Após 23 anos, a mais tradicional casa lírica da França retorna ao Brasil com uma programação que vai além das apresentações artísticas. Em 2025, a Ópera Nacional de Paris marca presença na Temporada França-Brasil com uma agenda que contempla não apenas concertos inéditos em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, mas também ações formativas voltadas à nova geração de músicos, cantores e bailarinos brasileiros.
A iniciativa é conduzida pela Academia da Ópera de Paris, núcleo formativo da instituição criado para lapidar jovens talentos do mundo todo, e envolve masterclasses e duas séries de recitais que mesclam repertório clássico com diálogos culturais entre França e Brasil.
Concertos que cruzam fronteiras: de Bizet a Villa-Lobos
Dois programas distintos serão apresentados no Brasil. O primeiro, “Mélodies françaises, Melodias brasileiras”, estreia no dia 26 de setembro no Teatro Firjan SESI (Rio de Janeiro), e segue para o Theatro São Pedro (São Paulo), em 28 de setembro. A proposta é um intercâmbio musical que une compositores como Chiquinha Gonzaga e Villa-Lobos a nomes franceses como Reynaldo Hahn e Francis Poulenc, celebrando 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
Já em outubro, é a vez de “Bizet e seus Contemporâneos”, homenagem aos 150 anos da morte do compositor de Carmen. O espetáculo estreia no Theatro Municipal de São Paulo (3 e 4/10), segue para o Teatro Guaíra, em Curitiba (8/10), e encerra no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (11/10). A regência fica por conta de três nomes de destaque: Roberto Minczuk, Roberto Tibiriçá e Felipe Prazeres, com a participação de orquestras locais. O programa explora facetas menos conhecidas de Bizet, com canções, duetos e peças líricas em diálogo com obras de Massenet, Gounod e Saint-Saëns.
Um palco para os novos talentos do mundo
Cada temporada da Academia recebe cerca de 30 jovens artistas de várias nacionalidades, oferecendo um programa de residência que vai do estudo técnico ao palco de casas como a Opéra Bastille e o Palais Garnier. Em 2025/2026, dois brasileiros integram essa seleção: Lorena Pires e Luis Felipe Sousa, que se juntam a nomes como Amandine Portelli (França), Bergsvein Toverud (EUA/Noruega), Daria Akulova (Ucrânia), Isobel Anthony (EUA), entre outros.
Além dos residentes, a apresentação “Mélodies françaises, Melodias brasileiras” contará com participações especiais dos brasileiros Juliana Kreling (soprano) e Ramon Theobald (pianista), reforçando o caráter colaborativo do projeto.
Formação e intercâmbio: a arte como ponte cultural
Além das apresentações, a Ópera de Paris investe em cerca de 40 masterclasses gratuitas voltadas para artistas em início de carreira, com foco em violino, violoncelo e dança. As aulas serão ministradas por nomes como Cécile Tête (violino), Cyrille Lacrouts (violoncelo) e os bailarinos Alice Renavand e Stéphane Bullion, estrelas do Ballet da Ópera de Paris.
As atividades acontecem em parceria com instituições brasileiras como a Fundação Theatro Municipal de São Paulo, a Escola de Dança do Teatro Guaíra, a Universidade Federal do Paraná, a Escola Petite Danse e a Academia Juvenil da Orquestra Petrobras Sinfônica.
Uma relação que se fortalece
A presença da Ópera de Paris no Brasil não é nova. Em 1994, o Corpo de Baile da instituição passou por São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2002, a companhia voltou com a turnê do balé Giselle. De lá para cá, a presença de artistas brasileiros na França cresceu. Muitos vêm se destacando na Escola de Dança, no Corpo de Baile e na própria Academia, como o maestro convidado Ramon Theobald, egresso da instituição.
A edição 2025 das Temporadas Cruzadas França-Brasil retoma o espírito de intercâmbio inaugurado em 2005, quando o Brasil foi tema de uma grande temporada cultural na França. Agora, é a vez de o público brasileiro vivenciar essa troca, tendo a arte como elo diplomático e cultural.
