Listas de filmes para o Dia dos Pais costumam repetir os mesmos nomes, ano após ano. A FILMICCA, plataforma voltada ao cinema autoral e independente, resolveu quebrar esse padrão. Com a coleção “Pais no Cinema | Ausências & Presenças”, apresenta uma curadoria de 42 títulos que vão muito além da celebração, mergulhando fundo nas complexidades da figura paterna nas telas.
A proposta é olhar para a paternidade com mais camadas. Em vez de reforçar arquétipos ou romantizações, os filmes revelam pais frágeis, distantes, presentes de forma inesperada, ou até mesmo ausentes por completo. A coleção não se limita ao eixo familiar tradicional e inclui retratos de pais indígenas, pais LGBT+, além de obras que abordam o impacto da paternidade nas dinâmicas familiares e sociais.
Cinema de autor, de várias partes do mundo

Entre os nomes da seleção estão Chantal Akerman, Víctor Erice e Carl Th. Dreyer, cineastas com obras marcantes no circuito internacional. Mas o olhar da curadoria também se abre para outras cinematografias, com filmes da Colômbia, Bulgária, Brasil e muitos outros países. São histórias ambientadas em tempos e culturas distintos, atravessadas por temas como sobrevivência, afeto, abandono e reconciliação.
Os títulos percorrem diferentes estilos e formatos, de longas a curtas-metragens, e conversam diretamente com quem busca mais do que respostas fáceis sobre o que é ser pai. A ausência, aliás, também tem peso dramático e simbólico importante na maioria das narrativas.
Um acervo que instiga mais do que homenageia
A coleção da FILMICCA vai além do tom comemorativo. É uma provocação: como o cinema tem construído — ou desconstruído — o papel do pai? Quais os silêncios que cercam essa figura? O que se transmite entre gerações, mesmo quando não se diz nada?
A plataforma oferece esse mergulho não como resposta definitiva, mas como convite à observação. Para quem gosta de cinema que cutuca, questiona e expande o olhar, “Pais no Cinema | Ausências & Presenças” é uma seleção que vale o clique.
Aqui estão alguns destaques da seleção:

A Árvore dos Tamancos
| L’Albero degli Zoccoli
| Ermanno Olmi
| Itália, 1978
| 187 minutos, 16 anos
O épico rural de Ermanno Olmi conta a história de Batisti que, junto a esposa, decide sacrificar a ajuda do filho Minec no campo e o manda para a escola. Quando o sapato do garoto quebra no longo caminho, Batistì coloca o futuro da família em risco para substituir o tamanco do menino. Obra-prima do diretor, estrelado por um elenco não-profissional, este filme humanista venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes

Em Família
| In the Family
| Patrick Wang
| EUA, 2011
| 169 minutos, 14 anos
Patrick Wang, que também vive o personagem principal, registra a luta dos pais LGBT+ ao contar a história de Joey que, depois da morte de seu parceiro, descobre que a guarda do filho deles ficou com sua cunhada. Wang foi indicado ao Spirit Award por esse tocante longa de estreia em que examina o significado jurídico da paternidade a partir do confronto de um homem com a lei e o preconceito.

Eu Vi Três Luzes Negras
| Yo Vi Tres Luces Negras
| Santiago Lozano Álvarez
| Colômbia/França/México/Alemanha, 2024
| 88 minutos, 16 anos
Morador de um vilarejo na costa do Pacífico colombiano, José aprendeu a arte dos rituais mortuários de seus ancestrais, ex-escravos africanos. Ele acompanha os mortos no caminho para o descanso eterno. Um dia, a alma de Pium-Pium, seu filho que foi violentamente assassinado, anuncia que José vai morrer e que o pai deve se afastar de casa. Para evitar o purgatório, ele inicia uma viagem pela selva. Estreou em Berlim.

A Febre
| A Febre
| Maya Da-Rin
| Brasil/Alemanha/França, 2020
| 99 minutos, 10 anos
Vencedor dos prêmios da crítica e de melhor ator no Festival de Locarno, o filme segue Justino, indígena que mora com a filha e trabalha como vigilante. Quando a mudança da jovem para Brasília está próxima, ele é tomado por uma febre misteriosa e passa a sonhar com uma criatura. Justino acha que está sendo seguido, mas não sabe se por um animal ou um homem. Melhor filme no Festival de Brasília e no Prêmio Grande Otelo.
A Loucura de Almeyer
| La Folie Almayer
| Chantal Akerman
| Bélgica/França/Camboja, 1990
| 122 minutos, 14 anos
Adaptado do romance de Joseph Conrad, o filme sensual e atmosférico de Chantal Akerman é uma saga de paixão, perda e loucura que funciona com crítica incisiva ao colonialismo em seus últimos dias. O protagonista é o comerciante, Kaspar Almayer, cujos sonhos de riqueza para sua amada filha, Nina, desmoronam sob o peso de sua própria ganância e preconceito. Filmado no Camboja.

Pai
| Apa
| István Szabó
| 1966
| 87 minutos, 14 anos
Considerado um dos melhores filmes húngaros da História, esse longa poético de belíssimas imagens projetou István Szabó internacionalmente e é um retrato poético dos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Takó é um garoto que perdeu o pai no conflito e preenche a ausência que sente com uma série de fantasias. Quando fica adulto, luta para viver de acordo com a imagem heróica que criou de seu pai.
A Palavra
| Ordet
| Carl Th. Dreyer
| 1955
| 126 minutos, 14 anos
Completando 70 anos em 2025, esta obra-prima de Dreyer venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza. O filme segue os três filhos de um devoto fazendeiro dinamarquês que têm crenças religiosas completamente diferentes. Enquanto mais novo, compartilha a religião do pai e o mais velho perdeu a fé, o filho do meio, delirante, proclama que é Jesus Cristo em carne e osso. Um parto difícil coloca todos à prova.
Uma Promessa
| Spaccapietre
| Gianluca De Serio e Massimiliano De Serio
| Itália/França/Bélgica, 2020
| 104 minutos, 16 anos
Dirigido pelos gêmeos Gianluca e Massimiliano De Serio, este drama sensível que estreou no Festival de Veneza conta a história de Giuseppe e seu filho Antò. Depois de perder sua esposa que trabalhava sob um sol escaldante nos campos do sul da Itália, o pai diz ao garoto que um dia a mãe voltará. Para cumprir a promessa, pai e filho partem numa jornada, sem volta, pela verdade.
Sede
| Jajda
| Svetla Tsotsorkova
| Bulgária, 2015
| 90 minutos, 14 anos
Longa de estreia de Svetla Tsotsorkova, essa obra impressionante estreou no Festival de San Sebastián e segue um casal e seu filho adolescente que vivem no topo de uma colina, onde lavam roupa para hotéis locais. A harmonia da família se desintegra quando dois estranhos prometem pôr fim a essa existência precária. Na luta pela sobrevivência, a sede de amor pode ser maior do que a da própria vida.
O Sul
| El Sur
| Víctor Erice
| Espanha/França, 1983
| 91 minutos, 14 anos
Dez anos depois da obra-prima “O Espírito da Colmeia”, Víctor Erice retorna ao cinema e a seu fascínio pelo universo infantil, pela fantasia e pelo legado da guerra civil da Espanha. Adaptado do romance de Adelaida García Morales, o filme, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes, passeia pelas memórias da jovem Estrella e de sua relação com o pai, um médico com poderes místicos banido por Franco.
PARA LISTA COMPLETA DOS FILMESAcesse: www.filmicca.com.br
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