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45º Gueinosai – Festival de Música e Dança Folclórica Japonesa encanta o público em SP

Um grande evento foi realizado neste último final de semana (26 e 27/06), como parte das comemorações dos 102 anos da Imigração Japonesa no Brasil. Trata-se do 45º Gueinosai – Festival de Música e Dança Folclórica Japonesa – que teve como palco o grande auditório do Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Neste evento, foram apresentadas várias facetas da cultura e do folclore japonês, que o público teve oportunidade de conferir em dois dias.


O evento contou com a presença de vários grupos de música, dança, teatro, taiko, cantores e outros diversos artistas da comunidade nipo-brasileira, que se encarregaram de apresentar as mais diversas manifestações culturais japonesas, fazendo um espetáculo de encher os olhos do público.
Alguns políticos também estiveram presentes, como o vereador Jooji Hato (PMDB-SP), que fez um discurso na abertura do evento no sábado, onde disse que “toda a arte apresentada representa o sofrimento dos primeiros imigrantes, quando da chegada deles ao Brasil, e através do qual eles nos ensinam que, com trabalho, esforço e honestidade, é possível superar as dificuldades e prosperar.”

O vereador Jooji Hato (à esq) discursando ao lado do presidente
da comissão organizadora do evento, André Korosue


Nos dois dias do evento, muitos dançarinos se alternaram no palco, exibindo as mais diversas formas do buyo – a dança tradicional japonesa – encantando o público com belíssimas performances.

O dançarino Yusuke Iwamoto foi o primeiro a se apresentar
no palco do Gueinosai, com a coreografia “Takasago”


União Cultural Guinken Shibu do Brasil

Kasa odori – a “dança dos guarda-chuvas”,
típica
da província de Tottori

Júlia Otani, da Associação Cultural Esportiva de Pompéia,
com a coreografia “Ame”

Setsuko Tangue, apresentando “Kanagawa Suikoden”

A pequena Mei Iguti, do Hanayagui-ryu Nadeshikokai,
fez uma apresentação de gente grande

Bunomai: um estilo de Okinawa que mistura a dança com
técnicas de luta

Saito Satoru Ryubu Dojo: um dos grupos que representou o
Ryukyu Buyo (odori de Okinawa)

A dançarina Mayumi Aguena, do Saito Satoru Ryubu Dojo

Além disso, grupos de taiko como o Mika Youtien, composto apenas por crianças, o Tangue Setsuko Taiko Dojo, que fez uma apresentação empolgante, enchendo os olhos da platéia, e o Ryukyu Koku Matsuri Daiko, que trouxe para o evento a alegria dos tambores de Okinawa, também impressionaram o público.


O grupo Mika Youtien: crianças que não deixam nada a dever
para os adultos no taiko




Alguns momentos do Tangue Setsuko Taiko Dojo: grupo
mostrou muita energia e vibração no palco

Ryukyu Koku Matsuri Daiko

O Yosakoi Soran também foi bem representado, sendo apresentado pelos grupos Ishin (sábado) e Shinsei ACAL (domingo).

Ishin Yosakoi Soran

Grupo Shinsei – ACAL

Além deles, os cantores também marcaram presença. Vários nomes consagrados dos taikais passaram pelo palco do Bunkyo nos dois dias do evento, além de atrações trazidas direto do Japão, como Mariko Nakahira.
Um dos grandes destaques neste segmento foi Jane Ashihara, irmã de Joe Hirata, que se apresentou no domingo juntamente com a filha Pâmela.

Da esq. p/a dir: as cantoras Kamilla Tamura, Jane Ashihara e
Pâmela Ashihara

Jane e Pâmela Ashihara: mãe e filha dividiram o palco

Kamilla Tamura encantou com sua bela voz

Edson Saito também marcou presença no festival

Mariko Nakahira foi a atração internacional do evento

E os destaques no karaokê não param por aí. No sábado, o festival contou com a presença de um convidado muito especial: Roberto Casanova, o grande vencedor do NHK Nodojiman, o mais concorrido concurso do gênero no Japão. Acompanhado de sua esposa, Mika da Silva, ele fez uma performance que emocionou o público presente no dia.

Mika da Silva e Roberto Casanova encantaram
o público presente no sábado

Nosso colunista Daniel “Sheider” ao lado de Roberto,
Mika e a pequena Rina, filha do casal

No domingo, um dos pontos altos do evento foi a apresentação de kagura, um estilo que se originou no xintoísmo e mistura teatro, música e dança para contar lendas do folclore japonês. Contando a história do monstro Yamatano Orochi, o Grupo Kagura do Brasil simplesmente encantou o público.













Os músicos também deixaram sua marca no Gueinosai. Destaque para os shamisens do Nihon Minyo Kyokai, que esteve presente nos dois dias, e o Nihon Ongaku Kyokai, que mostrou ao público o belíssimo som do koto.


Dois momentos do Nihon Minyo Kyokai

Nihon Ongaku Kyokai e sua apresentação de koto

O grupo Hanayagui-ryu Kinryukai tratou de fechar o evento com chave de ouro, fazendo, além de belas e engraçadas performances, uma homenagem especial a seus mestres.


O gran finale do Hanayagui-ryu Kinryukai

Seja na batida forte do taiko, nos passos marcados da dança, na música do shamisen e do koto… o que se viu neste final de semana foi um espetáculo sem igual, e que, através das diversas formas de manifestação cultural trazidas do Japão pelos imigrantes e cultivadas por seus descendentes, mexeu com os olhos e o coração do público que compareceu nos dois dias do festival. Para o presidente da comissão organizadora do evento, o sr. André Korosue, o saldo dos dois dias do Gueinosai foi bastante positivo: “Não apenas aqueles que se apresentaram no palco saíram satisfeitos… o público também saiu, por presenciar um grande espetáculo.”

Korosue ainda destaca a importância do festival: “É a divulgação da nossa cultura, em especial da arte de palco japonesa. ‘Gueino’ significa ‘arte de palco’, e aqui apresentamos as mais diversas modalidades desta arte, ajudando a divulgar a cultura japonesa para todos, descendentes ou não. Vivemos em um país multicultural, e é importante que todos aprendam um pouco sobre cada cultura. Nosso papel aqui, com este evento, é divulgar a cultura japonesa para os brasileiros.”

Missão muito bem cumprida, por sinal. Foram dois dias inesquecíveis, com belíssimas apresentações e performances de encher os olhos.

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Animê & Mangá

Capa do volume 58 de One Piece


Semana passada foi divulgada a capa do Volume 58 do Mangá de One Piece,Que tem como título “Kono jidai no na o “ShiroHige” To Yobu.( O nome desta Era é “Barba Branca”) O Volume traz os capítulos 563 ao 573 e dá sequência à batalha em Mariford na tentativa de impedir a execução de Ace.
A Capa é, na minha opinião a mais bonita dentre as últimas lançadas. Com o Ruffy , o Garp, o Sengoku e os três Almirantes.
O mangá foi lançado no Japão dia 04 de Junho, e deve chegar nas Livrarias da Liberdade em Agosto.

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Opinião | A morte do Animax como nós conhecemos

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A maioria que gosta de animação japonesa já deve ter recebido a bomba sobre o canal oficialmente jogar os animês para escanteio. Quando escrevi o primeiro “Opinião” sobre a derrota dos Otakus, falei que a derrota do Otaku, fã desse tipo de série, que ele consome produtos ilegais em lojas e eventos, como DVDs piratas, e baixando na internet, não acrescenta em nada como público interessante comercialmente. Porém, a culpa não fica só exclusiva aos otakus, mas também as empresas que administram mal seus canais.

