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Luz, crítica e memória | Livro sobre Linduarte Noronha é lançado na Cinemateca Brasileira com sessão especial de filmes

No dia 25 de julho, às 17h, a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, recebe o lançamento do livro Luz, Cinefilia… Crítica! – Arqueologia e Memória do Crítico Linduarte Noronha, Jornal A União, Anos 1950–1960. Organizado por Lúcio Vilar, jornalista e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o volume oferece um mergulho no pensamento crítico e na produção jornalística de Linduarte Noronha, figura essencial para a consolidação de um cinema brasileiro autoral e comprometido com o seu tempo.

Mais do que o diretor de Aruanda (1960), filme que Glauber Rocha definiu como a verdadeira origem do moderno documentário nacional, Noronha foi um crítico aguçado. Atuando na Paraíba nas décadas de 1950 e 1960, comentava com familiaridade nomes como Stanley Kubrick, os expoentes da Nouvelle Vague e o Neorrealismo Italiano, além de refletir com profundidade sobre o panorama cultural latino-americano. Seus textos no jornal A União ecoam uma cinefilia com raízes locais, mas antenada com o mundo, revelando um Brasil intelectual que resistia à margem do eixo Rio-São Paulo.

Redescobrir Linduarte

A publicação, com selo da Editora A União (vinculada à Empresa Paraibana de Comunicação), reúne 64 críticas e crônicas selecionadas entre mais de 900 textos publicados por Noronha, e conta com releituras contemporâneas assinadas por nomes como Luiz Zanin Oricchio, Maria do Rosário Caetano, João Batista de Andrade e Rodrigo Fonseca. O projeto nasceu a partir de uma pesquisa no Departamento de Mídias Digitais da UFPB e tem apoio da EPC e do Iphaep-PB.

Desde março, o livro percorre festivais, universidades e instituições culturais. Agora chega à Cinemateca com exibição de três filmes: Aruanda (1960) e O Cajueiro Nordestino (1962), ambos dirigidos por Noronha, além de Kohbac – A Maldição da Câmera Vermelha (2009), do próprio Lúcio Vilar.

O cineasta Ruy Guerra, citado por Noronha nas páginas d’A União nos anos 1960, teve acesso ao projeto ainda em fase inicial e afirmou:
“Esse livro não deveria estar apenas nas escolas, mas ser leitura obrigatória da história cultural do Brasil. Linduarte Noronha tem uma abrangência muito maior do que se conhece dele.”

A força atemporal do pensamento de Noronha também impressionou o jornalista e historiador Marco Túlio Alencar:
“Ao iniciar a leitura, não parei até chegar perto da página 100. As reflexões de Linduarte seguem atuais, ultrapassando o campo do cinema e tocando questões culturais que permanecem vivas.”

Sobre o organizador

Lúcio Vilar é jornalista, documentarista e professor da UFPB, com mestrado e doutorado pela ECA-USP. Entre seus filmes estão Pastor de Ondas (2003), O menino e a bagaceira (2004), Aruandando (2005) e Kohbac – A Maldição da Câmera Vermelha (2009). Vilar é também o idealizador do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que chega à 20ª edição em 2025. Atualmente, ele dirige seu primeiro longa: O Homem por Trás do Cinema Novo, documentário sobre o legado de Noronha, com estreia prevista para 2026.

A Cinemateca e sua missão

Inaugurada em 1949, a Cinemateca Brasileira é o maior acervo fílmico da América do Sul, com mais de 40 mil títulos e extensa documentação sobre a história do cinema nacional. Desde 2022, é gerida pela Sociedade Amigos da Cinemateca e se dedica à preservação, restauração e difusão da produção audiovisual brasileira.

A noite de 25 de julho será, assim, mais do que um lançamento editorial: será um reencontro com um pensamento crítico que ajudou a moldar a consciência cinematográfica no Brasil — um gesto de memória, cinema e resistência.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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