A sensibilidade e a potência estética de Como Nasce um Rio, animação baiana dirigida por Luma Flôres, foram reconhecidas no 14º Festival Rio LGBTQIA+, onde o curta recebeu o prêmio de Melhor Curta L pelo Júri Oficial. A produção, que tem assinatura executiva de Flávia Santana, se destaca por sua abordagem poética e sensorial sobre vivências LGBTQIA+, narrando a jornada de autodescoberta de Ayla, uma personagem em busca da aceitação dos próprios desejos.
O júri do festival destacou a força da obra em nota oficial: “Uma obra poética e sensorial, com uma construção visual que sussurra segredos da terra e do corpo. Um curta para assistir com o coração aberto, que convida à contemplação, ao mergulho e à escuta. O filme nos tocou profundamente por conjugar força estética, sutileza narrativa, acessibilidade simbólica e coragem política, sem recorrer ao didatismo ou ao choque.”
A conquista no Rio LGBTQIA+ marca mais um capítulo da trajetória internacional do curta-metragem, que já passou por festivais de prestígio como o Tribeca Film Festival (EUA), Chilemonos (Chile), Melbourne International Animation Festival (Austrália), Anifilm (República Tcheca) e Supertoon International Animation (Croácia). Após a vitória no Brasil, o filme segue para o 78º Edinburgh International Film Festival, um dos mais tradicionais do mundo, além de exibições no Canadá, Croácia, Kosovo, Suíça e Hong Kong.
No cenário nacional, Como Nasce um Rio também teve destaque no XX Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, onde foi premiado como Melhor Curta Nacional tanto pelo júri oficial quanto pelas associações BRADA, API e GAMA.
Com produção da baiana Mulungu Realizações Culturais e da Anomura Filmes, e apoio da Lei Paulo Gustavo, o curta reúne uma equipe majoritariamente feminina e diversa: Maíra Moura Miranda na direção de fotografia, Andrea Martins assinando desenho de som e trilha sonora, e Karol Azevedo na montagem.

A trajetória da Mulungu Realizações Culturais, que já levou seus filmes a mais de 30 festivais nacionais e internacionais, reafirma o compromisso com narrativas autorais conduzidas por mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+. Entre suas coproduções estão os longas Receba!, Menarca e Cais, além do documentário Mulheres Negras em Rotas de Liberdade, que percorre o Brasil e países africanos com nomes como Sueli Carneiro, Conceição Evaristo, Luedji Luna e Erica Malunguinho.
Com delicadeza e vigor político, Como Nasce um Rio se consolida como uma das mais relevantes produções contemporâneas da animação brasileira, abrindo caminhos para olhares que precisam ser vistos e sentidos.

