InícioFilmes‘Nada’, de Adriano Guimarães, ganha pré-estreia em São Paulo

‘Nada’, de Adriano Guimarães, ganha pré-estreia em São Paulo

O primeiro longa-metragem de Adriano Guimarães, “Nada”, será apresentado em sessão especial no Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo, no dia 30 de julho, às 20h30. A pré-estreia contará com a presença do diretor e das atrizes Bel Kowarick e Denise Stutz, que participam de um bate-papo com o público após a exibição. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência.

Com estreia comercial marcada para 31 de julho, o filme é distribuído pela Embaúba Filmes e marca uma proposta estética rara no cinema brasileiro recente, investindo em sutileza narrativa e atmosfera contemplativa para tratar de temas como a memória, o luto e a percepção do tempo.

O vazio como matéria narrativa

Em “Nada”, acompanhamos Ana, uma artista plástica que retorna à fazenda onde cresceu para rever a irmã Tereza, afetada por uma condição misteriosa que altera seus estados de consciência. O que parece ser uma jornada pessoal logo se transforma em uma investigação sensorial sobre as camadas invisíveis da existência.

A obra flerta com o inexplicável, mas sem recorrer ao terror ou ao suspense tradicional. Guimarães opta por explorar a poética do cotidiano atravessado por pequenas assombrações — ruídos, ausências, ecos. A fotografia de André Carvalheira aposta em enquadramentos fechados, quase claustrofóbicos, enquanto o desenho de som, assinado por Guile Martins, atua como elemento narrativo central, evocando presenças passadas e distorcendo a percepção do real.

Ecos de Manoel de Barros e Samuel Beckett

Segundo o diretor, o filme foi inspirado pelas leituras de Manoel de Barros e pela experiência em montagens de peças de Samuel Beckett. “Nada” não tenta reproduzir o estilo desses autores, mas suas influências são perceptíveis em um olhar que valoriza o ínfimo, o marginal e o que escapa à lógica. A desconstrução da hierarquia entre os acontecimentos, a ênfase em gestos mínimos e a indiferença diante de explicações objetivas formam o corpo estético do filme.

Para o crítico Bruno Carmelo, que escreveu sobre o filme no portal Meio Amargo, “Nada constrói a curiosa sensação de um tempo suspenso, um ritmo particular. Lida com o mistério sem a necessidade de soluções, apenas permitindo que o espectador se entregue a essa atmosfera hipnótica e melancólica.”

Reconhecimento internacional e trajetória em festivais

Antes de chegar aos cinemas brasileiros, “Nada” teve uma destacada trajetória em festivais internacionais, com passagens pela Espanha, Rússia, Índia, Argentina, México e Colômbia. Foi premiado em eventos como o 25º Festival de Cinema de Tiradentes, o Festival de Málaga (onde conquistou o Prêmio WIP Iberoamericano e o LatAm Cinema), além de receber três prêmios no Festival de Brasília: Melhor Direção, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som.

Um cinema de sensações

Com roteiro de Emanuel Aragão e performances contidas de Bel Kowarick e Denise Stutz, o filme constrói uma experiência fílmica que exige entrega. “Nada” não busca respostas — oferece perguntas em forma de imagens, gestos e silêncios. É um mergulho no não-dito, no que resiste ao nome, no que resta quando tudo o que havia desaparece.

Ficha Técnica

Título: Nada (2024)

Direção: Adriano Guimarães

Roteiro: Emanuel Aragão

Elenco: Bel Kowarick, Denise Stutz, Thais Puello

Fotografia: André Carvalheira

Edição: Sergio Azevedo

Design de som: Guile Martins

Produção: Machado Filmes

Distribuição: Embaúba Filmes

Duração: 92 min

País: Brasil

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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