Produzida durante as filmagens do filme A Melhor Mãe do Mundo, de Anna Muylaert, a série documental A Melhor Mãe do Mundo (Real) foca em histórias reais de mulheres que vivem da coleta de materiais recicláveis em diferentes regiões do Brasil. Com direção de Pedro Bayeux e idealização de Henrique Leinig, a produção resgata o protagonismo de catadoras que equilibram maternidade, trabalho e resistência social em uma rotina quase sempre invisibilizada.
Com oito episódios curtos, cerca de 8 minutos cada, a série mergulha no cotidiano de Fabiana da Silva, Daniele da Silva, Cida Preta, Guiomar dos Santos, Laura da Cruz, Litz Gouvea, Maura Pereira e Alexandra da Silva. Mulheres com trajetórias distintas, mas unidas pela força e resiliência de quem sustenta famílias e comunidades com o pouco que a sociedade descarta. A série foi realizada durante a produção do longa-metragem protagonizado por Shirley Cruz e Seu Jorge, que estreou no Festival de Berlim 2025.








Cada episódio foca em uma personagem que traz à tona questões urgentes, como exclusão social, racismo, maternidade periférica e sustentabilidade. Fabiana da Silva, por exemplo, faleceu antes de ver o projeto finalizado. Moradora da Favela do Moinho, em São Paulo, ela simboliza gerações de mulheres que, mesmo em meio à precariedade, cuidam dos filhos, das vizinhas e do ambiente. Daniele da Silva, que esteve no sistema prisional, refaz sua vida através da reciclagem e hoje também ajuda outras pessoas a gerarem renda.
Aos 68 anos, Cida Preta inspira pela sua busca por conhecimento: formou-se pela Unicata, universidade feita por e para catadores, e escreve como forma de expressão e luta. Já Guiomar dos Santos atua como ativista e articula redes de apoio entre catadoras, unindo política e solidariedade.
Laura da Cruz, que veio do Pará para São Paulo, atua em projetos como Pimp My Carroça e Cataki, enquanto Litz Gouvea, também conhecida como Barbie Lixeira, compartilha nas redes sociais seu dia a dia como catadora — ampliando a consciência ambiental para milhares de pessoas.
Maura Pereira trabalha com reciclagem há 26 anos e é mãe de sete filhos, dois deles seus parceiros na coleta. No episódio final, Alexandra da Silva se destaca como liderança comunitária, pressionando por políticas públicas voltadas para as mulheres da reciclagem.
Com dados do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis e da Universidade Federal da Bahia, a série também alerta: o Brasil tem cerca de 800 mil catadores, sendo 70% mulheres. Eles são responsáveis por 90% de todo o material reciclado no país — e ainda assim, seguem sem visibilidade ou valorização. A Melhor Mãe do Mundo (Real) não apenas humaniza essas histórias como também evidencia o papel essencial dessas trabalhadoras na construção de uma sociedade mais justa e sustentável.
Distribuída pela +Galeria, produtora que também está por trás de títulos como A Menina que Matou os Pais, Papai é Pop e Vovó Ninja, a série reafirma o compromisso do estúdio com narrativas de impacto social, representatividade e diálogo com o público brasileiro. Com produção técnica precisa e depoimentos que tocam pela verdade, A Melhor Mãe do Mundo (Real) é mais do que um documentário: é um tributo necessário a quem nunca parou de lutar.