O Animax está sofrendo do mesmo mal que o canal Boomerang sofreu há alguns anos atrás, por não ter emplacado no Brasil, como um canal voltado a desenhos antigos, estes limados da programação da Cartoon Network e que estavam à espera de uma nova chance. O canal mesmo que excelente em seu acervo, tinha uma programação confusa, tinha o conceito de não ter intervalos, e tinha campanhas fantásticas pro público adulto que era criança quando foram feitos aqueles desenhos, o resultado foi fracasso. O canal teve que ser repaginado, deixando inclusive de passar desenhos, inserindo em sua programação séries australianas, americanas e até mexicanas, tornando-se mais próximo do público que assiste canais como Disney Channel e Nick. O que aconteceu? Não preciso comentar que Boomerang saiu do vermelho, deu certo, e até pouco tempo, Rebeldes (exibido anteriormente no SBT) era o programa mais assistido do canal.

Com certeza, os fãs de Boomerang se revoltaram, porém o canal afirmou que colocaria seus desenhos antigos de madrugada e na teoria problema resolvido. A questão do Animax é mais delicada, porque o Animax veio ocupando lugar de um canal trash, porém excelente como Locomotion, que dosava animações do mundo inteiro, passava animações dos anos 80 como He-man, She-ra e G-Force, enquanto a noite era dedicada aos animês como Evangelion, Caçadores de Elfa e Bubblegum Crisis: Tokyo 2040.

O primeiro ano do Animax veio com alegria para os fãs, porque era um canal japonês de animes e bom, parecia que ganharíamos um canal de “animê” de verdade. Porém, o buraco é mais embaixo, tínhamos uma grife japonesa sim, porém comandada pelas mesmas pessoas do Sony Television e AXN. O que isso significa? Públicos e experiência totalmente diferentes, o que com certeza foi um pesadelo pra eles. Pode ver que toda “solução” desesperada pra eles, são coisas que passam ou tem cara dos outros dois canais. Faltou pesquisa, faltou personalização, faltou um monte de coisas que o Animax não fez e morreu na praia amargando com campanhas de humor bem duvidoso.
Se por um lado empresas como a Editora JBC anunciavam apoio ao estúdio Alamo para a adaptação de animês para o canal, o que dava confiança do publico brasileiro pelo canal, do outro tínhamos uma falta de experiência e falta de tropeços que marcou esses 3 anos de Animax.

Você reconhece esse Animax aí de cima? Eu não!

Vamos analisar alguns problemas do Animax:

1 – Falta de animês clássicos famosos no Brasil
Um dos problemas do Animax “latino” foi a ausência de animês antigos que passaram pelas emissoras daqui. Um animê como Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z, Sailor Moon, Samurai Warriors, Shurato faltou, e o pior, se você assiste o Animax japonês, sabe que ele principalmente é focado nisso.

Um animê desse porte, pode atrair sim um público maior para o canal, porém invés disso, optaram só comprar de forma bem bagunçada os animês de sua programação.

E títulos como Bleach e Death Note, mesmo sendo fortes no exterior no Brasil não são porque não passam na TV a aberta. O bom seria se nesse caso eles fizessem algo ao estilo do Animax espanhol que comprou Naruto Shippuuden, porque o Jetix por lá não quis a série já que Naruto não teve um bom desempenho por lá.

2 – A Falta de animes “shoujos”
Se você ver o Animax de qualquer país, o canal passa produções pro público feminino e bom, só ver nas bancas brasileiras que tem um público fiel de shoujo, além de o crescimento dos leitores de mangá se deve as garotas, pois bem, parece que o canal não sabia disso, ou não queria saber, pois não tinha nada voltado pra elas.

3 – Animax é um canal pra quem?
Se você olhar na sua TV a cabo hoje, vai perceber que o Animax não está perto dos canais infantis como Nick, Disney Channel, Cartoon Network, Boomerang, porque ele passava desenhos adultos.

Pois bem, não seria melhor focar num público criança e adolescente, tendo um canal “infantil” próximo aos demais? Por que investir em besteiras como bloco Lollipop? Animax assim não só afugentou as empresas, que não queriam ter a licença do canal da HBO, como tinha programação infantil de manhã e a tarde, porém não era um canal fácil pra criança achar.

O Animax resumindo, era um canal que tentou investir num público diversificado e caiu do cavalo. Devia ter seguido padrão de outras empresas, optando mesmo que quisesse passar animês mais pesados, apenas na madrugada.

4 – A falta de um Animax Brasil
O Animax por mais que falem continua sendo um canal mais “latino” e menos brasileiro. Somos um povo diferente, e precisamos de blocos personalizados pro Brasil, programas brasileiros durante a programação, tornando o canal mais a nossa cara. Porém, isso tem custo, um custo que o Animax não queria bancar e preferia gravar tudo no México.

Canais como Disney Channel e Nick tem programas no Brasil e ajudam a dar um “jeitinho” brasileiro para o canal.

Isso sem contar que com sucesso comercial de Turma da Mônica Jovem, a Sony podia ter aberto os olhos e ter encomendado um “animê” pro Mauricio de Souza baseado na turma e atrair um novo público com o primeiro “anime brasileiro”.

5 – Os clipes e séries japonesas
Um dos pontos positivos da Sony foi colocar clipes de cantores japoneses no intervalo, foi a primeira vez no país que pudermos ver cantores como Utada Hikaru, Crystal Key e Sowelu na televisão brasileiro.

Já imaginou um programa de clipes de jmusic, com artistas sendo entrevistados? Sim, artistas da Sony Music Japan, que faz música pro Bleach e outros animês da casa, poderiam falar de seu trabalho, convite de trabalhar em tal animê. Bom, parece que Animax daqui não pensou nisso.

O que faltou foi um programa de clipes, uma personalização de conteúdo, indo além dos clipes. Talvez até imitando o que outros Animax optaram fazer agora que é exibir os doramas, em sua programação, por serem derivados de mangá também.

Agora numa opinião pessoal, eu optaria de trazer tokusatsu clássico da Manchete. Pegar as séries da Focus (que só Jaspion pagou as três) e trataria de colocar a noite no Animax pra pegar os nostálgicos de plantão. Logicamente, a intenção não seria ir atrás de material novo, mas apenas antigo, se caso tivesse retorno (até porque é barato) partiria pra algo novo. Nesse caso, séries assim entram no mesmo critério de animês clássicos, trazendo público mais antigo para o canal.

6 – Marketing casado
Tendo tantas séries que foram lançadas em mangás no país, fazer só peça publicitária nos mangás da JBC e da Panini não rola. O Animax tinha que fazer promoções de mangás, e até concursos para cada país.

Outra coisa seria oferecer algo diferenciado aos clientes do ramo no Brasil, o que significa atrair clientes como Playarte, Focus, JBC, Panini, Yamato, que produzem produtos e serviços pro Brasil que envolvem animação japonesa e os levar como anunciantes de seu canal.

Além disso, produções da Sony, deveriam ter tido lançamentos simultâneos por aqui, em DVD, isso sem mencionar empresas como Focus que lançou Full Metal Alchemist no passado, que deveria ser focado no público do canal.

Independente disso, Animax pertence ao grupo Sony, poderia ser usado como meio publicitário da Sony Brasil para Playstation 3, câmera Sony Cybershot, dvds, blu-rays da Columbia e muito mais. Porém, você viu algum comercial da própria empresa no canal? Com exceção da câmera do último do 007, acredito que não.

Conclusão
Existem ainda muitos argumentos a serem questionados do fracasso do Animax, e principalmente se deve a má administração da empresa no canal na America Latina. Concordo que o canal pode crescer com aumento de séries não japonesas, porém além de inserir, tiraram toda filosofia do canal e transformaram numa versão genérica ao estilo da AXN.

Logicamente que às vezes isso não é nem culpa de quem ficou responsável pelo canal no Brasil, já que sendo um canal voltado pra América Latina, às vezes você tem pouca liberdade, ou talvez nenhuma pra personalizar o canal e a Sony falhou.

Agora quem pensa que o Animax é um grande canal, bom é sim, mas sabe quem é anunciante Lá? Empresas ao estilo da Polishop, se você já assistiu Animax japonês, deve ter visto aqueles aparelhos de ginástica e outros aparelhos estranhos sendo vendidos no Animax de lá. Então mesmo o canal dando certo no seu país de origem, você pode dizer que também não tem anunciantes muito fortes por lá.

