No dia 30 de agosto, o Teatro Santos Augusta, em São Paulo, recebe a estreia de “Meu Remédio”, comédia autobiográfica escrita, produzida e estrelada por Mouhamed Harfouch, sob direção de João Fonseca. A curta temporada vai até 28 de setembro, explorando com leveza temas como ancestralidade, identidade e aceitação pessoal.
Depois de uma bem-sucedida passagem pelo Rio de Janeiro, o espetáculo chega à capital paulista trazendo um recorte íntimo da vida de Harfouch, filho de imigrantes sírios e portugueses. Entre risos e reflexões, o ator revisita sua trajetória, seu nome e a bagagem cultural que carrega — e divide com o público as descobertas e questionamentos desse mergulho no passado.
Do drama pessoal à cena cômica
Embora o tom seja de comédia, “Meu Remédio” nasce de questões profundas. Harfouch, conhecido por novelas como Pé na Jaca, Amor à Vida e Órfãos da Terra, além de musicais como Querido Evan Hansen e Ou Tudo ou Nada (indicado ao Prêmio Bibi Ferreira), se coloca diante de memórias marcadas pelo preconceito e pela busca de pertencimento.
O ponto de partida surgiu durante as gravações de Órfãos da Terra, quando o contato com a temática dos imigrantes fez o ator olhar para sua própria história. A reflexão amadureceu durante a turnê de Quando Eu For Mãe Quero Amar Desse Jeito, ao lado de Vera Fischer, até virar texto.
“Crescer com um nome árabe no Brasil dos anos 70, em um cenário de preconceito e pouca aceitação, deixou marcas. A peça é meu jeito de falar sobre isso com humor, mas também com sinceridade. Aceitar quem somos é o melhor remédio”, resume Mouhamed.
Bastidores e parcerias
Produzir e atuar ao mesmo tempo foi um dos maiores desafios da carreira de Harfouch. O ator contou com o apoio de amigos como Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr para viabilizar o projeto.
A direção de João Fonseca, especialista em obras biográficas como os musicais de Tim Maia, Cazuza e Cássia Eller, garante o equilíbrio entre o humor e a carga emocional. Harfouch já havia trabalhado com Fonseca no monólogo online Homem de Lata, criado na pandemia, e destaca a parceria como essencial para dar vida ao espetáculo.
Música, memória e personagens
Misturando elementos reais e ficcionais, o texto é costurado com canções — entre hits e paródias — tocadas e cantadas ao vivo. O ator recria figuras importantes das duas primeiras décadas de sua vida, conectando passado e presente.
Mais do que contar uma história pessoal, Meu Remédio provoca o público a olhar para a própria trajetória, entendendo que, muitas vezes, a cura começa pela aceitação.
Serviço — Meu Remédio
Local: Teatro Santos Augusta — Ed. Santos Augusta, Al. Santos, 2159, Jardins, São Paulo
Temporada: 30 de agosto a 28 de setembro
Sessões: Sábados às 20h, domingos às 18h
Ingressos: Plateia R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia) | Balcão R$ 100 (inteira) / R$ 50 (meia) — acesso ao balcão somente por escadas
Duração: 75 minutos | Classificação: 10 anos | Capacidade: 240 lugares
Vendas online: Sympla
Mais informações: teatrosantosaugusta.com.br


