Realizada entre os dias 1 e 4 de maio no Distrito Anhembi, em São Paulo, a gamescom latam 2025 chegou à sua segunda edição conquistando ainda mais relevância como evento voltado para a América Latina. Um feito que não apenas a consolidou como o maior evento de games da região, mas também trouxe um crescimento de público de 30%, ultrapassando os 130 mil visitantes em um novo espaço (o Anhembi), mostrando que a mudança foi certeira.
A feira representa uma evolução direta do BIG Festival, tradicionalmente o maior festival de jogos independentes da América Latina, que agora vive pelos corredores da gamescom latam 2025. O evento é resultado de uma parceria entre Koelnmesse, Omelete Company e a game, Associação Alemã da Indústria de Jogos.
Neste ano, a gamescom latam apostou forte nos jogos e foram muitos: mais de 400 títulos disponíveis durante todos os dias do evento. Tivemos a oportunidade de testar Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, Garena Delta Force, Assassin’s Creed Shadows, FragPunk, Solasta II, Double Dragon Revive e HUNTER×HUNTER NEN×IMPACT, entre muitos outros espalhados por toda a feira.
A troca do São Paulo Expo pelo Distrito Anhembi fez muito bem ao evento. O novo local, um dos centros de exposições mais modernos do Brasil, está mais bem localizado na cidade, o que facilitou o transporte tanto por vans quanto por aplicativos. (Confesso aqui minha torcida para que a CCXP, da mesma organização, também migre para o Anhembi no futuro.)
Quando o assunto é indústria, ela foi muito bem representada: Nintendo, Bethesda, Warner Bros. Games, Roblox, Supercell, Bandai Namco, SEGA, Epic Games, Ubisoft, Niantic, Konami, CD Projekt Red, entre outras. Algumas empresas que não têm os games como foco principal também se destacaram. A Claro, por exemplo, apostou em jogos na nuvem, karaokê japonês e outras ativações que agradaram bastante o público gamer.
Todo mundo sabe que a Nintendo deixou a desejar por não apresentar o Nintendo Switch 2 para o público brasileiro, mas compensou com diversos jogos. Tanto grandes títulos da casa quanto produções independentes, mantendo o posicionamento que vem reforçando em eventos recentes. Além disso, trouxe Donkey Kong Country Returns e colocou Donkey Kong e Mario para tirar fotos com o público, garantindo a diversão de crianças e adultos (como eu!).
E falando em Pokémon, teve balão da Equipe Rocket na área externa, estande com cards, Pokémon GO e muita nostalgia, reforçando a força da franquia além dos consoles e atraindo um público diversificado ao evento.
Com tantas atrações, não há dúvidas: a gamescom latam 2025 pode ser vista como uma versão turbinada dos anos anteriores. A organização fez a lição de casa e entregou sua melhor edição até agora.






BIG Festival e o mercado indie

Apesar dos muitos pontos positivos, é justamente na herança do BIG Festival que surgem alguns desafios. Criado no Centro Cultural Vergueiro, o BIG sempre foi um espaço onde era possível conversar diretamente com as equipes dos jogos independentes. Parte dessa essência ainda está presente, mas talvez não em sua melhor forma.
O destaque está não só na visibilidade internacional que o festival ganhou ao fazer parte da gamescom latam, como também no lançamento de mais de 120 jogos durante o evento. Essa diversidade é o que torna o BIG Festival essencial e obrigatório na programação da feira.
Espalhado por baias entre os estandes das grandes produtoras, o BIG Festival foi distribuído por todo o evento. Embora a proposta seja interessante, isso faz com que ele perca visibilidade e concorra com atrações mais chamativas.

