protagonista Echizen Ryoma, foi interpretado pelo jovem Hongo Kanata de 17 anos. No Brasil, podemos ver ele no filme O retorno (Returner). Outros filmes de sucesso que ele atuou foi Nana 2 (baseado no mangá de mesmo nome) e Moon Child (o famoso filme de Gackt e Hyde). Em doramas, Hongo atuou em poucos doramas, sendo o mais recente o “Seito Shokun!”. Para fãs do garoto, ele nasceu no dia 15 de novembro de 1990 em Miyagi e ele tem 1,68 de altura, sendo do signo de Escorpião. Ele é agenciado pela Stardust.

O personagem Tezuka Kunimitsu, por sua vez foi interpretado por Shirota Yuu, que é modelo, ator e cantor no Japão. Ele reencontrou o ator Hongo no dorama “Seito Shokun!”. Shirota pertence a boy band D-boys. Ele nasceu no dia 26 de dezembro de 1985, em Tóquio. Ele tem 1,85 de altura e 74 quilos e é do signo de capricórnio. O filme mais recente do ator é Waruboro também lançado esse ano. Shirota é agenciado pela Watanabe Entertainment.
Keigo Atobe, o personagem popular com as garotas em Prince of tennis, foi interpretado por Sainei Ryuji. Ele é velho conhecido para quem gosta de tokusatsu, por interpretou o Akaza Ban Ban/Deka Red de Tokusou Sentai Dekaranger (adaptado no ocidente como Power Ranger SPD). Ele nasceu no dia 8 de outubro de 1981, em Hiroshima. Ele tem 1,81 de altura de 62 quilos, sendo do signo de Libra. Ele é agenciado pela Horipro.

A personagem muda Higaki Shioin, que seria um par romântico para o Ryoma, foi interpretada pela Iwata Sayuri. Ela é cantora e atriz, sendo que Prince of tennis foi seu primeiro filme. Sayuri nasceu no dia 21 de julho de 1990 em Shizuoka. Ela tem 1,60 de altura.

No papel da Diretora Ryuzaki-sensei, foi escalada a cantora Shimatani Hitomi. A cantora recentemente pode ser vista no Disney Channel cantando a música tema de High School Musical em japonês. Entre seus trabalhos, destaca-se a dublagem que ela fez em Doraemon, no filme “Nobita no wannyan jikuuden”. Ela nasceu no dia 4 de setembro de 1980, em Hiroshima. Ela tem 1,61 de altura e é do signo de Virgem. Ela é agenciada por PROCEED.

Por fim, o pai do Ryoma, o Nanjiro Echizen, foi interpretado pelo veterano Kishitani Goro. Entre os filmes que ele atuou, foi o filme “Taiyou no Uta”, com a adorável cantora Yui. Ele é casado com a cantora Kishitani Kaori da banda Princess Princess. Goro também já atuou ao lado do próprio Ryoma, o Hongo Kanata no filme “O Retorno” (Returner) lançado no Brasil pela Columbia Pictures. Ele nasceu no dia 27 de setembro de 1964. Ele tem 1,75cm de altura e 66 kg e é do signo de libra. Ele é agenciado pela Amuse.

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Japão: Um jantar especial em Hiroshima e Perdendo o passaporte

O Jantar


Encontramos uma amiga do Renato que fez intercâmbio na Usp, aprendendo português no Brasil. Infelizmente não posso falar o nome dela, porque dias depois desse jantar, ela mandou uma mensagem ao Renato comentando que ela estava sendo seguida por um Stalker, assim não postasse foto dela, como não escrevesse o nome dela no meu blog.

Engraçado que os japoneses marcam um compromisso e chegam antes do horário. Quando você chega em ponto, na realidade você já esta atrasado e foi bem isso que aconteceu, quando chegamos em ponto na estação principal, na frente de uma fonte que ela estava.

Prestem atenção que tem um restaurante com o nome “Bom Dia” na foto das promoções dos restaurantes.

Fomos num bar perto dali, e foi engraçado, porque conversamos, rimos, e fizemos coisas de brasileiros, sendo que isso chamava atenção no local. Pedimos muitos pratos que nem sabia o que era, mas ia que ia. Tudo bem que no final, a conta deu perto de uns 8 mil ienes, sendo 2.350 ienes pra cada um. (uma facada)

Foi uma noite muito legal, que gostaria de repetir quando voltar ao Japão.
Detalhe importante que saindo do bar, eu e o Renato fomos para um konbini comprar lanche da madrugada. Eu comprei um onigiri gigante junto de uma fanta melon, já que o bar tem porções pequenas que mesmo sendo caras, não alimenta ninguém.

