O alto do Morro do Cantagalo, na Zona Sul do Rio, foi palco de um evento histórico: a 3ª edição da Copa AfroGames, realizada em 29 de agosto de 2025. A arena recebeu cerca de mil pessoas e mais de 150 competidores de comunidades do Rio de Janeiro, consolidando o torneio como o maior campeonato de eSports já realizado em favelas do país.
As classificatórias reuniram jovens de centros de treinamento do programa AfroGames em comunidades como Maré, Vigário Geral, Mandela, Salgueiro (São Gonçalo) e Cantagalo.
Na final, o AFG Timbau, da Maré, conquistou o título de Valorant. O Blackout, do Cantagalo, levou o troféu de Free Fire. Já a dupla Winx, do Salgueiro, venceu no Fortnite. O formato variou entre séries melhor de três (Free Fire), confrontos únicos (Valorant) e rodadas acumuladas (Fortnite).
Favela como vitrine gamer e tecnológica

Mais do que competição, a Copa mostrou a força criativa e tecnológica das favelas. Criado pelo Grupo Cultural AfroReggae, o AfroGames mantém seis centros de treinamento que atendem mais de 500 jovens com cursos de eSports, design de games, trilha sonora, inglês técnico e formação cidadã em temas como diversidade, cyberbullying e sustentabilidade.
A iniciativa é reconhecida internacionalmente como um modelo de inclusão digital e inovação social, provando que a favela não apenas consome entretenimento, mas também forma talentos e gera tecnologia.
Um show dentro e fora das telas
A final foi conduzida por BlackWill e Kakarota, com narração de Lobão, e contou com apresentações culturais e o painel “Dia do Gamer é na Favela”. O debate trouxe nomes como Leandro Valentim (Player1 Gaming Group), Isabelle Carvalho (V3A), Renato Oliveira (Logitech) e Fernando Hakme (Cidade Integrada), destacando o potencial das periferias no cenário gamer.
Entre os convidados estavam influenciadores como Puro Roxo, Esdras Saturnino e DZ7 KING, além de representantes de organizações como W7M e veículos como o IGN Brasil.
Parcerias e reconhecimento
A edição contou com apoio de Guaraná Antarctica, IHS Towers Brasil e da Logitech G, parceira oficial desde 2024, que premiou os campeões com periféricos de alto desempenho. Autoridades também marcaram presença, reforçando o AfroGames como modelo de impacto social.
José Junior, fundador do AfroReggae e atualmente um dos principais showrunners brasileiros, esteve no evento e destacou a relevância da iniciativa.
Impacto além dos games
Para Danilo Costa, Diretor Executivo do AfroReggae, a Copa AfroGames prova que a tecnologia pode ser ferramenta de transformação real:
“O AfroGames é um espaço de formação, inovação e conexão, que transforma potencial em oportunidade e inclusão.”
Um marco para os eSports brasileiros
A Copa AfroGames 2025 consolidou o Cantagalo como referência internacional no cenário gamer comunitário. O evento mostrou que a juventude periférica está pronta para ocupar também os palcos globais do eSports e que o entretenimento pode se transformar em formação, oportunidade e inovação social.