Sendo direto: eu adoro jogos indies, mas nem em 2024, nem agora em 2025, consegui aproveitar essa parte do evento como gostaria. O barulho e o fluxo intenso do restante da feira acabam tirando o foco da área indie, que merece muito mais atenção.
Sinceramente? O BIG Festival precisa de um espaço próprio para resgatar aquele clima de conexão entre jogador e desenvolvedor. A ideia presente na edição de 2025 é bonita, mas, na prática, não funcionou. Muitos estandes indies ficaram vazios, sem o público que mereciam.
Vale lembrar que o BIG Festival também contou com premiações e programação própria, incluindo o BIG Festival XR/VR sponsored by TNT Energy e o Panorama Brasil sponsored by Banco do Brasil. Nunca o festival esteve tão presente. E, como fã de jogos indies, fico feliz com esse crescimento dentro de um evento internacional.
Fliperamas retrô




Entre as novidades, um destaque foi a gamescom latam arcade arena em parceria com a Retrocon, que reafirma o caminho da feira em seguir os passos da “irmã mais velha” CCXP. A ideia é se tornar um verdadeiro HUB quando o assunto é games no Brasil.
Claro

A Claro entrou com tudo no mundo dos games em 2024, com jogos na nuvem, planos de assinatura e até Tiago Leifert anunciando novidades. Em 2025, a marca voltou ainda maior, com um estande gigante e ativações diversas. Parcerias iam de inZOI, da Krafton, passando por Assassin’s Creed Shadows com a Ubisoft, até uma colaboração entre Diablo IV e Berserk. Com direito a ecobag temática e karaokê japonês, a Claro se destacou como uma das empresas que mais surpreenderam no evento, mesmo sem ser uma gigante dos games.

Nintendo

A Nintendo seguiu sua linha tradicional: trazer jogos para todos os públicos, incluindo lançamentos e títulos já conhecidos, que ainda despertam interesse no Nintendo Switch. Mesmo sem o tão esperado Switch 2, o estande da empresa foi bem planejado, com atividades para crianças e ativações criativas, como sacolas temáticas. A Big N fez o básico, mas fez bem, e se consolidou como uma das presenças mais marcantes do evento.
Muito além do público
O público vê os jogos, mas o que acontece nos bastidores também é importante. Em 2025, o evento contou com mais de 5 mil reuniões de negócios, reunindo mais de mil empresas e cerca de 3 mil profissionais da indústria. Um número que mostra como a feira também é um ponto de decisão importante para o futuro do setor.
Prefeitura e Estado de São Paulo são gamers

Um diferencial da gamescom latam é a forma como a prefeitura e o governo do estado de São Paulo se envolvem com o evento. Estandes com jogos, palestras, podcasts, até café e chocolate quente como parte de ativações criativas mostram um esforço real em se comunicar com o público presente.

Profissionais que fizeram a diferença
O evento também recebeu nomes de peso como Shuhei Yoshida, Bo Andersson Klint, Chris Charla, Guillaume Provost, Henk Rogers, Michael Steranka (Pokémon) e Rodrigo Pérez (Activision). Sem falar dos influenciadores que marcaram presença, como Gaules, Nyvi Estephan, Mustache, Flakes Power, ChefOtto, Bagi, Matt, FunBabe, Tixinha e Forsaken.
Hands-on

A possibilidade de testar jogos antes do lançamento é um dos maiores atrativos da feira. A SEGA trouxe Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, enquanto a Arc System Works apresentou HUNTER×HUNTER NEN×IMPACT e Double Dragon Revive. Já a Bandai Namco montou um espaço só para ELDEN RING NIGHTREIGN, reforçando o foco em lançamentos futuros.
Muito além do evento
Com programação diária e mais de 20 horas de competições, a gamescom latam também alcançou quem não estava lá presencialmente. Foram mais de 10 milhões de pessoas impactadas pelas transmissões e cobertura de veículos como IGN, Terra, Meu PlayStation, Famitsu, Gamesindustry.biz, PlayTV, WooHoo, Omelete, Gamesbeat, Meristation e 3DJuegos.
Opinião

A gamescom latam 2025 entregou uma edição muito mais estruturada e envolvente do que sua estreia. Sempre há algo a melhorar, mas a evolução foi clara em atrações, espaço e organização. Além disso, o evento funciona como vitrine de outras iniciativas do grupo Omelete. Telas de LED exibiram propagandas cruzadas com a CCXP, reforçando um intercâmbio interessante entre os eventos.
A parceria com a Retrocon também mostrou como colaborações pontuais podem ir além da casa, fortalecendo a cena como um todo.
Agradeço pela oportunidade de cobrir a gamescom latam 2025 e espero ter conseguido traduzir, em palavras, um pouco da grandiosidade do evento. Que venham as próximas edições!