Obs: Se quiser ler mais sobre o Animax, leia o texto do portal Jbox sobre a reformulação.

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Nos tempos de Kurosawa (a história sobre os 4 importantes cinemas da Liberdade)

Na terceira e última parte da matéria especial da Folha de São Paulo, foco principal do texto, a comemoração de 100 anos do Kurosawa. O jornal decide investigar a história dos 4 principais cinemas japoneses que existiam no bairro da Liberdade, em São Paulo.

É uma pena que no centenário do Kurosawa, pouco sobrou do país. Seja porque Cine Niteroi teve que ser demolido para construção da avenida Radial Leste-Oeste. Hoje, o que sobrou no lugar é um jardim mal preservado que não faz jus a importância que esse cinema teve no país.

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Texto da Folha de São Paulo

Nos tempos de Kurosawa

No dia do centenário do maior cineasta japonês, morto em 1998, Folha recolhe lembranças do famoso circuito de cinemas da Liberdade

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Fachada do Cine Niterói, que funcionou na av.Galvão Bueno entre 1953 e 1968, junto com restaurante, hotel e salão de festas

FERNANDA EZABELLA
REPORTAGEM LOCAL

A casa que lotava para ver o tilintar das espadas de samurai, nos filmes épicos de Akira Kurosawa, hoje só enche em dia de evento gospel. No bairro da Liberdade, em São Paulo, não há mais rastros da efervescência cinéfila da colônia japonesa, que por três décadas viu nascer e morrer quatro salas de cinema exclusivas para filmes japoneses: Cine Niterói, Cine Tokyo, Cine Nippon e Cine Jóia.

Na ocasião do centenário de Kurosawa (comemorado hoje), o mais importante cineasta japonês, morto em 1998 aos 88 anos, a reportagem foi atrás das memórias dos frequentadores desse circuito da Liberdade, que chegavam a dar volta no quarteirão em dia de lançamento, eles de terno e gravata, elas de vestido.

A sala mais antiga, o Cine Niterói, foi construída do zero, em 1953. Além dos dois andares de cinema, com 1.500 poltronas, havia um restaurante, um hotel e um salão de festas que chegou a receber exposições de Manabu Mabe (1924-1997).

“O cinema foi construído com muito feijão”, lembra o japonês Susumu Tanaka, 96, sobre os carregamentos que fazia por fazendas do interior do Paraná, que ajudaram a pagar o empreendimento do irmão mais velho. “Deixávamos de jantar e ia todo mundo ao cinema”, diz Tanaka, que deixou a cidade de Osaka aos 10 anos.

Com a chegada dos outros três cinemas, distribuidoras japonesas se instalaram na região e passaram a trazer astros para divulgar os filmes, como Toshiro Mifune, o predileto de Kurosawa, e Yuzo Kayama, uma espécie de Roberto Carlos oriental. As companhias também ganharam exclusividade nas salas: a Toho, por exemplo, que tinha obras de Kurosawa e Eizo Sugawa, se aliou ao Cine Tóquio e, mais tarde, ao Jóia.
“O Cine Jóia era todo esculhambado, sujo, os banheiros cheiravam mal”, lembra o monge budista Ricardo Mario Gonçalves, 68, que na época era um badalado tradutor de legendas da Toho, incluindo diversos de Kurosawa, como “Viver” e “Trono Manchado de Sangue”. “Já o Nippon era o mais jeitosinho, as meninas todas uniformizadas, como aeromoças.”

O “menos” japonês
A fama de Kurosawa, que já naquela época era considerado um gênio, ganhador de diversos festivais e um Oscar por “Rashomon” (1950), fazia com que seus filmes fossem além da Liberdade, chegando também ao Ipiranga ou Odeon. Isso levou muitos cinéfilos que viviam no circuito japonês a tachar a obra de Kurosawa de “muito ocidentalizada” ou “carne de vaca”.

“Rejeitar Kurosawa virou um sinal de distinção”, conta o pesquisador Alexandre Kishimoto, autor de uma tese sobre os cinemas, apresentada neste mês na USP. “Os não-nikkei [não descendente de japonês] que passaram a frequentar as salas da Liberdade tiveram a oportunidade de conhecer muito mais do cinema japonês do que só os filmes de sucesso dos festivais.” Foi assim que críticos e cineastas brasileiros, como Carlos Reichenbach, passaram a conhecer, antes mesmo dos europeus, japoneses como Ozu, Naruse e Gosho.

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Produtoras japonesas tinham base em São Paulo

Segunda parte da matéria especial da Folha de São Paulo resgatando o cinema japonês no Brasil, agora falando das produtoras japonesas no país.

Essa segunda parte mostra o quanto no passado, o Japão viu o país como um público em potencial, principalmente por ser a maior colônia japonesa do mundo. Ela mirou certo, tendo auge de 166 filmes por ano, nos cinemas brasileiros.

Infelizmente, a crise no país e a mudança de leis, exigindo a exibição de filmes nacionais, chegou a níveis alarmantes, com a pornochanchada. O que fez de uma a uma, as produtoras fecharem seus escritórios no país.

Logicamente, os cinemas sobreviveram mais um pouco, mas perderam a guerra contra o VHS.

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Texto da Folha de São Paulo

Produtoras tinham base em São Paulo

ROBERTO HIRAO
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO ADJUNTO DO “AGORA”

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Os anos 60 foram uma festa para os cinéfilos de São Paulo, que dispunham de quatro cinemas exclusivamente de filmes japoneses. Na época, o Japão era o maior produtor de filmes do mundo. Dos seus estúdios saíram obras de todos os estilos, até westerns com todos os clichês do gênero (duelos ao sol, brigas intermináveis e ataques de índios).

Todas as grandes produtoras japonesas, com exceção da Daiei, nomearam representantes no Brasil. A Toho, dona da maioria dos filmes de Akira Kurosawa, foi mais longe: abriu um escritório na Liberdade e mandou um executivo a São Paulo para controlar a exibição de suas produções. O cinema escolhido foi o pequeno Joia.
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O auditório da rua São Joaquim abrigou o Cine Tóquio, que mudaria posteriormente de nome para Cine Nikkatsu. Na praça Carlos Gomes, perto da praça João Mendes, quando o filme era de Kurosawa ia direto para uma sala da Cinelândia, na av. São João. A Shochiku, estúdio de prestígio, instalou-se num local difícil, a pequena e tranquila rua Santa Luzia.

Aos poucos o público brasileiro foi se acostumando com o cinema japonês, e aconteceram sucessos como “Corvo Amarelo” e “O Homem do Riquixá”. Mas o cinema do Japão não era mais o mesmo. O público também mudou.

Numa das sessões de um filme do diretor Tomu Uchida, um crítico entusiasmado com a sequência de filmes se levantou e, aos berros, disse: “Isto é cinema!”. O público japonês, não acostumado a esse tipo de manifestação, retirou-se da sala certo de que havia um louco lá dentro.

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Cinemas da Liberdade viraram igrejas e jardim sujo

Hoje, o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria que resgata o cinema japonês no Brasil na década de 60 e 80. Nessa época, foi o auge de produções japonesas no país, vinha mais de 100 filmes por ano, e todas as grandes produtoras tinham suas filiais no Brasil.

A verdade que o texto da Folha não tocou muito foi que a colônia se adaptou ao Brasil, se afastando das produções nipônicas é verdade. Agora, graças ao crescimento de locadoras piratas, aonde gravações de novelas, séries, animes fizeram a alegria da colônia, com pessoas gravando da televisão japonesa e mandando as fitas pro Brasil, e por outro lado, as empresas oficiais fechavam suas portas no país. Foi por negligência e falta de cuidado da colônia que apenas se foca em cultura e tradição, ao invés de apoiar e manter as empresas japonesas no Brasil.

Quem sabe, se a colônia tivesse agido de forma diferente, hoje o país, teria estréia simultâneas e talvez complexo de cinemas japoneses e até um circuito especializado, o que acarretaria numa divulgação e exposição maior de filmes, séries do tipo para a televisão brasileira, sem intermédios, como é hoje em dia.

