InícioFilmes"Nada" estreia nos cinemas nesta quinta-feira (31)

“Nada” estreia nos cinemas nesta quinta-feira (31)

Estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros o longa-metragem Nada, primeiro trabalho de ficção do diretor Adriano Guimarães. Premiado em importantes festivais como Tiradentes, Brasília e Málaga, o filme chega ao circuito com sessões confirmadas em Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Salvador e São Paulo, com distribuição da Embaúba Filmes.

Nada é um filme que se move lentamente entre ruínas emocionais, pequenas memórias e lacunas de sentido. Ao invés de recorrer ao melodrama ou ao terror, constrói uma narrativa de suspensão e introspecção, onde a ausência é tão potente quanto a presença.

Entre irmãs e fantasmas

A trama acompanha Ana, artista plástica vivida por Bel Kowarick, que retorna à fazenda onde cresceu para visitar sua irmã Tereza (Denise Stutz), acometida por uma estranha doença que afeta seus estados de consciência. O reencontro é o ponto de partida para uma jornada interior, onde passado e presente colidem em imagens fragmentadas, sentimentos indecifráveis e silêncios carregados.

O filme evita explicações. Há mistério, mas não há soluções fáceis. Uma tecnologia não identificada ronda os personagens, mas sua função é menos de ameaça e mais de ruído, de presença incompleta. Como em um poema de Manoel de Barros, um dos autores que inspiraram o projeto, Nada se constrói a partir do que sobra: daquilo que não se entende, mas insiste em permanecer.

Fragmentos de Beckett e Manoel de Barros

Adriano Guimarães, com longa trajetória no teatro e nas artes visuais, afirma que as ideias para o filme surgiram a partir da leitura de Livro sobre nada, de Manoel de Barros, e da convivência artística com a obra de Samuel Beckett. O filme não tenta emular seus estilos, mas carrega os ecos dessas vozes.

Segundo o diretor, o projeto nasceu de um olhar curioso para personagens que vivem eventos inexplicáveis, sem que esses eventos sejam totalmente compreendidos nem pelos próprios envolvidos. “Memórias que não podem ser esquecidas emergem e são expostas”, explica.

Essa perspectiva se traduz também na estética do filme. A fotografia de André Carvalheira aposta em planos fechados e claustrofóbicos, enquanto o desenho de som de Guile Martins atua como extensão narrativa, evocando a presença de algo que já se foi — ou que nunca esteve por completo.

Tempo suspenso e a recusa de respostas

O crítico Bruno Carmelo, em texto publicado no portal Meio Amargo, destacou que Nada “constrói a curiosa sensação de um tempo suspenso, um ritmo particular. Lida com o mistério sem a necessidade de soluções, apenas permitindo que o espectador se entregue a essa atmosfera hipnótica e melancólica”.

Esse tipo de construção é cada vez mais raro no cinema nacional de grande circulação, e Nada se destaca por apostar num ritmo contemplativo, em imagens que mais sugerem do que informam, num olhar voltado para o invisível e o incômodo que existe nas entrelinhas da memória.

Reconhecimento em festivais e trajetória internacional

Desde sua estreia, Nada tem circulado por festivais em diferentes países — entre eles, Espanha, Rússia, Índia, Argentina, México e Colômbia. No Brasil, foi premiado no 25º Festival de Tiradentes na categoria Work in Progress; no Festival de Málaga, conquistou os prêmios WIP Iberoamericano e LatAm Cinema; e no Festival de Brasília, recebeu os troféus de Melhor Direção, Direção de Arte e Edição de Som na Mostra Brasília.

Uma trajetória entre linguagens

Adriano Guimarães não é um novato em experimentações artísticas. Com mais de 30 anos de carreira, atuou em teatro, dança, literatura e artes visuais. Já dirigiu mais de 60 peças, assinando montagens de autores como Beckett, Shakespeare, Borges, Lorca e García Márquez, além de ter participado de mostras como a Bienal de São Paulo, Festival de Avignon e Feira do Livro de Frankfurt. Nada é seu primeiro longa-metragem, mas carrega toda a bagagem de um artista que sabe lidar com a ambiguidade das imagens e o desconforto do silêncio.

Trailer

Ficha Técnica

Nada (Brasil, 2024)
Direção: Adriano Guimarães
Roteiro: Emanuel Aragão
Elenco: Bel Kowarick, Denise Stutz, Thais Puello
Fotografia: André Carvalheira
Edição: Sergio Azevedo
Desenho de Som: Guile Martins
Produção: Machado Filmes
Distribuição: Embaúba Filmes
Duração: 92 minutosa estreia que vale o ingresso essa semana.

Pôster

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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