O RPG Lésbicas Espadachins Sedentas, um dos títulos mais aclamados da cena queer nos jogos narrativos contemporâneos, está em contagem regressiva para garantir sua edição brasileira. A campanha de financiamento coletivo segue até o dia 7 de agosto de 2025 na plataforma Catarse, com o objetivo de viabilizar uma edição física em capa dura, formatos digitais acessíveis e brindes exclusivos. A publicação será assinada pela Editora Vanishing Point, em parceria com a norte-americana Evil Hat Productions e o estúdio GaySpaceship Games.
Originalmente lançado em 2020 via Kickstarter, o RPG superou todas as expectativas ao bater sua meta inicial em menos de três horas. Ao final da campanha, havia reunido mais de 8 mil apoiadores e quase 300 mil dólares arrecadados. Desde então, o jogo ganhou prêmios importantes, como o Nebula Award de Melhor Texto de Jogo (2021) e dois ENNIE Awards (2022), incluindo Melhor Jogo e Melhor Produto do Ano.
Paixões, duelos e narrativas queer
Criado pela designer transfeminina April Kit Walsh, Lésbicas Espadachins Sedentas propõe uma experiência narrativa que combina romance, ação e representatividade LGBTQIA+. O jogo utiliza uma adaptação do sistema Powered by the Apocalypse, com ênfase em storytelling, vínculos emocionais e segurança durante a mesa de jogo.
As personagens se envolvem em combates cheios de estilo, mas também em dilemas afetivos, reencontros apaixonados e transformações pessoais. Um duelo pode terminar em beijo; uma rival, em paixão inesperada. O RPG convida os jogadores a explorar um universo onde o cuidado, a vulnerabilidade e o desejo caminham lado a lado com espadas em punho.
A proposta vai além da fantasia de capa e espada: é possível ambientar campanhas em cenários futuristas com naves estelares e sabres de luz, mundos místicos ou dimensões alternativas. Onde quer que haja desejo, conflito e transformação, ali é o palco das espadachinas.
Arquétipos, dilemas e evolução
O sistema oferece nove arquétipos principais — como Fera, Devota, Bruxa Sombria, Trapaceira e Vigarista —, cada um com dilemas emocionais que impulsionam o drama e o crescimento das personagens. Durante campanhas mais longas, é possível inclusive migrar entre arquétipos, refletindo amadurecimentos ou mudanças de rota.
Além dos personagens, o livro traz ferramentas para a criação de cenários originais, sugestões para sessões iniciais e regras alternativas. Não é preciso experiência prévia com RPGs para jogar: o material é projetado para acolher novatos, oferecendo guias práticos e exemplos para facilitar a imersão.
Uma autora entre espadas e direitos humanos
April Kit Walsh escreve jogos queer centrados em sentimentos, afeto e transformação. Além de Lésbicas Espadachins Sedentas, também é autora de End of the Line. Ex-bailarina espadachim — ou assim ela brinca em sua biografia —, atualmente atua como advogada de direitos humanos, defendendo jornalistas, ativistas e comunidades marginalizadas impactadas por tecnologias de controle.
Vanishing Point e a missão de diversificar o RPG nacional
A edição brasileira de Lésbicas Espadachins Sedentas é a quarta campanha da Editora Vanishing Point no Catarse. O projeto é liderado pelo editor carioca Rafael Ferreira, entusiasta de RPGs há três décadas, que tem como missão abrir espaço para novas vozes e experiências na cena nacional. A proposta da editora é publicar títulos estrangeiros com temáticas e mecânicas inovadoras, representando diferentes vivências e perspectivas — algo ainda pouco comum no mercado brasileiro.
Com o sucesso da campanha, Lésbicas Espadachins Sedentas pode se tornar um marco na publicação de jogos queer no Brasil, oferecendo não só um RPG premiado, mas também uma plataforma de imaginação e representatividade para quem sempre quis se ver como protagonista de sua própria aventura.

