No último dia 17 de agosto, o Cinemark do Shopping Cidade São Paulo recebeu cerca de 250 pessoas para a 2ª Mostra Surdos Fazem Cinema, evento que celebrou a potência da produção audiovisual feita por alunos surdos. Durante a exibição, inéditos como Banheiro Masculino, O Roubo do Bolo, O Tempo e Nem Sempre Dá Pra Ouvir, Mas Sempre Dá Pra Entender mostraram que o cinema fala uma linguagem universal, capaz de emocionar sem depender apenas do som.
Novos olhares na telona

Os curtas exibidos nasceram do projeto Surdos Fazem Cinema, que oferece oficinas audiovisuais para fortalecer a autonomia e a expressão artística da comunidade surda. Além das produções recentes, o público conferiu obras das edições anteriores (2022 e 2024) e o premiado Amei Te Ver, de Ricardo Cioni Garcia, já reconhecido em oito países.
O evento contou com a presença de influenciadores e artistas que atuam em Libras e no audiovisual, como Marcos Vin, Gabriel Issac, Aline Martins, Lanai Sá e Kelson Souza, além da cobertura da TV Cultura e do site DeuClick.
Histórias que falam sem palavras
- Banheiro Masculino, de Rusdy Rabeh, mistura humor físico e cinema mudo para narrar a saga de um homem enfrentando um tiktoker incessante no banheiro.
- O Roubo do Bolo, de Maria Clara, acompanha uma dupla hilária que arma um plano inusitado com rato de mentira e armadilhas gourmet.
- O Tempo cria suspense ao mostrar três estudantes presos em uma escola onde o tempo parou misteriosamente às 12:12.
- Nem Sempre Dá Pra Ouvir, Mas Sempre Dá Pra Entender retrata desafios cotidianos de comunicação na comunidade surda, apontando barreiras e soluções para uma sociedade mais inclusiva.
Voz em silêncio, impacto em tela
Para José V., aluno que atuou como diretor, ator e estagiário no evento, a experiência foi transformadora: “Foi a primeira vez que senti que a minha voz, mesmo em silêncio, podia ecoar tão alto numa sala de cinema. Dirigir, atuar e ainda aprender como funciona uma produção me mostrou que nós, surdos, podemos ocupar qualquer espaço no audiovisual.”
O cineasta e idealizador do projeto, Ricardo Cioni Garcia, destacou a força dos alunos: “Ver esses curtas na tela do Cinemark foi a prova de que o cinema é feito de olhares, não apenas de sons. Agora, nosso desafio é levar essa experiência para outras cidades e garantir que a arte feita por surdos chegue a cada vez mais pessoas.”
Rumo a novos horizontes
O sucesso da mostra impulsiona planos de expansão ainda em 2025, com atividades exclusivas em Santo André, e a partir de 2026, a proposta é levar o projeto para outros estados, especialmente Norte e Nordeste, ampliando o alcance do cinema acessível.
O Surdos Fazem Cinema conta com apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, Spcine, Instituto Santa Teresinha, Butikin Filmes e recursos da Lei Paulo Gustavo.


