Entre o Cerrado e o Nordeste, um samurai cangaceiro enfrenta revoltas, demônios e ninjas capoeiristas. Essa é a premissa de Mandakaru no Hana, a nova HQ brasileira do artista Luissandro Almeida, que busca financiamento coletivo para lançar o primeiro volume de sua trilogia no Catarse. A obra promete reinventar a narrativa de quadrinhos nacionais com uma fusão única de cultura nordestina e tradição samurai japonesa.
Uma Brasília distópica como palco da história

O quadrinho se passa em uma capital brasileira reinventada: uma Brasília distópica, steampunk e feudal, onde o protagonista chega em busca de descanso, mas acaba envolvido em uma grande revolta. O universo de Mandakaru no Hana é povoado por oni (demônios), ninjas capoeiristas, boi-bumbás e gangues de lutadores de rua, criando uma mistura de ação, fantasia e folclore.
“Sou piauiense, mas cresci em Brasília. Minha mãe manteceu vivas as tradições nordestinas em casa, enquanto eu me apaixonava por mangás e filmes de artes marciais asiáticos. Aos poucos percebi as semelhanças e decidi unir essas duas culturas que tanto me formaram”, conta Luissandro Almeida.
Da história curta ao quadrinho nacional
O personagem surgiu inicialmente em uma história de oito páginas, criada para uma coletânea de quadrinistas do Distrito Federal. Inspirado na própria logo de Luissandro — um chapéu de cangaceiro e óculos —, o protagonista conquistou o público e esgotou rapidamente. A receptividade motivou o autor a expandir a narrativa para uma trilogia, e Mandakaru no Hana – Vol. 1 é o primeiro ato dessa história.
“Nos eventos em que apresento o projeto, o público sempre comenta: ‘Como ninguém pensou nisso antes?’. Essa mistura de cangaço e universo samurai surpreende e encanta”, afirma o autor.
Luissandro não se limita a roteirizar e desenhar: ele pesquisa vestimentas, lendas e arquiteturas de ambas as culturas para garantir autenticidade. Cada detalhe visual da HQ traz uma fusão original: o elmo do samurai se transforma no chapéu de couro do cangaceiro, a katana vira um facão antigo, e o yukata japonês recebe bordados nordestinos. O resultado é uma identidade visual singular que torna Mandakaru no Hana um marco entre os quadrinhos nacionais de estilo mangá.
O título bilíngue significa Flor de Mandacaru, reforçando a conexão com o folclore nordestino.
Financiamento coletivo e recompensas exclusivas
A campanha no Catarse busca arrecadar R$ 8.525,00 para viabilizar a impressão de 500 exemplares em formato A5, com 90 páginas em preto e branco, além de marcadores, chaveiros, bottons e ecobags ilustradas à mão. O lançamento oficial está programado para o Anime Summit 2026, em Brasília. Os apoiadores podem receber exemplares autografados e brindes exclusivos, contribuindo para a valorização da cena independente de quadrinhos brasileiros.
“Existe um preconceito de que quadrinho nacional não tem qualidade, assim como muitos pensam do cinema brasileiro. Quero mostrar que temos artistas talentosos e histórias que emocionam e surpreendem”, ressalta Luissandro.
Baú do Bem

Mandakaru no Hana faz parte do Baú do Bem, projeto social da Baú Comunicação Integrada que oferece assessoria de imprensa gratuita para artistas, coletivos e projetos independentes. A iniciativa busca democratizar o acesso à comunicação profissional e ampliar a visibilidade de produções culturais diversas.
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Mandakaru no Hana – HQ
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