Serviço
“Mélodies françaises, Melodias brasileiras”
Rio de Janeiro:
Data: 26/09
Local: Teatro Firjan SESI Centro – Av. Graça Aranha, 1 – Centro, Rio de Janeiro
São Paulo:
Data: 28/09
Local: Theatro São Pedro – R. Barra Funda, 171 – Barra Funda, São Paulo
“Bizet e seus Contemporâneos”
São Paulo
Datas: 3 e 4/10
Local: Theatro Municipal de São Paulo – Praça Ramos de Azevedo, s/n – República, São Paulo
Curitiba
Data: 8 de outubro
Local: Centro Cultural Teatro Guaíra – R. XV de Novembro, 971 – Centro, Curitiba
Rio de Janeiro
Data: 11/10
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Praça Floriano, S/N – Centro, Rio de Janeiro
Amandine Portelli – França – Mélodies françaises, Melodias brasileiras e Bizet e seus Contemporâneos
Iniciou sua formação artística na dança clássica e descobriu o canto aos 8 anos no Coro de Meninas da Maîtrise de Bordeaux, tornando-se rapidamente solista. Estudou canto no Conservatório de Bordeaux com Maryse Castets e, desde 2020, tem se apresentado sob a direção de nomes como Salvatore Caputo e Raphaël Pichon. Atuou como solista em obras de Pergolesi, Vivaldi, Bach e em Farinelli. Em 2023, interpretou Didon (Didon et Énée) no Grand Théâtre de Bordeaux e estreou na Ópera Garnier em L’Enfant et les Sortilèges. Vencedora de concursos internacionais, ingressou na Academia da Ópera Nacional de Paris em 2024.
Antoine Dutaillis – França (pianista) – Mélodies françaises, Melodias brasileiras
Antoine Dutaillis é pianista, maestro e preparador vocal francês. Formou-se com distinção em regência no Conservatório de Paris e já atuou com orquestras como Ensemble Intercontemporain, Orchestre national de Metz e Orchestre des Pays de la Loire. Foi assistente de maestros como Alexandre Bloch, Alain Altinoglu e Semyon Bychkov. Na ópera, colaborou em Turn of the Screw (Britten) e regeu A Flauta Mágica. Como pianista, trabalha com solistas e instituições renomadas, além de atuar em projetos educativos e inclusivos. Ingressa na Academia da Ópera de Paris em setembro de 2024, e estreia como maestro convidado com as orquestras de Lille e da Picardia na temporada 24/25.
Bergsvein Toverud – Estados Unidos e Noruega – Mélodies françaises, Melodias brasileiras e Bizet e seus Contemporâneos
O tenor americano-norueguês Bergsvein Toverud é mestre pela Eastman School of Music e bacharel pela Universidade Furman. Interpretou o papel de Romeu (Roméo et Juliette, de Gounod) com a Central City Opera. No programa Bailey Apprentice Artist do Palm Beach Opera, participou de diversos concertos e atuou em Falstaff, de Verdi. Foi premiado pela George and Nora London Foundation e pelo concurso Laffont do Metropolitan Opera em 2023. Finalista do Friends of Eastman Opera Aria Competition em 2021. Ingressou na Academia da Ópera Nacional de Paris em setembro de 2024.
Clemens Frank – Áustria – Bizet e seus Contemporâneos
Clemens Frank estudou canto na Universidade de Música de Viena, onde concluiu o bacharelado com distinção e iniciou o mestrado em Vocal Performance. Estreou como solista no Festival de Salzburgo com a Deutsche Radiophilharmonie. Interpretou papéis como Conde Almaviva (As Bodas de Fígaro), Papageno (A Flauta Mágica), Eugene Onegin, Dr. Falke (Die Fledermaus) e Plutão (Orfeu no Inferno). Atuou nos teatros de Munique, Berndorf e Schönbrunn. Venceu os concursos Zukunftsstimmen e Lions Music Award Áustria, e foi finalista do SWR Junge Opernstars 2024. É bolsista do fundo Anny Felbermayr. Em setembro de 2024, ingressa na Academia da Ópera Nacional de Paris.
Daria Akulova – Ucrânia – Bizet e seus Contemporâneos
Nascida em Dnipro, na Ucrânia, Daria Akulova iniciou-se no canto e nas artes dramáticas aos 5 anos. Formada em canto e piano, venceu o concurso nacional B. Gmyrya em 2016. Estudou na Academia Tchaikovsky de Kiev, onde obteve graduação e mestrado. Atuou em papéis como Marfa (A Noiva do Czar), Amor (Orfeu e Eurídice) e Annina (La Traviata). Em 2022, recebeu bolsa presidencial e venceu o Concurso Internacional de Música de Lugano. Participou de concertos na Suíça, Itália, Bulgária e Ucrânia. Em 2024, ingressou na Academia da Ópera de Paris.
Isobel Anthony – Estados Unidos – Bizet e seus Contemporâneos
A soprano Isobel Anthony estreou na Lyric Opera de Chicago e na Santa Fe Opera, com destaque para The Righteous, de Gregory Spears, e Der Rosenkavalier, de Strauss. Atuou como Donna Elvira (Don Giovanni) e Iris (Semele) na Wolf Trap Opera. Foi solista em obras de David Lang, Jake Heggie, Luciano Berio e Schönberg. Participou de estreias mundiais de compositores contemporâneos na Bienen School of Music. É mestre em canto e ópera pela Northwestern University e bacharel em Linguística pela Universidade de Yale. Foi diretora artística do Opera Theatre of Yale College e integrou a Schola Cantorum de Yale, com gravações e turnês internacionais. Em setembro de 2024, passou a integrar a Academia da Ópera Nacional de Paris.
