A personagem Hilda Furacão, eternizada na literatura de Roberto Drummond e imortalizada na televisão brasileira na minissérie dos anos 1990, retorna ao centro das atenções agora em forma de ópera. A Orquestra Ouro Preto dá início à turnê nacional de Hilda Furacão, a Ópera nos dias 8 e 9 de agosto, no Theatro Municipal de São Paulo, com ingressos a preços populares a partir de R$20.
Uma ópera brasileira sobre desejo, fé e liberdade

Com libreto em português, música original de Tim Rescala e regência do maestro Rodrigo Toffolo, a ópera é dividida em dois atos e mergulha nas complexidades sociais, religiosas e morais da Belo Horizonte dos anos 1950. A direção cênica é de Julliano Mendes e o resultado é uma montagem ousada, vibrante e profundamente brasileira.
Hilda é interpretada pela mezzo-soprano Carla Rizzi, em sua segunda colaboração com a Orquestra Ouro Preto após sua elogiada participação em Auto da Compadecida, a Ópera. Ao lado dela, o tenor Anibal Mancini encarna Frei Malthus, o jovem religioso cuja vida se entrelaça de forma arrebatadora à da protagonista. O elenco de solistas também inclui Marília Vargas, Marcelo Coutinho, Johnny França e Fernando Portari, que assume os papéis de narrador e do próprio autor Roberto Drummond.
A presença de um coro com 16 vozes amplia a densidade emocional e musical da obra, que transita entre o lirismo da ópera tradicional e referências à música popular da época, incluindo boleros e sucessos radiofônicos. A trilha sonora de Rescala é uma ponte entre o erudito e o popular, refletindo com fidelidade o espírito da história.
A força cênica de uma heroína brasileira

A proposta da montagem é não apenas dar vida à personagem Hilda, mas também posicioná-la entre grandes heroínas da ópera mundial, como Carmen e Aída. Jovem, bela e contestadora, Hilda abandona o conforto burguês para mergulhar no universo boêmio de Belo Horizonte, desafiando convenções e despertando conflitos profundos entre os valores religiosos e os desejos humanos. Seu encontro com Frei Malthus gera uma explosão de tensões éticas, sociais e afetivas — ingredientes perfeitos para o palco operístico.
“O Brasil tem personagens intensas e histórias poderosas, e Hilda Furacão é uma delas”, afirma o maestro Rodrigo Toffolo. “É uma personagem que nos obriga a olhar para questões ainda muito atuais, como o papel da mulher, a hipocrisia social e o peso dos julgamentos.”
A direção de arte de Luiz Abreu, os figurinos assinados por Paula Gascon, o visagismo de Tiça Camargo, a cenografia de Carol Gomes e a engenharia de som de Bruno Corrêa criam uma atmosfera visual impactante, evocando a época com cores vibrantes e uma estética ousada. A Orquestra Ouro Preto imprime sua marca em cada cena, garantindo uma experiência imersiva e provocativa.
Turnê leva a ópera a outras capitais
Após a estreia em São Paulo, Hilda Furacão, a Ópera segue em turnê por outras cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Boa Vista, reafirmando o compromisso da Orquestra Ouro Preto com a democratização do acesso à música de concerto e à ópera contemporânea de identidade nacional.
A turnê é viabilizada com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A empresa é uma das mais tradicionais incentivadoras da produção cultural no país, com mais de quatro décadas de apoio a projetos que promovem a diversidade e a cultura brasileira em todos os estados.
Serviço
Hilda Furacão, a Ópera – Orquestra Ouro Preto
Datas: 8 e 9 de agosto de 2025 (sexta e sábado)
Horário: 20h
Local: Theatro Municipal de São Paulo – Praça Ramos de Azevedo, s/n – República
Ingressos: A partir de R$20
Venda: www.theatromunicipal.org.br
Classificação indicativa: 12 anos
Patrocínio: Petrobras, via Lei Rouanet

