De volta em nova casa, a Retrocon 2025 não veio apenas para corrigir os erros do ano passado, subindo de fase em suas novidades. Realizada entre 25 e 27 de julho no Transamerica Expo Center, o evento trocou a Casa Verde, adotando uma das mais belas casas de eventos da cidade de São Paulo. Não só trazendo a convenção mais nostálgica do calendário gamer brasileiro, mas crescendo sem perder a essência.
A edição deste ano trouxe produtoras japonesas, como a SEGA, além novos consoles como Neptune, além de 10 mil m² de evento, trazendo corredores mais largos e com mais de 20 opções gastronômicas. Além disso a maior queixa do ano passado que estava na fila debaixo do sol, não se repetiu este ano, mostrando que o evento conseguiu manter o DNA retrô, mas sem repetir seus erros.
A área indie dominou
Destaque absoluto da edição, a área dedicada aos estúdios independentes teve o maior número de visitantes. Em vez de painéis ou estandes grandes e até mesmo impessoais, o público aqui pôde conversar diretamente com os desenvolvedores, testar demos, dar feedback e ver de perto o quanto a cena nacional está viva.
Foram 40 estúdios que ocuparam o evento, lembrando que o mesmo nasceu sendo retrô, mas abre espaço para jogos em especial que também se conectam com jogadores que esperam uma experiência do passado.
Retrocon é experiência
Enquanto eventos maiores tentam ser tudo para todos, a Retrocon segue com uma proposta clara: ser um mergulho na cultura gamer clássica. E isso vai além dos jogos — é sobre memória afetiva, comunidade e contato humano.
O evento contou com uma área de fliperamas e arcades originalíssimos, com máquinas da Capcom e SNK liberadas para jogatina, sem ficha nem tempo limitado. Pinballs de Street Fighter 2 e Super Mario, TVs de tubo com cartuchos rodando Final Fight, Streets of Rage, Sonic, Super Mario World… Era impossível não esbarrar num sorriso nostálgico. Alias, se existe algo que é uma experiência genuína do Retrocon está em jogar fliperamas e arcades, o que se repetiu mais um ano por aqui.
Convidados, campeonatos e aquela energia de comunidade
A presença do Barry Leitch, compositor de trilhas lendárias como Top Gear, trouxe peso internacional ao evento. Apesar do cancelamento de Tom Kalinski (ex-CEO da SEGA) por motivos de saúde, a homenagem a ele emocionou fãs e organizadores.
O campeonato oficial também foi bem recebido, organizado com seriedade, teve participação intensa e torcida animada. Em paralelo, painéis e entrevistas tomaram conta dos dois palcos gigantes do evento. Youtubers como BRKsEdu, Fiaspo, Assopra Fitas, Velberan e outros criadores circularam entre os fãs, sem barreiras, e reforçaram o clima informal que é marca da Retrocon.
NINJA GAIDEN: Ragebound e SHINOBI: Art of Vengeance
Para o pessoal que esteve presente no evento, teve a oportunidade de jogar os novíssimos NINJA GAIDEN: Ragebound da KOEI TECMO GAMES e o SHINOBI: Art of Vengeance da SEGA. Enquanto o primeiro reproduzia a experiência próxima dos jogos de 8 bits, o segundo vinha com a proposta de trazer algo da geração 16 bits, mostrando o retorno dos dois ninjas queridos pelo público retro gamer.
BUG e retorno dos jogos de Mega Drive.
Um dos outros destaques estava numa área para testar jogos de Mega Drive e outro para venda da produtora BUG que trouxe 4 jogos de Mega Drive para Retrocon 2025. Variando de 280 reais até 350 reais, os jogos eram: Block’em Sock’em, City Connection e P-47 II MD.
Uma sexta-feira para fazer história
Um dos momentos mais elogiados foi a sexta-feira “educacional”, com a visita de quase 200 crianças de ONGs ao evento. Elas puderam explorar a feira, jogar, conversar com desenvolvedores e se encantar com o universo dos games. A ação não teve caráter promocional — foi simplesmente uma iniciativa de impacto social dentro de um evento gamer. Algo raro.
Melhorias de estrutura, mas com pontos a corrigir
A organização acertou em cheio na estrutura física. Corredores mais largos, melhor divisão de áreas, pavilhão com menos colunas, mais lojas e alimentação variada o que tornou a experiência mais confortável.
Devo confessar aqui que a ideia dos influenciadores tirar fotos nos corredores dos estandes em alguns momentos não foi muito boa, criando um certo “trânsito” nos corredores. E dependendo do criador de conteúdo, a fila dava voltas e mais voltas no corredor. A ideia foi boa, mas na prática sinceramente deixou a desejar.
Sobre a nova localização, sabemos que também dividiu opiniões, mas o Transamerica tem estrutura invejável e que nada lembra Pro Magno, aonde foi realizado em 2024. É fato que pra mim, morando na zona norte, preferia o anterior pela distância, mas o Transamerica em termos de estrutura comporta muito bem e mais próximo do metrô.
O que vem pela frente
A Retrocon 2026 já está sendo planejada, mas os organizadores comentaram dos desafios no horizonte, durante entrevista ao Flow News. Com a Copa do Mundo, realizar eventos neste período trará desafios em especial agendar e locar espaços no período.
Mesmo assim, o evento será realizado e a organização promete manter o padrão e trazer ainda mais convidados internacionais para fortalecer o evento como referência.






