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Um pouco sobre a mudança de comportamento do otaku ocidental e a cultura de massa nipônica

Estava conversando no orkut sobre a revista Neo Tokyo, aonde eu assino as colunas Play, Live Action e Curiosidades.

Bom, a conversa era sobre a mudança do foco da revista, deixando para segundo plano o animê e mangá e focando mais no dorama e jmusic.

Bom, achei que respondi meio exagerado, mas quero aproveitar e usar o mesmo pensamento aqui no blog. Logicamente que tenho alguns amigos, como FX, que mora no Japão que vai discordar comigo, sobre o quesito pirataria, mas tudo bem.

Vamos ao o que eu escrevi lá:

“A revista mudou seu foco, pq o público mudou o foco. O público abraçou a jmusic, como doramas, como categorias complementares ao animê e mangá e por isso se é pra se falar mais desses gêneros, que venham.

Logico que a edição atual talvez seja uma coicidencia de materias de jmusic, já que escrevi a materia de Naruto de trilha sonora e a da banda D. Além disso a radio animix colaborou na revista com a materia do Toshi. Isso foi uma coicidencia de assuntos abordados tornando a edição focada em jmusic.

Sobre doramas, assinei a Dragon Zakura dessa edição e assinei a de tokusatu, Zyuranger. Acho que dorama conquistou seu espaço e lhe garanto, esse ano será o ano do Tokusatsu na Neo Tokyo. Muitas matérias já foram entregues por minha pessoa, pra o editor da revista.

Sobre o subtitulo da revista, sim, ela foi a revista que se dedicava animê e mangá, sendo que hoje está mudando o foco.

Do mesmo jeito que a revista mudou colocando Naruto na capa, pq o leitor compra se tem o Naruto na capa, hj a jmusic com tantos shows pelo Brasil, ganhou seu público fiel e tb presente na revista.

Logicamente é uma interpretação pessoal, como colaborador da NT, e não a resposta oficial da Escala/revista/editor e assim por diante.

O que percebo q a revista tirou seus reviews de anime e manga, optando por matérias grandes. Não sei se isso é bom ou ruim, mas sinceramente gosto de ler materias mais detalhadas sobre xis assunto.

Ai que eu te falo, a maioria dos doramas sao baseados em mangas, portanto continuam na mesma categoria. A maioria dos doramas que foram falados na revista sao baseados em shoujos, ou fazem referencia a cultura otaku, como Densha Otoku.

Fomos a primeira revista a abrir espaço para os doramas, começamos com Trick e Densha Otoku na edição 13, sendo que em sua grande maioria, todos os doramas que abordamos, como Hana Yori Dango, Hanakimi e Dragon Zakura (dessa edição inclusive) foram inspirados em seus respectivos mangas.

Recentemente fui convidado a dar uma palestra em São Paulo para um público diferente do nosso já que foi pro Rotary de São Paulo. A palestra foi por causa da minha viagem ao Japão e um exemplo q eu utilizei na mesma foi o seguinte. Imaginem o Wikipedia, em seguida, imaginem que os jovens que cresceram com Cavaleiros do Zodiaco e Dragon Ball, hj tem acesso a desenhos, com diferenças de menos de 24 horas em exibição no Japão graças a internet. Agora, imaginem que esse mesmo jovem, pesquisa sobre o cantor e descobre que ele tb atua como ator em novelas (doramas), e assim por diante. Hj o perfil do publico fã de anime e manga mudou graças a internet.

Como publicitario, falo que somos o publico secundário, terciario, de música japonesa e doramas. Somos o mesmo publico que numa comparação, lê a revista Caras no cabelereiro. Não somos o comprador da revista, mas mesmo assim temos acesso a seus anuncios. Graças a internet, somos um publico que originalmente nao eramos os target dos japoneses, mas até eles sabem que somos usuarios e que com isso o mercado dele foi afetado, ou melhor expandido. Cases como Naruto estão ai pra provar que a internet foi o grande empurrão da série e não estrategias de marketing em torno da mesma.

Talvez por isso, sites como legendas.tv briguem com APCM sobre o que é pirataria e liberdade de expressão. No momento que se tomam medidas de fechar sites de legendas e fansubs por ai, fecham nossos olhos e nossas bocas pra a liberdade em acesso de conteudo digital.
Nao defendo a pirataria pq ela está errada, mas graças a fansubs, muitas séries se popularizaram entre os otakus antes mesmo delas serem adquiridas no Brasil. Um exemplo claro que Evangelion foi o primeiro case assim, o fansub BAC na epoca, especulavam q tinha vendido mais de 3000 copias da série, isso há quase dez anos atrás. Na mesma epoca, a serie foi comprada pela emissora Locomotion, fazendo um grande sucesso por aqui.
Então o perfil do jovem hj é pesquisar, descobrir e ter acesso a um mundo totalmente desconhecido pelos empresarios brasileiros.
Na palestra, o amigo Renato Siqueira, comentou que se de repente a china tivesse virado moda na televisao dos anos 90 pra cá, hj estariamos pesquisando sobre ela. Quem sabe pesquisando novelas da Finlandia. O que interessa que o Japao e em consequencia a Coreia do Sul estão trazendo uma cultura de massa que agrada novas parcelas de publico ocidental e a Neo Tokyo e é uma das poucas publicações que serve de ponte a essa cultura de massa “considerada” exótica por muita gente, mas que realmente criou seu nicho de mercado por aqui.
A resposta ficou grande, mas hj nao existe mais um foco, pq os leques de oportunidades em serem abordados se tornaram imensos. E é por isso que hj uma publicação estilo neo tokyo existe falando de series totalmente diferentes e ineditas por aqui, diferente de uma publicação estilo revista Heroi que realmente abordava só o que existia no Brasil. Nós consumidores mudamos e a forma de se escrever e abordar teve que ser mudada. ”

Acho que exagerei no papo cabeça no orkut… Espero nao parecer Cigano Igor. Fui.