Lorena Pires – Brasil – Mélodies françaises, Melodias brasileiras e Bizet e seus Contemporâneos
A soprano Lorena Pires é bacharel em Canto pela Faculdade de Música do Espírito Santo. Estreou profissionalmente em 2019 e, desde então, vem interpretando papéis como Zweite Dame (Die Zauberflöte), Arbace (Catone in Utica), Lauretta (Gianni Schicchi) e Anna (Nabucco). Em 2024, fez sua estreia internacional no Uruguai com a Camerata Antiqua de Curitiba. Premiada em concursos nacionais, é considerada o novo destaque da cena lírica brasileira. Participou de recital na Ópera de Paris em abril de 2025 e fará seu debut como Clara em Porgy and Bess no Theatro Municipal de São Paulo. Ingressa como residente na Academia da Ópera Nacional de Paris em setembro de 2025.
Luis Felipe Sousa – Brasil – Mélodies françaises, Melodias brasileiras e Bizet e seus Contemporâneos
Natural do Brasil, Luis-Felipe Sousa é formado em canto lírico pela Universidade de São Paulo e mestre em musicologia e interpretação pela Unicamp, onde atuou no Ópera Studio e no coro contemporâneo de Campinas. Iniciou sua carreira como solista na companhia Minaz, em Ribeirão Preto, e desde então interpretou papéis como Figaro, Don Basilio, Seneca e Simone. Premiado em diversos concursos nacionais e internacionais, apresentou-se no Brasil e na Europa, incluindo Itália, Alemanha, Áustria e Luxemburgo. Foi solista no Requiem de Mozart na Sala São Paulo e na Petite Messe Solennelle de Rossini no Palácio das Artes. Ingressou na Academia da Ópera Nacional de Paris em 2023, onde atuou em Street Scene, L’Isola Disabitata e L’Enfant et les Sortilèges.
Sima Ouahman – França – Mélodies françaises, Melodias brasileiras e Bizet e seus Contemporâneos
Nascida em Paris e radicada em Bordeaux, a soprano irano-marroquina Sima Ouahman iniciou seus estudos musicais aos sete anos no Conservatório de Bordeaux. Descobriu o canto lírico na classe de Maryse Castets e aperfeiçoou-se com mestres como Claudia Visca e Béatrice Uria Monzon. Estreou como Papagena (A Flauta Mágica) em 2019, no festival Musique en Ré. Atuou na Ópera de Bordeaux e na Ópera de Limoges, destacando-se no repertório barroco. Em 2022, foi solista no Magnificat de Bach, com regência de Raphaël Pichon. Integrou a Academia da Ópera Nacional de Paris em 2023. Em 2025, recebeu o Prêmio Lírico da AROP.
Juliana Kreling – Brasil (artista convidada) – Mélodies françaises, Melodias brasileiras
A soprano brasileira Juliana Kreling iniciou seus estudos aos 8 anos no projeto Vale Música, em Belém, e estreou aos 18 como Serpina em La Serva Padrona, no Theatro da Paz. Atuou em produções como Suor Angelica, Amahl and the Night Visitors e As Bodas de Fígaro. Estudou na UNICAMP e no Conservatório Leo Kestenberg, em Berlim, além de integrar o estúdio de ópera de Carlos Montané, nos EUA. Cantou as Bachianas nº5 ao lado de David Chew. Atualmente, cursa canto na Universidade Mozarteum de Salzburgo com Michèle Crider e se apresenta como solista em igrejas e salas de concerto na Áustria.
Ramon Theobald – Brasil (artista convidado) – Mélodies françaises, Melodias brasileiras
Natural do Brasil, Ramon Theobald é formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com passagem pela Hochschule für Musik de Karlsruhe por meio de bolsa do DAAD. Aperfeiçoou-se na Accademia Georg Solti, em Veneza, e na Fabbrica da Ópera de Roma. Atuou no Theatro Municipal do Rio entre 2016 e 2019, em produções como Faust, Eugene Onegin, Norma e Jenůfa. Trabalhou com artistas como Jessica Pratt, Lawrence Brownlee, Lisette Oropesa e Yusif Eyvazov. Premiado em diversos concursos no Brasil, apresentou recitais no país e na Alemanha. Integrou a Academia da Ópera Nacional de Paris de 2021 a 2023.