Perdendo o passaporte

Essa história é bem embaraçosa pra contar, mas me falaram que era fundamental comentar ela aqui no J-Wave, então ela vai se tornar parte oficial da viagem ao Japão.

Primeiro, voltaremos no tempo, no dia que eu vim de Nagasaki para Hiroshima, pois bem, chegando ao hotel de Hiroshima, a funcionária pediu o passaporte de ambos, diferente de Nagasaki. Quando abri a mala, só achei meu passaporte com visto americano, o meu com visto japonês havia sumido. Eu ficou branco, roxo e outras cores possíveis, sempre com o Renato tentando me acalmar, que deveríamos continuar a viagem.

Saímos pra jantar, e eu estava com cara de choro, e o Renato falando pra eu esquecer isso. Só que eu só pensava numa coisa “Como eu provo que sou eu?”. Os policiais sempre pedem pra ver o passaporte de estrangeiros no Japão, se eu fosse parado, estava perdido.

Fomos num posto policial, e o Renato me ajudou a explicar sobre a perda do passaporte a três policiais ali presentes. Todos tiraram uma da minha cara, primeiro pq meu nome tem 3 sobrenomes e segundo porque eu moro em São Paulo, cidade do time de mesmo nome. Alias, eles e o Renato só conversavam de futebol e eu lá nervoso escrevendo meu nome no documento comprovando a perda do passaporte. Fomos embora apenas com um número no bolso, e fiquei preocupado.

Naquela noite, fomos jantar quase meia noite, lembro que comi udon com kare, e na hora meu telefone tocou, era meus pais no Brasil. Ironicamente, eles estavam almoçando no restaurante Viena em São Paulo e queriam saber como estava a viagem no Japão. Eu fui com a cara e a coragem e contei a besteira que fiz e só ouvi do outro lado, minha mãe falando “ele está arrasado” pro meu pai. Expliquei pro meu pai o procedimento que havia feito e falei pra ficar relaxado (coisa que eu não estava). Meu pai disse que todos meus documentos iam ser escaniados e enviados por e-mail naquele dia ainda pro meu e-mail.

Voltando pro Toyoko Inn, a recepcionista deve ter visto minha cara de choro e veio toda preocupada. O Renato explicou pra ela, e ela ficou com pena de mim, desejando sorte pra que eu achasse.

Fomos pros computadores de uso aos hospedes do hotel e comecei a ligar pra embaixada brasileira em Tóquio, consulado em Nagoya e o consulado do Japão no Brasil. Bom, os dois primeiros caíram na secretária eletrônica, mesmo alegando que eram pra ser usado em casos extremos. No caso do consulado do Japão no Brasil, uma mulher me atendeu meio equivocada, até com certo desdém, chegando questionar se eu não tava fazendo nada errado no Japão, como trabalho e por isso “perdi” o passaporte. Foi uma conversa de uns 15 minutos, onde ela foi falar com o cônsul, sendo que no fim, eles não podiam me ajudar, apenas se um parente no Brasil emitisse o passaporte e passasse por eles, pra me mandar no Japão. Ela também explicou que nesses casos posso ter uma carta especial emitida pelo governo japonês que seria usada como passaporte pra eu voltar pro Brasil.

No dia seguinte, fomos à estação central de Hiroshima, explicar a perda de passaporte e foi impressionante, como as funcionárias da JR nos trataram bem. Ligaram pra Nagasaki, pra Beppu, inclusive pra Onsen que fomos em Beppu, tudo em busca do meu passaporte. Elas passaram um número da embaixada brasileira, conversei com uma moça que disse que não poderia me ajudar, apenas indo pro consulado. Agradecemos a gentileza das funcionárias do JR que pararam tudo que estavam fazendo pra olhar em paginas amarelas e telefones na internet, pra nos ajudar.

Depois disso, fomos aos achados e perdidos de Hiroshima, em busca do passaporte. Naquela hora, tinha um garoto colegial explicando que tinha perdido a carteira e a mesma estava lá. Expliquei e 2 senhores, pararam tudo que estavam fazendo pra nos ajudar.

Muitos falaram que era melhor cancelar o passaporte e pedir outro no consulado brasileiro, porém estava com medo que não desse tempo e teria que mudar meu vôo para conseguir obter.

Decidimos ir à delegacia central de Hiroshima, por sugestão do senhor dos Achados e Perdidos. Assim andamos por Hiroshima, e chegamos a pedir ajuda pra uma senhora num Konbini que deixou o lugar vazio pra nos indicar aonde era.

