No próximo dia 25 de julho, às 19h30, o Espaço Mais Cultura de Vargem Grande do Sul recebe o lançamento do curta-metragem Vila Polar, obra do diretor Paulo Tothy que investiga a relação entre memória, patrimônio e pertencimento na cidade. A exibição é gratuita e faz parte de uma ação cultural que envolve a comunidade local, com uma programação especial que inclui debates e filmes complementares.
Situado no tradicional bairro de mesmo nome, o filme parte da observação das recentes perdas arquitetônicas na cidade, como casarões e armazéns históricos demolidos. A narrativa de ficção acompanha um carteiro que, ao longo de sua rotina, se depara com estranhas mensagens e aparições, revelando tensões urbanísticas e a ameaça constante à memória coletiva.
Paulo Tothy, natural de Vargem Grande do Sul, explica que o filme não se limita à nostalgia, mas busca “reativar presenças e criar novos significados para espaços em ruínas, utilizando intervenções poéticas como forma de diálogo com o passado”. A casa da avó do diretor, personagem fundamental na obra, simboliza essa memória viva e os vínculos afetivos com o território.
A produção é viabilizada pela Lei Paulo Gustavo, ação do Ministério da Cultura para fomentar o setor audiovisual após os impactos da pandemia, e conta com apoio do Departamento de Cultura e Turismo do município. Segundo o diretor, esse incentivo tem permitido uma documentação ampla das histórias locais pelo Brasil, importante para a compreensão do país.
Além da reflexão sobre o patrimônio local, Vila Polar dialoga com a história cinematográfica da região. Nos anos 1950, as ruas de Vargem Grande do Sul serviram como cenário para o clássico O Cangaceiro (1953), que simulou o sertão nordestino no interior paulista, graças à vegetação do cerrado presente na área. Hoje, o protagonista do curta percorre as mesmas ruas, registrando as mudanças de uma cidade que parece apagar sua identidade arquitetônica.
Para a diretora de arte Elisa Sbardelini, a preservação patrimonial em Vargem Grande do Sul está atrasada em relação a cidades vizinhas, que conseguiram manter parte de seu patrimônio histórico. Ela destaca a urgência de valorizar esses espaços para preservar a identidade local.
Um dos momentos mais impactantes do filme é a Bazuca Poética, uma intervenção artística que projeta palavras e imagens sobre muros e ruínas da cidade, transformando o espaço de forma efêmera, mas capaz de deixar uma marca na memória coletiva. O artista Cauê Maia, responsável pela ação, reforça o papel do filme como um registro adicional que resgata o invisível para moradores e visitantes.
O filme também integra ações educativas, com exibições em escolas municipais previstas para agosto de 2025. Essas sessões visam aproximar os estudantes do universo do filme, incentivando reflexões sobre a relação entre comunidade, memória e o espaço urbano.
Na noite de lançamento, o público poderá assistir também aos documentários Retrato de Dora (2014), de Bruna Callegari, e Recife Frio (2009), de Kleber Mendonça Filho. As obras complementam o debate sobre memória e as transformações do território, seguido por um bate-papo com elenco e equipe.
Paulo Tothy e seu olhar sobre memória e cidade
Formado em Publicidade pela PUC Minas, Paulo Tothy iniciou sua trajetória no audiovisual em 2009. Desde então, desenvolve trabalhos que transitam entre documentários, videoclipes e produções experimentais, com ênfase na memória, identidade e transformação urbana. Residente em Poços de Caldas (MG), dirige projetos que valorizam a arte regional e independente, como o Cine Fricção e a MIA – Mostra Integrada de Artes. Vila Polar representa seu olhar atento às raízes e às ruínas, convidando o espectador a revisitar espaços marcados pelo tempo e pelas histórias esquecidas.
Serviço
Lançamento do curta Vila Polar
Data: 25 de julho de 2025
Horário: 19h30
Local: Espaço Mais Cultura, Rua João Malaguti, 385 – Jardim Novo Mundo, Vargem Grande do Sul (SP)
Entrada gratuita