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Anime Songs – Um histórico sobre suas adaptações no Brasil


            Muitos fãs ortodoxos não gostam nem de tocar no assunto, mas a verdade que desde quando os animes começaram a embarcar no Brasil, na TV TUPI, nós temos versões brasileiras de músicas de animação japonesa.

            As primeiras versões brasileiras são de Sawamu e Fantomas que exibidos aqui pela TV TUPI. Simples e sem grande pretensões, as primeiras “songs” eram somente um curto resumo da série com créditos de dubladora e distribuição.

            Hoje temos mais de 170 musicas em português de animes e séries de tokusatsu que foram exibidos no Brasil. Muitas delas variam entre o ruim para o bom. Muitas letras delas não tem nada haver com o original, isso quando a musica foi baseada na versão japonesa, porque a maioria atualmente é baseada em inglês ou em espanhol, ou numa versão eletrônica criada pelos americanos que substituem a trilha sonora original por musica eletrônica.

            Muitas músicas ganharam versões diferentes dependendo do estúdio de dublagem ou mesmo do desempenho anterior da mesma. O tema de Dragon Ball, por exemplo, ganhou 4 versões diferentes feitas por 4 estúdios de dublagem diferente, Gota Mágica, DPN, Álamo e Parisi.

            Existem outros temas que foram feitos exclusivamente para lançamento de disco de vinil, cd e fitas cassete como as versões nacionais de Cybercop, Black Kamen Rider (chamado de Blackman na música), o cd de Cavaleiros do Zodíaco, o cd de Super Campeões e o cd de Guerreiras mágicas.

            As melhores versões traduzidas consideradas pelo publico foram feitas pela Áudio News para Yu Yu Hakusho. Muitos lamentam que suas versões não tenham ganhado uma versão em cd e muito menos foram reutilizadas quando a série foi redublada para a Cartoon Network.

            Um anime que passou despercebido nas nossas televisões, mas que ganhou uma versão nacional inesquecível é a série Patlabor. As músicas “Ai Wo Nemurasenaide”, “Midnight blue” e o tema da série ganharam versões inesquecíveis pela Master Sound.

            As falsas anime songs que as musicas foram feitas por americano, existem diversas aqui no Brasil, desde Pokemon, Monster Rancher, Kirby, Sonic X, Megaman NT Warrior, Shin Chan, Flint e tantas outras produções que já vem adaptada para o Brasil.

            Existem animes que infelizmente não migraram para a tv a cabo e por sua rápida exibição, suas musicas se perderam no limbo, como é o caso de Power Stone que teve versão brasileira feita pela Parisi Vídeo.

             Um dos estúdios que mais cuidou de versões nacionais de animes e tokusatsu, foi a Álamo. Ocupando a preferência dos estúdios, com a falência da Gota Mágica, o estúdio Álamo desde os anos 80 adapta versões nacionais de tokusatsu, desde Jaspion e Changeman até a musica de Cavaleiros do Zodíaco quando está foi redublada para ser exibida na Cartoon Network e Rede Bandeirantes.

            Falando na versão brasileira de Pegasus Fantasy, de Cavaleiros do Zodíaco, foi a partir dessa música que podemos constatar que podemos ter pessoas famosas fazendo versões que agradam o público. O cantor Edu Falaschi, da banda Angra, cantou a versão nacional que até hoje é considerada a melhor do anime entre os fãs desse anime.

           Muitos cantores “anônimos” tocam em barzinhos, ou show pelas cidade de São Paulo e Rio de Janeiro. Fred Maciel, o cantor de Jaspion, por exemplo, mudou seu nome profissional para Freddy Maciel e faz shows no Rio de Janeiro. O cantor de Black Kamen Rider, o Ghizzi, hoje tem uma banda de mesmo nome que toca em várias casas de show em São Paulo, com um repertório que vai desde Elvis até Rolling Stones. Graças ao orkut, muitos cantores de anime songs estão sendo redescobertos pelo publico que curtiu as musicas deles no passado.

            Felizmente ou infelizmente, as séries hoje em dia estão cada vez ganhando menos versões brasileiras de sua trilha sonora. O canal Animax, por exemplo, só tem Shin chan com a abertura dublada, isso porque a série foi exibida na Fox Kids antes.

            Quem define a qualidade ou a existência da musica nacional nos animes é o fã. Talvez por isso hoje não exista mais versões nacionais de musicas de anime.

Eu acho que se a adaptação for bem feita eu sou a favor. Mas ela tem que ser bem feita. Geralmente os licenciantes não se importam muito com as músicas que vaum na abertura ou encerramento dos desenhos e por isso não investem na produção bacana. Assim o resultado acaba sempre sendo muito ruim. E assim os fãs tem razão de ficarem irritados com as músicas em português. As músicas em japonês são muito legais tb, mas acho que as em português levam para o telespectador um pouco da mensagem que o anime quer passar e isso é legal.” Renato Siqueira

Sinceramente, prefiro que seja mantido no original, com tradução e letra romanizada para que a pessoa saiba o que está ouvindo ou até cantando. Para as anisongs que aparecem  não na abertura, mas durante o animê ou tokusatsu, fica mais complicado, mas ainda assim prefiro que se mantenha no original. Nada que uma legendagem caprichada e uma boa divulgação não ajudasse as pessoas a conhecer melhor. Mas confesso que algumas versões em português ficaram boas, como a do Kamen Rider Black RX e de animês antigos do SBT, como Rei Arthur e Angel.” Alexandre Nagado