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Sol de Inverno | Premiado drama japonês de Hiroshi Okuyama estreia nas plataformas digitais

Depois de emocionar plateias nos cinemas e conquistar a crítica internacional, o filme japonês Sol de Inverno, do diretor Hiroshi Okuyama, finalmente estreia nas plataformas digitais brasileiras. A partir de 26 de junho, o longa está disponível para compra e locação no Now, Vivo Play, iTunes, Microsoft e Google Play.

Exibido na prestigiada mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, o drama foi descrito como uma “pérola escondida” pelo The Hollywood Reporter, enquanto a Variety destacou o apuro visual do diretor. Mais que uma história sobre patinação, Sol de Inverno é uma delicada narrativa sobre descobertas pessoais, masculinidade e afeto na infância, contada a partir da sensibilidade única de Okuyama.

Um retrato lírico do amadurecimento

Sol de Inverno

Inspirado livremente na canção Boku no Ohisama (“Meu Sol”), do duo folk Humbert Humbert, e em memórias do próprio diretor, o longa acompanha o jovem Takuya, um menino introspectivo de 10 anos que vive em uma ilha ao norte do Japão. Enquanto os colegas se entusiasmam com o hóquei no gelo, ele se vê fascinado por Sakura, uma talentosa patinadora artística.

O ex-campeão Arakawa, treinador da garota, percebe o potencial de Takuya e propõe que os dois formem uma dupla para uma competição. A convivência leva os jovens a construírem uma conexão profunda, ao mesmo tempo em que enfrentam olhares e tensões de uma sociedade que ainda carrega traços conservadores.

O Screen Daily destacou como o filme explora com sutileza temas como machismo e homofobia, refletindo dinâmicas sociais do Japão atual — sem abrir mão da ternura e do lirismo.

Atuação autêntica e direção arriscada

Para garantir autenticidade nas cenas de patinação, Okuyama optou por escalar crianças que dominavam o esporte, mas que nunca haviam atuado. O resultado surpreendeu: Keitatsu Koshiyama e Kiara Takanashi foram aclamados como revelações do ano em premiações como o Kinema Junpo Awards, Hochi Film Awards e Blue Ribbon Awards.

Já o veterano Sôsuke Ikematsu, no papel do técnico Arakawa, recebeu diversas indicações e prêmios como melhor ator coadjuvante, consolidando ainda mais o prestígio do elenco.

Um diretor promissor

Com apenas 28 anos, Hiroshi Okuyama já é considerado uma das vozes mais promissoras do cinema japonês. Seu primeiro longa, Jesus (2018), venceu o prêmio de novos diretores no Festival de San Sebastián e foi exibido em mostras internacionais. Ele também dirigiu a minissérie Makanai: Cozinhando para A Casa Maiko e, ainda adolescente, estreou como cineasta no Festival Internacional de Kyoto com um videoclipe.

Okuyama também assina a fotografia e a montagem de Sol de Inverno, reafirmando sua visão autoral e sua habilidade técnica refinada.

Uma estreia promissora no Brasil

No Brasil, o filme teve sua primeira exibição na 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com sessões lotadas. Agora, o lançamento digital marca também a estreia da Michiko Filmes, nova distribuidora fundada por Michel Simões e Chico Fireman — cinéfilos conhecidos pelo podcast Cinema na Varanda.

Sol de Inverno é uma dessas obras raras que combinam sensibilidade, beleza e coragem para abordar temas complexos com leveza. Um filme que encanta tanto pelo que mostra quanto pelo que silencia.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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