A terceira edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano entregou mais do que sessões de cinema e debates: trouxe um simbolismo raro de se ver em festivais do gênero. Em um dos momentos mais marcantes do evento, Claudia Ohana e Thiago Lacerda deixaram suas marcas no projeto “As Pegadas da Memória do Cinema Sul-Americano”, que literalmente mistura mãos humanas com patas de animais do Pantanal. E sim, isso é tão visualmente poderoso quanto parece.
Claudia, Thiago e suas novas “duplas”


No último dia 31, no Centro de Convenções de Bonito (MS), os dois atores participaram da ação que imortaliza figuras importantes do cinema sul-americano ao lado de animais típicos da fauna brasileira. A ideia é simples e ao mesmo tempo impactante: cada homenageado grava a marca de sua mão em uma placa, ao lado da pegada de um animal local.
Thiago Lacerda foi pareado com o queixada, um tipo de porco-do-mato. Já Claudia Ohana compartilhou sua homenagem com o quati. Os dois também foram os responsáveis por apresentar a cerimônia de encerramento do festival, que rolou no sábado (2).
Claudia comentou sobre o significado da homenagem:
“Fazer um festival em Bonito é sensacional e ser homenageada é sempre um privilégio. Acho tão legal saber que a gente faz parte da história do cinema nacional.”
Thiago seguiu na mesma linha:
“Ter um espaço como o Pantanal, mágico, se encontrando com a arte, com a cultura, com a educação, do ponto de vista do fomento das manifestações artísticas, é vibrante. O Brasil merece, a América Latina merece.”
Diretores, artistas e… bichos!
Além do duo de protagonistas da vez, o festival também homenageou outros nomes de peso. No dia anterior, foram eternizados Luiz Carlos Lacerda (Tatu Galinha), Aurélio Michiles (Capivara), José Eduardo Belmonte (Paca) e o artista plástico Humberto Espíndola (Jacaré).
E a ação não começou por aí. No dia 28, a primeira leva de homenageados incluiu a atriz paraguaia Ana Brun (Tamanduá-mirim), a brasileira Maeve Jinkings (Lobo-guará), o veterano Antônio Pitanga (Onça-pintada), a produtora argentina Cecília Diez (Papagaio) e o distribuidor Jean Thomas Bernardini (Anta).
Sim, cada artista ganha seu animal. Sim, tem lógica por trás. Sim, parece Pokémon — e isso é incrível.
As placas que viram legado
As placas criadas pelo artista Lula Ricardi, feitas com ferro, cimento e vidro, serão expostas permanentemente na Praça da Liberdade, no centro de Bonito. A ideia é transformar o projeto em uma verdadeira “calçada da fama” sul-americana, misturando cinema e natureza — algo bem condizente com a alma do Pantanal.
O idealizador do festival, Nilson Rodrigues, explicou o conceito por trás dessa mistura:
“Vamos registrar aqui em Bonito esses artistas sul-americanos, brasileiros e sul-mato-grossenses, que fazem a história do cinema e do audiovisual. Vamos ter as patas dos animais ao lado das mãos humanas. Como estamos em Bonito, esse paraíso ecológico, vamos dizer que os humanos e os animais caminham juntos.”
Um festival que sai do óbvio
Entre filmes, debates e esse projeto inusitado, o Bonito CineSur mostra que festivais podem sim explorar formatos mais criativos, simbólicos e, acima de tudo, conectados ao seu território.
A ação é uma realização da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC), com apoio do Ministério da Cultura, da Prefeitura de Bonito e de várias instituições públicas e privadas. Mas o que mais importa aqui é que o festival entregou algo que vai além do tapete vermelho: um espaço onde arte, memória e natureza se cruzam — e deixam marcas reais.
🖼️ Confira as fotos do projeto nos dias 28 e 31
📷 Créditos: Diego Cardoso | Fotografando Bonito