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Texto da Folha de São Paulo

Cinemas da Liberdade viraram igrejas e jardim sujo


À esq., o Cine Jóia em registro dos anos 80, na praça Carlos Gomes; hoje, local abriga igreja pentecostal
FERNANDA EZABELLA
da Folha de S.Paulo

Um jardim malcuidado, ainda que protegido por grades vermelhas, ocupa hoje o espaço que foi do pioneiro Cine Niterói, demolido em 1968 para a construção de uma avenida e um viaduto. “Isso aqui aos domingos ficava cheio de japonês solteiro, como eu”, lembra o acupunturista Shigueo Matsukawa, 68, na r. Galvão Bueno.

O cinema chegou a ter uma sobrevida em outro endereço, mas fechou nos anos 80 após se entregar às pornochanchadas.

Já o Cine Jóia, na praça Carlos Gomes, virou igreja pentecostal e escola de black music, bem ao lado de um centro de umbanda e outro de espiritismo. O prédio ainda tem a mesma estrutura, mas no lugar da grande tela, um altar e tablado para eventos gospel. A sala do projecionista virou camarim.

À esq., o Cine Jóia em registro dos anos 80, na praça Carlos Gomes; hoje, local abriga igreja pentecostal e escola de black music
À esq., o Cine Jóia em registro dos anos 80, na praça Carlos Gomes; hoje, local abriga igreja pentecostal

As outras duas salas da Liberdade, Tokyo e Nippon, tiveram sorte parecida. A primeira virou igreja evangélica nipo-brasileira, e a segunda, um centro cultural que promove bailes e aulas de etiqueta japonesa.

“O cinema era a pracinha de antigamente, 50% da vida cultural da colônia era ali”, diz Nelson Hirata, 65, cujo pai foi um dos pioneiros nas projeções ambulantes de filmes japoneses pelo interior de São Paulo, tudo em 35 mm, nos anos 30. Mais tarde, a patriarca Kimiyasu abriria o Cine Nippon.

“Mas a lei que obrigava a passar filmes nacionais [brasileiros] acabou com os cinemas”, lembra Hirata, que virou lanterninha aos seis anos e programador de cinema mais tarde.

A fase áurea da Liberdade chegou a ter 166 filmes japoneses lançados num único ano, em 1963, embora a média fosse de cem, diz o pesquisador Alexandre Kishimoto. A popularização do VHS e a decadência do próprio cinema japonês colaboraram para o fim do circuito.

“Naquele tempo, íamos à Liberdade mais pelos cinemas do que pelos restaurantes”, diz Leon Cakoff, criador da Mostra Internacional de Cinema de SP, que teve pôster da 20ª edição, em 1996, assinada por Kurosawa. “Hoje a colônia se abrasileirou, e para ver um filme japonês você não precisa ver num gueto.”

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5° Festival de Sanshin – Sanshin no Hi

No último domingo, 07 de março, foi realizado no bairro da Liberdade, em São Paulo, o 5º Festival de Sanshin – Sanshin no Hi (e não 3º, como divulgado aqui anteriormente. Desculpem a nossa falha! =P), um evento promovido pela comunidade de Okinawa em comemoração ao Dia do Sanshin (4 de março).
O sanshin é um instrumento bastante tradicional. Trata-se de um shamisen de três cordas, que surgiu em Okinawa e depois foi se expandindo para outras regiões do Japão. Foi trazido ao Brasil pelos imigrantes, e sempre era usado para animar festas da comunidade okinawana.

Alguns instrumentos raros foram expostos no festival.
Na primeira foto, um shamisen de mais de 200 anos,
e na foto logo acima, um shamisen raro,
que não existe mais em Okinawa. Perdeu-se com a 2ª Guerra Mundial.

O evento contou com a participação de diversos grupos tradicionais de shamisen, como o Ryukyu Minyo Kyokai e o Ryukyu Minyo Hozonkai. Além disso, também houve apresentações de dança tradicional (Ryukyu Buyo) e de taiko, com os grupos Requios Gueinou Doukoukai e Ryukyu Koku Matsuri Daiko. Este último, aliás, tratou de fechar o evento com chave de ouro.
Também tivemos algumas atrações internacionais, como o grupo Tontonmi e a cantora Kanako Horiuchi, que nasceu em Hokkaido e se interessou pela música de Okinawa após ver de perto uma apresentação no Japão. Ela toca sanshin há 10 anos.
“Fiquei muito contente em poder participar de um evento como este aqui no Brasil”, diz a cantora. “Me senti como se estivesse em Okinawa!”

A cantora Kanako Horiuchi, uma das atrações internacionais do evento


O auditório da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, com capacidade para cerca de 700 pessoas, lotou com este evento, o que ilustra a popularidade do shamisen entre a comunidade okinawana.
Um dos principais mestres de sanshin no Brasil, o sensei Seitoku Nakandakare, presidente do Ryukyu Minyo Kyokai do Brasil, ressaltou a importância do festival: “Eventos como este ajudam a manter as tradições de Okinawa, e, consequentemente, transmití-las para as gerações seguintes, nisseis, sanseis, yonseis, etc.” Opinião esta também expressa pelo vice-presidente da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, o sr. Shinji Yonamine, que destacou o interesse dos jovens da comunidade pelo shamisen. “É uma satisfação muito grande ver os mais jovens se interessarem pelo aprendizado do sanshin. Isso, com certeza, ajuda a preservar e a fortalecer as tradições de Okinawa.”
O sr. Yonamine foi ainda mais além, destacando também a participação de não-descendentes nos grupos de shamisen: “Hoje também há muitos não-descendentes que se interessam pelo sanshin, e aprendem a tocar o instrumento. Isso mostra que a tendência do sanshin no Brasil é crescer e se modernizar, além de promover o intercâmbio com outras comunidades. Tudo isto através de um único instrumento, que saiu de Okinawa e se tornou universal.”

A seguir, temos alguns dos momentos mais importantes do festival

Apresentação do grupo Ryukyu Minyo Kyokai (ao centro, o sensei Seitoku Nakandakare, de kimono azul):

Apresentação do grupo Ryukyu Minyo Hozonkai:


Apresentação de música e dança, com a mestra Shigeko Gushiken:

Apresentação de dança (Nanyou Chidori) – Yoriko Shimabukuro e Juliana Izu:


Apresentação de dança (Wakasyu Zei) – Saito Satoru Ryubu Dojo:



Requios Gueinou Doukoukai Eisa Daiko:



Ryukyu Koku Matsuri Daiko:








Nosso colunista Daniel “Sheider” (ao centro) junto com os membros
do Ryukyu Koku Matsuri Daiko

E foi isso, galera. Um evento super bacana, e um espetáculo muito bonito de se ver.
Parabéns aos participantes e aos organizadores do evento, pelo esforço de divulgar a bela e rica cultura de Okinawa. Chibariyo!

Por enquanto é só, pessoal. Aguardem as próximas postagens!

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3º Festival de Sanshin – música tradicional de Okinawa

Dica cultural pra vocês, galera… no próximo dia 7 de março (domingo), será realizado aqui em São Paulo o 3º Festival de Sanshin. Sanshin, pra quem não conhece, é um instrumento tradicional – trata-se de um shamisen de três cordas, oriundo da província de Okinawa. No Brasil, há uma quantidade considerável de músicos que tocam esse tipo de instrumento. E, claro, a maioria deles descende de imigrantes de Okinawa.



Além de vários grupos tradicionais de shamisen, o evento também contará com a presença dos grupos de taiko Ryukyu Koku Matsuri Daiko e Requios Gueinou Doukoukai, bastante conhecidos por participarem de eventos como o Festival do Japão e ajudarem a difundir a cultura da província de Okinawa.

Uma ótima pedida para quem admira, ou mesmo quer conhecer um pouco da cultura de Okinawa.