Estou explicando tudo isso, para entender como é a generosidade japonesa, e que os japoneses nessa hora se provaram ser mais solícitos do que os brasileiros. Todos eles sem exceção falavam que os japoneses não fariam mal com meu passaporte e caso fosse encontrado, a polícia encaminharia pra mim. Por lado, sentia me mal incomodar eles, e ter perdido passaporte, mas na verdade eu também fiquei feliz ao ver que o povo que eu mais admiro no mundo, estavam fazendo tudo que era possível pra me ajudar.

Chegando à delegacia central, o cenário parecia Police Story do Jackie Chan, sendo antigo, mas ao mesmo tempo organizado. Renato me ajudou, a traduzir pra japonês, meu depoimento de perda de passaporte e retirei o boletim de ocorrência do meu passaporte, como também passamos dados para nos encontrarem.

Fomos numa loja de departamento aonde compramos uma pasta pra não acontecer nada com o boletim de ocorrência, já que este seria usado para emitir um passaporte ou o visto especial pra perda de passaporte.

Acabamos perdendo o trem bala pra ir a Osaka, assim dormimos mais uma noite em Toyoko Inn. No dia seguinte, já na estação central, rumo a Osaka, o celular do Renato toca, falando que acharam meu passaporte no Coin Locker em Beppu. Pegamos dois trens direto pra lá e pegamos o passaporte. Almoçamos e voltamos pro trem bala rumo a Osaka/Kyoto.

Foi inacreditável, mas eu achei meu passaporte, graças a ajuda do Renato e do pessoal da JR, como também da policia japonesa. Agradeço profundamente e sei que isso nunca aconteceria no Brasil, por sermos muito diferentes.

Lembro do rosto do policial em Beppu ao entregar o passaporte, até meio animado, parece que foi uma história e tanto para eles.

Assim acabou o problema que durou três dias, e continuamos nossa viagem rumo a Kyoto.

Infelizmente por causa do passaporte, tivemos que riscar da nossa rota, a cidade de Osaka, vendo apenas do terminal a própria.

Essa história é algo embaraçoso, mas que ao mesmo tempo, mostrou pra mim e para o Renato, como é a generosidade japonesa. Infelizmente, algo que mesmo existindo no Brasil, depende muito do caráter da pessoa.

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Japão: Museu e Memorial da Paz de Hiroshima


Chegando a Hiroshima, nos hospedamos no Toyoko Inn próximo a estação principal da cidade. No dia seguinte, deixamos as malas no Coin locker da estação e pegamos um Higaren Streetcar para o Memorial da Paz de Hiroshima.


Era um dia ensolarado, e Hiroshima por estar mais próximo de Tokyo, já tinha condições climáticas bem diferentes das de Beppu e Nagasaki.

Descendo no Memorial da Paz de Hiroshima, vimos diversos monumentos construídos em memória da bomba atômica. Um dos que me chamou mais atenção foi construído para garota Sadako Sasaki que lutou contra a doença causada pela bomba, fazendo mil tsurus (origami) para que realizasse o seu pedido.


A Cúpula de Genbaku, ou propriamente o Memorial da Paz de Hiroshima é algo que impressiona. Sempre visto em livros, a sensação de ver ao vivo é como assistir a história sendo escrita na sua frente. Este é o único imóvel de pé próximo ao hipocentro, e foi deixado exatamente como ficou depois da bomba. Vale mencionar uma pequena curiosidade, que talvez vá estragar quem deseja ir lá um dia. A Cúpula é sustentada por varias vigas de metal dentro da estrutura original, sendo visíveis mesmo do lado externo do muro que separa o lugar da praça, assim sendo a explicação lógica para o lugar nunca ter desabado depois de tantos anos.

Saindo da Cúpula, fomos pra praça, aonde encontramos duas universitárias que tentaram conversar em inglês comigo e o Renato. Elas queriam que preenchêssemos um questionário em inglês, sobre o que achamos da cidade e o que nós estrangeiros, temos interesse ao visitar a cidade. Elas foram muito simpáticas e queriam fazer uma saudação em português, porém não imaginavam que eu e o Renato sabíamos conversar em japonês, e ficaram surpresas quando explicamos em japonês o que elas queriam falar em português. Rimos, posamos em algumas fotos, e foi uma recepção bem calorosa da cidade para a gente.


De lá, fomos para o Museu do Memorial da Paz de Hiroshima. O museu fica em dois prédios construídos interligados por uma ponte que reproduz a cidade exatamente como ela ficou após a bomba ter atingido a cidade.


