InícioLivrosRoger Dörl questiona o futuro no livro Crônicas de Um Mundo

Roger Dörl questiona o futuro no livro Crônicas de Um Mundo

Num futuro onde o real se confunde com o digital, Roger Dörl constrói em Crônicas de Um Mundo um mosaico inquietante sobre os limites da liberdade, da espiritualidade e da identidade. A obra reúne cinco contos interligados dentro do chamado Masterverso, uma realidade virtual que substituiu quase por completo o mundo físico. Com isso, o autor aprofunda o universo iniciado em Alena existe, expandindo suas reflexões sobre tecnologia e controle social.

Lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, o livro aborda, com uma escrita visceral, temas como manipulação algorítmica, violência de gênero e o impacto das big techs na vida cotidiana. Mais do que um exercício de imaginação futurista, os contos traçam paralelos diretos com o presente — e com os perigos de uma sociedade cada vez mais moldada por dados, percepções fabricadas e desigualdades enraizadas.

Masterverso: espelho distorcido do agora

O cenário onde as narrativas se desenrolam é o Masterverso, uma interface que absorveu o espaço físico e se tornou o novo centro da vida humana. A partir desse ambiente digital, Dörl propõe uma crítica contundente às estruturas de poder contemporâneas. “Estamos vendo impérios se formarem sob as marcas das big techs”, afirma, apontando para o uso político e econômico da tecnologia como forma de dominação.

Cada conto oferece uma faceta do colapso humano diante de um sistema que transforma emoções em dados, espiritualidade em algoritmo e corpos em avatares domesticados. Ao mesmo tempo, há uma constante tentativa de reconexão — um chamado à presença, ao corpo e à escuta interior em meio à desumanização digital.

Um autor múltiplo e independente

Natural de Curitiba e residente em Brasília, Roger Dörl vem de uma formação em Artes Cênicas e Letras. Já atuou como professor, produtor cultural e redator, mas hoje se dedica integralmente à escrita e à música. Em Crônicas de Um Mundo, ele assina não só os textos, mas também a capa, a diagramação e a divulgação, consolidando sua trajetória como autor independente.

A obra nasceu entre julho e novembro de 2024, período em que Roger escrevia também para outras antologias e publicava parte dos contos gratuitamente. A versão impressa reúne essas histórias em uma edição revista, com nova organização e acabamento gráfico. Mais do que um projeto literário, o livro é também uma afirmação de autonomia criativa.

Por que ficção especulativa?

Escolher a ficção especulativa foi, segundo o autor, uma forma de ampliar o alcance sem perder a profundidade. “Antes, meus textos eram mais experimentais, mas sentia falta de acessar um público maior”, conta. A inspiração vem de obras como Matrix, que conseguem discutir questões densas dentro de estruturas narrativas acessíveis.

Essa escolha também reflete uma posição crítica em relação ao elitismo intelectual. “Sempre tive ressalvas às produções muito intelectualizadas. Gosto quando conteúdos complexos surgem em obras populares”, diz Roger.

Desde os primeiros versos rimando amor com flor, o autor carrega uma relação intensa com a palavra. Entre suas influências, aparecem José Saramago, Mário Quintana e um caldeirão de estilos que ele transforma em algo próprio. Seu texto mescla lirismo e crítica social com uma linguagem que equilibra o poético e o direto.

Atualmente, Roger prepara seu segundo romance, previsto para 2026, e continua publicando contos gratuitos mensalmente em suas plataformas digitais.

Leia um trecho de Crônicas de Um Mundo

“Conforme se aproximava, viu uma nova figura tomando forma próxima à máquina. A princípio, Hill achou que fossem só uns arbustos — depois, tentou se convencer de que eram mochilas, roupas ou outros objetos que o grupo tivesse deixado para trás, agora que estava reduzido. Já tinha visto mortes demais nos últimos tempos, além da tentativa do seu próprio assassinato, para não se importar em ter que encarar isso outra vez. Mas, a cada passo, a verdade desagradável ia se tornando mais e mais evidente: aquilo era um corpo humano.”

O livro está disponível para compra no site oficial do autor e também na Amazon. A versão digital pode ser lida gratuitamente via Kindle Unlimited.

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Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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