Com estreia marcada para 31 de julho nos cinemas brasileiros, Nada, primeiro longa-metragem de Adriano Guimarães, chega às telonas apostando em um cinema autoral, sensorial e profundamente ligado à poética da memória. Protagonizado por Bel Kowarick e Denise Stutz, o filme acompanha Ana, uma artista plástica que retorna à fazenda onde cresceu para reencontrar a irmã Tereza, acometida por uma estranha condição que altera sua consciência.
O longa, distribuído pela Embaúba Filmes, teve trajetória premiada por festivais como Tiradentes, Brasília e Málaga. Antes mesmo da estreia, Nada já passou por países como Espanha, Rússia, Índia, Argentina, México e Colômbia, conquistando reconhecimento por sua proposta estética e narrativa pouco convencional. A atmosfera criada pelo diretor evita o caminho do suspense ou do terror e aposta em uma construção sutil, onde o mistério é parte do cotidiano, e não um elemento externo.
No centro da narrativa está a tensão entre o real e o imaginado. Memórias do passado retornam, imagens ganham vida silenciosamente e uma tecnologia misteriosa parece exercer influência sobre o ambiente. O diretor define o filme como um olhar curioso sobre pessoas e acontecimentos que nem sempre são compreendidos. “As ideias para Nada surgiram da leitura de Manoel de Barros e do trabalho com a obra de Samuel Beckett. Não copio suas linguagens, mas há ecos das vozes deles aqui”, comenta Guimarães.
Visualmente, o filme adota uma fotografia claustrofóbica de André Carvalheira, que reforça a sensação de isolamento da protagonista. O desenho de som assinado por Guile Martins é mais que um recurso técnico: é uma peça fundamental da narrativa, evocando ausências, presenças e silêncios que carregam significados próprios.
Em crítica publicada no portal Meio Amargo, Bruno Carmelo destacou a proposta do longa: “Nada constrói uma curiosa sensação de tempo suspenso. Um ritmo próprio, sem pressa, em que o mistério existe sem a necessidade de respostas. A obra hipnotiza por sua melancolia e entrega uma experiência singular ao espectador”.
Produzido pela Machado Filmes, que se destaca pelo investimento em narrativas autorais e de impacto cultural, o longa tem 92 minutos de duração e foi viabilizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e Fundo Setorial do Audiovisual. A distribuição é da Embaúba Filmes, conhecida por seu catálogo dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo e por operar também a plataforma Embaúba Play.
O diretor Adriano Guimarães, que estreia no cinema, já tem uma extensa carreira no teatro, artes visuais e projetos interdisciplinares, com mais de 60 montagens teatrais assinadas e participações em eventos como a Bienal de São Paulo, Festival de Avignon, Festival Internacional de Teatro de Curitiba e Feira do Livro de Frankfurt.
Com uma abordagem sensível, Nada propõe uma experiência que convida o espectador a contemplar, sentir e, sobretudo, lembrar, mesmo aquilo que não se entende totalmente. Nada estreia em 31 de julho cinemas.
Ficha técnica

Nada (2024)
Brasil
92 minutos
Direção: Adriano Guimarães
Roteiro: Emanuel Aragão
Elenco: Bel Kowarick, Denise Stutz, Thais Puello
Fotografia: André Carvalheira
Montagem: Sergio Azevedo
Som: Guile Martins
Produção: Machado Filmes
Distribuição: Embaúba Filmes
Estreia: 31 de julho de 2024