Na entrada do museu, temos a opção de alugar um portátil com fones de ouvido com suporte a diversos idiomas, inclusive o Português do Brasil. É uma grande honra, ver que o museu oferece não só suporte com fones de ouvido, como todos os computadores por todo museu também oferecem suporte ao nosso idioma. Assim,visitar o museu de Hiroshima é ainda mais emocionante.


Diferente do museu de Nagasaki, aqui é permitido tirar fotos do interior do museu. Eles não só querem que sintam o que aconteceu com a cidade, como também devemos levar essa mensagem para outras pessoas. E é justamente isso que eu, como muitos, fazem ao visitar o museu.


O museu segue uma estrutura mais tradicional, tendo enormes murais com fotos da devastação da cidade, além de pessoas doentes pela bomba. Conhecemos a história de diversas pessoas que morreram nesse dia fatídico.


Somos apresentados a duas maquetes da cidade, uma antes de ser atingida pela bomba e outra logo depois de ter sido atingida. Surpreende o poder de destruição ao analisar e comparar as duas maquetes.



O que impressiona foi um triciclo enferrujado e sua história. A história de um garoto morto pela bomba, o triciclo era a única paixão do garoto, e está foi enterrada no jardim da casa da família, a fim de ser a ultima lembrança viva dele. Uns bons anos depois, o brinquedo foi desenterrado, e doado ao museu, sendo uma história que deveria ser passada pra outras pessoas, de amor de um pai por seu filho e como ele tentou superar a dor, tentando o esquecer ao enterrar aquele brinquedo em sua casa.


Acreditem, muitas histórias tristes são contadas aqui. Algumas chegam arrepiar, como pais que guardavam cabelo de seus filhos, encontrados em cadáveres, ou pior, os fios de cabelo caiam de filhos atingidos pela bomba. Estes tinham efeitos colaterais, como manchas, e perda de cabelo, morrendo de forma inesperada e gradativa.


Uma dessas histórias é a da garota de mil tsurus, a Sadako Sasaki que inspira pessoas até hoje, a ter pedidos impossíveis. Recentemente, uma novela japonesa fez uma referência de grande importância nessa história. O filipino Bito, interpretado por Matsumoto Jun, na produção Smile, estava preso após assassinar um antigo amigo que voltou para atazanar sua vida. Nos capítulos finais, o personagem é condenado a morte, e a série pula 6 anos, onde Bito aceita sua morte, e ao mesmo tempo faz mil tsurus para mandar para sua amada. Sorte do destino ou não, no milésimo tsuru, Bito às vésperas do corredor da morte é salvo, com novas provas e um novo julgamento mais justo. Hoje, o mundo inteiro manda tsurus pra Hiroshima, em homenagem a Sadako, mas também, para conseguir a realização de pedidos impossíveis.


A Estátua das Crianças da Bomba Atômica não foi só uma homenagem a Sadako, mas todas as crianças que morreram por causa daquele crime. Quando Sadako faleceu, ela ainda não tinha concluído os mil tsurus, mas seus amigos decidiram lutar com ela e terminaram os mil tsurus para seu enterro. Além disso, todos eles se juntaram e pediram ajuda de outras escolas da região, para juntar dinheiro e construírem esse monumento. O resultado é a Estátua das Crianças da Bomba Atômica, sendo um monumento lindíssimo, aonde são deixados tsurus do mundo inteiro. Conhecemos a história de Sadako não só no museu, mas no próprio monumento construído perto do Hipocentro, sendo uma lição de moral e um exemplo a ser seguido.


Voltando ao museu, a ponte entre os dois prédios, nos surpreende, com um cenário de caos e diversos bonecos deformados, como se estivessem pegando fogo, simbolizando as pessoas daquele dia. Reconhecemos pedaços da cidade, reproduzidas no museu em chamas, dando certa agonia passar por ali.


Uma das coisas que mais impressiona é uma parede com cartas importantes protestando o uso da bomba atômica. Para se ter uma noção, tem uma carta do Albert Einstein protestando o uso da bomba, mesmo que ele tenha sido um dos criadores indiretamente com o projeto Manhattan.

Somos apresentados a bomba Little Boy, lançada em Hiroshima. Lembrando que a bomba lançada em Nagasaki se chama Fat Man. Nessa época, na segunda guerra mundial, Kyoto chegou a ser considerada uma das cidades alvos das bombas desenvolvidas pelos americanos. Para se ter uma idéia, o plano era 4 cidades, sendo 8 cidades sondadas pra ser alvo delas. Tóquio era uma das cidades que inicialmente seria bombardeada com a bomba atômica, porém no fim restaram apenas Kyoto, Hiroshima e Nagasaki.