Portanto, anotem na sua agenda:

3º Festival de Sanshin (Shamisen de Okinawa)
Data: 07 de março de 2010 (domingo) – a partir das 13hs

Local: Associação Okinawa Kenjin do Brasil
Rua Dr. Tomás de Lima, 72 – Liberdade – São Paulo

(próximo à estação Liberdade do Metrô)

Entrada franca

Informações: (11) 3106-8823 (horário comercial)

Obs: Em breve, o J-Wave fará uma série de matérias sobre a cultura de Okinawa no Brasil. Fiquem ligados!

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Jero – O cantor que mudou a história do Enka no Japão

A música Enka até alguns anos atrás, encontrava em baixa pelo público japonês. Considerada uma música para um público mais velho, Enka que é a música tradicional japonesa, não renovava o público há muito tempo.

Restringindo-se cada vez mais, o destaque a música Enka se restringe a programas da televisão japonesa, como o programa de final de ano da estatal NHK, Kouhaku Utagassen. Jero, sendo o primeiro ocidental miscigenado entre japonês e africanos, a cantar Enka, chamou atenção da mídia japonesa, como também a do mundo inteiro.
Querendo realizar o sonho de sua avó, Jero se tornou um cantor de música enka disposto a entrar no famoso programa de final de ano da NHK, o Kouhaku Utagassen. Sua ousadia foi não abrir mão do seu visual rapper, mesmo cantando enka, já que sendo negro, ele mesmo acha que se vestissem trajes tradicionais que os cantores enka usam, pareceria uma sátira do gênero.

O inusitado se tornou um sucesso, Jero estreou nas paradas de sucesso, com seu primeiro single “Umiyuki”, lançado em fevereiro de 2008, chegando em 4º dos singles mais vendidos da semana.

Jero surge numa época que outro cantor de enka, o Kiyoshi Hikawa. Ambos surgiram e agradaram o público jovem nipônico que não se interessava mais pelo gênero musical. Alterando o rótulo de música antiga, a música enka se renovou graças a esses dois cantores.
O que é Enka?

Para quem não sabe, Enka é uma música tradicional japonesa, criada entre a Era Meiji e a Era Taisho. Enka é uma forma lírica de canção que significa literalmente “canção interpretada”, pois junta os kanjis de atuação com ao de canção.

Inicialmente, a música era usada pra cunho político, principalmente para desacordos, mas hoje, ela é uma combinação do oriente com ocidente, aonde se fala lamúrias de amor.
O Enka entrou em crise nos anos 80 para os 90, quando com o surgimento de músicas como JPOP e o JROCK, caíram no gosto dos jovens, fazendo as vendas de Enkas caírem vertiginosamente. O declínio transformou o público de música Enka, pequeno, mas fiel, mantendo a chama viva, em programas como NHK Kouhaku Uta Gassen, na virada do ano.

No Brasil, o símbolo da música enka com certeza é a cantora Hibari Misora. Até hoje, considerada uma das melhores cantoras do gênero, faleceu ainda jovem em 1987, sendo um dos símbolos do fim da Era Showa, junto com a morte de Osamu Tezuka em 1989.
Perfil

Jerome Charles White Jr nasceu no dia 4 de setembro de 1981, na cidade de Pittsburgh, na Pennsylvania, EUA. Sua paixão por Enka veio por influência de sua avó, Takiko. Quando jovem, ela deixou o Japão, para se casar com um oficial americano. Nos Eua, Takiko teve Harumi, mãe de Jero e com os dois, ela sempre passava a cultura do seu país, como a música. Haruhi foi vendedora de lojas de departamento nos EUA, e depois de um casamento não duradouro, voltou pra sua cidade natal, Pittsburgh. Jero foi criado numa família com valores orientais, por isso desde cedo, ele estava voltado à cultura japonesa.

Ele se formou em ciência da computação na Universidade de Pittsburgh em 2003, no mesmo ano, ele decidiu se mudar para o Japão. Decidindo estudar japonês, ele entrou na universade de Kansai.
A promessa

Inicialmente, Jero não almejava se tornar um cantor profissional de enka, tanto que se formou em ciência de computação em Pittsburgh. Foi justamente a promessa com sua avó, Takiko, que fez mudar de profissão, seguindo o caminho da música. O sonho de Takiko era ver seu neto cantando ao lado de grandes cantores japonês no Kouhaku Utagassen.
Infelizmente, Takiko não pode ver o seu grande sonho se realizar, já que ela faleceu em 2005. Mesmo assim, Jero prometeu que iria continuar o sonho dela e participar do Kouhaku Utagassen.
O debut

Trabalhando em ciência da computação no Japão, ele sempre ia a concursos musicais tentar uma chance, como cantor. Num desses concursos, a gravadora Victor Entertaiment decidiu investir suas fichas no cantor.

Para quem não conhece a Victor Entertaiment, ela é a mesma gravadora de Smap, Rimi Natsukawa, Remioromen, Maaya Sakamoto, Southern All Stars entre tantos outros.
Seu primeiro single veio em 20 de fevereiro de 2008, chamado Umiyuki (literalmente Oceano de neve) ficando em 4º lugar de singles mais vendidos da semana. Uma estréia fenomenal para um cantor estrangeira com musica tradicional japonesa, como a enka. A canção mesmo que fazendo referência ao oceano do Japão, Jero confessa que quando compôs, imaginou no oceano próximo da Califórnia.

Em 21 de maio de 2008, Jero estrelou comercial da cervejaria Kirin, para o produto Kirin “Fire” Coffee.

A CNN International entrevistou o cantor em outubro de 2008, para o programa TalkAsia.
50th Japan Record Awards
Em 30 de dezembro, aconteceu o 50th Japan Record Awards, exibido pela TBS. No programa, Jero ganhou na categoria de Melhor artista do ano (Best New Artist). Entre os outros destaques do ano ficaram a música Ti amo, do grupo Exile, melhor companhia Avex Entertaiment, melhor álbum Namie amuro com Best Fiction.
The 59th NHK Kouhaku Uta Gassen

No dia 31 de dezembro, um dia depois do 50th Japan Record Awards, a promessa de Jero se realizaria. Entrando no time branco, Jero emocionou sua mãe, Haruhi, aparecer no palco do programa, cantando Umiyuki.

Essa edição do Kouhaku Uta Gassen, teve Masahiro Nakai (do grupo Smap) como líder do time branco e Yukie Nakama como líder do time vermelho. Na mesma edição, o Brasil foi um dos destaques do Kouhaku Uta Gassen com uma pequena entrevista ao vivo, realizada no bairro da liberdade, com descendentes nipônicos que assistiam ao programa num telão instalado no bairro. Comemorando o centenário da imigração japonesa no Brasil, o Kouhaku Uta Gassen encerrou as comemorações no Japão.
National Cherry Blossom Festival

O dia 28 de março de 2009, Jero fez sua primeira grande aparição nos EUA, no National Cherry Blossom Festival , realizado em Washington, D. C. . Esse festival é realizado todos os anos em celebração a Primavera em homenagem a Yukio Ozaki que doou 3 cerejeiras para Washington, como símbolo de amizade entre os dois países.

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Opinião | A derrota do otaku brasileiro

Há muito tempo queria escrever esse texto, mas tava um pouco relutante de expor minha opinião do mercado brasileiro pelo J-Wave. Porém, com a derrota de uma tentativa de oficializar e fidelizar o público brasileiro, com o canal Animax, a cada dia vemos o canal se tornar o mais próximo de um irmão mais novo do Sony Television e AXN.

Um público nada interessante comercialmente

Hoje, qualquer emissora, qualquer programa, qualquer intervalo é direcionado a um público especifico. Se os mangás foram populares em roubar aos poucos o mercado que era especificamente de comics, e não só Isso, como aumentar conquistando o público feminino. Por que os animes não tiveram o mesmo êxito?

Para responder essa pergunta, temos que ir em direção a simples e óbvia pirataria. Algo que cresceu nessa década, veio em decorrência, porque fãs se juntaram pra legendas animes gratuitamente na internet. Em resumo, os primeiros fansubbers nasceram ainda fora do meio digital, utilizando somente para vender as VHS a preço de custo e manter esse “clubinho” fechado.

