A abertura da Mostra Filmes Cubanos Restaurados, na última terça-feira (23), na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, foi marcada por reencontros emocionantes e homenagens à rica tradição cinematográfica de Cuba. A sessão inaugural exibiu o clássico “Morango e Chocolate” (1993), de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, e contou com a presença das convidadas cubanas Mirtha Ibarra — atriz consagrada do teatro, cinema e televisão — e Lola Calviño, figura chave na formação audiovisual latino-americana.
Recebidas por dois nomes centrais do cinema brasileiro, os cineastas Walter Lima Jr. e Orlando Senna, as convidadas reviveram momentos de profunda parceria e troca cultural vividos na Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV), em San Antonio de los Baños, Cuba. Walter e Orlando mantêm vínculos históricos com a escola, ambos tendo contribuído como docentes e gestores da instituição.
Cinema como resistência e memória
Em um momento político global desfavorável ao cinema de resistência, a presença de obras cubanas restauradas em solo brasileiro foi recebida com surpresa e como um gesto de afirmação artística. “Eu não esperava, de verdade, este interesse todo pelo cinema de Cuba. Porque hoje o mundo não está para isso, realmente”, afirmou uma emocionada Lola Calviño. “Me deu tanta emoção saber que o que todos fizeram para colocar estes filmes em exibição é muito importante. Me sinto muito, muito emocionada. Faz pensar que tudo valeu a pena.”
A atriz Mirtha Ibarra, que interpretou Nancy no aclamado Morango e Chocolate, também demonstrou alegria com a recepção calorosa do público brasileiro — país que mantém, desde os anos 1960, uma relação de admiração pelo cinema cubano e suas linguagens inovadoras.
Um convite à redescoberta

Para Walter Lima Jr., a mostra representa uma oportunidade rara de contato direto com uma cinematografia historicamente comprometida com questões sociais e políticas. “É interessante você sentir a força de uma cinematografia que está sendo apresentada nesta mostra, de forma gratuita. Permite que quem não conhece, ou mesmo quem já conhece, possa se aprofundar nesse cinema tão rico, uma verdadeira escola de excelência.”
Ao reunir nomes que contribuíram para a formação de gerações de cineastas na América Latina, o evento vai além da exibição de filmes. Ele reforça laços culturais e convida o público a revisitar obras fundamentais que desafiam o tempo — tanto por sua linguagem quanto por seu compromisso com a realidade.
A Mostra Filmes Cubanos Restaurados segue em cartaz com entrada gratuita, reafirmando o poder do cinema como elo entre povos e como memória ativa de resistência artística.