Devemos agradecer que Kyoto não foi atingido pela bomba, já que seria um dano irreversível para a história do Japão. Antiga capital do império, Kyoto tem mais de 3 mil anos pra contar, com seus templos e arquitetura.

No fim, temos acesso a itens utilizados na época, como dinheiro, garrafas, bentos entre outros itens pessoais. Temos acesso uma série de mini documentários legendados em inglês sobre os efeitos da bomba.

Na saída, tem algumas lojinhas para comprar itens que nos lembre da cidade.
De lá, voltamos para o parque memorial da paz, aonde fomos à Chama da Paz, que ficara acessa até o dia que não existir mais bombas atômicas no planeta.
Também próximo do museu, encontramos o Sino da Paz, aonde é comemorando todos os anos, pelo prefeito da cidade, a homenagem há esse dia fatídico.

Ali também tem as Portas da Paz, que são cinco portas escritas a palavra paz em diversos idiomas.

É um passeio obrigatório para quem visita o Japão pela primeira vez, sendo belíssimo e esclarecedor, sobre fatos de uma guerra que não é lá bem aprofundada pelos livros de história.

Próximo post é sobre perder o passaporte no Japão e também indo sair pra jantar com uma jovem japonesa que aprendeu português e já fez intercâmbio no Brasil. Até lá.

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Japão: Chegando em Hiroshima


Depois de Nagasaki, fomos para Hiroshima pegando o trem Sonic, seguido de um trem bala para Hiroshima. Vale mencionar aqui, que é impressionante como no Japão as pessoas se encontram, e tanto em Nagano, como Hiroshima, encontramos alguns americanos e franceses que já tínhamos nos esbarrado em Tokyo. Provavelmente, eles estavam fazendo a mesma coisa que a gente, que era viajar pelo Japão todo, com Japan Rail Pass. Portanto, essa questão de viajar pelo Japão de trem bala é uma coisa normal e natural pra qualquer turista que esteja indo conhecer o país.


Para o Renato, Hiroshima é uma cidade que parece São Paulo, sinceramente existem alguns lugares que parecem, mas discordo um pouco dele. A cidade lembra São Paulo principalmente pela questão do clima meio chuvoso, mas em compensação tem uma arquitetura belíssima e um dos grandes destaques é o transporte público que é um trem batizado por a gente de “bondinho”.

Diferente da cidade de Nagasaki, Hiroshima não tem vestígios da bomba atômica. Com a exceção da Cúpula da Bomba Atômica, que se tornou o símbolo da cidade. Alguns dizem que Hiroshima acaba se tornando uma cidade com uma atmosfera menos densa, por causa disso, mas Nagasaki já não era assim. Verdade seja dita, o museu de Hiroshima, mesmo sendo impressionante, ele não impressiona tanto como o de Nagasaki.

Hiroshima


Fundada em 1589, no mar interino de Seno por Mori Terumoto, que a transformou em capital, após este ter saído do castelo de Koriyama, da província de Aki. O castelo de Hiroshima foi construído rapidamente e Terumoto mudou-se para lá em 1593.

Na batalha de Sekigahara foi uma guerra com uma renovação de poder político, após diversas manifestações e invasões como a da Coréia no Japão. Essa guerra têm diversas figuras, conhecidas, como Miyamoto Musashi que estava entre as fileiras do exercito Ukita Hideie. Nessa época, o samurai que ficaria para os livros de história tinha apenas 17 anos, e escapou ileso da forças inimigas que derrotaram o exercito de Hideie.

O vencedor dessa guerra foi o Ieyasu Tokogawa que tirou a província de Aki das mãos de Terumoto Mori, passando para o daimyo Masanori Fukushima, que havia apoiado Tokugawa no conflito.

Em 1619, Asano Nagaakira passou a ser dono do castelo, como também a ser chamado de damyo Asano, sendo com ele e seus descendentes que a cidade finalmente entrou num período de paz e prosperidade, crescendo e desenvolvendo economicamente.
Essa forma de governo só se alterou com a Era Meiji, no século XIX.

Era moderna

Hiroshima foi capital do domínio de Hiroshima no período Edo, tendo fim em 1871. Os domínios feudais administrados por daimyo eram assim chamados de Han e foram abolidos com a Restauração da Era Meiji. Tendo o fim dessa divisão administrativa, a cidade de Hiroshima se tornou a capital da província de Hiroshima.