Foi assim que nasceram propostas como Shin Seiki, Lum´s Club, BAC, Anime Gaiden entre tantos outros que fizeram a alegria de muita gente, numa época que a Rede Manchete entrava em decadência e iniciativas como U.S. Manga não existiam mais na programação.

Não vou entrar aqui no mérito de julgar se é pirataria ou não o produto de um fansub, já que não sabendo o idioma japonês, esta foi à única forma pra muita gente descobrir séries magníficas que nunca ganhariam a luz do dia na televisão brasileira. Porém, os fansubbers tinham um critério bastante importante que acabou sendo ignorado alguns anos mais tarde, em que séries que fossem lançadas oficialmente no Brasil, o seu trabalho de fã serie retirado da internet.
A culpa é dos fansubbers?

A resposta é não, já que a questão foi sites na internet e lojas que acabaram comprando desses fansub e revendendo sem dó e piedade formando e fidelizando um público, o condicionando a consumir esse produto a preços mais salgados.
O sucesso desses VHS continuaram quando vieram os DVDS, se por um lado a internet brasileira havia mudado e os fansub da era anterior fechavam as suas portas, trocando VHS por disponibilizar o conteúdo na Internet, as lojas acabaram aprendendo a “baixar” e tranformar em DVD por preços módicos.

Assim, paralelo a invasão do mangás pelas JBC e Conrad nas bancas brasileiras, aumentava os leitores, mas também aguçava em conhecer animês obscuros. Isso aliado a uma drástica reformulação que aconteceu no segmento, sendo como exemplo mais óbvio a mudança de lojas no bairro da Liberdade em São Paulo.

Saiam os donos japoneses que vendiam VHS gravado da televisão japonesa, uma herança das locadoras ilegais que foram febre dos anos 80, e entrava as lojas com DVDs que agora seus donos não tinham nenhuma descendência japonesa.

Enquanto isso, o público descobria facetas da cultura pop japonesa, mas por serem caros e inacessíveis, aprenderam com DVDS, que a customização se torna mais viável que importar algo. Assim nascia jovens viciados em animês a busca de artigos, como bandana do Naruto, ou camisetas com transfer, cadernos do Death Note, Mokona em pelúcia e os chaveiros.

Se hoje virou piada os chaveiros do público Otaku, sendo até uma forma de “aviso” que tem um chegando, os fãs aprenderam a arte de customização e com isso largaram qualquer iniciativa e espera de uma indústria sólida tentar ganhar e oficializar o mercado.
O mercado se fecha em si mesmo

A customização e logicamente a total ausência dos direitos autorais, acabou tornando o público fiel a esse tipo de produto. Hoje podemos ver jovens usando camisetas de bandas de jrock e visual kei pela rua, mas em nenhum momento alguém nesse meio tentou oficializar isso.

Sendo o Brasil um dos países que tem mais pirataria no mundo, sendo que vire e mexe entra e sai da lista negra de algumas empresas, fica difícil do país vender uma imagem de país consolidado.

Quando veio o canal Animax no Brasil, a maioria pensou que seria o pontapé inicial de uma invasão de DVDs nas lojas, e itens de consumo para a massa que gosta desse tipo de produto, porém não é bem assim que as coisas evoluíram.

O público otaku se tornou um público não interessante comercialmente, portanto a Sony descobriu que esse consumidor não vale de nada. Ele não consome nada, além de mangás e itens customizados, assim o mercado de DVDs legais bateram de frente com ao de piratas e perdeu feio. Foi assim que DVDs como a Focus não foram concluídos, aliados a péssimas estratégias de marketing.

Será porque o público otaku é jovem e não tem poder aquisitivo? Sim, tem isso, porém o mesmo público se esforça e compra mangás completos em eventos, ou compra itens importados, e ainda compra itens que remete a seus animês favoritos e seu ritmo musical também.

Cada um faz do uso de consumo como quiser, mas isso não muda que invés de alimentar a indústria para que ela cresça, o público vai pro outro lado e parte para a pirataria. Foi assim que as lojas se tornaram fortes e não só cresceram, como se tornaram presente nos principais eventos do país, na mesma proporção que stand das editoras de mangás no país.
O Brasileiro está condicionado a não comprar original?

Você pode falar que a maioria dos brasileiros compram DVDs piratas nos famosos camelôs e que o otaku tem seu próprio nicho. Esta correto? Sim, está correto, porém ta ai uma diferenciação entre brasileiros e japoneses, já que os japoneses valorizam o artista e sua série favorita, comprando tudo que tem pela frente “oficial”, assim alimentando a empresa que produz a série que ama. Aqui as pessoas baixam, consomem pirataria e invés de injetar dinheiro, acaba fechando portas.

O Animax tentou se salvar usando estratégias de aumentar o público das animações japonesas, tacando seu carro chefe Lost, mas fracassou e agora aumentando gradativamente as séries não japonesas, acaba resgatando o que foi o canal Locomotion numa mistura de programação pra adolescente e adulto.

Agora o que dizer de um jovem que tem como exemplo uma família inteira que não consome produto original? Sejamos francos, a indústria de cinema e televisão vem sofrendo em países como o nosso, por causa do mercado ilegal. Lojas como Blockbuster foi engolida pela lojas Americanas por causa do público consumidor que não é mais o mesmo. O pensamento de ir à locadora de bairro não existe mais, graças ao pensamento de com 10 conto, você tem 3 dvds em envelopes plásticos com capas má xerocadas na sua coleção.
O que fazer para mudar isso?

O correto seria apoiar a indústria brasileira, mas fica difícil, quando a mesma toma atitudes errôneas como o lançamento de Cavaleiros do Zodíaco: Lost Canvas com a ausência da versão em Blu-ray. Num mundo onde o jovem está migrando de mídia mais rápido, e vivemos num país aonde podemos pagar parcelado, um Cavaleiros do Zodiaco: Lost Canvas em blu-ray seria uma atitude sensata de atrair jogadores e colecionadores que tem em sua casa um Playstation 3, por exemplo.

Não da pra entender uma indústria que prejudica a si mesmo, lançado séries com legendas feitas sem revisão como foi o lançamento de Jiraya pela Focus. Também não dá pra entender episódios com logotipo de uma emissora de TV a cabo japonesa nos DVD de Changeman, também lançado pela Focus.

O que adianta uma embalagem legal se o conteúdo é uma droga? Então o público brasileiro e a indústria brasileira precisa mudar, o primeiro tem que exigir um produto de qualidade e exigir recall de um produto de qualidade insatisfatória, enquanto a indústria brasileira tem que investir e se fazer presente a esse público de jovens em formação que podem se tornar colecionadores em potencial no futuro.

Talvez assim conseguimos ser respeitados pelas empresas nacionais e ter séries excelentes em nossas prateleiras de maneira oficial aqui no país.

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Capitão N: O mestre do jogo

No final dos anos 80, a Nintendo querendo promover suas franquias nos EUA, encomendou uma série de desenhos de suas franquias para a empresa DIC, que criou as séries Super Mario Bros Super Show!, The legend of Zelda e o inusitado Capitão N.

Exibido nas manhãs da rede globo, nos anos 90, no Xou da Xuxa, Capitão N é a série que deixa saudades por misturar universos de jogos, como Megaman, Castlevania, Donkey Kong e Kid Icarus, que defendem o mundo de Videolândia contra a maléfica Mãe Cérebro.
Quem é o Capitão N?

Kevin Keen é um adolescente típico da cidade de Northridge, na Califórnia, que prefere fugir do dever de casa, em troca de descobrir como zerar alguns jogos do Nes. Um dia, enquanto ele estava jogando o jogo Punch Out, ele é sugado para Videolândia. Usando o controle do Nes como fivela do seu cinto, e a Zapper, controle em forma de arma do Nes, estava criado o Capitão N.

