O cinema nacional segue ganhando força nos maiores festivais do mundo. O longa brasileiro Cyclone, dirigido por Flávia Castro (Deslembro), foi anunciado na mostra CineRebels do Festival de Munique, dedicada a obras radicais e inovadoras. A seleção aconteceu um dia após sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Xangai, o mais prestigiado da Ásia.
Protagonizado por Luiza Mariani (Todas as Canções de Amor), que também assina o roteiro e a produção, o filme apresenta a trajetória de Dayse Castro — uma jovem operária que, nos anos 1910, desafia convenções sociais para se firmar como dramaturga, enfrentando preconceitos de gênero e as consequências de uma gravidez inesperada.
Inspirado em figuras e textos do modernismo brasileiro, como O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo (ligado ao círculo de Oswald de Andrade), Cyclone resgata a figura real de Miss Cyclone — única mulher a assinar esse diário coletivo — e constrói uma narrativa potente sobre arte, liberdade e resistência.
Filme resgata protagonismo feminino na história do modernismo brasileiro

Ambientado na São Paulo de 1919, o longa acompanha Dayse entre as prensas de uma gráfica e os bastidores do teatro. Apaixonada pela dramaturgia e envolvida romanticamente com o diretor Heitor Gamba (Eduardo Moscovis), ela tenta conquistar uma bolsa de estudos em Paris. Mas o caminho para realizar esse sonho é repleto de obstáculos — desde o conservadorismo das instituições até os limites impostos à autonomia feminina.
O elenco traz nomes de peso como Karine Teles, Luciana Paes, Magali Biff, Ricardo Teodoro, Helena Albergaria e Rogério Brito. A direção de arte é de Ana Paula Cardoso, a fotografia é assinada por Heloísa Passos, e os figurinos ficam por conta de Gabriela Marra. A montagem reúne Flávia Castro e Joana Collier.
Produção brasileira ganha espaço nos festivais internacionais

Cyclone é uma produção da Mar Filmes e Muiraquitã Filmes, em coprodução com a VideoFilmes. Com estreia internacional em dois dos maiores festivais do mundo, o longa já tem distribuição garantida no Brasil pela Bretz Filmes e reforça o protagonismo do cinema independente brasileiro em 2025.
Flávia Castro, que cresceu no exílio e tem longa trajetória como roteirista e documentarista, já foi premiada internacionalmente por Diário de uma Busca (2011) e teve destaque em Veneza com Deslembro (2018). Com Cyclone, ela volta a transitar entre a ficção histórica e o comentário social, com forte apelo político e estético.
A Mar Filmes, liderada por Joana Mariani, já produziu obras como A Luta do Século, O Meu Sangue Ferve por Você e Todas as Canções de Amor, além da série How to Be a Carioca. A Muiraquitã Filmes, comandada por Eliane Ferreira, também acumula passagens por Berlim, Rotterdam, IDFA e Guadalajara. Já a VideoFilmes, de Walter e João Moreira Salles, é responsável por clássicos como Central do Brasil e Santiago.
Com estreia marcada no Festival de Munique para 30 de junho, Cyclone será exibido no cinema Theatiner Filmkunst, seguida de debate com a diretora — confirmando a força da produção nacional em um dos principais palcos do cinema europeu.