A cidade transformou num importante centro urbano, com a transição da economia japonesa, que migrava das zonas rurais para urbanos industriais.

Em 1880, foi construído o porto Ujina, transformando Hiroshima, numa importante cidade portuária.

Outro grande desenvolvimento que veio para cidade foi com a extensão da linha Sanyo Ferroviária. Surgiu em 1888, em Kobe, sendo em 1894, construída a extensão sobre o mar interino de Seto, entre Kobe e Hiroshima. Essa foi a primeira linha ferroviária no Japão, funcionando a vapor.

Esse desenvolvimento custou caro, já que transporte foi usado para transportar militares, para guerra Sino-Japonesa entre 1894 a 1895. Conflito entre o império Qing na China e o império Meiji no Japão, sobre o domínio da Coréia, que ainda teve suas conseqüências na sociedade desses três países. Sendo que sua conclusão foi à independência da Coréia, a China saiu derrotada, assinando um tratado que abriu as relações comerciais entre o Japão e a China.

2º Guerra Mundial

A cidade foi utilizada como centro-chave da navegação, como também foi utilizada como depósito militar. Hiroshima não sofreu ataques aéreos, como Tokyo e outras cidades japonesas, que passaram de 200 mil mortes.

Para se ter uma idéia desses ataques, a cidade de Toyama foi completamente destruída, tendo a morte de 128 mil pessoas, em sua maioria de civis. A cidade de Tokyo com esses ataques teve 90 mil mortes.

A estratégia militar utilizada em Hiroshima, era demolir as casas e criar barreiras. As pessoas que demoliam as casas eram pessoas comuns, como estudantes, donas de casa, enquanto a guerra acontecia em outras regiões no Japão.

Em 6 de agosto de 1945, às 08:05 da manhã, a cidade ataque por parte dos americanos, com uma bomba atômica. Chamada de “Litle Boy”, a bomba matou imediatamente 80 mil pessoas, tornando famosa por essa tragédia. Os efeitos da radiação acabaram totalizando 140 mil mortes, através dos anos.

Hiroshima teve 69% das estruturas da cidade completamente destruídas, sendo 6,6% das demais em péssima situação. Pessoas se desintegraram, sobrando apenas marcas no chão das pessoas ali presentes.

Em 17 de setembro, a cidade foi atingida pelo tufão Makurazaki, que acabou matando 3 mil pessoas, devastando ainda mais a cidade. Destruindo pontes, estradas e ferrovias.

A cidade foi reconstruída com ajuda do governo nacional, com a lei do Memorial da paz de Hiroshima – Cidade da Reconstrução, aprovada em 1949. O governo doou terras que foram usadas no passado para fins militares, como também financeiramente para a reconstrução da cidade que não esqueceria danos causados pela guerra.

Hiroshima Atual


Um dos símbolos da culinária de Hiroshima é okonomiyaki, que alguns chamam de pizza japonesa, feita na chapa. Prato que pode ser encontrado no Brasil, além de estar presente em diversas produções nipônicas.

Outro grande destaque da cidade é Hidaren Streetcar, que pode ser chamado de bondinho. Implantados na cidade em 1910, os Hidaren Streetcar existiam em diversas cidades japonesas, sendo nos anos 80 que eles foram aposentados, sendo substituídos por trens e metros. Porém, os gastos em Hiroshima, para construção de trem e metro eram muito caros, assim optaram manter os bondinhos. Resultado, hoje é um dos charmes da cidade, andar num Hidaren Streetcar, sendo que alguns imitam os modelos da época, e outros seguem o modelo mais recente. São rápidos e eficazes, sendo uma solução interessante e barata para as grandes cidades.

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Japão: Próxima parada, Hiroshima!


Brincando de próximo capítulo, essa postagem vai mostrar algumas coisas que estão por vir na próxima parada.

Eu sei que Nagasaki ficou longo demais, mas foi um mal necessário, já que tudo que fomos, tem uma certa história, por isso, espero que gostem da próxima parada.

Acabamos ficando 2 dias em Hiroshima por causa que perdi o passaporte, e tivemos que fazer bolhetim de ocorrência, como também ligar pra todos os lugares que nós estivemos. Por fim, a polícia ligou no celular do Renato, avisando que o passaporte estava em Beppu e aí tudo resolvido. Eu devo retomar a história do passaporte mais pra frente, com mais detalhes de como foi isso e principalmente explicar pra polícia isso.

Nas fotos, estou tomando o suco COO, que você imagina como se fala. Escrito em hiragana くo suco gera a famosa piada: “Se você vai tomar COO?”. A bebida é produzida pela Coca Cola, sendo vendida em tudo que é lugar. A primeira vez que ouvi isso foi no Mc Donalds de Hekinan quando eu e o Minoru fomos e ele fez essa piada comigo.

