O I Festival Internacional Goitacá de Cinema chegou ao fim neste domingo (24), em Campos dos Goytacazes (RJ), após seis dias de programação intensa que reuniu mais de 5 mil pessoas. O evento exibiu 70 filmes, promoveu debates, oficinas e encontros de mercado, consolidando-se como um novo polo para o audiovisual brasileiro.
A cerimônia de encerramento, realizada no Centro de Convenções Oscar Niemeyer, na UENF, revelou os vencedores das mostras competitivas e lançou a Carta Goitacá, um manifesto pela criação da Escola Brasileira de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Entre os destaques da noite, a entrega do Troféu Kbrunco, em formato de boi e produzido por artesãs do Projeto Caminhos de Barro, marcou a consagração dos premiados.
Tonico Pereira: homenagem já confirmada para 2026
O encerramento trouxe ainda uma grande revelação: o ator campista Tonico Pereira será o homenageado da próxima edição, em 2026. O anúncio emocionou o público e reforçou o compromisso do festival em valorizar nomes que marcaram a cultura brasileira e a identidade local.
Homenagens e encontros que marcaram a edição
A primeira edição já havia começado em tom histórico. Na abertura, no dia 19, a atriz Zezé Motta foi homenageada e recebeu o título de Doutora Honoris Causa da UENF, emocionando a plateia ao cantar “Cana Caiana” no palco.
Durante a semana, foram realizadas cinco mostras competitivas — Nacional, Internacional, Zezé Motta, Kbrunquinho (infantojuvenil) e Olhares da Planície (dedicada ao interior fluminense) — além da Mostra Embratur. A programação se completou com o Seminário de Cinema e Audiovisual do Norte e Noroeste Fluminense, o Programa de Formação e o Cine Market Goitacá, que promoveram debates, masterclasses, oficinas e articulações de mercado.
Os vencedores da primeira edição
Na Mostra Nacional, o curta “Canto das Areias”, de Maíra Tristão, e o longa “O Silêncio das Ostras”, de Marcos Pimentel, foram os grandes premiados.
Na Mostra Internacional, o curta “Pietra”, de Cynthia Levitan, e o longa “Alma del desierto”, de Mónica Taboada-Tapia, conquistaram o troféu.
Na Mostra Zezé Motta, os destaques foram o curta “Ondas Invisíveis”, de Junior Augusto, e o longa “Othelo, O Grande”, de Lucas H. Rossi dos Santos.
Já na Mostra Olhares da Planície, dedicada a produções do interior fluminense, o prêmio principal ficou com “Benedita”, de Lane Lopes e Cadu Azevedo. Por fim, a Mostra Kbrunquinho premiou o curta “Passa a Bola”, de Guilherme Herrera Falchi.

Carta Goitacá: cinema como vetor de desenvolvimento
Além dos prêmios, o festival lançou a Carta Goitacá, um documento que reafirma a importância de criar a Escola Brasileira de Cinema e Audiovisual da UENF, idealizada por Darcy Ribeiro nos anos 1990, mas nunca concretizada.
Para Fernando Sousa, diretor-geral do festival, o documento é mais que uma lembrança histórica: “A Carta Goitacá é um chamado coletivo para que o cinema reencontre, na Planície Goitacá, o seu lugar de invenção e potência criadora.”
Números e impacto cultural
A primeira edição do festival reuniu 793 filmes inscritos, vindos de todas as regiões do Brasil e de quatro continentes. Destes, 61 entraram na competição oficial, somados a outros nove títulos em mostras paralelas.
Mais de 150 profissionais participaram da organização, enquanto oficinas e debates receberam centenas de inscritos. Somente nas sessões de cinema, mais de 1800 pessoas prestigiaram a programação. O Cine Market Goitacá, espaço de negócios e networking, mobilizou 150 profissionais em cinco encontros, discutindo políticas públicas, coproduções e sustentabilidade no audiovisual.
As ações também ultrapassaram as salas de cinema, com ativações turísticas em São João da Barra e Quissamã, em parceria com a Embratur, permitindo que os participantes conhecessem patrimônios naturais e culturais da região, como a Reserva Caruara e o Quilombo Machadinha.
Um festival que já nasce grande
Com apoio de instituições como a UENF, FAPERJ, CAPES, Embratur e Porto do Açu, além de patrocínios privados e parcerias culturais, o Festival Goitacá mostrou fôlego para crescer. Mais que uma vitrine de filmes, o evento se consolidou como espaço de formação, articulação política e afirmação do cinema como ferramenta de transformação social.
A edição de 2026 já é aguardada com expectativa, carregando o peso do sucesso inaugural e a responsabilidade de expandir ainda mais esse novo espaço de encontro do audiovisual brasileiro.



