Depois de lotar sessões em 2024, Hilda Furacão, a Ópera está de volta ao Theatro Municipal de São Paulo para duas apresentações que abrem a turnê nacional da Orquestra Ouro Preto em 2025. A adaptação lírica do romance de Roberto Drummond mistura paixão, fé e dilemas morais em uma produção que transforma a figura mítica de Hilda em uma protagonista à altura das grandes heroínas da ópera.
Do baixo boêmio à música erudita

Quem cresceu nos anos 1990 provavelmente lembra da minissérie da Globo que eternizou a personagem vivida por Ana Paula Arósio. Mas agora é a vez da voz de Carla Rizzi, mezzo-soprano que interpreta Hilda no palco, assumir o centro dessa narrativa que nunca deixou de ser atual: a jovem da alta sociedade que abandona tudo para viver na zona boêmia de Belo Horizonte e acaba cruzando o caminho de um frade idealista, vivido pelo tenor Anibal Mancini.
O encontro entre Hilda e Frei Malthus vira o fio condutor de um espetáculo que fala de desejo, fé, rebeldia e liberdade — tudo com trilha original composta por Tim Rescala, que mistura boleros, músicas brasileiras antigas e um toque de rádio AM dentro da linguagem operística.
Elenco de peso e narrativa cinematográfica
Além de Rizzi e Mancini, a montagem traz Marília Vargas, Marcelo Coutinho, Johnny França e Fernando Portari, que assume a narração e interpreta o próprio Roberto Drummond — um recurso metalinguístico que costura o espetáculo com a verve do autor mineiro. Um coro com 16 vozes completa a parte musical, enquanto a Orquestra Ouro Preto dá o tom sob a regência de Rodrigo Toffolo.
A direção de cena é de Julliano Mendes, com figurinos de Paula Gascon, cenografia de Carol Gomes, visagismo de Tiça Camargo e direção de arte de Luiz Abreu. O resultado é uma montagem que foge do óbvio, brinca com contrastes visuais e emociona sem cair no excesso.
Uma ópera brasileira com identidade própria

Inspirada em um romance icônico e com libreto em português, Hilda Furacão, a Ópera não tenta copiar modelos europeus. Pelo contrário: ela abraça a contradição, o drama e a beleza do Brasil dos anos 1950, criando uma ponte entre a ópera clássica e o teatro musical popular.
“Hilda tem todos os elementos de uma grande ópera: drama, personagens complexos e emoção crua”, explica Tim Rescala. Já o maestro Toffolo enxerga nela a figura ideal para o ciclo de óperas brasileiras da Orquestra Ouro Preto. “É uma mulher que questiona seu lugar no mundo e enfrenta imposições sociais com coragem.”
Turnê nacional e ingressos populares
Depois de São Paulo, a turnê segue para Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Boa Vista. O patrocínio é da Petrobras, via Lei Rouanet, mas o destaque mesmo vai para os ingressos a partir de R$20 — um gesto que mantém a proposta do grupo de tornar o gênero acessível a novos públicos.
Serviço
Hilda Furacão, a Ópera – Orquestra Ouro Preto
Dias 8 e 9 de agosto de 2025 (sexta e sábado)
Horário: 20h
Theatro Municipal de São Paulo – Praça Ramos de Azevedo, s/n – República
Ingressos a partir de R$20, à venda em: www.theatromunicipal.org.br
Classificação indicativa: 12 anos