Encontramos uma amiga do Renato que estudou português no Brasil, saímos pra jantar, sendo uma noite de muita risada.

Também tem as duas universitárias que pararam a gente logo no dia seguinte, quando estamos andando por Hiroshima, nos fazendo uma pesquisa sobre o que achamos da cidade.

Resumindo, Hiroshima é uma cidade interessante, belíssima, cheia de mulheres, e com muita coisa pra contar. Espero que goste das próximas postagens por aqui sobre essa cidade.


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Japão: Nagasaki Catedral Urakami

A história da catedral se mistura com o fim da proibição da religião católica no Japão. Construída em 1895, após 4 séculos de proibição, a história de Urakami começa em 1865 quando o Dom Jean Petit descobriu que todos os aldeões eram cristãos.

Nessa época, o cristianismo era proibido ainda por lá, assim entre 1869 a 1873, 3.600 aldeões foram condenados e banidos da região. Desses 3.600 aldeões, morreram 650 aldeões mártires.

Esses cristãos se denominavam os Kakure Kirishitan que pregavam o cristianismo em segredo. E ai que está à parte interessante do Urakami, já que os Kakure Kirishitan não só manteve vivo a religião, como também as adaptou pra funcionar numa cultura tão diferente como a do Japão

Uma religião católica diferente do resto do mundo.

Chegando junto de povos que utilizavam do porto de Nagasaki, a religião veio e se construiu de forma oral. A bíblia foi passada totalmente de forma oral, como as orações que chegavam ao Japão eram passadas em Espanhol, Português e Latim.

Assim, a religião foi adaptada para padrões orientais, aonde as orações se tornaram mais próximas de orações budistas e os santos também representavam e tinham elementos próximos da religião budista, funcionando no Japão.

Os Kakure Kirishitan acabaram quando a religião foi legalizada pelo governo japonês, sendo que viveram na região das ilhas Ikitsuki, Goto e na prefeitura de Nagasaki.
A construção da Catedral Urakami

Iniciada pelo padre Francine com uma arquitetura românica a catedral só foi concluída em 1914, se tornando a maior igreja da Ásia. A obra foi concluída pelo padre Regali,a catedral foi uma das mais belíssimas obras da cidade.

A segunda guerra

Em 9 de agosto de 1945, Nagasaki mudou para sempre com a bomba nuclear. A catedral estava próxima (500 metros) do Hipocentro e foi totalmente destruída.

O governo de Nagasaki decidiu inicialmente que a igreja destruída, se tornaria um patrimônio histórico, porém os cristãos da cidade se manifestaram contra, pedindo a construção exata de como Urakami era. Assim a obra só foi concluída em 1980, aonde a arquitetura se tornou mais próxima do estilo francês e a catedral Urakami retornou ao que era.

Em volta da catedral, ainda podemos encontrar pedaços da catedral original, numa homenagem a construção original, sendo que também outros fragmentos, como santos, foram levados para o Hipocentro e o Museu da bomba atômica.

Conclusão

A catedral é belíssima e vale a pena a visita, sendo que principalmente que além da religião, estudar como a mesma chegou no Japão. Vale cada minuto, ver aquela construção tão belíssima estar a sua frente.

Logicamente, a catedral é apenas mais um detalhe da história rica de Nagasaki que não acaba aqui. Fico feliz que tenha de alguma forma contado a história da cidade, como também espero que tenha atiçado a curiosidade de quem sempre sentiu vontade de conhecer sobre a própria e o Japão em si. É importante principalmente, aprender e ir além das histórias que aprendemos com a segunda guerra, e mesmo sendo uma cidade lembrada por isso, nem de longe ela é uma cidade depressiva ou coisa semelhante. É com certeza uma cidade bem interessante para se morar.

Assim se encerra as aventuras em Nagasaki e indo para o próximo ponto, Hiroshima, aonde vamos contar alguns lugares que fomos, entre outros detalhes curiosos como a perda de um passaporte.

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Japão: Nagasaki Museu da Bomba Atômica

Sendo certamente um lugar de visita, para turistas a primeira vez em Nagasaki, o Museu da Bomba Atômica responde muitas dúvidas, sobre o resultado de uma guerra que mudou para sempre a história do Japão.

Certamente, não é fácil, visitar um local que reproduz nos mínimos detalhes, as características do dia do ataque. A sensação de incômodo é pertinente e irá apenas se tornar mais aguda, em cada passo para dentro do Museu.