Em Videolândia, Kevin conhece a princesa Lana e os personagens dos jogos que ele jogava, como Megaman, Simon Belmont (Castlevania), Pit (Kid Icarus), além do inusitado Gameboy. Ele descobre que não está mais em casa e que está diante dos seus heróis, além da linda princesa Lana que conta que seu pai foi seqüestrado pela Mãe Cérebro e que ela precisa de sua ajuda. Preferindo defender o mundo dos games invés de fazer o dever de casa, Kevin aceita a missão dada pela princesa, tornando-se o Mestre do Jogo.
Kevin tinha entre seus poderes, pausar temporariamente seus inimigos, pular mais alto, correr mais rápido, sendo a maioria era limitado e gastava as “pilhas” do controle, assim ele sempre tinha que evitar em gastar em demasia. Quando Kevin parava o jogo, após apertar start em seu controle, ele se utilizava a Zapper nessas horas para acertar os inimigos com maior precisão.

Voltada para o humor, à série é cheia de piadas, mesmo entre seus personagens. O personagem Megaman, por exemplo, sempre usava a palavra Mega, para alguma coisa, por exemplo: A Mãe Cérebro é uma mega bruxa. Outro personagem que era risadas na certa era o Simon Belmont, que além de galanteador de meia tigela, se admirava, a sua principal qualidade era em sua mochila sempre ter algum item em especial que talvez pudesse tirar eles daqueles apuros.
A Origem

Tudo começou com a revista Nintendo Power, sendo uma criação por parte da equipe da Nintendo, junto com o editor da revista na época, chamado Randy Studdard. A série que no original seria chamada de Capitão Nintendo fez muito sucesso, fazendo a Nintendo encomendar a série para o estúdio de animação da DIC. A série foi ao ar nos EUA entre 1989 a 1993, sendo que as temporadas vieram ao Brasil e foram exibidas no programa Xou da Xuxa.
A série

Lançada recentemente em dvd nos EUA, a série foi um grande sucesso nos EUA, durante 3 temporadas, sendo que na terceira temporada, a série dividia com a adaptação do jogo Super Mario World.

Capitão N também foi exibido no Canadá, Austrália, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Áustria, México, Espanha, entre outros países. Hoje, a grande maioria já lançou a coleção da série em dvd em seus países, matando a curiosidade de fãs nostálgicos.

Nos Eua, a série também invadiu os quadrinhos, sendo publicada pela editora Variant, e permanece inédito no Brasil, onde o teor da série era um pouco mais madura, permitindo uma maior liberdade criativa, como o triângulo amoroso, formado por Kevin, princesa Lana e Samus Aran (do jogo Metroid).

Hoje visto como uma série trash, principalmente por descaracterizar alguns personagens, como Megaman que aqui é verde e Simon Belmont (do jogo Castlevania), o transformando num paquerador barato e atrapalhado, que lembra o personagem Johnny Bravo.
Mãe Cérebro e sua trupe

Não dá para levar a sério à equipe de vilões formada pela Mãe Cérebro (vilã de Metroid), formada por: Doutor Willy (do jogo Megaman), Bruxo Berinjela (do jogo Kid Icarus) e Rei Hipo (do jogo Mike Tyson Punch Out).

Mãe Cérebro ainda na versão brasileira ganhou voz da dubladora Maria Penha,
que anos mais tarde usaria os mesmos berros numa personagem que ficou bem famosa no Brasil, a Rita Repulsa, vilã de Power Rangers.
Mãe Cérebro X Capitão N

A série tanto na sua versão televisiva como na sua versão em quadrinhos é repleta de participações especiais. Vale lembrar que sempre Capitão N e sua equipe caiam por engano constantemente na Kongolândia, sempre atrapalhando o sossego do Donkey Kong.

Mãe Cérebro semelhante ao Capitão N, também busca criar um grupo ideal de vilões para destruir Videolândia. Só que às vezes pode dar errado, como quando ela tentou convocar Ganon, do jogo The Legend of Zelda, descobrindo que ele é mais forte que ela. Alias, o sucesso desse episódio, foi responsável pela criação da série The Legend of Zelda na mesma época, chegando a ter 3 séries com franquias da Nintendo na televisão.
O sucesso da série

Um dos motivos principais da série foi colocar um jogador como protagonista de uma série animada. Kevin reconhecia os mundos da Videolândia fazendo comentários, sobre dicas, passagens secretas daquele jogo. O capitão N criou uma enorme identificação entre o público daquela época com a série, mesmo a série tendo algumas descaracterizações.

Ver a série hoje, tem um choque maior, pois o universo dos games, também ganhou releituras com os anos, assim Donkey Kong que era visto como um macaco de 8 metros foi reformulado pela Nintendo, anos depois, ao ser relançado para Super Nes, em Donkey Kong Country.
A série, mesmo tendo passado meio que despercebida no Brasil, chegou às locadoras, pelo selo Globo Vídeo. Na mesma época, Super Mario Bros Super Show! também foi lançado por aqui pelo selo Globo Vídeo.

O sucesso da série nos EUA, gerou series genéricas como uma outra equipe de jogos, entre 1990 a 1992, chamada The Power Team. Tendo no elenco de personagens da produtora Acclaim, a série reunia: Max Force (NARC), Kuros (Wizards and Warrior), Kwirk (do jogo de mesmo nome), Tyrone (Arch Rivals) e Bigfoot (do jogo de mesmo nome). A série também foi exibida no Brasil, mas não teve grande repercussão.

Uma curiosidade superbacana é que como estamos vivendo numa época de nostálgicas nos games, grande parte desse acervo foi disponibilizado no console Wii, na parte de Virtual Console, assim matando a nostalgia das pessoas que viveram essa época ouro dos videogames.

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Crítica | Majo no jouken


Até onde deve ir uma relação entre aluno e professor?

Falar de Majo no Jouken é também falar de todo um período que muitas mulheres viveram no século passado. No Japão e como muitas partes do mundo, muitas vezes as mulheres não têm o livre arbítrio sobre sua própria vida, tendo que abrir mão de sua carreira em troca de um casamento “feliz”.

Será que nós devemos guiar pela razão ou pela emoção? Viver um grande sonho de liberdade ou continua a vida sem sal que você conquistou? É assim que conhecemos a jovem professora Michi Hirose, que se encontra numa difícil decisão de sua vida, o casamento. Masaru Kitai propôs a Michi, pois namoravam o tempo suficiente para se casar, no entanto fica óbvio a primeiro momento que esse relacionamento para Michi foi construído apenas como uma forma de proteção para não ficar sozinha, sendo totalmente desvirtuado por Masaru que anseia ver amor nos olhos dela.

Interpretada pela Nanako Matsushima (de GTO e Hana Yori Dango), Michi é uma professora de álgebra totalmente sofrida na situação que se encontra. Ela abraçou sua profissão por pressão de seu pai, como também conseguiu esse emprego por indicação dele, mas ela não é nem um pouco respeitada por sua sala de aula ou pelos outros professores da escola em que trabalha. Será que o casamento com Masaru seria uma válvula de escape dessa realidade que ela tanto renega? Michi sabe que não, por viver esse exemplo em casa, aonde sua mãe, Motoko Hirose, é totalmente submissa ao seu próprio pai, Kenichi Hirose.

O estranho grito de liberdade de Michi acontece de forma totalmente inesperada. Atropelada por um estranho adolescente e sua moto, ela derruba o anel de noivado o perdendo. O garoto o encontra e Michi ao olhar pra ele, ela sente uma estranha atração pela liberdade daquele jovem e o inveja, ignorando um sentimento muito mais importante que ela despertou ali.