Todos os sentidos serão de alguma forma abalados pelo museu. O primeiro certamente é a audição, quando entrando num ambiente escuro, ouvimos som de aviões da Segunda Guerra combinados com a de um relógio. A peça principal e de entrada ao museu é o relógio deformado pelo calor da bomba. Tudo isso, antes de se entrar num enorme corredor, aonde tem pedaços da cidade que foram reproduzidos exatamente, como ficaram após a bomba. Portanto, vultos de corpos desintegrados, escadas de metal retorcido, fachada da igreja original de Urakami totalmente destruída, entre outras partes da cidade em estado lastimável. Vale lembrar que o som do avião se torna mais forte, enquanto diferente de museus tradicionais, o ambiente é escuro e com cenários que reproduzem o caos.

Próximo passo é conhecer a história das pessoas que morreram naquele dia. Sem demagogia e praticamente enfiando o dedo na ferida, somos apresentados a murais imensos com fotos de deformações, fotos da cidade antes e durante o ataque, como também fotos de feridos e mortos espalhados pela cidade. Nesse ambiente, temos muitas peças como bentos (marmita), capacete, brinquedos, entre outros itens pessoais, de pessoas que não conseguiram sobreviver após esse holocausto. Todos os itens foram doados pelos familiares das vitimas, além de recontar a história de cada pessoa, até a morte.

Quando comentei da sensação de incômodo, ela nem se compara, ao ler a história da maioria das crianças que morreram naquele dia. São histórias do cotidiano, que poderiam ocorrer em qualquer lugar do mundo, mas que foram interrompidas, pela falta de uma sensatez de lideres de governos equivocados sobre o valor de um ser humano. É de quebrar o coração, ler histórias, sobre pais desesperados, atrás de um filho que não existe mais, aonde apenas uma marmita queimada com as iniciais do filho foi encontrada. Às vezes, nem isso, talvez se confortando com um pedaço de cabelo, ou uma sandália, tentando se agarrar na chance deste ter sobrevivido.

O museu aliado todas essas características, nos faz sentir uma grande revolta da decisão infeliz que é a de optar por um ataque de bomba atômica. Ver pessoas deformadas, com diferentes tipos de câncer, ou mesmo desesperadas como a mãe segurando seu bebê morto, fazem de nós seres humanos por demasiadamente frágeis.

É verdade que tragédias acontecem o tempo todo e que a comunicação evoluiu demais nesse segmento. Muitas vezes, assistindo crimes aliados de outras tragédias, de forma ultrajante e ao vivo no mundo inteiro.
Pedir pelo fim da bomba atômica é um sonho que não deve se tornar impossível, porém ainda hoje existem países que ameaçam outros com o artifício da bomba atômica. Estes governantes que ameaçam com esse intuito, certamente não sabem os efeitos dessa arma, e agem de forma covarde.

O museu da bomba atômica de Nagasaki, nos conta diversas histórias, sendo cada item mais chocante que o outro, como o capacete de um soldado, que sobrou apenas pedaços de crânio presos no mesmo.

Outra história chocante foi de uma criança que anotou na parede, o numero de parentes de sua família que morreu. Essa era uma forma precária de enumerar os mortos naquela época, sendo que o próprio morreu logo depois.

Muitas cartas sobre parentes mortos, feitos com material que se tinha acesso, também podem ser vistas no museu.

Lógico que somos apresentados toda a dor, sendo arrebatador e angustiante ficar ali. É uma lição que se deve tirar, sendo recomendável a todos que façam isso. Lá, tinham crianças, adolescentes e adultos, visitando o museu pra aprender a importância desse artifício covarde.
Depois do museu, temos a parte de educação, aonde somos apresentados as substâncias da bomba, quantas bombas existem no mundo, os tratados sobre o fim da guerra nuclear, como cartas de proibição do governo americano sobre as bombas (coisa que não foi acatada), entre outras coisas. Diversas salas com documentários sobre o ataque de Hiroshima e Nagasaki, também estão espalhadas perto do fim do museu, sendo uma aula sobre esse dia.

Espero que esse depoimento sobre a visita ao museu, tenha passado qualquer sentimento que o mesmo desperta nas pessoas. Sendo primordial pra qualquer um que visite o Japão pela primeira vez, ter a chance de aprender mais sobre os erros dos seres humanos.

Observação: Essas fotos foram usadas ao pesquisar na internet, na ocasião não tirei fotos dentro do museu.

Próxima história será a última da cidade de Nagasaki, a da igreja Urakami.