Sendo destino ou não, no dia seguinte, a professora Michi descobre que tem um novo aluno na sala. Ela acaba se surpreendendo ao ver que era o mesmo garoto do dia anterior, descobrindo que seu nome é Hikaru Kurosawa. Seu pré julgamento sobre ser um garoto problema se confirma, ao perceber que ele muda de escolas por arranjar confusão, além disso não precisa passar na escola, por sua mãe fazer altas doações na instituição que o aceitar.
Guiada pelo coração, Michi reflete sobre a condição do jovem Hikaru, não aceitando ser apenas mais uma professora passiva que deixa sua formação de lado, por causa do dinheiro falar mais alto. A pergunta que fica é até onde um professor pode entrar na vida de um aluno? Aqui como no caso de GTO e Gokusen, vemos que no Japão, os professores são muito mais responsáveis pelos seus alunos do que em outros países, mesmo fora do ambiente de escola, os professores ainda continuam sendo professores, tendo que ajudar e repreender se necessário os seus alunos.
Por um lado, Michi está em dúvida sobre seus reais sentimentos deste jovem aluno, por outro lado Hikaru nunca esteve em dúvida do que sente por sua professora. Alias, chega a ser uma ironia ele a chamar de “sensei”, sendo que desde sempre Hikaru a veja como uma mulher. Não perdendo a oportunidade, ele a convida a ir numa praia próxima, num dia que tudo deu errado para Michi, assim conquistando aos poucos sua amizade, ao mostrar como é boa a sensação de liberdade.
Um diferencial bastante importante para quem nota nos pequenos detalhes entre os personagens, é a maneira que é demonstrada a confusão de sentimentos simbologicamente com o anel de noivado dado por Masaru. Toda vez que Michi se sente insegura e sem futuro pré determinado, ela coloca o anel dado por Masaru, criando essa falsa sensação.

Agora, uma pergunta é que fica logo quando se começa a assistir a série é se eles vão revelar seus reais sentimentos um para outro? A resposta é obvia que será um sim, além de que não irá ficar apenas em leves beijos. Michi encontra em Hikaru, toda a coragem que gostaria de ter, mas também descobre que o garoto foge de sua vida, por ser controlada por sua mãe. Ambos sofrem por não poder viver o que realmente desejam e encontram na praia que Hikaru a leva sempre, uma forma de viver por pouco tempo o sentido da liberdade.
Um crime ou uma história de amor?

É uma questão bem delicada por parte do telespectador, já que é obvio que no momento que se desenvolve um seriado com esse teor polêmico, a série teria que que dar uma romanceada para cair nas graças do público. O roteiro de Majo no Jouken ficou a cargo de Kazuhiro Yukawa, o mesmo da série Great Teacher Onizuka, que conseguiu criar uma atmosfera bastante dramática.
Um dos momentos auge da história, simplesmente é quando Michi e Hikaru tomam chuva e decidem se secar na escola de madrugada. No silêncio da escola, no meio de prateleiras cheio de livros, ambos tem sua noite de amor.

O caso dos dois acaba sendo descoberto por sua sala, graças a sinais de gentileza um com o outro e principalmente por Michi ter ido trabalhar com a mesma roupa do dia anterior. O escândalo para não se tornar maior, faz com que ela seja convidada a se retirar da escola, por motivos de “casamento”.

O escândalo também acaba atingindo em cheio a sua própria casa, aonde sua mãe entende porque ela busca isso e vê em sua filha, algo que ela não conseguiu lutar no passado. Já o pai de Michi, quer explicações por sua infantilidade e escreve uma carta de demissão da filha como também a entrega para a escola.

Michi depois desse dia, tem uma posição séria sobre seu relacionamento com Masaru, assim devolvendo o anel de noivado. Além disso, Hikaru compra dois anéis de namorado, para os dois serem “invisíveis” para o resto da sociedade.

A escola decide fazer um pronunciamento sem que Michi saiba sobre o desligamento dela da escola. Ao saber como todos, Michi precisa subir ao palco para se dispensar do cargo de professora, no entanto ela toma uma decisão para lá de ousada em revelar a todos ali presentes a verdade. Em alto e bom som, ela fala que nunca quis deixar o cargo de professora, mas que não entende como as pessoas almejam que ela tome essa posição, por amar Hikaru Kurosawa, um aluno da escola. Tirada a força do palanque, Michi ainda grita que ama o Hikaru, tornando público o boato que já rondava a escola.

A baixa de Michi na escola também tem influência da mãe de Hikaru, Kyoko Kurasawa. Mãe super protetora e não desejando que seu filho desvie do caminho de se formar um médico, para assim assumir o hospital da família.

Porém, contudo, entretanto, não se enganem que a história seja apenas o relacionamento polêmico entre uma professora e um aluno. O desenvolvimento da série abre diversos plots de personagens secundários que também tem problemas na sociedade atual. Temos um pai bêbado que desconta na filha o seu fracasso como empregado e até segredos entre os pais de Michi que em suas brigas constantes, acabamos descobrindo e formando uma história à parte. Até, Kyoko tem uma história de amor sofrido, assim justificando a sua personagem numa vilã da série.
Sem dar mais delongas, Michi sempre confiou em sua melhor amiga, a Kiriko Uda. Ela quem apresentou Masaru a Michi, como também preferiu guardar pra si a atração que sentia por Masaru, seu companheiro de empresa. Kiriko também se torna uma pedra no sapato de Michi, por fazer de bobo aquele que ela amou. Muitas vezes, Kiriko ira deixar na mão a amiga, como também revelara suas verdadeiras intenções a Masaru.
A fuga

Michi e Hikaru se esbarram na escola, quando ela visita para ver papeladas sobre seu desligamente da instituição. Ambos decidem tomar uma situação drástica em fugir da sociedade que os condena. Os dois de mãos dadas correm pelos corredores da escola e caem pelo mundo, sendo vistos pela Kyoko que também estava na escola.

A fuga dos dois por uma liberdade é difícil não comparar a mesma sensação de assistir filme Thelma e Louise. Será que eles conseguirão ser felizes juntos fora dali? É uma coisa que sé vendo o dorama mesmo.
Um elenco estelar

A professora Michi Hirose, foi interpretada pela divina Nanako Matsushima. Considerada como uma das atrizes mais bem pagas do mercado publicitário japonês, tendo um cachê por volta de 80 milhões de ienes, a atriz nunca entrou num fracasso desde a série GTO, em 1998. O papel dessa série foi recusado por diversas atrizes e ela aceitou de forma arriscada interpretar a polêmica professora Michi. Ela é casada com o Takashi Sorimachi, o Onizuka de GTO, com quem têm uma filha. Nanako é assessorada pela agência Seventh Avenue. No Brasil a conhecemos pelo filme RINGU – O chamado (a versão original de O Chamado).

O papel do aluno ficou nas mãos de Hideaki Takizawa, que alguns anos depois entraria no mercado de jpop com o nome Tackey, da dupla “Tackey & Tsubasa”. Entre as curiosidades que tem sobre o Tackey, é que ele começou sendo dançarino de palco do grupo Kinki Kids. Ele é assessorado pela agência Johnny & Associates, que tem bastante reputação com boy bands, tendo entre destaques: Arashi, V6, Kat-tun, NewS e Smap.

Entre os papeis secundários, devemos citar a Shirakawa Yumi, que fez a Motoko Hirose, mãe da Michi. Ela também fez GTO, sendo a diretora Sakurai Akira, além de outros doramas bastante populares.

First Love – a música tema

Utada Hikaru teve um verdadeiro boom no final dos anos 90, sendo chamada de “britney spears japonesa”. Muitas pessoas no mundo inteiro tiveram contato com a cantora por causa dessa música que chegou a tocar nas rádios brasileiras.

First Love é uma canção perfeita para a série Majo no Jouken, não apenas por se tratar de um primeiro amor adolescente, mas ir muito mais além, revelando sentimentos que se tornam únicos no seu primeiro amor. O álbum tornou-se o mais vendido, ganhando diversos prêmios no Japão, além disso, entrando para música tema do polêmico seriado. Quando se fala de Utada Hikaru, fala-se do inicio de carreira dela com a “era First Love”.

Como foi comentado, First Love chegou nas rádios brasileiras, pela rádio “Antena 1”. Tendo um perfil de músicas dos anos 70 e 80, para agradar um público na faixa de 30 a 50 anos, a rádio surpreendeu todo mundo quando tocou uma música japonesa em sua programação.